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	<title>Portal Cultura PE &#187; acervo Afro Pernambucano</title>
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		<title>Museu da Abolição expõe acervo digital de peças de terreiros pernambucanos</title>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2018 19:12:13 +0000</pubDate>
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<div id="attachment_60565" aria-labelledby="figcaption_attachment_60565" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/tela_museuafrodigital.jpg"><img class="size-large wp-image-60565" alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/tela_museuafrodigital-800x450.jpg" width="800" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Exposição conta com a catalogação digital de cerca de 400 peças confiscadas dos terreiros pernambucanos</p></div>
<p>Para aproximar os pernambucanos ainda mais da sua própria história, o Museu da Abolição aproveita a Semana dos Museus para abrir a exposição “Repatriação Digital do Acervo Confiscado nos Terreiros”, que tem apoio do Governo do Estado, através do Funcultura, e ficará em cartaz no espaço até o dia 30 de junho. A mostra traz a catalogação digital de mais de 400 peças pertencentes a terreiros do Estado que foram invadidos na década de 1930. A iniciativa é do projeto Repatriação Digital do acervo Afro Pernambucano, que compõe o Acervo Mário de Andrade, guardado pelo Centro Cultural São Paulo (CSSP) e tem a proposta de resgatar as referências religiosas ancestrais da população negra.</p>
<p>Acusadas de estarem associadas a práticas de curandeirismo, charlatanismo e possessão como doença mental, as religiões de matriz africana foram duramente perseguidas durante o Estado Novo, que implementou ações para reprimir essas expressões e, muitas vezes, seus praticantes. Em Pernambuco, vários terreiros foram atingidos pelas ordens oficiais e tiveram vários de seus objetos retirados de seus locais sagrados, sendo quebrados, amontoados e queimados em praça pública. Apenas uma pequena parte deles foi encaminhada às delegacias e à Secretaria de Segurança Pública. Grande parte desse material remanescente foi cedido à Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, quando o escritor e pesquisador esteve no Recife em 1938.</p>
<div id="attachment_60564" aria-labelledby="figcaption_attachment_60564" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/DSC00418.jpg"><img class="size-large wp-image-60564" alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/DSC00418-800x448.jpg" width="800" height="448" /></a><p class="wp-caption-text">As peças podem ser vistas em 360 graus</p></div>
<p>O conjunto de objetos levados para São Paulo é composto por peças de diversos suportes: cerâmicas, tecido, metal e madeira, ferro e papel. Entre eles estão instrumentos musicais, imagens de santos católicos, resplendores, espadas, abebés, pilões, setas, facões, imagens de santos católicos, bancos de pegí, cifres de madeira e cerâmica, documentos e roupas dos filhos-de-terreiro. Após serem identificados e catalogados por alguns babalorixás entrevistados pela equipe da Missão, os objetos foram enviados para Mário de Andrade, em São Paulo, onde permanece até hoje, sob a tutela do CSSP. Agora, em parceria com o Museu Afrodigital, do Museu da Abolição, o projeto Repatriação Digital encurta a distância entre as peças e seu local de origem.</p>
<p>O trabalho digitalizou os objetos dos terreiros do Recife e os disponibiliza em visão 360 graus. O conjunto de cerca de 400 fotografias, produzidas durante a pesquisa no CCSP, passou a compor do acervo digital do MAB e o inventário do Museu Afrodigital, ficando a disposição do público e de pesquisadores na internet, juntamente com novas fichas catalográficas com descrição de cada uma das peças. “<em>Observando a documentação museológica, identificamos cinco ´seitas´ das quais faziam parte aqueles objetos: Xangô, Xambá, Nagô, Gêge e Mirê. Entre os orixás, aos quais são atribuídos os objetos, ou nos quais têm inscrições, estão: Yemanjá, Xangô, Xangô Bacele, Oxum, Oxum Timi, Oxum Pandá, Oxum Fá Miló, Oxossi, Aloiá, Ogum, Exu, Oxalá, Odê Bombôchê, Odê, Omulu e Oiá</em>”, descreve Charles Martins, antropólogo e coordenador do projeto.</p>
<div id="attachment_60566" aria-labelledby="figcaption_attachment_60566" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/equipe-durante-pesquisa-no-CCSP2.jpg"><img class="size-large wp-image-60566" alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/equipe-durante-pesquisa-no-CCSP2-790x600.jpg" width="790" height="600" /></a><p class="wp-caption-text">Equipe durante a pesquisa no Centro Cultural São Paulo</p></div>
<p>Durante a semana dos museus, nos dias 15, 16 e 17, a equipe de produção do projeto fará visitas a alguns dos terreiros descendentes daqueles existentes na década de 1930 (Nação Xambá, Pai Edson e Sitio de Pai Adão) para levar essa documentação digital, possibilitando que eles possam voltar a se apropriar do passado. “<em>É importante que eles possam se reaproximar dos objetos dos seus antepassados. Essas referências são fundamentais para que se possa registrar a história desses terreiros</em>”, pontua a curadora da pesquisa e diretora do Museu da Abolicao, Elisabete Assis.</p>
<p>Segundo Charles Martins, além de permitir ao público pernambucano o acesso ao acervo que se encontra distante, em São Paulo, dá a possibilidade de resgatar memórias sociais em torno das perseguições das expressões religiosas de matriz africana, ocorrida nos anos de 1930 no Recife. “<em>Ao resgatar essa memória, denunciamos a violência do Estado ao povo de terreiro. Esta, talvez, a maior contribuição: possibilitar o conhecimento sobre episódios do passado, que não devem ser esquecidos, para que evitemos que ele se repita no presente e no futuro</em>”, pontua.</p>
<p><strong>SERVIÇO</strong><br />
Repatriação Digital do Acervo Confiscado nos Terreiros &#8211; Exposição Digital<br />
Quando: de 14 de maio a 30 de junho (segunda a sexta, das 9h às 17/ sábado, das 13h às 17h)<br />
Onde: Museu da Abolição (Rua Benfica, 1150 – Madalena/ Recife)<br />
Disponível em: http://www.museuafrodigital.com.br/repatriacaodigital/<br />
Entrada Gratuita</p>
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