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	<title>Portal Cultura PE &#187; clara simas</title>
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		<title>Artista visual Clara Simas transforma luto em arte com fotolivro</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 19:20:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há histórias que não cabem em uma única vida. Meu pai morreu três vezes, trabalho da artista visual Clara Simas, é uma dessas narrativas que se desdobram entre o real e o imaginado, entre a dor e a criação. Mais do que um livro de fotos, é um diálogo póstumo entre filha e pai, uma [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2025/06/C7318-2-1.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-118231" alt="Foto: Divulgação" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2025/06/C7318-2-1-607x431.jpg" width="607" height="431" /></a></p>
<p>Há histórias que não cabem em uma única vida. Meu pai morreu três vezes, trabalho da artista visual Clara Simas, é uma dessas narrativas que se desdobram entre o real e o imaginado, entre a dor e a criação. Mais do que um livro de fotos, é um diálogo póstumo entre filha e pai, uma jornada de cinco anos que mistura arquivos esquecidos, cenas de cinema e memórias inventadas.</p>
<p>A obra, que tem apoio do Funcultura e da Lei Paulo Gustavo &#8211; Recife, terá uma série de lançamentos, começando pelo Rio de Janeiro, no dia 29 de maio, na Galeria Refresco, em São Paulo, no dia 31, na Livraria Lovely House, e no Recife, na Galeria Garrido, no dia 5 de junho. Ainda dentro das atividades de lançamento, vai acontecer a exibição de uma versão remasterizada e restaurada em 4k do filme Meteorango Kid: Herói Intergaláctico, no qual Manoel Costa, pai da autora, interpreta o icônico personagem Caveirinha, no Cinema São Luiz, no dia 8 de junho. Na ocasião, será exibido ainda o curta-metragem Creuzinha não é mais tua, de Amin Stepple, que também tem a participação de Manoel Costa.</p>
<p>Toda a história da publicação nasce a partir de vestígios da vida de Caveirinha – ator amador do Cinema Marginal baiano nos anos 1970, jornalista, figura cheia de contradições como, por exemplo, ter sido um pai amoroso, porém ausente. Quando perdeu seu pai, Clara tinha 14 anos, mas a relação já era feita de vazios muito antes disso. &#8220;Minha memória dele sempre foi confusa. Tive que preencher as lacunas através de um processo arqueológico&#8221;, lembra. Ainda jovem, quando do falecimento dele, não foi possível para Clara já naquele momento viver o luto e entender a dimensão daquela perda. “Foi preciso que se passassem muitos anos e que eu entrasse num processo terapêutico para então começar a especular o que significava a morte de um pai, que ao longo da sua vida já foi alguém bastante ambíguo e ausente”, diz.</p>
<p>Ao perceber que precisaria se voltar para essa relação, entendê-la, para então seguir adiante, Clara começou a organizar diversas informações sobre seu pai e seus vários personagens. Nesse processo, ela descobriu que ele tinha morrido várias vezes – não só na vida real, mas também nas telas. Enquanto mergulhava em filmes antigos nos quais ele atuou, deparou-se com cenas de morte ficcionais que pareciam ecoar seu próprio luto. &#8220;Assistia a essas cenas repetidamente. Me acostumei a vê-lo morrer na tela&#8221;, lembra. Daí veio a pergunta que guiaria o projeto: quantas vezes uma pessoa pode morrer? A cada morte, estaria morrendo sempre o mesmo homem?</p>
<p>O livro se estrutura em três capítulos, cada uma apresentando três distintos personagens, diferentes facetas de um mesmo homem – e cada uma com seu próprio fim, com sua própria morte. Há o Homem Comum, fotógrafo e jornalista; o Anti-Herói, boêmio e rebelde dos anos 70; e o Pai, figura amorosa, mas distante. O processo de criação foi tão intenso quanto pessoal. Clara viajou atrás de pessoas que conheceram Caveirinha, revirou arquivos empoeirados, digitalizou negativos.</p>
