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	<title>Portal Cultura PE &#187; Débora Mendes</title>
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		<title>Preservação do Arquivo Dom José Lamartine traz à luz detalhes da história pernambucana</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Sep 2018 15:29:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Iglesias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; Por Marcus Iglesias O Projeto de Preservação da Memória do Arquivo Dom José Lamartine da Arquidiocese de Olinda e Recife trouxe à luz uma série de documentos que contam a história social e política da população pernambucana e brasileira durante o Brasil Colônia. Iniciada em 2014, a pesquisa já catalogou escrituras, certidões de nascimento, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_62838" aria-labelledby="figcaption_attachment_62838" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Natuza Ferreira./Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6646.jpg"><img class="size-medium wp-image-62838 " alt="Natuza Ferreira./Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6646-607x401.jpg" width="607" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">Iniciada em 2014, a pesquisa já catalogou escrituras, certidões de nascimento, batismo, casamento e óbito, correspondências, bulas papais, livros litúrgicos e assuntos diversos produzidos pela Igreja Católica em quatro séculos de atividades</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Por Marcus Iglesias</strong></p>
<p style="text-align: left;">O <strong>Projeto de Preservação da Memória do Arquivo Dom José Lamartine da Arquidiocese de Olinda e Recife</strong> trouxe à luz uma série de documentos que contam a história social e política da população pernambucana e brasileira durante o Brasil Colônia. Iniciada em 2014, a pesquisa já catalogou escrituras, certidões de nascimento, batismo, casamento e óbito, correspondências, passaportes, bulas papais, receita e despesa, atas de reunião, textos e livros litúrgicos e pastorais e assuntos diversos produzidos pela Igreja Católica em seus movimentos sociais em quatro séculos de atividades.</p>
<p>Para Débora Mendes, pesquisadora e coordenadora do projeto, a iniciativa é <em>“de extrema importância porque Pernambuco era uma capitania hereditária grande e rebelde, e essa rebeldia fez com que o estado perdesse grandes territórios. No meio das guerras e incêndios, perdemos também muitos registros históricos, não só eclesiásticos, mas materiais que contam a história da Coroa Portuguesa e da Igreja Católica, porque a igreja funcionava nesse período da história como se fosse o cartório da época”.</em></p>
<div id="attachment_62863" aria-labelledby="figcaption_attachment_62863" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Natuza Ferreira./Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6781.jpg"><img class="size-medium wp-image-62863 " alt="Natuza Ferreira./Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6781-607x401.jpg" width="607" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">Iniciada em 2014, a pesquisa já catalogou escrituras, certidões de nascimento, batismo, casamento e óbito, correspondências, passaportes, bulas papais, receita e despesa, atas de reunião, textos e livros litúrgicos e pastorais e assuntos diversos produzidos pela Igreja Católica</p></div>
<p>Durante o regime da Coroa Portuguesa no Brasil, existia o acordo do padroado, que era feito entre a Igreja Católica e a coroa. Como esta última não tinha condições de administrar suas colônias, dividia a responsabilidade com as igrejas. <em>“As construções delas, por exemplo, eram estratégicas também para a defesa, não só para o culto”,</em> explica Débora Mendes, que também é historiadora.</p>
<p>Os religiosos chegavam a um determinado local, catequizavam a população, criavam um povoado numa colina, sempre ao redor da igreja, e ao redor dela incentivavam o comércio e a construção de casas pelas pessoas, fazendo nascer assim as vilas e cidades. <em>“O movimento era sempre a partir de um monumento religioso. Existia todo um conceito estratégico de desenvolvimento das colônias, e com isso vem o lado burocrático e jurídico. E o responsável em cuidar disso foi a Igreja Católica. Neste período, a Arquidiocese de Pernambuco foi a terceira maior do Brasil colônia pela importância de Olinda”</em>, conta a pesquisadora.</p>
<p>De acordo com Débora Mendes, que também é historiadora, o <strong>Projeto de Preservação da Memória do Arquivo Dom José Lamartine da Arquidiocese de Olinda e Recife</strong> começou há quatro anos, através da Comissão Pastoral de Cultura da Arquidiocese de Olinda e Recife, que é presidida pelo Frei Rinaldo Santos. <em>“Na época, fui convidada para conhecer essa sala de documentos antigos que eles chamavam de Arquivo. A partir daí, houve uma proposta técnica de organização desse espaço”.</em></p>
