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	<title>Portal Cultura PE &#187; fado</title>
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		<title>De fados e choros&#8230; o reencontro entre Brasil e Portugal</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2015 20:38:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A dolência que embala o fado português&#8230; o requinte e a sofisticação próprios do chorinho. Tais vertentes musicais possuem similaridades? No ambiente da música contemporânea, esses diálogos são sempre possíveis. Quando Brasil e Portugal se encontram no palco, esse diálogo transcende a língua em comum e transborda ao nível dos sentimentos. Estas possibilidades estarão expostas [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_26208" aria-labelledby="figcaption_attachment_26208" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/06/IMG_1846.jpg"><img class="size-medium wp-image-26208" alt="Costa Neto/Secult-PE" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/06/IMG_1846-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Os faditas Andreia Matias e Emanuel Soares ladeados pelo músicos Armênio Melo (esq.) e Caetano Francisco (dir.)</p></div>
<p>A dolência que embala o fado português&#8230; o requinte e a sofisticação próprios do chorinho. Tais vertentes musicais possuem similaridades? No ambiente da música contemporânea, esses diálogos são sempre possíveis. Quando Brasil e Portugal se encontram no palco, esse diálogo transcende a língua em comum e transborda ao nível dos sentimentos. Estas possibilidades estarão expostas no show “Tudo Isto é Fado!”, que será apresentado neste sábado (13), às 20h, no Teatro de Santa Isabel. No palco, os brasileiros Kelly Rosa e Beto do Bandolim farão as honras da casa, lançando luz sobre o choro. Os convidados serão os fadistas portugueses Emanuel Soares e Andreia Matias, que levarão toda a emoção do canto lusitano ao público.</p>
<p>A ideia deste encontro foi gestada a partir da incursão da paranaense Kelly Rosa no universo do fado, junto aos músicos Luigi Lagioia e Nelson Novaes. Entre idas e vindas a Portugal, e o contato com artistas locais, o desejo de aproximar as duas culturas era cada vez mais forte. Concretiza-se neste show, que faz parte da programação do I Encontro Internacional de Poesia e Música Luso brasileiras. Kelly vai além e observa semelhanças entre o fado e o choro. “O choro está para o Brasil, como o fado está para Portugal. E a vida inteira em que cantei, eu percebi uma semelhança, um parentesco entre o fado e o choro. Por que não cantá-los juntos?”, conta Kelly lançou, em , o disco Flor Amorosa, de sambas e choros.</p>
<p>Acompanhada de Beto do Bandolim, e dos músicos Alberto Guimarães (7 cordas), George Rocha (pandeiro) e Nelson Brederode (cavaquinho), Kelly vai desfiar um repertório baseado no choro, mas vai lançar o desafio baseado nesse encontro entre Brasil e Portugal. Canção do mar, um fado de Amália Rodrigues (talvez o nome mais representativo do gênero), vai ganhar uma vestimenta típica de choro. Ele sugere, também, o inverso. “Se você for pensar no ritmo do fado, você pode usar um choro, como Carinhoso, por exemplo, e cabe perfeitamente”, destaca.</p>
<div id="attachment_26209" aria-labelledby="figcaption_attachment_26209" class="wp-caption img-width-324 alignleft" style="width: 324px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/06/kelly-Rosa-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-26209 " alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/06/kelly-Rosa-1-324x486.jpg" width="324" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">A cantora Kelly Rosa encontra correspondências entre o choro e o fado lusitano</p></div>
<p>Nomes que reverenciam a identidade da música portuguesa e as raízes do fado tradicional, os portugueses Emanuel Soares e Andreia Matias se apresentam pela primeira vez no Recife. No repertório, os clássicos do cancioneiro lusitano ganham destaque, num show que promete envolver o público com toda a emoção que desabrocha através das suas vozes. Tanto Emanuel quanto Andreia possuem trajetórias distintas, mas, há cerca de três anos, vem se apresentando juntos, o que resultou no disco Cumplicidade, que define bem o momento atual. Eles se apresentarão acompanhados dos músicos Caetano Francisco (violão) e Armênio Melo (guitarra portuguesa).</p>
