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	<title>Portal Cultura PE &#187; ordem do mérito cultura</title>
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		<title>Coquista Beth de Oxum vai receber a Ordem do Mérito Cultural 2015</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2015 20:50:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura popular e artesanato]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Presença firme e inspiradora nas muitas frentes de luta pela cultura popular, em defesa da liberdade dos cultos e tradições de matrizes africanas e também por mais democracia e pluralidade na comunicação, a importância da pernambucana Beth de Oxum para a cultura brasileira será finalmente registrada na próxima segunda-feira, 9 de novembro. A coquista será uma das agraciadas com a Ordem do Mérito Cultural 2015 e, juntamente com a Sociedade Musical Curica, que também é patrimônio vivo do estado, vai representar a força da cultura pernambucana na premiação deste ano.</p>
<div id="attachment_31426" aria-labelledby="figcaption_attachment_31426" class="wp-caption img-width-324 alignright" style="width: 324px"><p class="wp-image-credit alignleft">Toni Braga/Secult-pe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/11/beth-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-31426" alt="Toni Braga/Secult-pe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/11/beth-2-324x486.jpg" width="324" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Beth de Oxum recebeu a equipe do Cultura.PE em Olinda.</p></div>
<p>O reconhecimento nacional é também fruto do decisivo papel que Beth cumpre no bairro de Guadalupe, comunidade periférica de Olinda, onde atua diariamente em questões relacionadas a conflitos de classe, etnicidade, gênero, inovações tecnológicas, consumo, identidade, maternidade e, claro, cultura e arte. <em>“Eu acho importante pela luta de afirmar principalmente os brinquedos de rua. As brincadeiras nascem nos terreiros mas se materializam nas ruas . O prêmio favorece na perspectiva de firmar, legitimar essa cultura e articular em rede”</em>, avalia a coquista.</p>
<p>Ialorixá do Terreiro Ilê Axé Oxum Karê, coordenadora do Ponto de Cultura Coco de Umbigada – que há 20 anos consecutivos realiza a Sambada de Coco do Guadalupe – Beth vai receber mais um prêmio na próxima semana. Desta vez, das mãos da chefe maior da nação. A Ordem do Mérito cultural 2015, instituída por Lei federal em 1991, condecora personalidades, órgãos e entidades públicas e privadas nacionais e estrangeiras com reconhecida contribuição à cultura brasileira. Beth foi indicada à Ordem do Mérito por uma série de entidades e pessoas públicas, entre elas, a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, a Deputada Federal Jandira Feghali, a Federação dos Cocos de Roda de Pernambuco, e o Colegiado de Culturas Afro-brasileiras do Conselho Nacional de Política Cultura. A premiação acontece no Palácio do Planalto, em Brasília.</p>
<p>Premiações já fazem parte da trajetória de Beth, nas mais diversas frentes em que atua, dentro da cultura. Um dia após receber a comanda da Ordem do Mérito Cultural, das mãos da presidente Dilma Rousseff, ainda em Brasília, na terça-feira (10), Beth estará na final do Prêmio Fundação do Banco do Brasil de Tecnologia Social, onde é finalista, através do Coco de Umbigada, na categoria “Juventude”, com o projeto do game “Contos de Ifá”. O produto foi desenvolvido por alunos de uma oficina promovida pelo Coco de Umbigada, por meio de um outro edital, desta vez, incentivado pela Fundação Palmares. <em> “Eu busco coisas com todo mundo. Tenho vários parceiros. Esse foi um edital aberto e conseguimos juntar 150 jovens. Oferecemos curso de produção cultural, web designer, desenho de produtor gráficos, operação de áudio e percussão popular”</em>, conta. O game premiado (pode ser acessado através do endereço<a href="http:// www.contosdeifa.com" target="_blank"><strong> www.contosdeifa.com</strong></a>) pretende, através de estratégias comuns a jogos eletrônicos, descriminar crenças que impedem a compreensão do culto aos orixás, principalmente entre os mais jovens.</p>
