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	<title>Portal Cultura PE &#187; Carlos Fernando</title>
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		<title>“Frervendo” o caldo da renovação</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2015 19:11:03 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[por Leonardo Vila Nova O frevo nasceu um híbrido. Foi fruto de uma reconfiguração de linguagens que se encontraram nas ruas. Uma atualização resultante de um misto de dança e música, quando incorporou ao som das bandas militares os passos de capoeira, que, mesclados, deram origem ao que conhecemos hoje. Isso significa que esse gênero [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong>por Leonardo Vila Nova</strong></em></p>
<p style="text-align: left;">O frevo nasceu um híbrido. Foi fruto de uma reconfiguração de linguagens que se encontraram nas ruas. Uma atualização resultante de um misto de dança e música, quando incorporou ao som das bandas militares os passos de capoeira, que, mesclados, deram origem ao que conhecemos hoje. Isso significa que esse gênero único no mundo já nasceu vocacionado para as metamorfoses e mutações que lhes seriam possíveis ao longo desses 108 anos. E, durante todo esse tempo, além de ir demarcando seu terreno dentro da música pernambucana, o frevo seguiu deixando seus códigos genéticos em aberto para que pudessem ser naturalmente reprocessados. E, assim, à revelia dos puristas de plantão, ganhou guitarras baianas, de rock, fraseados de jazz, bits de computador e uma infinidade de possibilidades de ser reinterpretado.</p>
<div id="attachment_21056" aria-labelledby="figcaption_attachment_21056" class="wp-caption img-width-470 alignnone" style="width: 470px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/carlos-fernando.jpg"><img class="size-full wp-image-21056" alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/carlos-fernando.jpg" width="470" height="230" /></a><p class="wp-caption-text">Carlos Fernando foi o nome à frente do projeto Asas da América, que modernizou o frevo na década de 1970</p></div>
<p>Do bairro de São José, nos velhos e saudosos carnavais, quando ainda era folião mirim, até passar pelos clubes e chegar aos palcos e trios elétricos, e se tornar centenário, o frevo traçou uma trilha de modernização que foi muito além da sua divisão clássica &#8211; frevo de rua, frevo canção e frevo de bloco. Primeiro, foi preciso se sedimentar, se afirmar. Para isso, contou com um panteão invejável: Nelson Ferreira, Antonio Maria, Levino Ferreira, Capiba, Louviral Oliveira, Luiz Bandeira, entre tantos outros responsáveis por clássico eternos. Com o respaldo da gravadora Rozenblit, o frevo se mostrou para o Brasil como classicamente o conhecemos. Esse movimento alcançou seu auge entre a segunda metade da década de 1950 até fim dos anos 1960.</p>
<p>A partir daí, já dono do pedaço, o frevo estava apto a se renovar, conquistar novos públicos, além dos salões dos clubes. E essa renovação veio quase uma década depois. Em 1979, entrava em cena o projeto Asas da América, capitaneado pelo compositor e produtor musical Carlos Fernando, que reuniu a nata da MPB para dar novo fôlego ao gênero. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico Buarque, Fagner, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Jackson do Pandeiro e uma infinidade de artistas (entre eles, alguns novatos, como Lenine e Lula Queiroga, por exemplo), emprestaram suas vozes aos seis volumes do projeto que modernizou a linguagem do frevo. “<em>Aquele foi um momento em que o frevo estourou com uma força gigantesca. E isso porque era um frevo feito com uma linguagem jovem, pois Carlo Fernando era um jovem, andava com gente jovem, antenada. A partir daí, foi um ‘boom’ e até mesmo artistas que não tinham uma ligação com o frevo, passaram a gravar, pois viram naquela música um filão interessante a se explorar na indústria fonográfica</em>”, constata Fábio Cabral, da Loja Passadisco. Ele tem, na sua coleção particular, todos os vinis originais da discografia do Asas da América.</p>
