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	<title>Portal Cultura PE &#187; hispano-americana</title>
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		<title>Fundarpe conta sua história de meio século em exposição na Torre Malakoff</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Dec 2023 18:02:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cinquenta anos não são 50 dias. No ano em que completa meio século de existência a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco deixa marcada sua importância na cultura estadual. Nesta quarta-feira (20), na Torre Malakoff (Praça do Arsenal da Marinha, s/nº, Bairro do Recife) é inaugurada a exposição Fundarpe 50 anos: História, Arte, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_102933" aria-labelledby="figcaption_attachment_102933" class="wp-caption img-width-351 alignnone" style="width: 351px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgaçãp</p><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/07/Fundarpe-sede-3.png"><img class="size-medium wp-image-102933" alt="Divulgaçãp" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/07/Fundarpe-sede-3-351x486.png" width="351" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Sede da Fundarpe fica na Rua da Aurora, cartão-postal do Recife</p></div>
<p>Cinquenta anos não são 50 dias. No ano em que completa meio século de existência a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco deixa marcada sua importância na cultura estadual. Nesta quarta-feira (20), na Torre Malakoff (Praça do Arsenal da Marinha, s/nº, Bairro do Recife) é inaugurada a exposição Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e Patrimônio, que resume a trajetória desse órgão tão importante e necessário cujos resultados da atuação transcendem as fronteiras do Estado. A abertura para o público em geral ocorre na quinta-feira (21).<br />
A mostra acontece até 31 de janeiro de 2024 ocupando as quatro salas do 1º andar da Torre Malakoff. Fica aberta de terça a sexta-feira, das 10h às 17h; e no domingo, das 15h30 às 19h.<br />
E nem parece que foi ontem. Isso mesmo. É meio século de história, completado em 17 de julho passado, e a impressão é que a Fundarpe já possui 100, 200 anos. De um órgão criado, como intitulado, para cuidar do patrimônio histórico e artístico do Estado, ao longo dessas cinco décadas foram acrescidas responsabilidades que ampliaram ainda mais seu leque de atuação para um órgão executor da política cultural estadual, desenvolvida em bases democráticas, em todas suas dimensões e expressões.<br />
Como missão, ao longo do tempo, além do incentivo à cultura e da preservação dos monumentos históricos e artísticos, a Fundarpe passou a ter a promoção, o apoio, o incentivo, a preservação e a difusão das identidades e produções culturais de Pernambuco de forma estruturadora e sistêmica, focada na inclusão social, na universalização do acesso, na diversidade cultural, na interiorização das ações e no desenvolvimento regional integrado. Nesse processo tem sido também protagonista como testemunha atuante na história da cultura do Estado.<br />
Percorrer os caminhos dos 50 anos da Fundarpe é observar marcos importantes no entendimento e na difusão da cultura e dos patrimônios pernambucanos. É encontrar, nesse trajeto, muitos desafios e a consolidação de políticas públicas e de fomento voltadas para as histórias, memórias e identidades, construídas coletivamente.<br />
Por considerar a pluralidade e a riqueza cultural pernambucanas, em seus 50 anos a Fundarpe, ligada à Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco (Secult-PE), em parceria com os municípios e demais coletivos, viabilizou iniciativas potentes e relevantes no que se refere ao campo da preservação, da salvaguarda, da valorização e da divulgação do patrimônio cultural, artístico e histórico do Estado iluminando a diversidade e buscando a interiorização e a inclusão social.<br />
A exposição Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e Patrimônio leva o público ao encontro com os Patrimônios Materiais, Imateriais e Vivo do Estado. Continua com um passeio pela variedade dos equipamentos culturais (Casa da Cultura, Cinema São Luiz, Cine-Teatro Guarany, Espaço Pasárgada, Museu de Arte Contemporânea, Museu de Arte Sacra, Museu do Barro de Caruaru, Museu do Estado, Museu Regional de Olinda, Teatro Arraial Ariano Suassuna e, claro, a anfitriã Torre Malakoff) e da multiculturalidade dos festivais culturais, assim como encaminha à reflexão sobre a relevância da contribuição do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) para a cultura estadual.<br />
Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e Patrimônio convida o público a conhecer as experiências e ações desenvolvidas pela Fundação e a se reconhecer nos muitos projetos e nas muitas atividades elaboradas e acompanhadas pela instituição reforçando o sentimento de pertencimento nos diversos grupos que constituem nossa sociedade.<br />
&#8220;A exposição é uma das ações comemorativas dos 50 anos da Fundarpe, instituição que conseguiu acompanhar a evolução da política de preservação do País, como está bem retratado nos diversos painéis expositivos&#8221;, afirma a presidente da Fundação, Renata Borba.<br />
A mostra tem coordenação de Flávio Barbosa; projeto expográfico de Rinaldo Oliveira; design gráfico de Íkaro Câmara e Hana Luzia; produção e revisão de textos de Luciana Gama; e produção de conteúdo de Clarice Andrade, Flávio Barbosa, Hana Luzia, Íkaro Câmara, Luciana Gama, Marcelo Renan, Maria Rosa Brito Maia, Neide Fernandes, Raphaela Rezende e Teresa Amaral.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Serviço:</strong></span></p>
<p><strong>Exposição Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e Patrimônio -</strong> <em>de 21 de dezembro a 31 de janeiro, na Torre Malakoff (Praça do Arsenal da Marinha, s/nº, Bairro do Recife). Visitação: de terça a sexta-feira, das 10h às 17h; e no domingo, das 15h30 às 19h. Acesso gratuito</em></p>
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		<title>Berroa e Martín falam sobre literatura hispano-americana no I Clisertão</title>
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		<pubDate>Sat, 19 May 2012 02:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O poeta, professor e crítico Rei Berroa e o Professor da UFPE Juan Pablo Martín compuseram uma mesa sobre literatura hispano-americana na noite de ontem (17/05), no auditório da UPE, no Campus Petrolina. Abrindo a discussão, Martín focou nas relações entre a literatura espanhola e brasileira, exemplificando o uso da quaderna: estrutura em versos tipicamente [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4330" aria-labelledby="figcaption_attachment_4330" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Ricardo Moura</p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa.jpg"><img class="size-medium wp-image-4330" alt="Ricardo Moura" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Rei Berroa (dir.) e Juan Pablo Martín (centro) falam sobre literatura hispano-americana</p></div>
<p>O poeta, professor e crítico Rei Berroa e o Professor da UFPE Juan Pablo Martín compuseram uma mesa sobre literatura hispano-americana na noite de ontem (17/05), no auditório da UPE, no Campus Petrolina.</p>
<p>Abrindo a discussão, Martín focou nas relações entre a literatura espanhola e brasileira, exemplificando o uso da quaderna: estrutura em versos tipicamente espanhola e utilizada por Ariano Suassuna. “Conhecer a literatura espanhola ajuda a entender a literatura brasileira e nordestina”, diz o professor. Suassuna, segundo Martín, é um forte exemplo das conexões entre Espanha e Brasil. “O Auto da Compadecida é um típico auto medieval”, exemplifica. Gregório de Matos e Francisco de Quevedo, Ramón Gomez de la Serna  e Mário de Andrade são outras aproximações que sugere.</p>
<p>Rei Berroa optou por fazer um percurso pela história recente da poesia na República Dominicana, assim como as inevitáveis conexões com a política, a morte do ditador Trujillo e a complexa relação com o país vizinho, o Haiti. Problematiza também os conceitos de “dominicanidade” e  “brasilidade”, que enquadram as expressões artísticas em um nacionalismo redutor. “Cada uno de nosotros es una isla”, diz, citando Jorge Luís Borges. O papel da crítica é colocado, tanto no contexto dominicano quanto em sua ampla importância para a solidez do exercício literário.</p>
<p>No vídeo a seguir, Rei Berroa fala um pouco sobre as suas impressões do congresso:</p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/gc0b2Y1-tg8" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
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		<title>Entrevista com Rei Berroa</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 00:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O poeta dominicano Rei Berroa é um dos destaques da programação de amanhã (17/05) do CLISERTÃO. Estará na conferência – “Literatura latino-americana”, com o Prof. Dr. Juan Pablo Martín (Espanha/ UFPE). A mediação é de Alexandre Furtado (UPE/Nazaré da Mata). Nascido em 1949, Berroa é também professor da George Mason University, em Washington, crítico cultural e [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa-2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-4546" alt="rei berroa 2" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa-2-519x486.jpg" width="519" height="486" /></a></p>
