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	<title>Portal Cultura PE &#187; César Michiles</title>
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		<title>Esse é pra tocar no rádio?</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2015 18:42:36 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong>por Leonardo Vila Nova</strong></em></p>
<p>Que o frevo é um ritmo popular, todo mundo já sabe. Mas em que medida o termo “popular” pode ser utilizado? Para ser popular é preciso tocar nas rádios? É preciso viralizar na internet? Fazer o folião enlouquecer durante quatro dias de festa basta para ser popular? Pois bem, o que parece ocorrer é que o frevo sempre teve seus altos e baixos no quesito divulgação/difusão, e que toda a explosão que ele irrompe durante quatro dias parece arrefecer durante os outros 361 do ano. Além disso, o frevo também parece não se sustentar nacionalmente como outro gênero tão popular, o samba, apesar de ser reverenciado por milhões e de ostentar o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, desde 2012. Momentos de glória e de ocaso, desafio e novas alternativas para difundir o nosso mais autêntico ritmo é o mote na fala dos entrevistados nesta última matéria da série em homenagem ao Dia do Frevo.</p>
<div id="attachment_21123" aria-labelledby="figcaption_attachment_21123" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/pernambuco-frevando-para-o-mundo.jpg"><img class="size-medium wp-image-21123" alt="Costa Neto/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/pernambuco-frevando-para-o-mundo-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">A coletânea &#8220;Pernambuco Frevando para o mundo&#8221; chega à sua edição e é material farto em composições</p></div>
<p>O frevo nasceu nas ruas, no meio do povo, assim como o samba, como o funk. Esses têm espaço garantido o ano inteiro nas rádios e TVs, além de shows Brasil afora. O frevo, não. Na verdade, o frevo passou por momentos de grande prestígio, mas que foram eternos apenas enquanto duraram. Os dois principais auges – em termo de massificação e generoso espaço midiático – se deram quando do advento da Rozenblit e durante o projeto Asas da América, de Carlos Fernando. Em ambos, o frevo teve espaço robusto no mercado fonográfico e em execução nas rádios. Após isso, o cenário mudou um pouco e o frevo passou a contentar-se com sua sazonalidade. “<em>Boa parte do que se ouvia nas rádios daqui era o frevo. Infelizmente, ele não tem mais o mesmo respaldo midiático que tinha antes. As rádios continuam sendo sazonais e o frevo continua encapsulado, preso no período carnavalesco</em>”, atesta Silvério Pessoa.</p>
<p>Além das rádios, outro ambiente importante para popularização do frevo foram os festivais de música carnavalesca, a exemplo do Frevança e o do Recifrevo, que tiveram seu auge na década de 1980. Eram espaço para que o público se familiarizasse com as novas músicas que surgiam anualmente, e, por consequência, um estímulo para os compositores. “<em>Esses festivais eram transmitidos pelas TVs daqui. A Rede Globo transmitiu (Frevança), a TV Jornal transmitiu (Recifrevo). E eram transmitidos ao vivo, depois da novela das oito, em horário nobre&#8230; Tinha plateia torcendo. Ou seja, era algo que ajudava a massificar o frevo</em>”, lembra Fábio Cabral, da Passadisco. Posteriormente, o Festival de Músicas Carnavalescas, realizado pela Prefeitura do Recife – rebatizado, há cerca de dois anos, de “Frevo da Humanidade”, continuou acontecendo (com interrupções de dois anos não consecutivos), mas, mesmo assim, parece não mais contar com o interesse da mídia e dos veículos de comunicação para sua repercussão.</p>
