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	<title>Portal Cultura PE &#187; Isa Melo</title>
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		<title>Dona Glorinha faz coco para brincar o São João no Amaro Branco</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jun 2018 15:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Camila Estephania A relação de Dona Glorinha do Coco com o São João é ancestral. Há dez anos, a coquista resolveu retomar a sambada de coco junina que a mãe promovia na calçada de casa, na Rua dos Pescadores, em Amaro Branco, com o objetivo de resgatar não só a própria história, mas também [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_61348" aria-labelledby="figcaption_attachment_61348" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/42543637872_7d25cf6c4f_k.jpg"><img class="size-large wp-image-61348" alt="Jan Ribeiro" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/42543637872_7d25cf6c4f_k-800x529.jpg" width="800" height="529" /></a><p class="wp-caption-text">A sambada de coco de Dona Glorinha no São João é uma iniciativa para repassar as tradições para a comunidade de Amaro Branco.</p></div>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Por Camila Estephania</em></strong></p>
<p>A relação de Dona Glorinha do Coco com o São João é ancestral. Há dez anos, a coquista resolveu retomar a sambada de coco junina que a mãe promovia na calçada de casa, na Rua dos Pescadores, em Amaro Branco, com o objetivo de resgatar não só a própria história, mas também a do bairro olindense. E foi por respeito às tradições do lugar que Dona Glorinha marcou sua festa neste ano para o dia 22 de junho, a partir das 21h, no Dia do Coco, de forma que não competiria com a tradicional sambada de coco de Dona Maria José, no dia 23. “<em>Se a gente puder, a gente vai à sambada dela também, que é para fortalecer o ritmo. Não quero rivalizar com ninguém</em>”, explica ela, que também tem sedimentado a sua própria tradição.</p>
<p>Filha de Maria Belém, Dona Glorinha acompanhava a mãe nos cocos desde os sete anos de idade e logo compreendeu a importância da matriarca na comunidade, onde até hoje tem o nome associado à movimentação cultural local. A morte da mãe em 1981, seguida pela perda do marido e de duas filhas, encaminharam Dona Glorinha para uma vida mais reservada e focada no sustento da casa e da família nos anos seguintes. O retorno às atividades como coquista demorou, mas aconteceu em um 2007 agitado, quando participou do documentário “O coco, a roda, o pneu e o farol”, de Mariana Brennand, cujo material abriu caminho para ela ser convidada para a coletânea “Coco do Amaro Branco Vol. 2” no ano seguinte.</p>
<p>“<em>Até 2007, Dona Glorinha estava no ostracismo. Eu nem a conhecia, mas já conhecia Ana Lúcia, Dona Jovelina, Dona Neuza (as duas últimas falecidas), aí não tinha como eu não chegar nela, porque Maria Belém é um ícone aqui no Amaro Branco”</em>, comenta Isa Melo, que integra a banda de Dona Glorinha e produz seus discos. A brincante relembra que após a fama de Chico Science e Nação Zumbi, o coco foi um dos ritmos que ficou em evidência no Estado, o que deu abertura para sucessos como “A Rolinha”, de Selma do Coco, despertando a curiosidade das pessoas para toda a produção do Amaro Branco, incluindo Dona Glorinha.</p>
<div id="attachment_61344" aria-labelledby="figcaption_attachment_61344" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/27725858037_004685ed1d_k.jpg"><img class="size-large wp-image-61344" alt="Jan Ribeiro" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/27725858037_004685ed1d_k-800x529.jpg" width="800" height="529" /></a><p class="wp-caption-text">O coco é um brinquedo tradicionalmente associado às comemorações de São João.</p></div>
<p><strong>A RAIZ DO COCO</strong></p>