<p>Uma das grandes questões que envolvem a percepção do fado é a sua característica dolência. O que não quer dizer, necessariamente, que é, preponderantemente, uma música triste. “O fado é uma mistura de sentimentos, e a tristeza faz parte disso também. Mas não é apenas isso. Existem os fados que falam de paixões, de saudade, sem necessariamente, serem tristes”, explica Emanuel Soares. O show deste sábado será uma oportunidade de desmistificar essa impressão e observar o fado a partir de um novo olhar. “Nós poderemos mostrar ao público que é possível nos apresentarmos por 1 hora e meia ou até duas horas sem tocar um único fado triste”, enfatiza.</p>
<p>O repertório vai passear por canções de Amália Rodrigues, Vasco Rafael, Manuel de Ameida, entre outros nomes do fado. Para Emanuel, é importante que a apresentação transmita e envolva o público com sentimentos. “Trazer verdade para o espetáculo. Esta é a nossa intenção. Conseguir transmitir ao público nossos sentimentos ao cantar o fado, e que elas também se sintam parte do espetáculo. Queremos que o fado aconteça!”, finaliza ele, utilizando uma expressão que explica quando o espetáculo consegue cumprir sua missão: emocionar o público.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>SERVIÇO<br />
<em>Show “Tudo isto é Fado!”</em><br />
<em> com Kelly Rosa e Beto do Bandolim e Emanuel Soares e Andreia Matias</em><br />
Sábado (13), a partir das 20h<br />
Teatro de Santa Isabel | Praça da República, s/n, Santo Antônio – Recife/ PE<br />
R$40 (inteira); R$20 (meia-entrada) | Camarote: R$50 (inteira); R$25 (meia-entrada)</p>
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		<title>Dos sentimentos que desabrocham do além-mar</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jul 2014 17:19:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Festival de Inverno]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[24º FIG]]></category>
		<category><![CDATA[Carminho]]></category>
		<category><![CDATA[fado]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Inverno de Garanhuns 2014]]></category>
		<category><![CDATA[fig 2014]]></category>
		<category><![CDATA[Palco Dominguinhos]]></category>

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		<description><![CDATA[por Leonardo Vila Nova &#8220;&#8230; Carminho é a mais nova e a mais bela floração desse renascimento do fado entre jovens portugueses que já faz agora mais de década. Ouvi-la cantar essa canção de exílio brasileira com voz de quem mal atravessou o oceano para vir aqui nos ensinar tanto, foi de fazer chorar &#8220;. [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong><em>por Leonardo Vila Nova</em></strong></p>
<p>&#8220;&#8230; <em>Carminho é a mais nova e a mais bela floração desse renascimento do fado entre jovens portugueses que já faz agora mais de década. Ouvi-la cantar essa canção de exílio brasileira com voz de quem mal atravessou o oceano para vir aqui nos ensinar tanto, foi de fazer chorar</em> &#8220;.</p></blockquote>
<p>Essa frase, escrita por Caetano Veloso, em sua coluna semanal no jornal O Globo, quando da apresentação da cantora portuguesa no Prêmio da Música Brasileira, resume com primor o que simboliza Carminho para a música do seu país, assim como fora dele. E, principalmente, em terras brasileiras. Não só Caetano, mas Chico Buarque, Milton Nascimento, Nana Caymmi, Ney Matogrosso e Alceu Valença também se renderam ao canto dolente, forte e comovente dessa jovem de 29 anos, que demarca, com sua voz, um novo lugar do fado na música contemporânea mundial.</p>
<div id="attachment_10425" aria-labelledby="figcaption_attachment_10425" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/07/14494851430_82222df1b8_z.jpg"><img class="size-medium wp-image-10425 " alt="Costa Neto" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/07/14494851430_82222df1b8_z-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">A cantora portuguesa Carminho encantou o público da Praça Dominguinhos ao som de fados portugueses</p></div>
