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Juliano Holanda lança novo disco “Por onde as casas andam em silêncio”

Em oito canções autorais, o artista canta sentimentos controversos provocados pelo atual momento histórico

Beto Figueiroa/Divulgação

Beto Figueiroa/Divulgação

Juliano Holanda compôs todas as oitos canções do novo disco durante a pandemia

2020. Ano de pandemia, de quarentena, de polarizações extremas, de catástrofes no Brasil e no mundo. Uma nova década começando em meio a obscuridades e incertezas. A sensação de impotência diante de um momento histórico tão adverso e a força da canção se unem no novo trabalho do cantor, compositor e musicista pernambucano Juliano Holanda. Lançado recentemente, o disco “Por onde as casas andam em silêncio”, obra densa na qual relê o contexto atual sob forte lirismo e experimentalismo.

Em oito canções autorais, o artista narra o revés vivido pelo cidadão brasileiro, o amargor do isolamento social, o inconformismo com as controvérsias políticas, a desilusão das expectativas frustradas. Um repertório que questiona e afaga, pelo qual Holanda canta a aspereza dos dias e, ao mesmo tempo, clama por mais humanidade nas relações sociais. Músicas que lamentam, que ruminam a dor, sem perder o vislumbre da esperança e do afeto como instrumento de sobrevivência.

Com direção musical assinada pelo próprio Juliano e por sua companheira, a produtora Mery Lemos, o disco foi idealizado e produzido durante a quarentena. Seis canções foram compostas durante o isolamento, somando-se a outras duas que já figuravam no repertório do compositor, que já escreveu algo em torno de 600 canções. Nos arranjos, a voz de Holanda dialoga apenas com um instrumento – o contrabaixo -, em alusão ao início de sua trajetória musical nos anos 1990 e 2000, quando começou a tocar com artistas da cena pernambucana.

“Durante 10 anos da minha vida, eu só toquei baixo. No disco inteiro sou apenas eu, na voz e no instrumento”, detalha o artista, que viu no duo uma forma de se experimentar no fazer musical, unindo suas origens a sua costumeira e potente inventividade poética. “É um disco baseado na poesia mesmo. Letras grandes com pouca melodia, algo mais próximo da fala, parecido com a linguagem do contrabaixo mesmo”, explica Juliano.

A canção “Súmula” abre o disco revelando diferenças entre o eu-lírico e o outro; “Haja Terapia” aborda o cotidiano da quarentena em tom confessional e existencialista – “não sei em que altura da estrada a gente perdeu a poesia”, o artista se indaga na canção, para na faixa seguinte constatar – “não há queda maior que Cair Em Si”. E assim segue o repertório. A sonoridade afiada, crua, somada à sutileza e ao acolhimento da poesia, viram tentativa de transformar solidão e decepção em resiliência e renascimento.

Esse é o primeiro lançamento de Juliano Holanda desde o single “Eu, Cata-Vento”, lançado em março de 2020, que abriria caminhos para o disco “Sobre a Futilidade das Coisas”. O momento histórico, no entanto, pausou o trabalho em curso e inspirou o projeto do novo disco, que ganhou incentivo através da Lei Aldir Blanc em Pernambuco. “Este é um trabalho urgente, que pede para ser lançado agora. Nasceu pela pandemia e para a pandemia”, comenta o cantor.

“Por onde as casas andam em silêncio” é uma realização da Anilina Produções e chega a todas as plataformas digitais pelo selo Dubas. Um disco de apelo ao sensível que ainda existe na humanidade, uma provocação para manter-se alerta e são, e um alento poético para atravessar a quarentena.

SOBRE O ARTISTA - Juliano Holanda é natural de Goiana-PE e iniciou na trajetória artística em fins dos anos 1990. Atuou como músico ao lado de artistas como Zeh Rocha, Alessandra Leão, Erasto Vasconcelos e a Orquestra Contemporânea de Olinda, da qual faz parte até hoje. Nos anos 2010, iniciou carreira solo lançando dois discos em 2013 – “A Arte de Ser Invisível” e “Pra saber ser nuvem de cimento quando o céu for de concreto”. Dois anos depois, Holanda brilhou nacionalmente com a trilha autoral da série “Amorteamo”, levada ao ar pela TV Globo, em 2015. De lá pra cá, atua também em produção musical, tendo produzido mais de 50 discos, entre eles os de Ave Sangria, Bongar, Almério, Isadora Melo, Lucas Torres, Joana Terra e Alexandre Revoredo. Já compôs cerca de 600 canções, tendo algo em torno de 200 gravadas por vozes de todo o Brasil, como Zélia Duncan, Elba Ramalho, Filipe Catto e Raíssa Bittar.

Ouça agora “Por onde as casas andam em silêncio”, de Juliano Holanda: orcd.co/porondeascasas
Disponível em Spotify, Deezer, iTunes, Amazon Music e Tidal

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