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	<title>Portal Cultura PE &#187; Pretinhas do Congo</title>
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		<title>Secretaria de Cultura do Estado divulga vencedores do Prêmio de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco: Edição Arlindo dos Oitos Baixos</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2023 00:34:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[1º Prêmio de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco]]></category>
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		<description><![CDATA[O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, anuncia os vencedores do Prêmio de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco: Edição Arlindo dos Oitos Baixos. A lista completa, com os selecionados e suplentes, pode ser conferida aqui. O Prêmio de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Pernambuco – [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/12/Carrossel_Salvaguarda-Vencedores_FEED-01-min.png"><img class="alignnone size-medium wp-image-106977" alt="Carrossel_Salvaguarda-Vencedores_FEED-01-min" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/12/Carrossel_Salvaguarda-Vencedores_FEED-01-min-486x486.png" width="486" height="486" /></a></p>
<p dir="ltr">O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, anuncia os vencedores do Prêmio de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco: Edição Arlindo dos Oitos Baixos. A lista completa, com os selecionados e suplentes, pode ser conferida aqui.</p>
<p>O Prêmio de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Pernambuco – Edição Arlindo dos 8 Baixos de Incentivo às Matrizes do Forró reconhecerá práticas individuais e coletivas de transmissão de saberes e fazeres, destacando a identificação dos detentores das Matrizes do Forró, em todas as regiões de Pernambuco. Serão destinados R$ 132 mil no reconhecimento dessas trajetórias que preservam a tradição do forró pernambucano.</p>
<p><strong>CONHEÇA ESSES VENCEDORES:</strong></p>
<p><strong>MESTRES/MESTRAS, INSTRUMENTISTAS E MÚSICOS DAS MATRIZES DO FORRÓ:</strong></p>
<p>JOANA ANGÉLICA &#8211; CARUARU</p>
<p dir="ltr">ANDERSON DO PIFE &#8211; CARUARU</p>
<p dir="ltr">IVISON SANTOS SILVA &#8211; CARUARU</p>
<p dir="ltr">SEVERINO DOS 8 BAIXOS &#8211; JABOATÃO DOS GUARARAPES</p>
<p dir="ltr">QUARTINHA ZABUMBEIRO &#8211; RECIFE</p>
<p dir="ltr">MACIEL SALUSTIANO SOARES &#8211; RECIFE</p>
<p dir="ltr">MESTRE ZÉ DO PIFE &#8211; SÃO JOSÉ DO EGITO</p>
<p dir="ltr">ZÉ DO PEBA -  ARCOVERDE</p>
<p dir="ltr">ALBERONE RABEQUEIRO &#8211; ARCOVERDE</p>
<p dir="ltr">ALDO LOURENÇO GUERRA &#8211; VICÊNCIA</p>
<p dir="ltr">PAULO DOS OITO BAIXOS &#8211; GLÓRIA DO GOITÁ</p>
<p>&nbsp;</p>
<p dir="ltr"><strong>TRIOS E GRUPOS DAS MATRIZES DO FORRÓ</strong></p>
<p>GRUPO DE BACAMARTEIROS BATALHÃO 56 &#8211; RIACHO DAS ALMAS</p>
<p dir="ltr">CAFURINGA BANDA SHOW &#8211; CARUARU</p>
<p dir="ltr">TRIO PÉ DE SERRA FORROZÃO NO XIADO DO XINELO &#8211; PESQUEIRA</p>
<p dir="ltr">SILVANIA ANDRADE &#8211; OLINDA</p>
<p dir="ltr">BANDA DE PÍFANOS DE RIACHO DO MEIO &#8211; SÃO JOSÉ DO EGITO</p>
<p dir="ltr">GRUPO DE BACAMARTEIROS TENENTE CORONEL PEDRO PESSOA DE SIQUEIRA CAMPOS -  CALUMBI</p>
<p dir="ltr">AS JANUÁRIAS -  NAZARÉ DA MATA</p>
<p dir="ltr">TRIO BEIJA FLÔR &#8211; TRACUNHAÉM</p>
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		<title>1º Prêmio Design Pernambucano &#8211; Homenagem a Aloísio Magalhães tem cronograma alterado</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jul 2023 15:03:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Design e moda]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Secretaria de Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[1º prêmio design pernambucano]]></category>
		<category><![CDATA[Design]]></category>
		<category><![CDATA[Pretinhas do Congo]]></category>

