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	<title>Portal Cultura PE &#187; anny stone</title>
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		<title>Crítica: Geronimo, de Anny Stone</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Dec 2018 16:57:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Luiz Joaquim Nunca foi fácil trabalhar no cinema entre o limiar do realismo e do fantástico (ou do surrealismo). Dar o tom correto tanto a um quanto a outro, se desenvolvidos separadamente, já é também, por si só, algo que requisita uma elaboração para lá de azeitada sobre suas fórmulas, sobre seus signos. Realizar [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><em>Por Luiz Joaquim</em></strong></p>
<p>Nunca foi fácil trabalhar no cinema entre o limiar do realismo e do fantástico (ou do surrealismo). Dar o tom correto tanto a um quanto a outro, se desenvolvidos separadamente, já é também, por si só, algo que requisita uma elaboração para lá de azeitada sobre suas fórmulas, sobre seus signos. Realizar algo que transite de um lado para o outro dentro de uma mesma obra&#8230; bom, aí já entramos num outro patamar de sofisticação.</p>
<div id="attachment_65435" aria-labelledby="figcaption_attachment_65435" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Still/Gerônimo</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/12/Geronimo-3.jpg"><img class="size-medium wp-image-65435" alt="Still/Gerônimo " src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/12/Geronimo-3-607x254.jpg" width="607" height="254" /></a><p class="wp-caption-text">O curta Geronimo, de Anny Stone, venceu na categoria de Ficção</p></div>
<p>No caso do trabalho eleito como o melhor curta-metragem de ficção na Competitiva Geral do 20º Festcine – <strong>Geronimo</strong>, de Anny Stone– é suave, mas segura, a curva que nos conduz do concreto para o intangível no percurso de seu enredo. E só por isso, o filme de Stone mereceria atenção. O cenário aqui é determinante, e também é a opção como ele nos é apresentado. Falamos da bela, dura e desértica região do Vale do Catimbau pela qual transita o protagonista Geronimo (vivido pelo ator paraibano Sebastião Formiga, de <em>O som ao redor</em>).</p>
<p>Com a fotografia de Breno César imprimindo uma tonalidade quase monocromática e assim aproveitando a pequenez de Geronimo diante da imensidão dos cânions, fica de pronto estabelecido que a aridez da paisagem só reforça o que o destino reserva de pedregoso para o nosso herói. E o melhor, num sentido literal e também metafórico.</p>
<p>A aridez da paisagem emoldura a aridez do protagonista, do qual não escutamos nenhuma fala, não recebemos nenhum dado além do que temos na imagem. Ele é um homem simples, vivendo numa humilde casa sertaneja e que, ao acordar, se prepara para uma jornada, carregando com muita dificuldade um caixão nas costas. Sobe uma trilha improvável para o alto de uma montanha e com ele vamos tentando entender o porquê de tanta determinação. O porquê daquele empenho para seguir diante de tanta dificuldade nas quais tropeça no percurso.</p>
<p>A não resposta que o filme não dá para essa pergunta é a não resposta que nunca teremos, mas sempre a buscaremos até a morte. “Transitar” é o verbo mais preciso a usar aqui, uma vez que Geronimo, roteirizado por Sidney Rocha, trata de uma travessia, e sobre o que a travessia significa, sendo ela mais definidora do que o seu destino. É da vida, portanto, que Anny e Sidney nos falam em seu filme.</p>
<p>Na travessia não faltam distração e alegria, como temos na vida. A representação aqui vem na forma de uma roda-gigante, cuja imagem Geronimo não hesita em registrar numa máquina fotográfica. Um instrumento que define muito bem a tentativa de prolongarmos o prazer, ou estendermos o tempo (ou a memória de um tempo). Interessante percebermos que o prazer aqui não vem descolado do risco, na forma de um precipício que ameaça Geronimo, distraído por esse prazer.</p>
<p>Aqui, Anny aproveita bem a situação provocando o espectador sobre um possível falso final. É como um recado, nos lembrando que a distração nos alivia de nosso destino, mas ele sempre vai nos espreitar por trás, uma vez que a humanidade está condenada. Um destino que se repetirá e se repetirá e se repetirá.</p>
<p>Em sua leitura mais direta, Geronimo nos remete à mitologia grega de Sísifo, que recebeu dos deuses, como castigo, a obrigação de levar nas costas uma enorme pedra de mármore para o topo de uma montanha, de onde ela rolaria para baixo sempre que ele estivesse próximo de atingir seu objetivo.</p>
<p>A sina de Sísifo era para o mesmo não esquecer de que os mortais nunca terão a mesma liberdade que os deuses. Se a própria raiz da palavra ‘mortal’ define a condição do homem, o que lhe cabe é cuidar da limitada liberdade que possui dentro de sua travessia. Aquela que tem um destino definido, para um único e inevitável lugar.</p>
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