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	<title>Portal Cultura PE &#187; Priscila Rezende</title>
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		<title>Museu da Abolição recebe exposição de dez artistas negros</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Oct 2018 15:19:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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<div id="attachment_63859" aria-labelledby="figcaption_attachment_63859" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/10/Corpo-Indivíduo-C_Easy-Resize.com_.jpg"><img class="size-medium wp-image-63859" alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/10/Corpo-Indivíduo-C_Easy-Resize.com_-607x202.jpg" width="607" height="202" /></a><p class="wp-caption-text">Dalton Paula é um dos artistas que participam da exposição com mostras como a série &#8220;Corpo Indivíduo&#8221;.</p></div>
<p>No próximo dia 19 de outubro, o Museu da Abolição recebe a exposição coletiva<strong> Os da Minha Rua: Poéticas de R/existência de Artistas afro-brasileiros</strong>, que fica em cartaz até 16 de dezembro e reúne a  produção visual de dez artistas negras e negros contemporâneos. Ana Lira (PE), Dalton Paula (GO), Edson Barrus (PE), Izidoro Cavalcanti (PE), José Barbosa (PE), Maré de Matos (MG/PE), Moisés Patrício (SP), Priscila Rezende (MG), Renata Felinto (SP/CE), Rosana Paulino (SP) são os nomes que terão trabalhos expostos.</p>
<p>A mostra conta com incentivo do Governo do Estado, através do Funcultura, e tem curadoria de Joana D´Arc, que levanta importantes questões sobre a cultura africana e a cultura afro-brasileira. Além da exposição, cujo título faz referência a obra do escritor angolano Ondjaki, o projeto também conta com uma oficina/performance, ministrada por Moisés Patrício entre 16 e 19 de outubro, e de um curso realizado por Rosana Paulino, neste sábado (20).</p>
<p>A concepção da exposição surgiu em 2016, quando a professora e pesquisadora Joana D´Arc Souza Lima realizava uma pesquisa sobre arte africana e começou a se confrontar com a ausência do corpo negro nas exposições, nos acervos, nas escolas, nos museus, na academia. E essa ausência apontava para uma presença enorme do epistemicídio das culturas e das histórias dos negros e negras no Brasil, e sobretudo para o preconceito velado que existe em nossa sociedade. Nesse momento ela se aproximou de Rosana Paulino que, além de artista negra, é também pesquisadora e ativista do movimento negro.</p>
<p>“Foi a partir desse estudo e dessa aproximação com a arte negra, e de um diálogo intenso com Rosana, que pensei em trazer para o Recife essa exposição. Escolhi artistas contemporâneos negros e negras, que trabalham em diferentes dimensõe s das questões que subjazem ao tema da cultura africana e da cultura afro-brasileira, passando pela mitologia Uoruba, pelas religiosidades afro-brasileiras, pela crítica social, pela oralidade e ancestralidade, para ocupar esse espaço museológico”, explica Joana, destacando que assim seria possível mostrar os impasses e tensões em relação à ausência de visibilidade que esses sujeitos sofrem.</p>
<div id="attachment_63860" aria-labelledby="figcaption_attachment_63860" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/10/28-MostraDevires_Agosto.jpg"><img class="size-medium wp-image-63860" alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/10/28-MostraDevires_Agosto-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Ana Lira apresentará os trabalhos &#8220;Numbra&#8221; e &#8220;Saia Livre&#8221;.</p></div>
<p><b><span style="text-decoration: underline;">Sobre os artistas participantes e os trabalhos expostos: </span></b></p>