<p>Mas o resgate da coquista só poderia ser completo com a reorganização da sambada de São João na porta da casa da Rua dos Pescadores, onde vive desde que nasceu. <em>“Essa é a grande festa do ano para mim, porque são três santos que a gente comemora: São João, São José e São Pedro. Tem Santana também, mas as pessoas não lembram dela, que é a mãe de Nossa Senhora. Se eu passo um dia de São João dormindo, perdi o ano, o mês de junho todinho</em>”, comenta ela, que reativou a comemoração em 2008. Neta de uma escrava fugida, a coquista herdou a carga cultural da avó, já que a relação dos ex-escravos com o São João remonta à própria origem do coco.</p>
<p>“<em>Com a colonização, os portugueses vieram pra cá e trouxeram os padres para fazer a cabeça de índio e de quem mais estivesse por aqui. Os primeiros colonizadores que vinham do reino para morar aqui traziam consigo toda uma carga religiosa, como o culto aos santos. Então, vieram as primeiras procissões que comemoravam o São João em junho. As pessoas saiam com capelas de flores na cabeça, cantavam, tomavam banho no rio e, com o passar do tempo, outros elementos foram se agregando a essa procissão, em que todo mundo podia participar. Os negros levavam seus batuques, os índios participavam com suas idiossincrasias, cada um acrescentava. Essas procissões entravam na igreja e o padre abençoava, mas o negócio foi ficando tão animado que o profano imperou e elas passaram a ser barradas. Essa brincadeira que veio junto, as pessoas chamaram de coco. Penso que o Acorda Povo que a gente tem hoje é uma corruptela dessas primeiras procissões</em>”, avalia Isa.</p>
<div id="attachment_61345" aria-labelledby="figcaption_attachment_61345" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/28719629628_95c03a2d71_k.jpg"><img class="size-large wp-image-61345" alt="Jan Ribeiro" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/28719629628_95c03a2d71_k-800x530.jpg" width="800" height="530" /></a><p class="wp-caption-text">A festa acontece na Rua dos Pescadores, onde a coquista vive desde que nasceu.</p></div>
<p><strong>COCO DO AMARO BRANCO</strong></p>
<p>Conhecido pela concentração de vários grupos de coco, o bairro do Amaro Branco, antes mesmo de ser oficialmente criado em 1925, já era um dos principais endereços de Pernambuco onde estavam pescadores, negros livres e escravos refugiados, como a avó de Dona Glorinha, não é à toa que acabou se tornando referência no ritmo. “<em>Ninguém queria vir para cá antigamente, porque era um bairro de negros, mas como começou a se destacar, as pessoas passaram a frequentar aqui. Por conta de todas essas lutas que a gente vem desenrolando para acabar com o preconceito, hoje, as pessoas já têm outra cabeça. Vêm muitos jovens para cá de todo canto, vem gente de carrão, de carro de mão, gente branca, azul. Vem gente de todo tipo</em>”, observa Isa, sobre a mudança de imagem do Amaro Branco ao longo dos anos.</p>
<p>O reflexo desse interesse crescente pela cultura do bairro também repercute na sambada de São João de Dona Glorinha que, a cada ano, atrai mais espectadores. “<em>De uma ponta a outra dessa rua, você não encontra espaço sobrando para colocar um pé, de tanta gente</em>”, comenta a coquista que, na festa do ano passado, reuniu cerca de 500 pessoas. A festa que vai até o amanhecer, ainda conta com outras atrações como Cila do Coco, Coco de Umbigada, Coco do Pneu, As Morenas, A Cocada, Trio de Forró Pé de Serra, entre outros convidados.</p>
<div id="attachment_61346" aria-labelledby="figcaption_attachment_61346" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/28719902908_ffd2d7e9f0_k.jpg"><img class="size-large wp-image-61346" alt="Jan Ribeiro" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/28719902908_ffd2d7e9f0_k-800x530.jpg" width="800" height="530" /></a><p class="wp-caption-text">Dona Glorinha organiza a sambada na calçada de sua casa e atrai um grande público para toda a rua e proximidades.</p></div>