<p><strong>&#8220;Asas da América&#8221;, canção da voz de Geraldo Azevedo, está no projeto</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/GZsteRWwl0Q" height="315" width="420" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p>Tempos antes disso, o frevo, que tem sua raiz fincada em Pernambuco, não se furtou em ser alvo do flerte de outras paragens. Ganhou, por exemplo, sotaque baiano. Dodô e Osmar foram os responsáveis por isso. Modernizar o carnaval era a empreitada dos criadores da “fubica”, que viria a se tornar o famoso trio elétrico. A ousadia deles chegou no frevo, que, ao desembarcar em terras soteropolitanas, ganhou, para sua vestimenta, as tais “guitarras baianas”. Artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Moraes Moreira (que participariam do Asas da América), além da antiga banda deste último, os Novos Baianos, exploraram com competência essa vertente. Até mesmo um pernambucano, Robertinho do Recife, dessa linhagem de exímios guitarristas – a exemplo de Pepeu Gomes e Armandinho – também seguiu essa estética, inclusive, indo até mais além, com fartas doses de experimentalismo. “<em>Não existe isso de frevo baiano. Frevo é frevo! O que acontece é que os baianos encontraram um jeito mais fácil pra eles de tocar o frevo. Os arranjos das orquestras daqui são mais complexos. Lá, eles descomplicaram um pouco. Mas é frevo também”</em>, endossa Fábio Cabral.</p>
<p><strong>Ouça &#8220;Frevo dos palhaços&#8221;, uma das músicas do disco &#8220;Robertinho no Passos&#8221;, de Robertinho do Recife e Hermeto Paschoal</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/SeQA5fpKsuQ" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p><strong>Ao manguebeat</strong><br />
Na sequência, mais um hiato de experimentações e renovações. O fervor gerado pelo Asas da América havia arrefecido e, por mais uma vez, o frevo se resguardou em mais uma zona de conforto, conquistada pelo força estratosférica do projeto de Carlos Fernando. A música pernambucana, de um modo geral, havia perdido um pouco da ousadia. Nos anos de 1990, o novo som que despontava era o Manguebit, que revolveu todo o ecossistema da cidade estuário e toda a farta gama de elementos das tradições culturais para dar à luz um novo amálgama. Lá estavam rock, maracatu, hip hop, coco, soul music, embolada, dialogando. O frevo, no entanto, não fazia parte do cardápio do mangueboys. Isso suscita uma pergunta: se o frevo tivesse seu espaço garantido na proposta estética do Manguebit, ele hoje seria um ritmo com maior presença e influência na estética da música pernambucana jovem, com maior respaldo de mídia e de público?</p>
<div id="attachment_21057" aria-labelledby="figcaption_attachment_21057" class="wp-caption img-width-322 alignleft" style="width: 322px"><p class="wp-image-credit alignleft">Ricardo Moura/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/silverio-pessoa-ricardo-moura.jpg"><img class="size-medium wp-image-21057  " alt="Eric Gomes/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/silverio-pessoa-ricardo-moura-322x486.jpg" width="322" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Silvério também incorporou novos elementos ao gênero, no álbum &#8220;Micróbio do Frevo&#8221;</p></div>
