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Cultura popular e artesanato

Obra póstuma da poeta Clene é lançada com live no YouTube

Com incentivo do Funcultura, a publicação é o manifesto de uma Maria singular, que teimou em existir em uma sociedade na qual a memória e as histórias das mulheres não são valorizadas

Com direito à live no YouTube, a poeta pajeuzeira Maria Clenice Viana Valadares (1946-2019), mais conhecida por Clene, teve sua obra póstuma “Sendo Maria também, que destino me convém?” lançada neste domingo (18), com uma série de performances comandada pela artista Anaíra Mahin, filha de Clene, e pelos poetas Kleber Oliveira, Sammia Gonçalves e Luann Ribeiro, todos de Vitória de Santo Antão, cidade na qual Anaíra reside atualmente. O livro conta com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura.

Natural de São José do Egito, Clene foi poeta, professora, capoeirista, ativista do feminismo e do meio ambiente. Desde pequena tinha gosto pela leitura e escrita. Era fluente em três idiomas. Ainda jovem, foi integrante do Partido Comunista Revolucionário, o PCBR. Na década de 1970, morou nos EUA cerca de 4 anos, onde atuou junto aos panteras negras. Conheceu 32 países durante o exílio político. Quando retornou ao Brasil, no fim dos anos 1970, contribuiu para a fundação do Movimento Negro Unificado em Pernambuco. Publicou em antologias, folhetos, jornais acadêmicos e marginais. Participou de alguns filmes, como “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes e “O silêncio da noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras”, de Petrônio Lorena. Deixou poemas, uma filha, um casal de netos e contribuiu para a educação, preservação patrimonial, cultural e ecológica de Pernambuco, particularmente de São José do Egito.

Seu livro “Sendo Maria também, que destino me convém?”, contém poesias reunidas e selecionadas por Anaíra Mahin, expressa uma poética sensível às questões que atravessaram sua existência. Nele, visualizamos o Sertão do Pajeú e as disparidades do coronelismo; sua infância e juventude; a família tradicional brasileira e suas contradições no tocante ao lugar das mulheres na vida privada dos lares; os Estados Unidos na ascensão das lutas pelos direitos civis; os movimentos políticos no Brasil frente à ditadura; a luta do povo negro e indígena por meio de sua cultura e paradigmas de resistência. Sendo Maria também, que destino me convém? é um manifesto de amor e luta, de esperança e denúncia, de consciência e riso. A voz de uma mulher criança-moça-idosa que teima em existir em uma sociedade que cultua a juventude e não valoriza a história das mulheres.

A obra está sendo lançada em texto impresso e audiobook, com o objetivo de acessar, além do público em geral, a população idosa, surda e cega. O audiobook estará no disponível no YouTube Sendo Maria, com acesso via QR code ou indo direto à página desse canal. Parte da distribuição será gratuita, destinada a bibliotecas escolares e comunitárias, coletivos de mulheres e de literatura, movimentos negros do Recife, Olinda, Caruaru, Vitória de Santo Antão, São José do Egito e outras cidades do Sertão do Pajeú. O livro pode ser adquirido através do e-mail clenesendomaria@gmail.com e do perfil no Instagram @sendomariatambem, dedicado à divulgação do projeto. Também será vendido na Livraria Praça de Casa Forte.

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