<p>O poeta dominicano Rei Berroa é um dos destaques da programação de amanhã (17/05) do CLISERTÃO. Estará na conferência –<strong> “Literatura latino-americana”</strong>, com o Prof. Dr. Juan Pablo Martín (Espanha/ UFPE). A mediação é de Alexandre Furtado (UPE/Nazaré da Mata).</p>
<p>Nascido em 1949, Berroa é também professor da George Mason University, em Washington, crítico cultural e tradutor. Já publicou mais de 25 livros, entre poesia, antologias, traduções e crítica.</p>
<p>Conheça um pouco mais sobre o trabalho do escritor na entrevista a seguir:</p>
<p><strong>Clisertão.com – Berroa quer dizer “pequeño zarzal en el campo” ou “el que quiere ser bueno”. Berroa é um nome artístico? Qual significado se aproxima da sua intenção?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> (risos) Te peguei. Alcancei o meu propósito, querida. Berroa é realmente o meu sobrenome, que herdei do meu pai. É, de fato, um sobrenome vasco, de Guipúzcoa. Uma das perspectivas com as quais eu intento penetrar o leitor é através de uma versão bem-humorada e oblíqua da realidade. Isso não quer dizer que eu deixe de lado a dimensão profunda, filosófica para qual a poesia deve também apontar sempre. Penso que os poetas esqueceram da dimensão lúdica da linguagem, e se levam muito à sério. Isso não quer dizer que não se deve levar à sério o que se faz; pelo contrário: manejar esse ofício com a maior responsabilidade que a língua e a história nos exige, mas sem levarmos nós mesmos excessivamente à sério.Isso é Borges, Vallejo, Quevedo, o incomparável Arcipreste de Hita ou, mais próximo da realidade na qual nos encontramos, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Ledo Ivo, só para mencionar três nomes chaves da poesia brasileira contemporânea. Voltando, pois, à tua pergunta. Eu não sei o que significa a palavra “berroa” em vasco, pois não sei vasco. Poderia ter procurado saber com algum dos meus amigos ou conhecidos vascos, mas optei pela invenção. Inventei esta origem para dar presença nominal ao meu desejo de fazer algo que valha a pena para outros, umas espécie de ética da estética etimológica…</p>
<p><strong>Clisertão.com - Um dos temas que serão debatidos no Clisertão é o sertão como matéria-prima da literatura. A República Dominicana está presente na sua poesia? Como você vê a geografia e as identidades surgidas nesses espaços – aos quais nos sentimos ligados – no sentido de influenciadores da criação artística?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> É inevitável que minhas origens estejam presentes nesta verdade inalienável que é a expressão poética. Há muitas maneiras de fazê-lo. Alguns optam pela expressividade específica (poemas merengue, poemas bachata…), outros por se ligar à realidade orográfica ou histórica (o rio Ozama, que cruza a capital e desemboca no mar do Caribe, as montanhas do centro do país, o inescapável mar…). O que me interessa mais que tudo são as pessoas, as pessoas com suas utopias e distopias, enganadas pela política e pela religião, constantemente vilipendiadas até pela natureza (terremotos, furacões, desmanches, enchentes de rios que arrasam povoados inteiros, etc). Apesar de todas essas indignidades, as pessoas sabem apontar para a expressão humana e riem, riem com uma socrática impassibilidade. Eu, mais que ligado a um país específico com o qual provavelmente não tenho muito em comum, sinto e manifesto uma ligação profunda com o primeiro lugar de minha experiência humana: a casa dos avós, onde vim a luz, o rio que encheu meu mundo de vida e metáforas, a nudez do corpo na água, a tentativa de um primeiro beijo e a bofetada resultante dele, a velha ameixeira que, no quintal de casa, significou sempre aquela que permanece e sobrevive a nós. Preste bem atenção que, sendo um homem essencialmente citadino e extrovertido, mais da metade de minha expressão poética está ligada à interiodade do ser humano e da natureza, ao sertão, para dizer em termos que estejam mais conectados com o que esta celebração em Pernambuco quer fazer por esses dias. Quer dizer, sem me dar conta, fui fazendo minhas matáforas essenciais daqueles primeiros anos: o rio, à ameixeira, á lágrima e a estas metáforas primárias acrescentei a metáfora central de toda a minha existência: os outros. Com eles fui amansando o pão da minha expressão poética.</p>