<p>Porém, mesmo não dialogando diretamente com o frevo, o Manguebit despertou nos músicos pernambucanos a vontade e a ousadia de explorar novos contextos e esferas musicais, tendo à mão elementos locais e universais, trabalhando essa alquimia possível e fecunda. Alguns artistas enxergaram, então, no frevo essa possibilidade. O mais ousado e assertivo nesse sentido foi o músico, cantor e compositor Silvério Pessoa, que trouxe ao mundo, em 2002, o projeto/CD <em>Batidas Urbanas – Micróbio do Frevo</em>. Uma compilação de canções carnavalescas de Jackson do Pandeiro, totalmente desconstruídas e recriadas a partir de novas linguagens musicais. Um trabalho arrojado, que fincou estacas como um dos trabalhos mais inovadores no gênero.</p>
<p>“<em>O frevo é um possibilitador de trocas, de diálogos e de hibridações, isso é fato</em>”, enfatiza Silvério, que não compõe frevos, mas que os tem como fonte de inspiração musical. “<em>Há uma ligação muito forte do frevo com a musicalidade pernambucana. E, como impulso no meu trabalho, o fruto inconteste disso é o </em>Micróbio do Frevo<em>, que foi um disco importante nessa minha trajetória</em>”. Silvério encheu o disco de convidados que, cada um à sua maneira, contribuíram com o <em>Micróbio do Frevo</em>. Eddie, China, Pácua &amp; Via Sat, Mônica Feijó, a própria Almira Castilho (companheira de Jackson), Re:Combo, SaGrama, foram alguns que participaram do álbum. O resultado, capitaneado por Silvério, é uma gama de sonoridades que trazem, em definitivo, o frevo para o ambiente das experimentações sonoras contemporâneas. “<em>Foi um disco com essa perspectiva de reconfigurar o frevo a partir dessas outras possibilidades, utilizando filtros, sampler, efeitos, dialogando com gêneros musicais diversos</em>”, explica Silvério.</p>
<p>O disco <em>Batidas Urbanas &#8211; Micróbio do Frevo</em> está disponível para venda no <a href="https://itunes.apple.com/br/album/batidas-urbanas-projeto-microbio/id260013235" target="_blank"><strong>iTunes</strong></a>.</p>
<p>Outro nome que lançou mão do frevo a partir de novas possibilidades sonoras é a banda Eddie. Em meio ao reggae e ao rock, traços da tradição artística e cultural olindense marcam a música do grupo liderado pelo vocalista, guitarrista e compositor Fábio Trummer. Suas canções vêm impregnadas de Olinda, vestida num formato mais &#8220;descolado&#8221;. E em várias delas lá está o frevo, ganhando contornos diferenciados, que acabam aproximando o gênero das gerações atuais. “<em>O frevo, de certa forma, voltou a ser uma musicalidade preciosa neste momento de globalização de massa, uma expressão musical que só existe nesse pedacinho de mundo e isso, pra gente, é visto como uma oportunidade de criar com uma identidade local e única, que é tão universal aos ouvidos atentos mundo afora</em>”, considera Trummer.</p>
<div id="attachment_21060" aria-labelledby="figcaption_attachment_21060" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Ricardo Moura/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/eddie-ricardo-moura.jpg"><img class="size-medium wp-image-21060" alt="Ricardo Moura/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/eddie-ricardo-moura-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">O &#8220;Original Olinda Style&#8221; da banda Eddie também flerta com o frevo</p></div>
<p>Outro importante instigador de ainda mais hibridações no frevo é o Maestro Spok. O homenageado do Carnaval do Recife deste ano se consagrou como um dos mais importantes nomes da música pernambucana e brasileira, principalmente por inovar no frevo, incorporando e vestindo nele elementos e andamentos típicos do jazz. Tudo isso numa mistura fina, sem perder de vista a espinha dorsal rítmica, aquela que remexe o corpo inteiro do folião. Com isso, o frevo passou a fazer “carreira” além das fronteiras brasileiras, empreendendo turnês pela Europa e, mais recentemente, pelos E.U.A., onde cumpriu uma agenda exitosa de concertos. A última, no fim de 2014, passou por locais como Nova Iorque, Filadelfia e Pittsburgh.</p>