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		<description><![CDATA[O 1º Prêmio Design Pernambucano &#8211; Homenagem a Aloísio Magalhães passou por uma alteração em seu cronograma. As mudanças nas datas podem ser conferidas aqui. O prêmio se encontra em sua fase de análise de mérito e seu resultado final está previsto para ser divulgado no dia 4 de setembro. O Prêmio pretende estabelecer uma [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p data-pm-slice="1 1 []">O 1º Prêmio Design Pernambucano &#8211; Homenagem a Aloísio Magalhães passou por uma alteração em seu cronograma. As mudanças nas datas podem ser conferidas <a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/07/Errata_ANEXO_V_CRONOGRAMA_julho_.docx.pdf">aqui</a>. O prêmio se encontra em sua fase de análise de mérito e seu resultado final está previsto para ser divulgado no dia 4 de setembro.</p>
<p>O Prêmio pretende estabelecer uma estética contemporânea no Design pernambucano e criar uma imagética nordestina por meio dos trabalhos premiados. Pernambuco é pioneiro no campo do Design no país. Terra que exportou grandes nomes e produtores do Design Nacional, como o homenageado Aloísio Magalhães, artista gráfico, pintor, desenhista, gestor do patrimônio cultural e designer pernambucano, cuja data de nascimento marca o Dia do Design no país.</p>
<p>São quatro categorias: Design, tecnologia e inovação; Design, identidade, cultura e sociedade; Design, moda e estética; e Design e desenvolvimento sustentável. Os primeiros colocados receberão R$ 10 mil e os segundos R$ 5 mil.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sem deixar a pretinha cair</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 16:20:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura popular e artesanato]]></category>
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		<description><![CDATA[Depois de uma hora e meia de viagem, saindo do Recife, chegamos a Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Nos encaminhamos para o Baldo do Rio, um bairro de casas pequenas, ribeirinhas onde, conta-se, surgiram as Pretinhas do Congo, em 1936. À beira do Rio Goiana, encontramos o senhor de olhar um pouco [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de uma hora e meia de viagem, saindo do Recife, chegamos a Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Nos encaminhamos para o Baldo do Rio, um bairro de casas pequenas, ribeirinhas onde, conta-se, surgiram as Pretinhas do Congo, em 1936. À beira do Rio Goiana, encontramos o senhor de olhar um pouco baixo, mas que não demora em soltar seu primeiro de muitos sorrisos. É ele que lembra que, aos 10 anos, viu de dentro de sua casa sair, pela última vez, um grupo de moças vestidas de preto, branco e vermelho, dançando ao som de uma percussão africana, relembrando a escravidão que, na época, ainda era muito recente na história daqueles negros.</p>
<p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/Mergulhe-Goiana-Rosa-e-Val_Chico-Ludermir.jpg"><img class="size-medium wp-image-4355 aligncenter" alt="Chico Ludermir" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/Mergulhe-Goiana-Rosa-e-Val_Chico-Ludermir-607x401.jpg" width="607" height="401" /></a></p>
<p>É verdade que as datas, os nomes e os lugares estão muito incertos nas lembranças de Edvaldo Ramos. Aos 75 anos, não é tão fácil precisar os fatos e, ao buscar na memória, Mestre Val sempre acaba se confundindo nas contas. Bem vivos na cabeça, no entanto, estão os resquícios de uma tradição popular, passada oralmente através de letras de músicas que são cantadas há quase um século.</p>
<p>Depois da morte de Mané de Pirrixiu, antigo mestre do bloco, passaram-se anos. As pretinhas “caíram”, como conta Mestre Val, mas a saudade da brincadeira ficou. Perto dos 18 anos de idade, junto ao irmão Lenildo, Val “levantou” o bloco e assim estão até hoje. “No começo, tinha ano que eu tinha até que vender minha canoa de pesca pra comprar as roupas e os bombos. Eu me virava, mas as pretinhas saíam na rua todo ano”, lembra, esacancarando o riso. “Se a gente faz pelas pretinhas, por amor, logo depois elas devolvem ainda melhor”.</p>