<div id="attachment_62840" aria-labelledby="figcaption_attachment_62840" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Natuza Ferreira./Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6932.jpg"><img class="size-medium wp-image-62840  " alt="Natuza Ferreira./Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6932-607x401.jpg" width="607" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">A equipe do projeto é formada por conservador, restaurador, paleógrafo, historiador e auxiliar técnico. Nesta fase, os profissionais reúnem, catalogam, e separam por período e assunto, além de higienizar, acondicionar e armazenar os documentos de modo a prolongar seu tempo de vida útil</p></div>
<p><em>“Fizemos uma parecer de ação efetiva técnica e especializada inédita, seguindo todo o mandamento, todas as normas da UNESCO e do Conselho Nacional de Arquivos (Conarq)”,</em> detalha Débora Mendes, que trabalha ao lado de uma equipe formada por conservador, restaurador, paleógrafo, historiador e auxiliar técnico. Nesta primeira fase de trabalho, os profissionais se esforçam em reunir, catalogar, separar por período e assunto, além de higienizar, acondicionar e armazenar os documentos de modo a prolongar seu tempo de vida útil e condições de manuseio para consulta no Arquivo.</p>
<p><em>“A partir dessa proposta, passamos a conhecer a documentação existente e houve uma proposta de coleta da documentação antiga que estava ainda nas igrejas de Olinda e Recife. Essa coleta foi feita entre os anos de 2016 e 2017, e fizemos esse processo em todas as igrejas históricas, não só as tombadas, engrossando ainda mais o acervo do Arquivo”, </em>comenta a coordenadora do projeto.</p>
<div id="attachment_62839" aria-labelledby="figcaption_attachment_62839" class="wp-caption img-width-321 alignleft" style="width: 321px"><p class="wp-image-credit alignleft">Natuza Ferreira./Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6725.jpg"><img class="size-medium wp-image-62839 " alt="Natuza Ferreira./Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6725-321x486.jpg" width="321" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Um dos documentos mais antigos encontrados foi a primeira documentação de São Pedro dos Clérigos, no Pátio de São Pedro, de 1722</p></div>
<p>Através desta pesquisa, conta Débora, foram reunidas mais de 300 caixas de documentação, trazendo à tona<em> “uma dimensão de que estávamos salvando muita memória sobre Pernambuco e o Brasil desde o século 18, porque tiramos esses documentos de ambientes totalmente insalubres, tanto para o livro quanto para o ser humano”.</em></p>
<p>O material já foi separado em dez coleções com temas diversificados, como obras raras impressas e manuscritas, artes visuais, filatelia, hemeroteca, cartografia, musicografia e iconografia. <em>“Só após de concluído esse projeto que vamos conseguir mensurar o novo tamanho do arquivo”,</em> explica a historiadora. <em>“Essa documentação é histórica, primorosa, que ainda não é conhecida pelos interessados na área da pesquisa. A gente fala sobre o social, antropologia, a vida civil, histórico e cultural”.</em></p>
<p><strong>Relíquias encontradas -</strong> Em 2018, a equipe técnica responsável pelo projeto passou a analisar cada documento e, assim, a ter uma dimensão do quanto se conseguiu salvaguardar de uma memória que estava condenada a ser perdida. <em>“Um dos documentos mais antigos encontrados foi a primeira documentação de São Pedro dos Clérigos, no Pátio de São Pedro. A igreja começou a ser construída em 1718 e a equipe encontrou a documentação avulsa de 1722. Por enquanto, esse é o livro manuscrito mais antigo que a gente tem”</em>, ressalta a pesquisadora.</p>
<p>Outro material importante catalogado é o Livro de Madre de Deus sobre o assentamento de óbitos dos filhos de mulheres escravas, de acordo com a Lei do Ventre Livre, de 1871. <em>“Como a gente não achou outro, este é o primeiro que se encaixa dentro da lei abolicionista que também foi decretada em 1871. E é um material com muitos detalhes da época, como as doenças que causaram as mortes, o sexo das pessoas e a questão da família. Em alguns casos, por exemplo, eram filhos de senhores de engenho”,</em> conta Débora Mendes.</p>