<p><b>Rosana Paulino</b> expõe trabalhos que dialogam com sua vasta produção ligada às questões sociais, étnicas e de gênero. A posição da mulher negra na sociedade brasileira e os diversos tipos de violência sofridos por esta população decorrente do racismo e das marcas deixadas pela escravidão são elementos centrais na sua poética. A pesquisadora também <b>ministrará o minicurso, no sábado dia 20, intitulado Arte Afro-brasileira: Novos Lugares, Novas Falas</b> que discutirá a produção artística qualificada como africana e afro-brasileira.</p>
<p><b>Moisés Patrício</b> vai apresentar fotografias da série <i>Aceita?,</i> nas quais tenta quebrar o preconceito existente contra o Candomblé no Brasil. Além disso, o artista comanda uma oficina de quatro dias sobre Processos de criação em rituais de performance negra. Aberta ao público em geral, mas com maior apelo aos artistas, a proposta é circular e criar percursos no entorno do Museu da Abolição e, a partir dessas vivências, conceber performances que tragam elementos da cultura afro-brasileira, em especial do candomblé.</p>
<p>O artista <b>Dalton Paula</b> apresenta duas fotos da série fotográfica Cor da Pele e outra imagem de Corpo Receptivo – todas trazem o corpo negro do artista como protagonista. Ele exibe também o vídeo O batedor de bolsa, performance em que novamente seu corpo negro é ressignificado junto aos outros elementos ali postos (uma bolsa feminina preta, um cassetete policial, uma calça social marrom, uma botina bege e uma venda preta nos olhos).</p>
<p><b>Edson Barrus</b> traz ao Recife a obra Cão Mulato. Trata-se de um lambe-lambe que confronta os discursos puristas, ensinando numa bula como produzir um cão vira-lata geneticamente. O lambe-lambe é parte de um projeto intitulado, Base Central Cão Mulato, desenvolvido pelo artista: o artista toca em questões de um mundo de espaços e indivíduos híbridos. O artista busca meios para dar concretude e visualidade ao que considera a idéia-síntese de Brasil: o Cão Mulato, o cachorro sincrético, o vira-lata tirado do lixo e ungido a raça nacional. “O artista se coloca no papel de um cientista e liquidifica, com mordacidade, ideias de pureza de raça e de evolução genética através do uso da tecnologia. Tomando o cão mulato por símbolo de brasilidade, enxerga o país – assim como o seu próprio trabalho – como um espaço mestiço, transacional e para sempre in progress&#8221;, escreveu Moacir dos Anjos. Ele também apresenta o vídeo Formigas Urbanas, que reflete sobre a presença do corpo híbrido, mestiço e negro de brasileiros em condição informal nos grandes centros urbanos.<b></b></p>
<p>A pernambucana <b>Ana Lira</b>, que há tempos vem desenvolvendo trabalhos de forte cunho político, vai realizar uma proposta de vivência performática objetivando articular uma dinâmica de compartilhamento e escuta sobre invisibilidade como ferramenta de poder. Em que cenários estar nas entrelinhas pode nos ajudar a fortalecer as articulações coletivas? Esse será o questionamento básico da vivência, com duração de 60 minutos. A artista vai propor para nove pessoas presentes, entre o público, dinâmicas de ancestralidade e micro-política, cujos saberes compartilhados circularão entre silêncios. Além disso, vai exibir uma série de carimbos intitulados Saia Livre. Saia Livre é um poema elaborado a partir de uma provocação feita para a edição #11 da revista de teatro Trema cujo tema era Censura. A proposição consistia em debater atos de cerceamento às artes no atual cenário do país.</p>
<p>Já <b>Maré de Matos</b> trará um trabalho igualmente político, porém mais ligado às questões da memória e da ancestralidade. Artista visual e poeta, mineira do Vale do Rio Doce, sua terra foi habitada pelos índios botocudos que resistiram por décadas ao domínio dos colonizadores. A artista articula trabalhos em pintura e costura, interferência em madeira, poesia expandida, arte relacional, intervenções poéticas urbanas, ações e fotografias. No Museu da Abolição a artista prepara uma instalação intitulada Rio Doce. Pretende discutir a maior tragédia ambiental do Brasil, protagonizada pela mineradora Samarco, em 2015, em Minas Gerais. A representação e visualidade de práticas exploratórias históricas que desembocaram no evento ocorrido, possibilita evidenciar o que é naturalizado, mas também a relação extrativista como legado colonial instaurado no seio do estado. “Como mineira, do Vale do Rio Doce, a narrativa evidencia que minha memória é atravessada e por vezes confundida com a prática da exploração”, diz ele.</p>
