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Peça “A Mulher Monstro” será encenada no Teatro Arraial Ariano Suassuna

O novo espetáculo de José Neto Barbosa ocupará o palco do equipamento na sexta-feira (23) e no sábado (24), às 20h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)

Jorge Almeida/Divulgação

Jorge Almeida/Divulgação

A peça fala sobre a intolerância e trata de questões da atualidade político-social do Brasil

O Teatro Arraial Ariano Suassuna sedia, nesta sexta-feira (23) e sábado (24), às 20h, a encenação do espetáculo A Mulher Monstro. Resultado da ocupação de dois anos da S.E.M. Cia. de Teatro (Rio Grande do Norte) no Recife. A dramaturgia da peça, criada pelo ator José Neto Barbosa, que também protagoniza a produção, foi escrita diante das barbáries sempre lidas e ouvidas de forma tão escancarada no dia a dia e, agora, acentuada nas redes sociais.

Na obra, o ator-dramaturgo expõe poeticamente fatos e discursos impositivos de sua vida, desde infância, decorrente da discriminação vista e sentida no convívio social. O processo de criação se deu na capital pernambucana, na sede da Cia. no Recife Antigo. Para afinar os discursos artísticos e políticos da peça, a Cia. promoveu leituras dramáticas, apresentações e bate-papo sobre arte militância com representantes de ONGs e movimentos sociais em Pernambuco e também no Rio Grande do Norte.

O espetáculo é baseado no conto Creme de Alface, de Caio Fernando Abreu, escrito em plena ditadura militar, mas só publicado em 1995. “O que me aterroriza neste conto de 1975 é a sua atualidade. Com a censura da época, seria impossível publicá-lo. Depois, cada vez que o relia, acabava por rejeitá-lo com um arrepio de repulsa pela sua absoluta violência. Assim, durante vinte anos, escondi até de mim mesmo a personagem dessa mulher-monstro fabricada pelas grandes cidades. Não é exatamente uma boa sensação, hoje, perceber que as cidades ficaram ainda piores, e pessoas assim ainda mais comuns”, disse o escritor sobre o trabalho, dois anos antes de seu falecimento.

“Se de 75 para 95, Caio percebeu que a sociedade estava mais intolerante, hoje, quarenta anos após a criação desse conto inspirador, vemos que, nesse tempo de redemocratização brasileira, pouco avançamos com relação a intolerância e o preconceito. É um dos maiores desafios da minha carreira, nesses 15 anos de teatro. Resolvi fazer da minha arte, uma militância”, desabafa José Neto, que pela primeira vez ousa em dirigir o próprio espetáculo. “Precisava garantir as minhas inquietudes de forma mais independente e empoderada nesse trabalho. Não escolhi me dirigir, é um desafio, tudo foi fluindo e quando percebemos já estava posto e pronto para estrear”, conclui o ator.

A produção venceu o prêmio Hermilo Borba Filho de Melhor Direção, no 3º Edição do Festival Nordestino de Espetáculos e Monólogos de Trindade/Pernambuco. Em três atos de encenação e um quarto ato, que é bate-papo com a platéia, a montagem objetiva espelhar as reais monstruosidades do cotidiano dos brasileiros, expressões e atitudes que reforçam, até mesmo inconscientemente, o preconceito e os argumentos segregacionistas, antidemocráticos, radicalistas e fundamentalistas.

Sinopse
Uma mulher perseguida pela sua própria visão intolerante da sociedade, com características infelizmente não singulares a milhares de brasileiros. Racista, machista, sexista, gordofóbica, homofóbica, reacionária e fundamentalista religiosa são alguns dos adjetivos que descrevem a burguesa decadente. Apesar de seu pensamento político equivocado, A Mulher Monstro, ainda sim, é uma humana com suas inquietudes e peculiaridades, como qualquer pessoa. A protagonista apresenta dificuldades nas relações, sem saber lidar com a solidão. Vive uma traição e rejeição do esposo diagnosticado com câncer. Além de não superar a morte do único filho, vítima de seu preconceito. Ela insiste em não aceitar emergências sociais, as questões políticas ou até mesmo pessoais: como por exemplo, seu corpo, um governo progressista e de esquerda ou sua atual condição financeira. A peça levanta os questionamentos em torno do que incita as nossas posições julgadoras muitas vezes sem conceito, e expõe as monstruosidades ditas e praticadas no cotidiano contraditório do atual momento sociopolítico do país – onde o ódio se mostra sem vergonha, principalmente nas opiniões das redes sociais, das ruas e nas lamentáveis posturas de figuras públicas. Confira um teaser da peça:

Sobre a companhia
A S.E.M. Cia. de Teatro (Sentimento, Estéticas e Movimento) foi fundada em 2013, no Rio Grande do Norte, e atualmente tem sede no Recife e em Natal, onde trabalha nessa itinerância. A Cia. circulou quase todas as regiões do Brasil com o monólogo Borderline, com temporadas lotadas, agrandando ao público e a crítica de festivais, rendendo inclusive premiações. Na capital potiguar, mantém um Núcleo de Ações Formativas, com oficinas e espetáculos. O grupo é formada por atores, técnicos e profissionais de outros campos artísticos, como o audiovisual.

Serviço
Espetáculo A Mulher Monstro
Quando: sexta-feira (23) e sábado (24), às 20h
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (R. da Aurora, 457 – Boa Vista, Recife – PE)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Vendas antecipadas: www.eventick.com.br/amulhermonstroarraial
Mais informações: (81) 99599-8987 (produção) | (81) 3184-3057 (Teatro)

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