<p>Na casa que ele divide com Pelada, sua atual companheira, fica evidente a ligação com o candomblé, que ele também chama de jurema. Devoto do orixá dos trovões, Xangô, Mestre Val tem em sua sala uma coleção de imagens africanas, que se misturam com santos católicos, evidenciando o sincretismo religioso, comum nas nossas expressões populares. É lá que muitas vezes vão procurá-lo para que, com sua mão e sua fé, traga de volta a saúde dos doentes. Contando isso, ele me dá de presente um leite tirado, naquele dia, do peito de uma jumenta. “Este cura gastrite, úlcera, tuberculose. Só não pode tomar se tiver muito fraco, que cai duro no chão”, me diz, ao me oferecer um copo. “Até pro Hospital da Restauração mando esse leite”, se orgulha.</p>
<p>Mas é na casa de Dona Iraci, sua primeira esposa, que sentamos pra conversar. No final de uma casa cumprida, toda a família se reúne para compartilhar as vivências de um costume que é, claramente, passado de geração a geração. Atualmente, é a filha Rosa Maria dos Santos a presidente do bloco. Ela já foi bandeirista, escrava, baiana e pretinha na agremiação. Hoje é ela também que ajuda na confecção das fantasias e que comanda os ensaios dançados de uma brincadeira que pratica desde os 10 anos de idade. Quase meio século depois, ela garante que, quando seu pai se for, vai fazer de tudo pra perpetuar a dança das Pretinhas.</p>
<p>Ao som de cachorros, gatos, patos e galinhas, criados no quintal, Rosa, Dona Iraci e Mestre Val explicam, tintim por tintim, os personagens da brincadeira. E lá vem a lista: rei, rainha, vassalos, senhor e senhora de engenho, mucama, capitão do mato, baianas, bandeirista, escravos e escravas, numa evocação ao que acontecia na época em que Pernambuco mantinha os pés bem fincados na vida em volta da cana-de-açúcar, protagonista no cenário da Zona da Mata do estado.</p>
<p>Nenhum dos três aprendeu a ler. Viveram da pesca durante toda a vida. Fumando um cigarro enrolado na hora e um cachimbo, eles me contam, contudo, que a música não precisa ser escrita para que eles lembrem. “Quando eu penso que não, os espíritos dos escravos antigos cantam no meu ouvido. Aí no outro dia eu digo pros outros integrantes, que é pra eu não esquecer. A gente esquece uma e aparece outra tão diferente&#8230;”, conta Mestre Val, sem medo de ser desacredito. E emenda logo cantando uma toada:</p>
<p>“No tempo da escravidão<br />
preto velho também trabalhou<br />
assentado na sua senzala<br />
Saravá, Ogum e saravá, Xangô<br />
Bate nagô e bate macumba<br />
Santo Antônio é de congo dançando macumba<br />
ai senhor senhorzinho que aqui está<br />
a corrente é pesada não posso arrastar<br />
Lhe peço por Deus e por Nossa Senhora<br />
livrai-me esta dor que está nessa hora”</p>
<p>“Os escravos cantavam. Eles incorporavam e cantavam. Aí o povo aprendia”, explica o mestre.</p>
<p>Na casa de Dona Iraci, os sete filhos foram criados com o dinheiro da pesca no Rio Goiana. Chilapo, Choia, bagre, camarão, amoré, caranguejo e siri. Até hoje, a conselheira das Pretinhas do Congo sai no seu barquinho para pescar no “copo” feito de ripas de dendê. De sua família, quatro ainda saem na agremiação, entre filhos e netos. Verônica, de apenas 11 anos, já é a rainha. Pensou até em ser crente uma época, mas gostava tanto da brincadeira que acabou herdando o trono da tia, Popó, que deixou a coroa para casar. “A gente brinca, porque tem amor à brincadeira, à nossa cultura”, conta a pequena e logo a avó Iraci emenda: “Bem dizer, meu filho, é a família toda. Vai nascendo, vai crescendo e vai saindo (no bloco)”.</p>
<p><b>OXUM</b></p>
<p>O mesmo rio que sustenta a comunidade do Baldo levou, em 1961, casas inteiras feitas de palha. Foi a maior cheia da história da cidade. Foi justo no dia 14 de abril daquele ano que Iraci e Val se conheceram. “A cheia maior que teve trouxe meu amor”, brinca o mestre, logo retrucado com graça por Rosa. “E quantos corações o senhor tem pra amar tanta mulher? Dez é?”</p>
<p>A cheia do passado, apesar de maior, é bem mais leve nas lembranças da família do que outra mais recente. No ano retrasado, a sede das Pretinhas foi mais uma vez levada pela correnteza. Fantasias, instrumentos, tudo se foi com as águas do mês de julho. “A cheia foi grande, mas não destruiu a dignidade da gente”, se emociona Rosa. “A gente arranja força pra sair e brincar. A vontade de botar as Pretinhas na rua é tamanha que você não sente nem doença. Não vai dar pra sair do jeito que a gente queria, com carro alegórico, mas a gente tá muito feliz, porque estamos vivos”.</p>