<p>Outras iniciativas também têm colocado o frevo mais próximo do universo pop, como é o da música da banda Ska Maria Pastora, que reprocessa o gênero através de elementos da música jamaicana; ou do disco <em>Frevo do Mundo</em> (2008), que reuniu diversos artistas da música contemporânea para cantar tanto os clássicos do carnaval pernambucano, como <em>Quarta-feira ingrata (É de fazer chorar)</em>, na versão da banda Eddie, ou novas composições, como <em>Metendo Antraz</em>, da Mundo Livre S/A.; além de nomes como Isaar, DJ Dolores, João Donato, Edu Lobo, Orquestra Imperial, 3naMassa, entre outros. O disco ganhou versão repaginada, em show, apresentada no último fim de semana, com participação de Siba, Otto, Céu, Tulipa Ruiz, Karina Buhr e direção musical de Pupillo (Nação Zumbi).</p>
<p><strong>Conheça o disco &#8220;Frevo do Mundo&#8221;</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/LIYAJ4IxaiU" height="315" width="420" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p>Fechando a série de reportagens em homenagem do Dia do Frevo, o Cultura.PE lança a questão sobre como o gênero tem encontrado espaço para repercutir nos ouvidos e corações do público,  nos dias de hoje.</p>
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		<title>Frevo: dos velhos aos novos carnavais</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Feb 2015 16:15:01 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_20982" aria-labelledby="figcaption_attachment_20982" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft"></p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/discos-de-frevo-costa-neto.jpg"><img class="size-medium wp-image-20982" alt="A cada ano, novos discos com frevos inéditos são lançados. É preciso conhecer essas novidades da nossa música" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/discos-de-frevo-costa-neto-607x383.jpg" width="607" height="383" /></a><p class="wp-caption-text">A cada ano, novos discos com frevos inéditos são lançados. É preciso conhecer essas novidades da nossa música</p></div>
<p style="text-align: right;"><b><i> </i></b><b><i>por Leonardo Vila Nova</i></b></p>
<p>Em cima do trio elétrico, o coro canta “<em>Ai, que calor ô ô! Ai, que calor ô ô!&#8230;</em>”. Por entre o bailar dos flabelos, se ouve “<em>Madeeeira do Rosariiinho</em>”. Nos ataques das orquestras, as sete primeiras notas de <em>Vassourinhas</em> e o já previsível “<em>Heeeei!!!</em>”. Nas ladeiras de Olinda, o “Hino do Elefante” é repetido à exaustão, várias vezes ao dia e em todos os dias de folia. E no palco, Alceu Valença, mais uma vez, canta “<em>Biiiicho maluco beleeeza no Largo do Amparo</em>”. Essas músicas estão na boca e na ponta do pé do folião pernambucano. É assim todos os anos. Clássicos do frevo, que atravessou mais de um século e foi consagrado por nomes de envergadura inconteste no cancioneiro popular pernambucano, entre autores e intérpretes: Nelson Ferreira, Capiba, Antonio Maria, Claudionor Germano, Carlos Fernando, Alceu Valença, J. Michiles. Isso, só para citar apenas alguns. O frevo, no entanto, não ficou congelado no passado. Ele continua sendo vívida fonte de inspiração para novas criações que surgem ano após ano. Mas&#8230; onde estão os novos frevos? Quem são os novos compositores?</p>
<p>Novos artistas vêm botando a mão na massa da criação e ajudando ampliar o repertório carnavalesco pernambucano, com músicas e trabalhos dedicados ao frevo. Basta procurar. Fábio Cabral, proprietário da Loja Passadisco, que fica no Shopping Sítio da Trindade, zona Norte do Recife, é um apreciador de música e vem acompanhando de perto esse processo. O espaço possui um acervo invejável de obras musicais pernambucanas, desde as antológicas até as novidades recém-saídas do forno. E, óbvio, o frevo tem lugar garantido no estabelecimento. Ele enumerou os artistas com lançamentos que se deram do fim do ano passado pra cá, e que têm o frevo como protagonista. Quinze foram os nomes citados por ele à reportagem, sejam discos autorais ou coletâneas, que já se encontram nas lojas, à disposição do público. “<em>A quantidade de lançamentos de discos de frevo que acontecem, anualmente, eu creio que seja basicamente a mesma, algo nessa média de 10 discos por ano</em>”, destaca Fábio.</p>