<p>Então, além do espaço que há durante o período carnavalesco, como manter o frevo em evidência ao longo do ano? Do campo de vista da oferta de novos trabalhos, algumas iniciativas podem servir como alternativa para que o gênero ultrapasse fronteiras estabelecidas equivocadamente, uma vez que música boa não carece de época do ano para ser tocada. Fábio Cabral, da Passadisco, não se furtou em colaborar e, além da loja Passadisco, fez da marca uma chancela para lançar as coletâneas <em>Pernambuco cantando para o mundo</em>, <em>Pernambuco forrozando para o mundo </em>e, nessa mesma linha, <em>Pernambuco frevando para o mundo</em>, que, no ano passado, teve prensada sua segunda edição, que saiu com uma tiragem de mil cópias.</p>
<p>Um disco duplo, totalizando 36 faixas, que traz de nomes mais clássicos, como Alceu Valença, Antonio Nóbrega, Coral Edgard Moraes, Geraldo Azavedo, Elba Ramalho, Moraes Moreira, até gerações mais recentes, a exemplo de China, Siba, DJ Dolores, Mundo Livre S/A, Herbert Lucena, esses, artistas que, de certa forma, não têm ligação direta com o frevo, mas que, em um dado momento, flertaram com esse caminho musical, o que também é o caso de Genival Lacerda, Maria Alcina, Arlindo dos Oito Baixos, entre outros que estão lá. “<em>Quando eu fiz essa coletânea, me preocupei em trazer também gente nova, que tivesse uma identificação com o público jovem. Pois é através do jovem que a música pode se renovar. São esses artistas que podem alcançar essa juventude. São poucos, na música contemporânea, que utilizam o frevo com freqüência. Imagina só se Lenine lançasse um frevo em seus discos, se a Nação Zumbi lançasse</em>”, destaca Fábio, ao lembrar que boa parte das músicas desse repertório veio de discos não necessariamente voltados para o frevo. Ou seja, não são discos sazonais, e podem muito bem ser rodados em qualquer época do ano.</p>
<p><strong>Na rede</strong></p>
<div id="attachment_21124" aria-labelledby="figcaption_attachment_21124" class="wp-caption img-width-330 alignright" style="width: 330px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/c-michilles-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-21124 " alt="Costa Neto/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/c-michilles-2-330x486.jpg" width="330" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">César Michiles utiliza o facebook até para publicar partituras de frevo</p></div>
<p>Outra ferramenta que pode ser utilizada a favor é, sem dúvida, a internet. Conscientes do alcance que a rede tem, os artistas se utilizam dela para divulgar seus trabalhos, formar redes de contatos e difundir o frevo. O instrumentista, compositor, produtor e arranjador César Michiles deu o pontapé a uma iniciativa no seu facebook. Há cerca de três semanas, ele lançou o “Desafio do frevo de rua”, uma brincadeira em que ele escolhe o frevo de um compositor e desafia esse compositor a tocar um frevo dele e passar a brincadeira pra frente, desafiando outro. O alcance disso, segundo Michiles, tem sido grande, tendo receptividade até mesmo fora do país. “<em>O mundo inteiro se comunica pele facebook. Então, nada mais natural que eu, querendo divulgar o meu trabalho e o frevo, também utilize a internet pra isso. Já recebi mensagens dos E.U.A., França, Portugal, de pessoas querendo conhecer melhor meu trabalho. Além disso, eu também tenho disponibilizado partituras das minhas músicas, incluindo os frevos, pra que gente do outro lado do mundo possa tocar. E há um interesse muito grande do público do exterior com relação ao frevo. E a internet tem ajudado nesse sentido, aproximado ainda mais esse público do que a gente faz aqui</em>”, considera.</p>
<p>O guitarrista e produtor Luciano Magno também faz usufruto do alcance das redes para difundir sua música, carregada também de frevos. Seu novo disco, “Estrada do tempo” está à venda online. “<em>Eu procurei priorizar o álbum digital, dei carga total na distribuição, em plataformas como iTunes Store, além das de streaming, como Spotify e Deezer. Ou seja, as pessoas baixam e ouvem muito mais coisas na rede, é natural que o caminho para divulgação desse trabalho seja pela internet</em>”, explica. Mas, para ele, ainda há ressalvas, que exigem tempo. “<em>É um novo caminho que a gente tá aprendendo a utilizar. Com a internet, você tem um alcance gigantesco de um determinado conteúdo, mas é muita coisa ao mesmo tempo em circulação, as coisas vão se diluindo no meio desse mar de informações. O interessante, agora, o próximo passo é saber como prender, como focar a atenção para conteúdos de forma mais profunda. Esse é o nosso dilema daqui pra frente</em>”, conclui.</p>