<p>Nas páginas do livro, as imagens se organizam em dípticos, criando justaposições que imitam o modo desordenado como as memórias surgem. Clara reuniu fotos suas, fotos do seu pai, imagens de filmes e de arquivo e com elas foi organizando fluxos narrativos para cada um dos três personagens. Imagens de Neto, Amin Stepple, André Luiz Oliveira e Álvaro Guimarães que aparecem na obra foram cedidas por instituições como o Instituto Moreira Salles e a Cinemateca Brasileira e outros.</p>
<p>Além do material iconográfico, há, em cada capítulo, um interlocutor que ajudou a artista a conhecer um pouco mais sobre cada parte do seu pai. Sua tia, irmã dele, Vera Lúcia Simas, falou sobre um tipo de homem comum e sua história familiar. Nessa troca, Clara escutou os detalhes da história em torno da morte precoce de seu irmão, falecido dez anos antes de seu nascimento, um luto silenciosamente vivido por seu pai. Para recompor pistas do Caveirinha boêmio, ator, contraventor, viajou a Brasília para conversar com André Luiz Oliveira, um de seus companheiros do Cinema Marginal baiano, nos anos 1970. Já sua mãe, Maria Edite Costa Lima, falou do Caveirinha pai, trouxe suas lembran&amp; ccedil;as da forma como a paternidade foi exercida por ele.</p>
<p>“Acho que quando eu trago esses depoimentos, ajudo a dar um sentido narrativo maior a um livro que é composto em sua maior parte por um fluxo de imagens e sensações abstratas, um pouco como a própria memória se organiza — através do movimento rápido dos olhos, guardamos picotes de momentos e cenas. Os relatos em primeira pessoa convidam o leitor a investigar comigo novas chaves de leitura possíveis para essa trama”, opina a artista.</p>
<p>As três histórias terminam repetidamente na morte de um novo personagem por meio de cenas que ganham um tratamento especial no livro que foi impresso em São Paulo na Ipsis. “Nos momentos de fabulação, o livro é composto por dípticos em margem branca. Já nas sequências de morte, nós optamos por cenas expandidas impressas em papel mais espesso e através da técnica de separação de cor chamada skeleton black que imprime a mesma imagem em duas tintas pretas distintas conferindo maior densidade ao momento”, detalha Clara, que aos poucos foi entendendo que, no processo de se tornar adulto, cada um de alguma forma terá de passar pela experiência simbólica de &#8216;mata r&#8217; os pais.</p>
<p>E André Luiz traz isso muito claramente em seu relato: &#8220;Eram muitas as questões que o filme apresentava [Meteorango Kid - Herói Intergaláctico]. A questão, por exemplo, do assassinato simbólico dos pais gerou um trauma que demorei a entender e assumir. Foram anos para compreender que é necessário reconhecer a raiva infantil guardada para poder perdoá-los e incorporá-los à nossa vida com o merecido amor. Sem essa compreensão, ficamos enganchados com questões insolúveis de relacionamento familiar sem saber o porquê. Então, no filme, expurguei esses sentimentos, para, com isso, poder amá-los livremente”.</p>
<p><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2025/06/Clara-Simas_Foto-Renata-Pires_2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-118232" alt="Foto: Renata Pires/Divulgação" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2025/06/Clara-Simas_Foto-Renata-Pires_2-485x486.jpg" width="485" height="486" /></a></p>
<p>Mas Meu pai morreu três vezes não aborda apenas o tema da ausência: &#8220;Nos últimos anos fui muito inspirada pelo trabalho da filósofa Vinciane Despret que através de uma observação aguda de seu entorno, coleciona formas pelas quais uma presença inteiramente nova pôde ser concedida a um morto, a partir das histórias que deixou em aberto e que invocaram pessoas enlutadas a agir”.</p>
<p>Em seu texto sobre o fotolivro, a psicanalista do Círculo Psicanalítico de Pernambuco Júlia Coutinho, fala sobre alguns dos procedimentos utilizados no processo de luto: “Para mim o projeto O meu pai morreu três vezes é um empreendimento que caminha nesse escopo: manter, guardar, restaurar, reconstruir um mundo interno-externo, uma relação e assim inventar um pai para poder se despedir. Nesse movimento termina-se por descobrir novos passados, novos sentidos de um pai só seu, e, agora, nosso. Como se, assim, se subvertesse um pouco uma das dores do luto”.</p>