<div id="attachment_20983" aria-labelledby="figcaption_attachment_20983" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/fabio-passadisco-costa-neto.jpg"><img class="size-medium wp-image-20983" alt="Costa Neto/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/fabio-passadisco-costa-neto-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Sempre antenado, Fábio Cabral, da Loja Passadisco acompanha as novidades que surgem no frevo</p></div>
<p>André Rio, Benil, Som da Terra, Geraldinho Lins, Um Bloco em Poesia estão entre os que foram lembrados por ele. Boa parte dos trabalhos traz composições inéditas. Mas, ainda assim, a busca pelo novo ainda encontra certa resistência. “<em>Eu vejo muito disso aqui na loja: a maioria das pessoas não vem procurando algo novo, mas sempre os clássicos. Às vezes, eu até tento estimular, mostro um disco legal, aí a pessoa olha e diz: ‘Ué, mas essas músicas eu não conheço!’, e não leva o disco. Mas, claro, ainda há aqueles, os colecionadores de frevo de verdade, que sempre marcam presença aqui, especialmente nesse período, e compram de tudo, inclusive as novidades! Mas são minoria, ainda”</em>.</p>
<p>No entanto, o universo de novos compositores que, nos dias de hoje, vêm dando sua contribuição ao frevo é ainda maior. Na lista, músicos como Bráulio Araújo, Luciano Magno, Henrique Albino, Beto Hortiz, César Michiles, Dudu do Acordeon e, mais recentemente, o cantor Maciel Melo, estão nesse hall. Conversamos com três deles.</p>
<p><strong>Do matulão para a sombrinha colorida</strong><br />
Quando a reportagem chegou à Passadisco para a entrevista com Fábio Cabral, um CD tocava no aparelho de som da loja. Era <em>Perfume de Carnaval</em>, o novíssimo e surpreendente álbum de Maciel Melo. O “caboclo sonhador”, conhecido pela sua trajetória de décadas calcada no forró, resolveu, dessa vez, cair no frevo! O novo trabalho tem direção musical do Maestro Spok e traz 11 canções inéditas – duas compostas solo, sete parcerias e duas canções de amigos. Todas são frevos!</p>
<div id="attachment_20980" aria-labelledby="figcaption_attachment_20980" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/maciel-melo-costa-neto.jpg"><img class="size-medium wp-image-20980" alt="Costa Neto/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/maciel-melo-costa-neto-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Acostumado ao forró, Maciel Melo surpreende com &#8220;Perfume de Carnaval&#8221;, disco totalmente dedicado ao frevo</p></div>
<p>Mesmo que timidamente, Maciel já havia composto alguns frevos ao longo de sua carreira. <em>Frever</em>, em parceria com Valmar Belarmino, conquistou, em 1991, o segundo lugar no concurso Recifrevo, promovido pela TV Jornal do Recife. O hino do jornal anárquico Papa-figo também foi composto por Maciel. E essa vontade de fazer frevos encontrava-se latente em Maciel, mas ainda quieta. “<em>Eu, como artista e compositor pernambucano, sentia a necessidade de ter um disco dedicado ao frevo. Não tinha feito antes porque não havia amadurecido essa ideia ainda</em>”, conta.</p>
<p>O principal incentivador foi o compositor e produtor musical Carlos Fernando (falecido em 2013), a quem <em>Perfume de Carnaval</em> é dedicado. Foi o boêmio amigo quem, por vezes, jogou a semente dessa ideia em Maciel. Porém, o gatilho detonador se deu no Carnaval de 2014, a partir de um ligeiro incômodo, enquanto acompanhava o desfile do Galo da Madrugada. “<em>Quando vi o primeiro trio, tocava alguns frevos daqueles conhecidos. O segundo tocava as mesmas músicas do primeiro. O terceiro, as mesmas dos dois primeiros. Eu fiquei pensando como é que podia uma coisa dessas. Daí, quando cheguei em casa, me tranquei na sala onde eu trabalho e só saí na quinta depois do carnaval, com 11 músicas prontas</em>”, relembra.</p>
