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Documentário Lua Nova do Penar, sobre desaparecido político, será exibido no São Luiz

Filme resgata a memória de Hiram Pereira através da narrativa de suas filhas e de seus amigos

moldura antiga prata_Hiram e familia anos 1950

A família de Hiram de Lima Pereira tinha na música e na poesia um elemento central e unificador. Hiram era descrito pelos seus amigos como solidário, de muito humor e muito ligado à sua família. Jornalista, ator e poeta, membro do Comitê Central do Partido Comunista, foi detido diversas vezes até que, em 15 de janeiro de 1975, foi preso como parte da operação Radar, ofensiva do exército iniciada em 1973 para dizimar o PCB, segundo depoimento do ex-sargento e agente do DOI-Codi Marival Dias Chaves do Canto, publicado em 18 de novembro de 1992. No depoimento, o ex-sargento cita nominalmente Hiram entre os membros do Comitê Central do PCB que teriam sido mortos e esquartejados pelo DOI-Codi e jogados na represa de Avaré, interior de São Paulo.

Alguns anos depois, a militante política, fotógrafa e jornalista paraense Leila Jinkings fazia uma pesquisa sobre a Comissão da Verdade e folheava o livro Direito à Memória e à Verdade, preparado pela Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
Deparou-se então com a página de Hiram de Lima Pereira e lhe chamou a atenção o seu perfil multifacetado. “Ele era jornalista, poeta, ator e comunista, muito ligado à família e bem quisto pela sociedade. Foi assim que Hiram surgiu na minha vida. Sidnei (Pires) também se entusiasmou e resolvemos fazer uma pesquisa mais profunda com a intenção de produzir um documentário”, conta a diretora.

Acervo Pessoal

Acervo Pessoal

A jornalista Leila Jinkings pesquisou a vida de Hiram Pereira

Acervo Pessoal

Sidnei Pires fez a produção do documentário, que reuniu as filhas do militante e desaparecido político

Assim, surgiu o documentário Lua Nova do Penar, de Leila Jinkings e Sidnei Pires, que traz o encontro das quatro filhas do jornalista – Nadja, Sacha Lídice, Zodja e Hânya – além de depoimentos de antigos companheiros de Hiram no Teatro Popular do Nordeste, como Leda Alves e Ariano Suassuna. O título do filme homenageia a canção Guarânia da Lua Nova de Luiz Vieira, uma das músicas preferidas de Hiram. No documentário, as filhas Nadja, Sacha Lídice, Zodja e Hânya, cantam a música que Hiram compôs na prisão e as músicas que a mãe, musicista, deixou. A trilha sonora é toda da criação familiar.

O filme receberá sessão especial no Recife, na próxima segunda (5), às 19hs. Após a exibição, haverá debate com a diretora Leila e com a filha Zodja Pereira. O DVD do filme também estará à venda, na ocasião. Lua Nova do Penar estreou em São Paulo e já foi exibido em festivais e mostras como o Mumbai Women’s International Film Festival e o Ionian International Digital Film Festival, na Grécia, onde recebeu o prêmio de melhor documentário.

“Entrevistamos muitas pessoas e todas eram unânimes em falar da solidariedade e do humor de Hiram. Ariano fala de maneira graciosa de quando Hiram esteve escondido em sua casa. Leda Alves conta de como era tensa a tarefa de pegar um comunista em determinado lugar e levá-lo para outro lugar. Foi ela quem levou Hiran, a pedido de Dom Helder, para a casa de Ariano”, relata a diretora. O filme traz ainda contribuições de outros personagens pernambucanos, como Marcelo Mario de Melo, que entre algumas histórias sobre Hiram, faz uma análise do atual momento político brasileiro: a história ainda não foi totalmente recontada, os torturadores não foram punidos e estamos em um momento delicado da história atual.

Serviço
Documentário Lua Nova do Penar (exibição e lançamento do DVD e debate com a diretora Leila Jinkings)
Quando: segunda-feira (5), às 19h30
Onde: Cinema São Luiz (R. da Aurora, 175 – Boa Vista, Recife – PE)
Entrada gratuita

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