<p>No passo marcado de ponta de pé e calcanhar, o frevo vira e se revira como pode: na TV, na rádio, na internet, mas o seu lugar mais adequado, sem dúvida, é nas ruas do Recife, ou subindo e descendo as ladeiras de Olinda, e no coração de todo o folião que não se cansa quando chega a Quarta-feira, e já vislumbra o Carnaval do ano seguinte, levando o frevo dentro de si pra onde quer que vá!</p>
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		<title>Frevo: dos velhos aos novos carnavais</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Feb 2015 16:15:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ por Leonardo Vila Nova Em cima do trio elétrico, o coro canta “Ai, que calor ô ô! Ai, que calor ô ô!&#8230;”. Por entre o bailar dos flabelos, se ouve “Madeeeira do Rosariiinho”. Nos ataques das orquestras, as sete primeiras notas de Vassourinhas e o já previsível “Heeeei!!!”. Nas ladeiras de Olinda, o “Hino do [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_20982" aria-labelledby="figcaption_attachment_20982" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft"></p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/discos-de-frevo-costa-neto.jpg"><img class="size-medium wp-image-20982" alt="A cada ano, novos discos com frevos inéditos são lançados. É preciso conhecer essas novidades da nossa música" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/discos-de-frevo-costa-neto-607x383.jpg" width="607" height="383" /></a><p class="wp-caption-text">A cada ano, novos discos com frevos inéditos são lançados. É preciso conhecer essas novidades da nossa música</p></div>
<p style="text-align: right;"><b><i> </i></b><b><i>por Leonardo Vila Nova</i></b></p>
<p>Em cima do trio elétrico, o coro canta “<em>Ai, que calor ô ô! Ai, que calor ô ô!&#8230;</em>”. Por entre o bailar dos flabelos, se ouve “<em>Madeeeira do Rosariiinho</em>”. Nos ataques das orquestras, as sete primeiras notas de <em>Vassourinhas</em> e o já previsível “<em>Heeeei!!!</em>”. Nas ladeiras de Olinda, o “Hino do Elefante” é repetido à exaustão, várias vezes ao dia e em todos os dias de folia. E no palco, Alceu Valença, mais uma vez, canta “<em>Biiiicho maluco beleeeza no Largo do Amparo</em>”. Essas músicas estão na boca e na ponta do pé do folião pernambucano. É assim todos os anos. Clássicos do frevo, que atravessou mais de um século e foi consagrado por nomes de envergadura inconteste no cancioneiro popular pernambucano, entre autores e intérpretes: Nelson Ferreira, Capiba, Antonio Maria, Claudionor Germano, Carlos Fernando, Alceu Valença, J. Michiles. Isso, só para citar apenas alguns. O frevo, no entanto, não ficou congelado no passado. Ele continua sendo vívida fonte de inspiração para novas criações que surgem ano após ano. Mas&#8230; onde estão os novos frevos? Quem são os novos compositores?</p>
<p>Novos artistas vêm botando a mão na massa da criação e ajudando ampliar o repertório carnavalesco pernambucano, com músicas e trabalhos dedicados ao frevo. Basta procurar. Fábio Cabral, proprietário da Loja Passadisco, que fica no Shopping Sítio da Trindade, zona Norte do Recife, é um apreciador de música e vem acompanhando de perto esse processo. O espaço possui um acervo invejável de obras musicais pernambucanas, desde as antológicas até as novidades recém-saídas do forno. E, óbvio, o frevo tem lugar garantido no estabelecimento. Ele enumerou os artistas com lançamentos que se deram do fim do ano passado pra cá, e que têm o frevo como protagonista. Quinze foram os nomes citados por ele à reportagem, sejam discos autorais ou coletâneas, que já se encontram nas lojas, à disposição do público. “<em>A quantidade de lançamentos de discos de frevo que acontecem, anualmente, eu creio que seja basicamente a mesma, algo nessa média de 10 discos por ano</em>”, destaca Fábio.</p>