<p>Fruto de uma época em que o coco ainda não dava retorno financeiro, Dona Glorinha faz a sambada a partir de uma iniciativa particular em que aluga toldos e som contando também com a colaboração de amigos. “<em>Antigamente, o coco não tinha esse negócio de receber dinheiro. A gente fazia as coisas por amor à brincadeira. Onde a gente chegava nem água na jarra pra beber tinha, mas a gente brincava até o dia amanhecer no chão de barro. Quando a gente terminava, os pés ficavam cheios de poeira</em>”, relembra ela, que não descarta a importância do cachê atualmente para viabilizar a continuidade do trabalho, mas também não quer ficar refém dos convites para brincar o coco nesta época do ano.</p>
<p>“<em>Se não acontece esse tipo de iniciativa, a gente vai perder a essência da nossa cultura. A gente ganha com os shows, mas dentro da comunidade é importante que as pessoas venham participar e cantar, mesmo que não tenham dinheiro. É para manter a tradição viva e para que a gente tenha uma história cultural para passar adiante. Se a gente não tiver cuidado, ou se descaracteriza demais ou então desaparece, porque a turma fica desmotivada</em>”, completa Isa. Aos 83 anos no papel da coquista mais velha em atividade em Pernambuco, Dona Glorinha carrega consigo essa missão de perpetuar o ritmo: “<em>minha mãe dizia muito a mim: minha filha, quando Deus me chamar, você vai ficar no meu lugar. E eu fiquei, tô aqui</em>”, diz ela.</p>
<div id="attachment_61349" aria-labelledby="figcaption_attachment_61349" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/27726104717_fbb8a90848_k.jpg"><img class="size-large wp-image-61349" alt="Jan Ribeiro" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/27726104717_fbb8a90848_k-800x529.jpg" width="800" height="529" /></a><p class="wp-caption-text">Isa Melo é integrante da banda de Dona Glorinha e produtora de seus discos.</p></div>
<p><strong>FUTUROS PASSOS</strong></p>
<p>Discípula da velha guarda do coco, Dona Glorinha agora se prepara para lançar seu segundo disco, planejado para chegar ao público no dia 3 de setembro, quando fará 84 anos. “<em>Antigamente, se cantava coco e não tinha microfone, fazia gosto de ver: o ganzá, a zabumba, a garganta da gente e muita palma no salão. Hoje em dia, tem coco de roda até com sanfona</em>”, observa ela, ao destacar que ainda hoje busca manter a mesma proposta estética de outrora.</p>
<p>“<em>Claro que também incrementamos o coco de Glorinha, porque temos que ter essa visão artística e fazer com que o trabalho dela fique mais bonito, mas é sem descaracterizar</em>”, explica Isa, que está a frente da produção do álbum. O novo trabalho ainda não tem título definido e contará com cocos inéditos escritos por Dona Glorinha, além de composições de sua mãe, Maria Belém, e outras de domínio público.</p>
<p>O primeiro disco de Dona Glorinha, o homônimo de 2013, já está esgotado, mas terá uma nova tiragem produzida neste ano com incentivo do Governo do Estado, através do Funcultura. O trabalho que concorreu ao Prêmio da Música Brasileira faz um registro de outros cocos compostos pela sua mãe.</p>
<p><strong>SERVIÇO:</strong><br />
<strong>Sambada de Coco de São João de Dona Glorinha</strong><br />
Quando: Dia 22 de junho, a partir das 21h<br />
Onde: Rua dos Pescadores – Amaro Branco/Olinda<br />
Gratuito</p>
<div id="attachment_61347" aria-labelledby="figcaption_attachment_61347" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/41873324474_2683cd4d7a_k.jpg"><img class="size-large wp-image-61347" alt="Jan Ribeiro " src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/41873324474_2683cd4d7a_k-800x529.jpg" width="800" height="529" /></a><p class="wp-caption-text">Dona Glorinha comemora o reconhecimento atual do seu trabalho.</p></div>
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