<p><strong>Clisertão.com -</strong> <strong>A poesia do Caribe é pouco conhecida no Brasil. Que nomes você recomendaria aos leitores brasileiros? E o que você poderia falar da poesia caribenha de modo geral?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> A poesia do Caribe é pouco conhecida em todas as partes, na realidade, a não ser que em teu país se leve a cabo uma revolução política que faça notória essa expressão poética. Alguns poetas sobrepassam as fronteiras nacionais, como é o caso dos nomes de Julia de Burgos (Puerto Rico), Pedro Mir (República Dominicana) ou Nicolás Guillén (Cuba). O feito de Derek Walcott, que recebeu o Nóbel de Literatura en 1992 (não vamos entrar aqui nos motivos por detrás do prêmio [não esqueçamos que Rigoberta Menchú recebe o da Paz no mesmo ano]. Se tratava, pois, de restituir algo ao colonizado no ano das celebrações do Quinto Centenário do encontro dos mundos [1492]?), é um monumento à poesia do Caribe. Poesia vibrante, ritmica, profunda em suas diferentes manifestações: filosófica, socio-política, neobarroca, mística… muitos são os nomes que se aglomeram de repente na minha cabeça. Vamos organizá-los por países:</p>
<p>Na República Dominicana, os nomes inevitáveis deveriam ser: Manuel del Cabral, Franklin Mieses Burgos, Aída Cartagena Portalatín e, entre os mais jovens, Miguel Aníbal Perdomo, Alexis Gómez Rosa, José Mármol, José Acosta, Plinio Chahín y León Félix Batista. O Projeto Editorial Banda Hispânica, que dirige Floriano Martins desde Fortaleza, fez uma seleção de alguns dos poetas capitais da tradição poética dominicana que, evidentemente, fica muito reduzida na seleção (apenas 16 vozes).</p>
<p>Em Porto Rico, haveríamos que fazer menção aos clássicos, Luis Palés Matos, Francisco Matos Paoli, Jorge Luis Morales, e Olga Nolla; entre as vozes das últimas gerações, o Projeto Editorial Banda Hispânica , acima mencionado, é muito mais completo e generoso com Porto Rico e publicou uma seleção de 44 vozes de poetas de Porto Rico sob a assessoria dos poetas David Cortés Cabán, Etnairis Rivera, Madeline Millán e Maribel Sánchez-Pagán (também eles vozes necessárias do momento) dentre os quais destaco a obra de José Luis Vega, Manuel Ramos Otero, Carmen Valle, Jan Martínez e Mario Cancel.</p>
<p>Sobre Cuba, recorro outra vez à Banda Hispânica, já que a seleção que oferece é bastante ampla (embora coloque León Félix Batista, poeta dominicano, entre este grupo, obviamente por um erro, pois sei que ele nasceu em Santo Domingo). Aos nomes clássicos de José Martí, Nicolás Guillén, Dulce María Loynaz, Lezama Lima ou Virgilio Piñera, devo agregar os de Roberto Fernández Retamar, Miguel Barnet, Reina María Rodríguez e Waldo Leyva.</p>
<p><strong>Clisertão.com - Você tem um poema famoso, intitulado “De adinamia de mente de umnesia” sobre a doença de Alzheimer. Um jogo de palavras de difícil pronúncia, e uma espécie de longo monólogo sobre essa condição. Qual foi a sua intenção ao falar sobre um assunto doloroso?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong><em> De adinamia de mente de umnesia</em> foi uma homenagem que eu quis fazer a minha mãe quando ela começou a viajar em direção à desmemória por conta do Alzheimer. Um editor mexicano se interessou muitíssimo pelo livro e fizemos uma edição que doamos em sua maior parte para aliviar a dor dos familiares dos que sofrem dessa terrível enfermidade. Foi um livro muito difícil para mim, pois eu tratei por todos os meios de fazer falar meu personagem, uma mulher sem educação, mas sumamente inteligente, que começa a se dar conta da precipitação da sua condição, da sua viagem à “umnesia” (quer dizer, à não-recordação, como a u-topia é o não-lugar). Embora eu saiba que muitos críticos vão sinalizar o aspecto prosaico desse monólogo doloroso, estou sumamente satisfeito por havè-lo realizado, pois o que queria era fazer falar essa mulher com o fim de que, contando a sua história de vida, isso fosse um estímulo para todas as outras pessoa que se enfrentam com esse destrutivo visitante da idade moderna. No pólogo desse livro, que não posso reproduzir aqui em sua totalidade por falta de espaçõ e tempo, falo precisamente destes componentes, minhas intenções e o que, creio, foram minhas conquistas – se é que houve alguma. O livro foi premiado em Murcia, Espanha, no “Primer Concurso del Alzheimer y la Pérdida de la Memoria”, antes de ser publicado no México. Tomara que possa ser publicado no Brasil em alguma edição que, como em sua primeira em espanhol, seja doada aos parentes destes pacientes. Assinalo neste prólogo:</p>