<div id="attachment_20983" aria-labelledby="figcaption_attachment_20983" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/fabio-passadisco-costa-neto.jpg"><img class="size-medium wp-image-20983" alt="Costa Neto/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/fabio-passadisco-costa-neto-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Sempre antenado, Fábio Cabral, da Loja Passadisco acompanha as novidades que surgem no frevo</p></div>
<p>André Rio, Benil, Som da Terra, Geraldinho Lins, Um Bloco em Poesia estão entre os que foram lembrados por ele. Boa parte dos trabalhos traz composições inéditas. Mas, ainda assim, a busca pelo novo ainda encontra certa resistência. “<em>Eu vejo muito disso aqui na loja: a maioria das pessoas não vem procurando algo novo, mas sempre os clássicos. Às vezes, eu até tento estimular, mostro um disco legal, aí a pessoa olha e diz: ‘Ué, mas essas músicas eu não conheço!’, e não leva o disco. Mas, claro, ainda há aqueles, os colecionadores de frevo de verdade, que sempre marcam presença aqui, especialmente nesse período, e compram de tudo, inclusive as novidades! Mas são minoria, ainda”</em>.</p>
<p>No entanto, o universo de novos compositores que, nos dias de hoje, vêm dando sua contribuição ao frevo é ainda maior. Na lista, músicos como Bráulio Araújo, Luciano Magno, Henrique Albino, Beto Hortiz, César Michiles, Dudu do Acordeon e, mais recentemente, o cantor Maciel Melo, estão nesse hall. Conversamos com três deles.</p>
<p><strong>Do matulão para a sombrinha colorida</strong><br />
Quando a reportagem chegou à Passadisco para a entrevista com Fábio Cabral, um CD tocava no aparelho de som da loja. Era <em>Perfume de Carnaval</em>, o novíssimo e surpreendente álbum de Maciel Melo. O “caboclo sonhador”, conhecido pela sua trajetória de décadas calcada no forró, resolveu, dessa vez, cair no frevo! O novo trabalho tem direção musical do Maestro Spok e traz 11 canções inéditas – duas compostas solo, sete parcerias e duas canções de amigos. Todas são frevos!</p>
<div id="attachment_20980" aria-labelledby="figcaption_attachment_20980" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/maciel-melo-costa-neto.jpg"><img class="size-medium wp-image-20980" alt="Costa Neto/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/maciel-melo-costa-neto-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Acostumado ao forró, Maciel Melo surpreende com &#8220;Perfume de Carnaval&#8221;, disco totalmente dedicado ao frevo</p></div>
<p>Mesmo que timidamente, Maciel já havia composto alguns frevos ao longo de sua carreira. <em>Frever</em>, em parceria com Valmar Belarmino, conquistou, em 1991, o segundo lugar no concurso Recifrevo, promovido pela TV Jornal do Recife. O hino do jornal anárquico Papa-figo também foi composto por Maciel. E essa vontade de fazer frevos encontrava-se latente em Maciel, mas ainda quieta. “<em>Eu, como artista e compositor pernambucano, sentia a necessidade de ter um disco dedicado ao frevo. Não tinha feito antes porque não havia amadurecido essa ideia ainda</em>”, conta.</p>
<p>O principal incentivador foi o compositor e produtor musical Carlos Fernando (falecido em 2013), a quem <em>Perfume de Carnaval</em> é dedicado. Foi o boêmio amigo quem, por vezes, jogou a semente dessa ideia em Maciel. Porém, o gatilho detonador se deu no Carnaval de 2014, a partir de um ligeiro incômodo, enquanto acompanhava o desfile do Galo da Madrugada. “<em>Quando vi o primeiro trio, tocava alguns frevos daqueles conhecidos. O segundo tocava as mesmas músicas do primeiro. O terceiro, as mesmas dos dois primeiros. Eu fiquei pensando como é que podia uma coisa dessas. Daí, quando cheguei em casa, me tranquei na sala onde eu trabalho e só saí na quinta depois do carnaval, com 11 músicas prontas</em>”, relembra.</p>