<p>Nessa empreitada, Maciel teve a colaboração de nomes do quilate de Maestro Spok, Geraldo Azevedo, Rogério Rangel, que lhe enviaram músicas para que ele colocasse as letras. Saiu do processo de composição determinado a gravar um disco. Maciel, então, se cercou dos melhores músicos e arranjadores e pôs a mão na massa, de forma independente, bancando tudo. “<em>Eu não vim brincar de fazer frevo. Tudo o que eu faço no meu trabalho é valendo. Foi um disco feito de corpo e alma, bem arranjado</em>”, diz Maciel. O resultado que se ouve em <em>Perfume de Carnaval</em> é digno de um veterano do frevo. Maciel parece que gostou da ideia e já vai botar o seu frevo na rua, com apresentações no polo de Campo Grande, no dia 16 de fevereiro, e na cidade de Surubim, dia 21. E já prometeu que, a partir de agora, irá fazer frevo todos os anos.</p>
<p><strong>Confira o clipe &#8220;Davanira&#8221;, do novo disco de Maciel Melo, &#8220;Perfume de Carnaval&#8221;.</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/hKNTtcsi66k" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p><strong>Frevo que vem no sangue</strong><br />
Um dos parceiros de Maciel em <em>Perfume de Carnaval</em> é o instrumentista, compositor, produtor e arranjador César Michiles. O jovem músico, virtuoso na flauta, traz no sangue o DNA do frevo. Filho do compositor J. Michiles (autor de clássicos carnavalescos famosos na voz de Alceu Valença), desde muito cedo César se interessou em seguir o caminho da música. Ele se dedicou aos estudos no Conservatório Pernambucano de Música e seguiu se aperfeiçoando em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O menino prodígio, então com 12 anos, chegou a fazer duas apresentações acompanhando Luiz Gonzaga, no ginásio Geraldão. Não demoraria muito para que fosse morar fora do país, residindo em Nova York (E.U.A.) por três anos. Lá, acompanhou nada menos que Naná Vasconcelos, Toninho Horta, Manolo Badrena, Bill O’Connel, entre outros. De volta ao Brasil, passou pelo Rio de Janeiro, e passou a trabalhar com produção musical e arranjos para vários artistas.</p>
<div id="attachment_20981" aria-labelledby="figcaption_attachment_20981" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/César-Michilles-Costa-Neto.jpg"><img class="size-medium wp-image-20981" alt="Costa Neto/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/César-Michilles-Costa-Neto-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">César Michiles foi um dos músicos que trouxe sofisticação ao frevo, com novas composições</p></div>
<p>Apesar da herança paterna, o frevo só chegou na sua vida bem depois. Sua primeira composição no gênero data de 2008. “Pega Ladrão” ganhou o primeiro lugar no Festival de Músicas Carnavalescas, da Prefeitura do Recife (PCR), em 2008/2009. Depois, outros frevos foram surgindo. Mais um primeiro lugar, em 2011/2012, com “Pipocando” e, pelo festival Frevo da Humanidade, também da PCR, em 2013/2014, o segundo lugar com “Esse é o tom”, que ganhou letra de Maciel Melo para entrar no seu disco. <em>“Minhas músicas têm sido bem aceitas nesse universo dos músicos, compositores e críticos. Maestros como Edson Rodrigues e Spok têm elogiado o meu trabalho. Isso tem sido muito bom e me incentiva a criar ainda mais”.</em></p>