<blockquote><p>&#8220;<em>Mélida, la narradora lírico-dramática de este texto, ha acudido a una terapia en la que parece creerse que el acto de contar el pasado, por más doloroso que éste sea, es un primer paso para ayudar al paciente a limpiar la costra beta-amiloide (proteína tóxica) que se acumula en las paredes del hipocampo –sección del cerebro responsable de la memoria- y, por la acción de este “cepillo” del discurso, recuperar lugares, nombres, acciones que prolonguen nuestra situación cronotópica (nuestro ser y estar en el tiempo y en el espacio). Ya sabemos, pues se han encargado los neurólogos de informarnos sobre este particular, que esta pérdida es hasta ahora irreversible. A pesar de ello, quisiéramos creer que ofrecerle un ambiente propicio a la persona enferma para que haga ejercicios de memoria, llevarla de la mano hacia el laberinto de su pasado o su futuro es una forma necesaria para ayudarla a recuperarse en el tiempo y en sus recuerdos.</em></p>
<p><em>Pero esta acción del lenguaje sobre tal complicación del cerebro tiene otro objetivo tan importante como el anterior. ¿Cuál es? El de crear en la comunidad una serie de vasos comunicantes por medio de los cuales todos los individuos que la componen estén sobre aviso para prestar su brazo y su esperanza para curar los males que aquejan a la sociedad: el hombre y la mujer de la calle, el científico o la poeta, el político o la enfermera, el cura o la monja, el profesor o el carpintero, la partera o los oficinistas. Todos unidos para remediar este y otros muchos males que cada vez con más vehemencia intentan disminuir la estatura de la condición humana y sus referencias. Maravilloso es este cuerpo que habitamos, pero es todavía una máquina imperfecta que requiere constante ojo avizor, una manutención impecable, múltiples afinamientos y tenaces lijaduras</em>&#8220;.</p></blockquote>
<p><strong>Clisertão.com - Você me falou de uma antologia poética que publica todos os anos com poetas que participam da “Maratón de Poesía”. Fale um pouco sobre esse projeto.<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> Sim, se trata de um festival de poesia com o qual levamos já 20 anos (com aquele “20 años no es nada”, Gardel não tinha ideia do que significa embarcar em um empreendimento como este, na contracorrente, em um mundo no qual a poesia não tem presença física). Cada ano desde 1992, o Teatro de la Luna, uma organização sem fins lucrativos dedica à apresentação de obras de teatro em espanhol na zona de Washington, DC, organiza a “Maratón de la Poesía – La pluma y la palabra”, uma festa do verbo hispano no mesmo coração do poder público do mundo. Como desde setembro de 2011, a situação financeira do teatro era bem mais precária, tentamos conseguir as passagens de avião dos poetas através de seus ministérios de cultura, coisa muito difícil de se conseguir. Se não se consegue, pedimos aos que poetas que paguem suas próprias passagens, mas, uma vez aqui em Washington, fazemos conjuros mágicos para que floresça a poesia nestes entornos e nos ajudar a semear os brotos da vida que celebra a palavra poética, contra-arrestando assim os que semeiam a morte pelo mundo. Desde 2002, quando completamos 10 anos, a maratona fez-se internacional convidando poetas dos países do mundo hispano (e logo também do brasileiro, pois estou em negociações com a embaixada do Brasil em Washignton) e publicando uma antologia com uma boa parte dos poemas lidos durante a maratona, tanto no Teatro de la Luna, como na Biblioteca do Congresso de Washington, onde lemos no primeiro dia. Temos já oito edições publicadas dessa antologia. Um trabalho brutal, mas tão maravilhoso que não o deixaria por nada desse mundo, pois damos oportunidade aos nossos poetas de serem escutados fora de seus países.</p>
<p><strong>Clisertão.com - Por fim, o que é poesia?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> Citou-se à exaustão a Rima XXI do poeta pós-romântico espanhol Gustavo Adolfo Bécquer na qual o eu lírico, conversando com sua interlocutora ou seu tu lírico, pergunta: “¿Qué es poesía?,” para responder quase de imediato: “¿Y tú me lo preguntas? / Poesía… eres tú.” Penso que poesia somos nós em ação. Não algum eu individualista e romântico, nem um tu altruísta ou desinteressado, senão o nós construindo mundos, como digo em meu poema “Correo-e para Soledad-A” do meu <em>Libro de los dones y los bienes</em> (Caracas, 2010): “todas las alas que construyen mundos, / todos los mundos que destruyen alas, / que construyen aguas para diluir el fuego, / que levantan fuegos para cultivar el mundo, / que derriban mundos para dominar la tierra.”</p>
<p>Embora a voz do poeta seja a voz de um homem ou de uma mulher que fala desde a solidão de sua instancia na qual seu Logos vai levantando povoados, levantando tempos e espaços para tratar de não deixar de lado nenhum sonho, dor ou aspiração desde onde alcançar os outros, nade disto de daria se esta voz não faz carne na experiência do amor e da esperança de todos os que abraçamos para contruir uma terra mais bela e mais justa para todos.</p>
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