<div id="attachment_62864" aria-labelledby="figcaption_attachment_62864" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Natuza Ferreira./Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6786.jpg"><img class="size-medium wp-image-62864 " alt="Natuza Ferreira./Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6786-607x401.jpg" width="607" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">O material encontrado foi separado em, pelo menos, dez coleções com temas diversificados, como obras raras impressas e manuscritas, artes visuais, filatelia, hemeroteca, cartografia, musicografia, periódicos e iconografia.</p></div>
<p><em>“Achamos também uma coleção de obras raras da Lei do Império, livros impressos com a topografia portuguesa com todas as leis do império juntas, de 1824 a 1884. São 120 livros, e isso estará disponível no futuro para consulta”,</em> reforça a pesquisadora, que destaca por fim outro achado, a <em>bulla</em> original vinda do Vaticano e assinada pelo Papa Bento V, em 1818, que denomina e eleva a Diocese de Olinda para Arquidiocese de Recife e Olinda.</p>
<div id="attachment_62869" aria-labelledby="figcaption_attachment_62869" class="wp-caption img-width-321 alignright" style="width: 321px"><p class="wp-image-credit alignleft">Natuza Ferreira./Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6860.jpg"><img class="size-medium wp-image-62869 " alt="Natuza Ferreira./Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/NAT_6860-321x486.jpg" width="321" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Por enquanto, quem quiser ter acesso ao que já está disponível no Arquivo Dom Lamartine deve entrar em contato através do e-mail arquivodomlamartine@gmail.com, solicitando o documento para que ele possa ser separado. Em seguida, será marcada uma visita para visualizá-lo no Arquivo</p></div>
<p>Como o Arquivo tem o nome de Dom Lamartine, Débora Mendes diz que vale registrar algumas características de sua personalidade. <em>“Ele foi o bispo auxiliar de Dom Helder na época da ditadura militar, uma pessoa sensível às artes, e por isso recebeu a homenagem do Frei Rinaldo para nomear o Arquivo da Arquidiocese. Inclusive fomos contemplados com a doação de todo acervo de Dom Lamartine, que estava sob os cuidados de uma irmã que ainda está viva. Este acervo vai desde o mobiliário até as paramentas dele. Um delas é uma casula importada e feita com fios de ouro vindos de Roma. E esse paramento litúrgico é uma das outras coleções que separamos para a fase dois do projeto, que é a de restauro dessas peças”,</em> reforça a coordenadora da iniciativa.</p>
<p>A pesquisadora reforça que houve um investimento muito grande por parte da Arquidiocese para que o projeto pudesse ter vida.<em> “A primeira parte foi essa de coleta, depois a estruturação física do Arquivo, que passou a contar com três salas grandes. E o terceiro investimento foi em relação ao mobiliário. Conseguimos comprar arquivos de aço e hermeticamente fechados para organizar essa documentação”.</em></p>
<p>A segunda fase do projeto de preservação do Arquivo Dom Lamartine, voltada para o restauro das peças encontradas entre 2016 e 2017, foi contemplada este ano com o financiamento necessário para sua execução. Depois de realizada esta fase, prevista para ser encerrada no ano que vem, o Arquivo vai disponibilizar os documentos restaurados para consulta para que historiados, pesquisadores e qualquer outra pessoa interessada possam acessá-los.</p>
<p>Por enquanto, quem quiser ter acesso ao que já está disponível no Arquivo Dom Lamartine deve entrar em contato através do e-mail <strong>arquivodomlamartine@gmail.com</strong>, solicitando o documento para que ele possa ser separado. Em seguida, será marcada uma visita para visualizá-lo no Arquivo.</p>
<div id="attachment_62841" aria-labelledby="figcaption_attachment_62841" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Natuza Ferreira./Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/Restauração_Arquivo-Dom-José-Lamartine-50.jpg"><img class="size-medium wp-image-62841 " alt="Natuza Ferreira./Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/09/Restauração_Arquivo-Dom-José-Lamartine-50-607x401.jpg" width="607" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">A segunda fase do projeto de preservação do Arquivo Dom Lamartine, voltada para o restauro das peças encontradas entre 2016 e 2017, foi contemplada este ano com o financiamento necessário para sua execução</p></div>
<p><em>“Dentre tantos fatos de descasos de gestores com a cultura, como o que aconteceu no Museu Nacional, estamos conseguindo fazer com muito sacrifício essa iniciativa. E agora temos mais um motivo pra lutar. Que o Arquivo sirva como um espaço de pesquisa, e vamos transformá-lo pra atender às pessoas interessadas nessa fatia da história do Brasil”,</em> comemora Débora Mendes.</p>
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