<p>O fotolivro será lançado em edição limitada, é dedicado à mãe de Clara e foi viabilizado com apoio do Funcultura, da Lei Paulo Gustavo (Recife), Bolsa de Acompanhamento Editorial do PhMuseum (Bologna, Itália), Grupo de Estudos André Penteado (SP) e Escola Livre de Imagens (PE). Ao longo do processo de execução do projeto, a artista pôde apresentar um pouco do percurso que estava vivenciando. Em 2019, participou de uma exposição coletiva no Museu Murillo La Greca. A revista Propágulo acompanhou a execução do projeto, publicando, em duas ocasiões, o processo de pesquisa. Em 2022, uma exposição coletiva com curadoria de Guilherme Moraes, na Galer ia Janete Costa, exibiu uma instalação sobre o projeto. Em 2024, Clara Simas levou o seu trabalho para uma exposição coletiva no Festival de Fotografia PhMuseum em Bologna.</p>
<p>A boneca preliminar do projeto é finalista do prêmio Dummy Awards&#8217;25 do Photobook Museum (Colônia, Alemanha) e, devido a essa indicação, vai circular durante 12 meses por diversas exposições e festivais na Europa e Ásia. Há ainda um lançamento confirmado em Bologna, na Itália, como parte integrante do evento Photobook Mania 2025 promovido pelo PhMuseum.</p>
<p>&#8220;Meu analista diz que o livro é sobre inventar um pai possível. Outras pessoas dizem que é sobre como registrar uma experiência impossível de ser fotografada. Acho que as duas coisas são verdade&#8221;, diz Clara. &#8220;Em alguma instância, talvez seja apenas sobre aceitarmos que a própria noção de sujeito que tão arduamente passamos a vida moldando, está muito distante de constituir uma unidade inabalável — somos todos feitos de versões, de fragmentos de histórias, algumas inclusive que nunca serão contadas”, conclui.</p>
<p><strong>SERVIÇO:</p>
<p></strong>Meu pai morreu três vezes &#8211; Clara Simas<br />
Lançamentos Recife:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quinta, 5 de junho, às 18h<br />
Garrido Galeria<br />
R. Samuel de Farias, 245 &#8211; Santana, Recife – PE</p>
<p>Domingo, 8 de junho, 14h-17h<br />
Cinema São Luiz<br />
R. da Aurora, 175 &#8211; Boa Vista, Recife &#8211; PE</p>
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		<title>Fotógrafos pernambucanos levam mostra &#8220;Resistência Vaga-Lume&#8221; à galeria de Fortaleza</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2022 10:35:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_94081" aria-labelledby="figcaption_attachment_94081" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Clara Simas/Divuçgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/Clara-Simas_Jubileu-800x445.jpg"><img class="size-medium wp-image-94081" alt="Clara Simas/Divuçgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/Clara-Simas_Jubileu-800x445-607x337.jpg" width="607" height="337" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;Jubileu&#8221;, de Clara Simas, é uma imagens que o público poderá conferir na mostra</p></div>
<p>Deste sábado (28) até o próximo dia 8 de julho de 2022, a Imagem Brasil Galeria, sediada em Fortaleza (CE), recebe a exposição &#8216;Resistência Vaga-Lume&#8217;. A mostra, que conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, reúne o trabalho de dez artistas pernambucanos e uma alemã: Carol Melo, Christina Schug, Clara Simas, Elysangela Freitas, Keila Vieira, Larissa Alves, Marcela Lins e Guilherme Benzaquen, Társio Alves, Tiago Lubambo e Tiago Duque.</p>
<p>Com curadoria de Mateus Sá e Eduardo Queiroga, a exposição busca mostrar, através da fotografia, o poder da transformação e da Resistência da arte por meio de vários atravessamentos pessoais, mas que reverberam coletivamente. Como a analogia dos vaga-lumes ressalta, a fotografia se apresenta nos trabalhos como um ato que estimula as pausas, as inconstâncias e as descontinuidades.</p>
<p>O grupo pernambucano nasceu em 2018 e teve sua primeira exposição realizada em 2019. A inspiração para batizar o coletivo e a exposição vem do livro “A sobrevivência dos Vaga-Lumes&#8221;, do filósofo francês Georges Didi-Huberman que também conduz a exposição que será apresentada em Fortaleza.</p>