<p><strong>Reconhecimento</strong><br />
O financiamento de projetos através de prêmios acompanha a trajetória de Beth desde que seu Coco de Umbigada – já atuante na vida social e cultural do bairro de Guadalupe, transformou-se em Ponto de Cultura, em 2004, no primeiro edital deste programa lançado pelo Ministério da Cultura. <em>“A gente já tinha muito conteúdo para produzir. Recebemos um dos kits que foram oferecidos pelo MinC, com quatro computadores. Montamos nosso primeiro telecentro, e a comunidade passou a ter acesso à internet”</em>. Depois do acesso, veio o conhecimento. E os meninos passaram a produzir diversos conteúdos.</p>
<p>Beth não deixou as demais oportunidades escaparem. E foi assim que venceu o Prêmio Pontos de Mídias Livres, também do Ministério da Cultura. Através dele, vieram os primeiros equipamentos da rádio Amnésia, uma experiência coletiva que começou itinerante (chegou a ser instalada em algumas comunidades urbanas e rurais do Nordeste) e, quando chegou ao Ponto de Cultura Coco de Umbigada, não saiu mais de lá. Beth conta que esta apropriação da rádio levou ao empoderamento do coletivo. O prêmio consolidou o trabalho da rádio, com aquisição de equipamentos próprios e novas atividades de formação, utilizando recursos da Funarte obtidos através do prêmio “Residências artísticas – interações estéticas em pontos de cultura”, com o projeto “Coco-rádio-arte”. <em>“Nesta época, percorremos cinco pontos de cultura, dando oficinas de gravação de áudio e vídeo, nas cinco regiões do país”</em>, conta Beth.</p>
<p>Outro prêmio importante que veio fortalecer e dar ainda mais evidência ao trabalho da Umbigada foi o que permitiu que mestres do coco – Dona Selma, Aurinha, Zeca do Rolete, Pombo Roxo, entre outros – fossem vistos como mestres griôs. Eles recebiam uma bolsa para dar aulas na escola.<em> “Passamos (o ano de ) 2009 inteiro indo às escolas e depois trouxemos as escolas para cá, para receber os ensinamentos que só se aprende nos terreiros das culturas populares. A ideia foi aproximar os saberes científicos e populares”</em>, diz Beth.</p>
<div id="attachment_31427" aria-labelledby="figcaption_attachment_31427" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/11/beth-4.jpg"><img class="size-medium wp-image-31427" alt="Costa Neto" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/11/beth-4-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">A coquista em apresentação do Coco de Umbigada na Torre Malakoff (2013).</p></div>
<p>Por isso que as apresentações do Coco de Umbigada, as atividades da rádio Amnésia, as oficinas que realiza, e todos os encontros – seja de música tradição, seja de religião africana – têm como base o sentido de busca por identidade, pertencimento, empoderamento. <em>“No início nos ancoramos na nossa fé, em Oxum, em Orixalá, depois nas articulações em rede, nos coletivos, nos arranjos produtivos locais que estamos desenvolvendo. Se a gente fosse depender apenas dos editais a gente não teria mantido a sambada por vinte anos. Fazemos a dimensão da troca como moeda social”</em>, ensina mãe Beth.</p>
<p><strong>Trajetória</strong><br />
Mãe Beth de Oxum é sacerdotisa de matriz africana, Iyalorixá , cantadora de coco, produtora há 20 anos da Sambada de Coco do Guadalupe, mãe de muitos filhos, presidente da Federação dos Coco de Roda de Pernambuco; conselheira do segmento de Costumes e Saberes do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Olinda; coordenadora pedagógica do projeto Brincadeiras de Terreiros, que envolve diversos terreiros de matriz africana da Região Metropolitana do Recife e Mata Norte de Pernambuco. Entre tantos projetos dos quais também faz parte, é coordenadora do NUFAC OLINDA &#8211; Núcleo de Formação de Agentes de Cultura da Juventude Negra, um projeto em rede, presente em 17 estados. Integra o Coletivo de Comunicação e Hiper Mídias Nordeste Livre e o Coletivo da Rádio Amnésia – FM 89,5; coordena o Cineclube Macaíba e  integra a Yalodê – Rede de Mulheres de Terreiros.</p>
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