<p>Nessa empreitada, Maciel teve a colaboração de nomes do quilate de Maestro Spok, Geraldo Azevedo, Rogério Rangel, que lhe enviaram músicas para que ele colocasse as letras. Saiu do processo de composição determinado a gravar um disco. Maciel, então, se cercou dos melhores músicos e arranjadores e pôs a mão na massa, de forma independente, bancando tudo. “<em>Eu não vim brincar de fazer frevo. Tudo o que eu faço no meu trabalho é valendo. Foi um disco feito de corpo e alma, bem arranjado</em>”, diz Maciel. O resultado que se ouve em <em>Perfume de Carnaval</em> é digno de um veterano do frevo. Maciel parece que gostou da ideia e já vai botar o seu frevo na rua, com apresentações no polo de Campo Grande, no dia 16 de fevereiro, e na cidade de Surubim, dia 21. E já prometeu que, a partir de agora, irá fazer frevo todos os anos.</p>
<p><strong>Confira o clipe &#8220;Davanira&#8221;, do novo disco de Maciel Melo, &#8220;Perfume de Carnaval&#8221;.</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/hKNTtcsi66k" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p><strong>Frevo que vem no sangue</strong><br />
Um dos parceiros de Maciel em <em>Perfume de Carnaval</em> é o instrumentista, compositor, produtor e arranjador César Michiles. O jovem músico, virtuoso na flauta, traz no sangue o DNA do frevo. Filho do compositor J. Michiles (autor de clássicos carnavalescos famosos na voz de Alceu Valença), desde muito cedo César se interessou em seguir o caminho da música. Ele se dedicou aos estudos no Conservatório Pernambucano de Música e seguiu se aperfeiçoando em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O menino prodígio, então com 12 anos, chegou a fazer duas apresentações acompanhando Luiz Gonzaga, no ginásio Geraldão. Não demoraria muito para que fosse morar fora do país, residindo em Nova York (E.U.A.) por três anos. Lá, acompanhou nada menos que Naná Vasconcelos, Toninho Horta, Manolo Badrena, Bill O’Connel, entre outros. De volta ao Brasil, passou pelo Rio de Janeiro, e passou a trabalhar com produção musical e arranjos para vários artistas.</p>
<div id="attachment_20981" aria-labelledby="figcaption_attachment_20981" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/César-Michilles-Costa-Neto.jpg"><img class="size-medium wp-image-20981" alt="Costa Neto/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/02/César-Michilles-Costa-Neto-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">César Michiles foi um dos músicos que trouxe sofisticação ao frevo, com novas composições</p></div>
<p>Apesar da herança paterna, o frevo só chegou na sua vida bem depois. Sua primeira composição no gênero data de 2008. “Pega Ladrão” ganhou o primeiro lugar no Festival de Músicas Carnavalescas, da Prefeitura do Recife (PCR), em 2008/2009. Depois, outros frevos foram surgindo. Mais um primeiro lugar, em 2011/2012, com “Pipocando” e, pelo festival Frevo da Humanidade, também da PCR, em 2013/2014, o segundo lugar com “Esse é o tom”, que ganhou letra de Maciel Melo para entrar no seu disco. <em>“Minhas músicas têm sido bem aceitas nesse universo dos músicos, compositores e críticos. Maestros como Edson Rodrigues e Spok têm elogiado o meu trabalho. Isso tem sido muito bom e me incentiva a criar ainda mais”.</em></p>
<p>Se ambientando nesse universo dos festivais de música carnavalesca, César teve um <em>insight</em> e captou um novo conceito para o frevo de rua, chamado “frevo concerto”. A nova estética traz o solista executando seu frevo à frente da orquestra. <em>“Passou a se tornar muito frequente nos festivais esse novos autores/instrumentistas defendendo, em palco, suas músicas”</em>. Outros compositores compartilham da mesma ideia de César: Bráulio Araújo, Beto Hortiz e Luciano Magno. Não por acaso, também profícuos compositores de frevo e competidores de festivais de música.</p>
