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Cultura popular e artesanato

Boneca Janaina da Alegria passa por repaginada visual e ganha novos instrumentos

Divulgação

O Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria está de cara nova. Com os recursos da Lei Aldir Blanc em Pernambuco, o grupo cultural deu uma repaginada na identidade visual e instrumental. Fundado em 17 de fevereiro de 1996, a agremiação carnavalesca é composta por cerca de 40 integrantes, que inclui, crianças, adolescentes, jovens, adultos e trabalhadores da cana-de-açúcar e da agricultura, do Engenho Serra, zona rural da cidade de Chã de Alegria, região da Mata Norte. Há 25 anos é considerado uma das manifestações de cultura popular mais antiga do carnaval pernambucano. Historicamente, nos dias de folia, o bloco ganha as ruas e avenidas da cidade e região arrastando uma multidão, ávida por frevo, maracatu e muita diversão.

A expectativa é que, assim que se encerrem as limitações impostas pela pandemia de covid-19, a agremiação possa fazer um lindo desfile carnavalesco. Pensando nisso, a Boneca Janaina, montada em tamanho gigante, superior a dois metros de altura, passou por uma manutenção no visual. O trabalho foi feito à mão, por um artesão, da cidade de Olinda, especializado neste tipo de obra de arte.

O porta-estandarte, símbolo principal do Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria, também passou por uma remodelação. Também confeccionado à mão, a peça de arte feita em tecido aveludado, nas cores rosa, amarelo e vermelho, traz, ao centro do estandarte, uma versão da miniatura da Boneca Janaina, bordada em tecido, uma maneira de reafirmar a simbologia e a importância da agremiação na folia de rua. Além disso, o grupo cultural também adquiriu novos instrumentos musicais de percussão e revitalizou outros.

“Estamos muito animados e orgulhosos com o resultado da manutenção do nosso Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria. Junto com a comunidade, buscamos unir esforços para pensar em cada detalhe. Tudo foi elaborado com muito carinho, trabalho e amor pela nossa cultura e tradição”, conta a vice-presidente da agremiação, Josilene Maria dos Santos.

O projeto de manutenção do grupo também proporcionou aos participantes a entrega do certificado de parceria. O documento, assinado pela diretoria, busca estabelecer o reconhecimento público, engajamento e importância dos brincantes e de toda à comunidade no trabalho de preservação, salvaguarda e memória cultural que é feito por meio do Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria.

“Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, a união da comunidade, dos brincantes e do poder público, fez toda diferença para que alcancemos essa conquista. Somos um grupo de tradição e precisamos dessas parcerias para poder manter viva a chama da folia, arte e história de nossa gente”, afirma o produtor artístico e cultural do grupo, Gilson Xavier.

HISTÓRICO - A ideia de colocar o Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria para desfilar no Carnaval surgiu da trabalhadora rural, Maria José dos Santos, conhecida como Maria Caboquinho. O grupo nasceu com a ideia de resgatar os antigos carnavais que aconteciam nos engenhos de cana-de-açúcar da região da Zona da Mata, organizados pelos trabalhadores rurais.

A agremiação, existente há mais de duas décadas, é composta por familiares de Maria José dos Santos, como filhos, netos, sobrinhos, e, também, por outros moradores da localidade. Para confeccionar as fantasias durante o carnaval, a comunidade promove, bingos. Uma maneira de assegurar recursos para que possa colocar o bloco na rua. Atualmente, a idealizadora passou por um problema de saúde, um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Apesar das limitações impostas pela doença, dona Maria faz questão de acompanhar de perto e dar todo o apoio para que a família não deixe a tradição morrer. Ao longo de toda a trajetória cultural, o Bloco Rural Boneca Janaína participou, além do carnaval, de vários eventos culturais, como o Festival de Inverno da cidade de Garanhuns (FIG), Projeto de Intercâmbio Cultural de Blocos Rurais, do Ministério da Cultura, Secretaria da Diversidade Cultural e Cidadania e Governo Federal, entre outros.

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