<p>É verdade que o corre-corre é grande. Fica todo mundo estressado, não consegue se alimentar direito, mas parece que existe algo maior que sustenta essa tradição. “Eu mesmo não sei nem explicar. Às vezes eu pensava: ‘Vou acabar, vou acabar’. Mas quando ia chegando perto ia me dando aquela quentura. Eu fazia seja lá o que fosse pra botar ela pra frente. Tomava dinheiro emprestado, vendia minhas coisas&#8230;”, conta o mestre. “As pretinhas fazem parte da nossa vida. Dos nossos antepassados. É nossa família. Se a gente sair dela a gente morre. Se um dia meu pai morrer, eu vou tomar conta e não deixo ela cair”, anuncia Rosa.</p>
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		<title>A herdeira das Pretinhas</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2012 16:36:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É verdade que são pouquíssimos os meus anos de experiência. Tanto como jornalista, quanto como homem. Mas talvez tenha vindo mesmo daí a beleza do encontro com alguém tão dessemelhante. Chego a Carne de Vaca através de uma rodovia que desemboca numa ladeira. É de cima dessa ladeira que recebo do verde do mar as [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/Mergulhe-Goiana-D.-Carminha_Chico-Ludermir.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-4359 aligncenter" alt="Chico Ludermir" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/Mergulhe-Goiana-D.-Carminha_Chico-Ludermir-607x401.jpg" width="607" height="401" /></a></p>
<p>É verdade que são pouquíssimos os meus anos de experiência. Tanto como jornalista, quanto como homem. Mas talvez tenha vindo mesmo daí a beleza do encontro com alguém tão dessemelhante.</p>
<p>Chego a Carne de Vaca através de uma rodovia que desemboca numa ladeira. É de cima dessa ladeira que recebo do verde do mar as boas vindas. Ali, há 40 km da sede do município de Goiana, o lugar, em seu silêncio, parece pronto pra revelar. E, assim, adentro. Na cidade, na casa de Dona Carminha, ao mesmo tempo em que na história da herdeira das Pretinhas do Congo, manifestação popular carnavalesca.</p>
<p>Aos 87 anos, 63 a mais do que eu, Maria do Carmo Monteiro da Silva me espera sentada na sua cadeira, no canto da sala, acompanhada de mais três gerações de sua família: filha, neta, bisneta. Com a voz já embargada pela idade, conta a história da sua vida, ao mesmo tempo em que reconstrói a tradição repassada pelo pai, Mané de Pirrixiu, desde os tempos de menina.</p>
<p>“Vou-me embora pra Paraíba e tu fica brincando”, teria dito um certo Manuel de Miguel, criador das Pretinhas, pra Pirrixiu. “Fico”, teria respondido, sem titubear, o pai de Carminha, tornando-se, instantaneamente, o detentor da agremiação, em meados da década de 1930.</p>
<p>Aí ele ficou. E nessa época, com 10 anos, Carminha queria mais era dançar, mas era muito pequena. O pai achava que ela não ia aguentar. “Fiquei calada, na vontade. E ele botando a brincadeira”. Mas pareceu que a fortuna sorriu pra Carminha, quando a moça que puxava o cordão disse a ela que ia se casar. “Ela me disse assim: ‘Carminha, se tu quiser brincar, tu brinca agora, que mulher casada não pode brincar, não’”. Quando eu disse a meu pai, ele ficou muito surpreso, mas como não tinha ninguém pra puxar, fui eu. Aí eu brinquei e fiquei até hoje. Ele morreu e eu continuei a brincadeira”.</p>
<p>Engraçado é a naturalidade com que Carminha conta sua história. Como se pra mim também fosse familiar tudo aquilo. E se eu não paro pra perguntar, me perco no vocabulário novo. “Colocar a brincadeira” é conduzir, como mestre, as Pretinhas do Congo; “puxar cordão” é dançar; “puíca” é cuíca e assim ela me explica como se faz uma&#8230;</p>
<p>Dessa forma, despretensiosa, acabo entendendo um pouco o repertório da brincadeira, a mesma que acontece na sede de Goiana, sob o comando de Mestre Val. Uma tradição que resgata o imaginário sofrido dos engenhos da cana-de-açúcar dos tempos da escravidão. Senhores e senhoras de engenho, vassalos e escravos, reis e rainhas negras que dançam ao som das toadas puxadas pela mestra.</p>