<p>A continuidade da “Resistência Vaga-Lume” foi possível graças à aprovação do Funcultura, edital de incentivo à cultura de Pernambuco, que permitiu que os artistas levassem a exposição para uma cidade do nordeste brasileiro. Fortaleza foi a escolhida. <em>“A cena cearense da fotografia sempre esteve em diálogo com a produção pernambucana, para o grupo será muito importante levar o trabalho para Fortaleza e ampliar esse diálogo, essa colaboração. A parceria com a Imagem Brasil Galeria também foi muito importante, pois nos acolheu assim que lançamos a ideia”</em>, explica o curador Eduardo Queiroga.</p>
<p>Serão 10 obras compostas ao todo por 123 imagens que irão interagir com o público cearense, estimulando ideias de afeto, de permanência, de cidade, memória, identidade e é claro, de resistência.</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6w5UQewaND0" height="400" width="600" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p><strong>LIVE -</strong> Nesta quinta-feira (26), às 19h, vai acontecer um bate-papo entre a equipe da Imagem Brasil Galeria e os artistas da exposição &#8220;Resistência Vaga-Lume&#8221;. A transmissão será pelo canal do YouTube da Imagem Brasil Galeria: <a href="https://youtu.be/6w5UQewaND0" target="_blank"><strong>youtu.be/6w5UQewaND0</strong></a>.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Serviço</strong></span><br />
Exposição &#8220;Resistência Vaga-lume &#8211; de 28 de maio a 8 de julho de 2022<br />
Abertura: 28 de maio de maio de 2022 (sábado), às 9h30, e visita guiada, às 11h, com curadores e artistas.<br />
Horário da galeria: segunda a quinta-feira, das 08h30 às 18h; sexta-feira, das 08h30 às 19h<br />
Onde: Imagem Brasil Galeria (R. Rocha Lima, 1707 – Aldeota, Fortaleza – CE)</p>
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		<title>Clara Simas e a criação de pôsteres para filmes</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2014 22:01:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A designer Clara Simas tem se destacado na criação de pôsteres para filmes que simbolizam bem o novo momento da produção audiovisual pernambucana, como, A Onda Traz, o Vento Leva (Gabriel Mascaro), Bajado (Marcelo Pinheiro), Sexta Série (Cecilia da Fonte) e Destinos (Tiago Leitão), esses dois últimos desenvolvidos em parceria com Isabella Alves. Aos 25 anos, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_13843" aria-labelledby="figcaption_attachment_13843" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft"></p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/09/Clara-Simas_foto-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-13843" alt="A designer Clara SImas " src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/09/Clara-Simas_foto-2-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Clara usa várias técnicas na produção de seus trabalhos</p></div>
<p>A designer <strong><a href="http://www.clarasimas.com/" target="_blank">Clara Simas</a></strong> tem se destacado na criação de pôsteres para filmes que simbolizam bem o novo momento da produção audiovisual pernambucana, como, <em>A Onda Traz, o Vento Leva</em> (Gabriel Mascaro), <em>Bajado</em> (Marcelo Pinheiro), <em>Sexta Série</em> (Cecilia da Fonte) e <em>Destinos</em> (Tiago Leitão), esses dois últimos desenvolvidos em parceria com Isabella Alves. Aos 25 anos, a pernambucana &#8211; sócia-fundadora do estúdio de design gráfico <strong><a href="https://www.facebook.com/firmadedesign" target="_blank">A Firma</a></strong>, que  integra o <strong><a href="https://www.facebook.com/ColetivoSextoAndar" target="_blank">Coletivo Sexto Andar</a></strong> - conversou o <strong>Cultura.PE</strong> sobre carreira, referências/influências, cinema e da relação que mantém com os cineastas e suas produções. Confira:</p>
<p><strong>1- Você sempre gostou de cinema? Quando surgiu o primeiro convite para trabalhar nessa área?</strong><br />