<p>Se ambientando nesse universo dos festivais de música carnavalesca, César teve um <em>insight</em> e captou um novo conceito para o frevo de rua, chamado “frevo concerto”. A nova estética traz o solista executando seu frevo à frente da orquestra. <em>“Passou a se tornar muito frequente nos festivais esse novos autores/instrumentistas defendendo, em palco, suas músicas”</em>. Outros compositores compartilham da mesma ideia de César: Bráulio Araújo, Beto Hortiz e Luciano Magno. Não por acaso, também profícuos compositores de frevo e competidores de festivais de música.</p>
<p><strong>Ouça &#8220;Pega Ladrão&#8221;, primeiro frevo composto por César Michiles</strong></p>
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<p><strong>Virtuoso da guitarra no ritmo do frevo</strong><br />
Também habitué de festivais de música carnavalesca, o guitarrista Luciano Magno tem uma trajetória longa com o frevo. Nascido em Paulo Afonso (BA), entrou em contato com a música pernambucana através das rádios que retransmitiam os sons daqui até lá. Mas, ao mesmo tempo, absorveu toda a sonoridade do rock’n’roll, gênero forte na década de 1980. Começou a tomar gosto pela música e passou a tocar entre os anos de 1985 e 86. E, ao se apresentar com uma orquestra de frevo, se deparou com os clássicos, as músicas mais tradicionais, que, de certa forma, foram uma escola.</p>
<p>“<em>Já cheguei no Recife praticamente pronto pra essa coisa do carnaval</em>”, diz Luciano, que veio morar na capital pernambucano em 1989, então, com 17 anos, para prestar o vestibular em Engenharia. Em 1990 já se apresentava no carnaval daqui, pela primeira vez. Daí não parou mais. Abandonou a faculdade, passou a cursar o Conservatório Pernambucano de Música e decidiu que essa seria a sua estrada a partir de então. No batente, passou a trabalhar como instrumentista e compositor de artistas como Dominguinhos, Geraldo Azevedo, Naná Vasconcelos, André Rio, entre outros. No seu currículo, ele também traz a participação em praticamente todas as edições da coletânea “Recife Frevoé”.</p>
<p>O primeiro frevo – de tantos que já fez – ele não lembra qual foi, nem quando compôs. <em>“Eu tinha muitas músicas, que eu utilizava mais como estudo mesmo, e que foram se dispersando”</em>, conta. Mas ele lembra que começou a inserir frevos em seus discos a partir do segundo, <em>Sotaque</em>, de 2003. Ele entrou de cabeça e passou a compor ainda mais, participando de seis festivais de música carnavalesca, entre 2006 e 2011. <em>Pisando em brasa</em> é um dos frevos que ele inscreveu, sagrando-se campeão em 2011. <em>Esquentadinho</em> é outro frevo que, recentemente, ganhou letra de Moraes Moreira, e está no novo disco de André Rio, <em>Um abraço do frevo</em>. Luciano também teve participação ativa nas composições do mais recente disco de 15 anos do “Um Bloco em Poesia”, que o homenageia no carnaval deste ano.</p>
<p>Mas, segundo Luciano, seu frevo de maior alcance é <em>Frevo Mágico</em>, finalista do concurso de 2008. Mesmo não tendo faturado o prêmio, ele conta que chegou aos ouvidos de várias partes do mundo, por ser uma música cuja execução é mais complexa e tem atraído a atenção de vários estudiosos. <em>“É um dos frevos que mais me traz alegria em ter feito, por ele ser um dos mais interpretados pelos novos instrumentistas. É um frevo diferente, que traz influências das fugas de Bach, e que soa bem no rock’n’roll. Está sendo muito acessada por quem quer estudar guitarra no frevo”</em>, revela, orgulhoso.</p>
<p><strong>Ouça abaixo &#8220;Frevo Mágico&#8221;, de Luciano Magno</strong></p>
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<p>Muito mais do que se apresentar através das vozes e dos acordes de novos compositores, ao longo de seus 108 anos de existência, o frevo também deu conta de se renovar, dialogando com outros elementos musicais, ganhando novas caras e novos ares. Foi relido, repaginado, reprocessado. Nesta terça (10), a segunda matéria da série de reportagens em homenagem ao Dia do Frevo! Não perca!</p>
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