<p>Só que para Dona Carminha, a coisa é menos religiosa e mais consuetudinária do que em Mestre Val. É uma paixão terrena que ela recebeu do pai e gostaria de passar para a filha. O pior é que ela mesma não acredita que ninguém, além dela, queira e saiba de verdade manter a tradição.</p>
<p>“Só quem sabe cantar sou eu. Eu mesma não esqueço das letras, não. Mas quando eu for embora, eu levo as letras comigo”, diz ela, logo retrucada pela filha Iracema: “Ela diz que acaba, mas eu vou continuar”. Cema é única das filhas que sai com Carminha. É ela que comanda a resposta (o coro) do bloco, numa preparação para possivelmente liderar a brincadeira no futuro.</p>
<p>A preocupação de Carminha não é, de longe, descabida. Com longos anos de vida e algumas doenças acumuladas, Dona Carminha passou mal há quatro anos, enquanto puxava as Pretinhas. A pressão ficou só na “peinha”, de tão alta. Foi socorrida e teve que voltar pro casarão, de onde o bloco saiu. Mas, depois de descansar um pouco, não teve quem segurasse a danada, voltou puxando mais uma jornada. “Quando melhorei um bocadinho, eu fui lá cantei”, diz ela numa prova de amor às Pretinhas, como se precisasse.</p>
<p>“E se não gostasse eu tava brincando até hoje? Eu brinco e tenho pena de acabar. Agora, chegando a morte, eu tenho que ir. E já tá chegando, que eu tou velha. Mas eu não tenho medo, não. Tenho lembrança”, fala em tom de nostalgia.</p>
<p>Engraçado é que, depois de me contar tanta história bonita, Carminha ainda acha que não falou:</p>
<p>─ Mas tu não quer saber disso não, né? Tu quer a história das Pretinhas, né?<br />
─ Mas essa história tá muito bonita! E a senhora é também a história das Pretinhas.<br />
─ Eeeita (solta ela em tom bem agudo).</p>
<p>E volta a contar do começo, do primeiro ano em que puxou cordão até quando o pai morreu, muito de repente e ela assumiu o comando. Acabou se mudando para Carne de Vaca, onde vive até hoje, numa casa, que antes era de tábua e hoje é de tijolo bem firme e que não alaga mais.</p>
<p>Perto de ir embora, me permito perguntar qual foi a maior alegria da vida de Carminha, num desejo de aprender mesmo com alguém que já viveu tanto. Meio sem jeito até pra se emocionar, ela conta: “Quando meu pai morreu, eu vivia de cachorro pra baixo dez graus. Não sabia nem quando eu ia comer. Foi quando eu tive alegria, quando achei um homem que me desse de comer”.</p>
<p>Carminha descreve, com pesar, os três meses que passou vendo passar o dia, a noite e entrar outro dia e ela sem ter o que comer. Ficava num canto sentada, sentindo um buraco dentro do estômago. O sol quente, e ela sentada, sem ter o que fazer. Foi quando Jaime a viu e perguntou a uma irmã o que Carminha tinha. “Quando ele veio, eu disse: ‘É fome, já viu?’”. Nesse mesmo dia, ela já se casou com ele e, daí em diante, nunca mais teve fome.</p>
<p>Acabo emendando outra pergunta, por não saber mesmo o que dizer dessa história de alegria:</p>
<p>─ E que a senhora pretende fazer de agora por diante?<br />
─ Eu vou brincando até chegar o dia de morrer. Quando chegar o dia de morrer, eu morro e acabou-se a brincadeira, resume, depois de mais de duas horas de conversa.<br />
─ Ele tá com vontade mesmo de chegar em casa de noite, né?, se impressiona com o meu interesse.</p>
<p>E eu, de cá, me impressionei também.</p>
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		<title>Pretinhas do Congo</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 14:08:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Enviado em 17/02/2012. O grupo de Goiana, Pretinhas do Congo, dançando no chão da sede que foi arrastada pelas águas do Rio Goiana.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Enviado em 17/02/2012. O grupo de Goiana, Pretinhas do Congo, dançando no chão da sede que foi arrastada pelas águas do Rio Goiana.</p>
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		<title>Mestre Val das Pretinhas do Congo</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 14:02:32 +0000</pubDate>
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