Não só de cinema, como das demais artes gráficas. Minha mãe sempre me levava a exposições e fazia questão de me presentear com livros de artes para criança. Na parede do meu quarto, havia umas reproduções de [Edgar] Degas, [Marc] Chagall e [Wassily] Kandinsky. Já meu pai (Manoel da Costa Junior) foi da turma do Cinema Marginal e trabalhou em dois clássicos dessa época: <em>Meteorango Kid – Herói Intergaláctico</em> e <em>Caveira My Friend</em>. Ele, inclusive, foi estagiário do grande Glauber Rocha. O meu primeiro convite partiu de Gabriel Mascaro para confeccionar o pôster do curta <em>A onda traz, o vento leva</em> (2012).</p>
<p><strong>2- Qual a diferença entre um projeto de cartaz para cinema e outros projetos de design?</strong><br />
No cinema, trabalhamos com uma série de referências visuais e conceituais que já foram criadas previamente pela equipe do filme e que você, na maioria das vezes, não viu surgir. Ou seja, ao contrário de outros projetos gráficos que você concebe desde o início, o designer dessa área costuma ser chamado na etapa de pós-produção. Por se tratar de uma obra de arte acabada, existem inúmeras personas gráficas com que dialogar. Podemos compreender uma persona gráfica como o semblante de um personagem, uma cor bastante predominante na fotografia do filme ou até mesmo uma música da trilha sonora. É preciso estar aberto e se deixar abstrair por esses signos. E mais ainda: entender que várias forças atuam nesse processo. Para começar, existe o desejo do diretor e da equipe do filme de ter um cartaz no qual eles se reconheçam. Obviamente, há também a minha vontade de agregar valor à película e não simplesmente a de traduzi-la. E, em relação ao espectador, existe a expectativa que o pôster cria quando a pessoa ainda não assistiu à obra e se depara com o cartaz. Tento encontrar um ponto de equilíbrio que faça com que todas ou pelo menos parte dessas expectativas e universos pessoais sejam contemplados.</p>
<div id="attachment_13852" aria-labelledby="figcaption_attachment_13852" class="wp-caption img-width-357 aligncenter" style="width: 357px"><p class="wp-image-credit alignleft"></p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/09/Clara-Simas_foto-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-13852" alt="C" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/09/Clara-Simas_foto-1-357x486.jpg" width="357" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Clara busca encontrar um equilíbrio entre os anseios dos cineastas e dos espectadores do filme</p></div>
<p><strong>3- A relação entre diretores de cinema e criadores de pôsteres é harmoniosa? Há conflitos?</strong><br />
Pode parecer puxa-saquismo, mas, em geral, foram as relações de trabalho mais harmoniosas que já tive. É claro que varia de acordo com o perfil do diretor, do roteirista ou de quem está por trás do pedido. E vai depender também da complexidade da mensagem e da minha capacidade de compreender o que se espera provocar com a peça. Nem sempre é possível chegar diretamente na síntese visual que outra pessoa vinha construindo, porque a essa expectativa se misturam valores sentimentais e referências estéticas muito pessoais, que não obrigatoriamente dialogam com a minha própria bagagem.</p>
<p><strong>4- Antes de confeccionar os cartazes, você assiste aos filmes? Ou a ideia surge naturalmente numa conversa com o diretor da obra?</strong><br />
Assistir ao filme é sempre o primeiro passo. Nesse momento, gosto de ter a menor quantidade possível de informações sobre a película. Assim, tento uma leitura criteriosa e distanciada do trabalho. A conversa com o diretor, produtor e quem mais estiver disposto a participar do processo de criação do cartaz vem em seguida, quando trocamos as nossas impressões e identificamos onde as percepções se tocam. É também onde gosto de coletar detalhes sobre a execução das cenas, dos bastidores e da força motriz por trás do argumento do filme. Não tem muita fórmula. Às vezes, a técnica surge primeiro, às vezes, a ideia.</p>
<p><strong>5- Que técnicas artísticas você utiliza para confeccionar os pôsteres?</strong><br />
O meu trabalho, em geral, para cinema ou não, já tem uma pegada bastante artesanal. Gosto de tentar técnicas diferentes, então, topo muita coisa como nanquim, aquarela, colagens, bordado, etc.</p>