<p>Carminho foi uma das atrações da noite de abertura do 24º FIG, na noite desta quinta (18). A presença cativante da cantora, o caráter envolvente da música que ela gorjeia, altiva e, ao mesmo tempo, delicada, hipnotizaram o público que esteve presente, no Palco Mestre Dominguinhos. Além disso, seus predicados como intérprete, em muito apontam para um (re)encontro de duas culturas que se entrelaçam há mais de 500 anos, falando a mesma língua, não apenas no campo das palavras, mas, principalmente, dos sentimentos. A cantora apresentou um repertório que passeia pelos seus dois primeiros discos, “Fado” (2009) e “Alma” (2012) – o terceiro CD está para ser lançado em outubro.</p>
<p>Fonte principal do seu trabalho, o fado é popularíssimo em seu país, mas ainda com pouco alcance no Brasil, mas, nem por isso, estranho aos ouvidos. Muito da natureza emotiva que se encontra no fado lusitano se assemelha à passionalidade típica do brasileiro. Um canto que requer entranhas, alma e, absolutamente, nenhuma economia de sentimentos. A sua origem é um tanto quanto incerta. Diz-se que incorporou elementos dos cantos dos mouros. Uns (a maioria) sugerem que ela nasceu em Portugal. Outros acreditam que ela foi gestada a partir da simbiose de elementos da modinha e do lundu, no Brasil, tendo sido levada para além-mar pelo imperador português D. João VI. Independente de quaisquer teorias, o fado representa uma tradição do cantar o introspecto humano, a saudade, os amores que doem. Talvez seja essa linguagem tão passional que faz com que o fado consiga domar uma gigantesca plateia que se aglomerava em frente ao palco, contemplando nos momentos corretos e aplaudindo quando assim se mostrava necessário. Todo um respeito àquele canto e à sua intérprete.</p>
<div id="attachment_10426" aria-labelledby="figcaption_attachment_10426" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft"></p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/07/14701406403_5d09e4e25f_z.jpg"><img class="size-medium wp-image-10426   " alt="Costa Neto" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2014/07/14701406403_5d09e4e25f_z-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Mesmo diante da chuva, público manteve-se firme para contemplar o canto de Carminho</p></div>
<p>Nisso, reside uma identificação direta quando se percebe quem canta os sentimentos. O show comovente (e envolvente) de Carminho teve uma resposta à altura. Constantemente ovacionada pelo público, era possível notar que ela sentia-se em meio aos seus. Ali, não havia mais Brasil ou Portugal. Ali, havia emoção. &#8220;<em>A profundidade dos sentidos e das emoções e a necessidade que temos de expandir esses sentimentos. Isso, seja da forma mais extrovertida e alegre, como é o brasileiro, ou da forma mais nostálgica, como é o português, mas ambos muito profundos, procuram sempre exteriorizar isso</em>&#8220;, declarou Carminho, após o show, ao falar sobre esse ambiente de similaridades que há na interpretação da música portuguesa e brasileira. E, em seu show, houve uma mescla perfeita disso tudo.</p>
<p>Além dos típicos fados e modinhas portuguesas, estiveram presentes no repertório alguns brasileiros: &#8220;Carolina&#8221;, de Chico Buarque, &#8220;Contrato de separação&#8221;, de Dominguinhos, além “Frevo n° 1”, de Antônio Maria, ganharam, na voz de Carminho, contornos de verdadeiros fados lusitanos. &#8220;<em>Fado é aquilo que eu sinto como meu, que eu posso dar os meus sentimentos e a minha emoção</em>&#8220;, pontua. E o que ela canta – num domínio impressionante de sua voz, que atinge mínimas delicadeza e explode em magnitude nos momentos de maior força – requer um envolvimento seu e também da plateia. O que há de sedutor no canto de Carminho e na desenvoltura dos instrumentistas que a acompanham é realçado pela mínima utilização de recursos outros. Luz mínima, intimista, ausência de cenário (apenas um fundo preto), trazem à linha de frente o que realmente importa ali: a canção.</p>
<p>Devolvendo o fado ao ambiente que lhe é íntimo, muito menos geograficamente, e muito mais sensivelmente, Carminho pretende um reencontro consigo mesma e com sua arraigada identidade portuguesa, mas também um reencontro de identidades que se caracterizam por colocar profundidade, delicadeza e emoção no que entoam. Como o bem disse Caetano Veloso, uma floração, um desabrochar de tudo o que nos bole por dentro. Seja aqui&#8230; ou lá.</p>
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