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Design e Moda

Artistas visuais criam cartilha sobre o uso pedagógico do lambe-lambe

A arte que toma as ruas da cidade é muito potente, inclusive para a relação de ensino e aprendizagem dentro das escolas. É o que defendem Tácio Russo e Milla Serejo, que desde 2020 vem assinando juntos intervenções urbanas pelo Recife. Eles utilizam cartazes que são colados nos muros, também conhecidos como lambe-lambe, e com os recursos da Lei Aldir Blanc em Pernambuco, esses artistas que também são professores por formação, desenvolveram uma cartilha virtual intitulada de “Lambe-lambe como dispositivo pedagógico”. Exemplares físicos da publicação serão distribuídos em escolas e bibliotecas públicas e comunitárias. A cartilha está disponível gratuitamente para download aqui.

O material entrelaça a ciência da arte urbana e da pedagogia e instrui o passo a passo para execução do lambe-lambe para os educadores poderem utilizar essa prática em sala de aula, online ou presencialmente. A cartilha foi construída com a consultoria de Ariana Nuala, educadora e curadora; Patrícia Naia, professora, escritora e produtora cultural; Luana Félix, atriz, professora de teatro e produtora cultural; Altino Francisco, arte educador, e Alberto Pereira, artista visual e criador da plataforma Lambes Brasil. Profissionais da arte e da educação que acreditam que iniciativas que inserem elementos da arte urbana em sala de aula são essenciais, mesmo que as diretorias e coordenações escolares tenham muita resistência à ideia. “Quando a gente começou a desenvolver esse projeto, a gente considerou o lambe como qualquer papel que esteja colado na parede. E, a partir disso, a gente entendeu que a escola já é cheia de lambe e que é uma ferramenta efetiva. Mas o que é que a escola escolhe colocar na parede? E o que ela não permite?”, diz Milla.

As reflexões sobre o espaço urbano é o fio condutor da parceria entre Milla Serejo e Tácio Russo. Russo, nascido e criado em periferias da zona norte do Recife, sempre teve que fazer o trajeto até o centro da cidade para estudar e, também por estímulos do ambiente escolar, se desenvolve enquanto artista urbano em diferentes linguagens. Primeiramente enquanto artista do improviso, frequentando batalhas de rima, promovendo e participando de saraus e, posteriormente, colando seus poemas e outras intervenções pela cidade em lambe-lambes. Milla é natalense do Rio Grande do Norte e veio a Recife, dentre outras coisas, também na expectativa de poder se reencontrar com a arte e as intersecções com a cidade. Ela conta que a cena artística de Natal não oferece tantas possibilidades e que lá passou a trabalhar bem mais com design do que com as artes visuais.

Juntos, Milla e Russo criaram o Laboratório Labirinto, que pretende promover ainda mais projetos e experimentações de reflexão sobre arte contemporânea e ambiente urbano. A iniciativa partiu da necessidade de transbordar e interligar essas linguagens. “A gente acha importante continuar pensando novas formas de diálogo entre o fazer artístico e o espaço público”, defende Russo. Para saber mais sobre o trabalho dos artistas, acesse o perfil no Instagram: @lambesbrasil.

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