<p><strong>6- Qual o pôster te deu mais trabalho para terminar? E o menos laborioso?</strong><br />
O meu primeiro (<em>A onda traz, o vento leva</em>), sem dúvida. Primeiro porque o convite foi uma surpresa completa. Respeito demais as produções de Gabriel e por isso, diante da responsabilidade, dei uma congelada no processo de tentar atender à expectativa dele e de Rachel [Ellis], produtora do curta. Segundo porque já vinha acompanhando/admirando o trabalho de Clara Moreira, que criou trabalhos não só para o próprio Gabriel, como para outros cineastas da cidade. Adoro o trabalho dela e queria fazer algo que estivesse no mesmo nível, mas que ao mesmo tempo fosse uma produção minha, e não inspirada no que Clara vinha desenvolvendo ou no que Gabriel estava acostumado a ter. Quanto ao menos laborioso, não consigo pensar em um. O de Bajado foi um pouco engenhoso de fazer, porque nesse caso tive que entrar num campo difícil que é manusear e fazer releituras de um artista gráfico com um traço bastante característico sem transformar a história em paródia ou plágio.</p>
<div id="attachment_13844" aria-labelledby="figcaption_attachment_13844" class="wp-caption img-width-327 aligncenter" style="width: 327px"><p class="wp-image-credit alignleft"></p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/09/Onda01.png"><img class="size-medium wp-image-13844" alt="Primeiro pôster criado por Clara Simas" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/09/Onda01-327x486.png" width="327" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Primeiro pôster criado por Clara Simas</p></div>
<p><strong>7- Quem são os grandes criadores de pôsteres de cinema que te inspiram/influenciam?</strong><br />
Sou péssima com nomes. Mas, assim de cara, lembro de Rogério Duarte, Saul Bass e Eduardo Muñoz Bachs. Talvez, minhas influências venham mais de outros campos mesmo.</p>
<p><strong>8- Um cartaz pode se tornar mais famoso que o próprio filme? Dá para mencionar um exemplo?</strong><br />
Olha, as pessoas costumam achar que o cartaz do filme é uma peça de apoio secundária ao momento do filme. Que o designer chega quando está tudo pronto, assiste e cria sem muito vínculo. É claro que o que está em primeiro plano deve sempre ser o filme, mas o cartaz não deixa de ser uma peça cinematográfica, justamente porque faz parte do processo do filme e também lida com a motivação do espectador que o faz chegar até a sala do cinema. Quanto ao grau da fama do cartaz, acho que tudo é possível. Tem o caso do cartaz de Rogério Duarte para o <em>Deus e o Diabo na Terra do Sol</em> que, se não ficou mais famoso, ficou tão famoso quanto o próprio longa. Já pensou em um filme sem cartaz? Os dois produtos são geminados.</p>
<p><strong>9- Há um mercado aquecido, pronto para consumir essa produção de pôsteres em nosso Estado?</strong><br />
Bom, nem preciso dizer o quanto a produção cinematográfica de Pernambuco tem sido intensa nas últimas décadas. E é claro que, com esse aquecimento no mercado, surge uma demanda mais criteriosa sobre que cartazes devem acompanhar essas produções, e, graças a isso também, muita coisa boa tem sido produzida. Mas, ainda assim, acho que há pouco reconhecimento e incentivo para esse tipo de peça. Não digo somente da necessidade de prêmios específicos. Falo de debate, discussão e espaço para exposição e circulação da produção contemporânea de cartazes no Brasil, como um todo.</p>
<p><strong>10- E os novos projetos? Já dá para adiantar alguma coisa para o Cultura.PE?</strong><em id="__mceDel"><em id="__mceDel"><br />
</em></em>Estou finalizando o cartaz do curta-metragem de Marcelo Pinheiro sobre Bajado. Paralelo a isso, estou produzindo umas peças de divulgação para o longa Ventos de Agosto, de Gabriel Mascaro. Agora, a grande novidade é que pela primeira vez vou assinar, em parceria com Isabella Alves, a identidade visual da sétima edição do Festival Janela Internacional de Cinema. Uma felicidade só esse convite.</p>
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