<p><strong>Ouça &#8220;Pega Ladrão&#8221;, primeiro frevo composto por César Michiles</strong></p>
<p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/111388530&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;visual=true" height="450" width="100%" frameborder="no" scrolling="no"></iframe></p>
<p><strong>Virtuoso da guitarra no ritmo do frevo</strong><br />
Também habitué de festivais de música carnavalesca, o guitarrista Luciano Magno tem uma trajetória longa com o frevo. Nascido em Paulo Afonso (BA), entrou em contato com a música pernambucana através das rádios que retransmitiam os sons daqui até lá. Mas, ao mesmo tempo, absorveu toda a sonoridade do rock’n’roll, gênero forte na década de 1980. Começou a tomar gosto pela música e passou a tocar entre os anos de 1985 e 86. E, ao se apresentar com uma orquestra de frevo, se deparou com os clássicos, as músicas mais tradicionais, que, de certa forma, foram uma escola.</p>
<p>“<em>Já cheguei no Recife praticamente pronto pra essa coisa do carnaval</em>”, diz Luciano, que veio morar na capital pernambucano em 1989, então, com 17 anos, para prestar o vestibular em Engenharia. Em 1990 já se apresentava no carnaval daqui, pela primeira vez. Daí não parou mais. Abandonou a faculdade, passou a cursar o Conservatório Pernambucano de Música e decidiu que essa seria a sua estrada a partir de então. No batente, passou a trabalhar como instrumentista e compositor de artistas como Dominguinhos, Geraldo Azevedo, Naná Vasconcelos, André Rio, entre outros. No seu currículo, ele também traz a participação em praticamente todas as edições da coletânea “Recife Frevoé”.</p>
<p>O primeiro frevo – de tantos que já fez – ele não lembra qual foi, nem quando compôs. <em>“Eu tinha muitas músicas, que eu utilizava mais como estudo mesmo, e que foram se dispersando”</em>, conta. Mas ele lembra que começou a inserir frevos em seus discos a partir do segundo, <em>Sotaque</em>, de 2003. Ele entrou de cabeça e passou a compor ainda mais, participando de seis festivais de música carnavalesca, entre 2006 e 2011. <em>Pisando em brasa</em> é um dos frevos que ele inscreveu, sagrando-se campeão em 2011. <em>Esquentadinho</em> é outro frevo que, recentemente, ganhou letra de Moraes Moreira, e está no novo disco de André Rio, <em>Um abraço do frevo</em>. Luciano também teve participação ativa nas composições do mais recente disco de 15 anos do “Um Bloco em Poesia”, que o homenageia no carnaval deste ano.</p>
<p>Mas, segundo Luciano, seu frevo de maior alcance é <em>Frevo Mágico</em>, finalista do concurso de 2008. Mesmo não tendo faturado o prêmio, ele conta que chegou aos ouvidos de várias partes do mundo, por ser uma música cuja execução é mais complexa e tem atraído a atenção de vários estudiosos. <em>“É um dos frevos que mais me traz alegria em ter feito, por ele ser um dos mais interpretados pelos novos instrumentistas. É um frevo diferente, que traz influências das fugas de Bach, e que soa bem no rock’n’roll. Está sendo muito acessada por quem quer estudar guitarra no frevo”</em>, revela, orgulhoso.</p>
<p><strong>Ouça abaixo &#8220;Frevo Mágico&#8221;, de Luciano Magno</strong></p>
<p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/27950437&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;visual=true" height="450" width="100%" frameborder="no" scrolling="no"></iframe></p>
<p>Muito mais do que se apresentar através das vozes e dos acordes de novos compositores, ao longo de seus 108 anos de existência, o frevo também deu conta de se renovar, dialogando com outros elementos musicais, ganhando novas caras e novos ares. Foi relido, repaginado, reprocessado. Nesta terça (10), a segunda matéria da série de reportagens em homenagem ao Dia do Frevo! Não perca!</p>
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