<p>O pernambucano <b>Izidoro Cavalcante</b> apresentará dois trabalhos inéditos, feitos para a exposição. Sonho Guardado em Branco, um objeto composto por uma cama de campanha, pintada de branco (tinta automotiva) dentro uma camada de algodão  branco que forma uma  matéria convidativa para o gesto de pegar, mas todo o objeto estará encerrado em uma caixa de acrílico. O artista vai realizar uma performance no dia da abertura da exposição. “Vou colocar meu corpo como objeto de resistência dando continuidade Sonho Guardado em Branco (cama), disponibilizarei uma quantia de cem camisas brancas de algodão, todas empilhadas, em cima das outras, dobradas como se vende nas lojas. Usarei meu corpo nu, sentado, e, com rapidez utilizarei da troca da camisa. Uma forma de falar da troca de pele, para ser aceito na sociedade branca”, conta. O registro da performance será exibido durante os dois meses que a exposição estiver aberta ao público.</p>
<p>Já o artista <b>José Barbosa </b>vai expor dois entalhes em madeira, manufatura que remete aos fazeres artísticos da arte africana, e três pinturas que trazem repertórios das temáticas da representação do negro e da negra e das culturas afro-brasileiras presentes no carnaval de Olinda. O artista, radicado na cidade, integrou a Oficina da Ribeira durante os anos 1960 e aprendeu muito jovem a trabalhar com o entalhe da madeira. Os oratórios feitos pelo artista que, ao mesmo tempo, recolocam as questões da arte sacra ou da arte barroca no Brasil, feita pelas mãos dos africanos em situação de trabalho escravo ou de artífices negros brasileiros, no período colonial. Como não eram reconhecidos com artistas, boa parte dessa produção barroca não tem assinatura. José Barbosa mantém diálogo estreito com essa visualidade. Além dos orat&amp; oacute;rios, também foi escolhida uma peça em objeto intitulado por Totem, trabalhado em madeira policromada.</p>
<p><b>Renata Felinto</b> traz a obra Embalando Mateus ao som de um hardcore (2017), num trocadilho com o ditado popular (bastante machista) “quem pariu Mateus que o embale”, na qual ela reflete sobre a maternidade sozinha. A série é composta por vários trabalhos produzidos em linguagens diversas. A essas composições a artista adicionou frases ditas por mulheres que criam seus filhos sozinhas. Esta série visa refletir sobre a maternidade romantizada vendida socialmente, com a potente ajuda das mídias do audiovisual, em contraposição à maternidade real, especialmente a maternidade sozinha real, que se caracteriza pela pouca ou nenhuma presença do genitor que, por motivos de irresponsabilidade, de distância, de ausência, de conivência da sociedade, dentre outros, não se faz presente com o mesmo peso na criação da/s criança/s, seja do ponto de vista da form ação humana, seja do ponto de vista da sobrevivência e suprimento de necessidades materiais básicas.</p>
<p><b>Priscila Rezende</b> virá ao Recife, no Dia da Consciência Negra, dia 20 de novembro, para realizar uma performance nos jardins do Museu. A proposta é que durante esta semana comemorativa uma série de atividades movimente o espaço. Já está programada a participação de jovens poetas da cena pernambucana, que tem se destacado nacionalmente, como Adelaide dos Santos, que faz parte do Recital Boca do Trombone. Outro artista convidado pela curadoria é Ypiranga Filho, apresentando a escultura gigante, em ferro, de Ogum, que compõe uma série de trabalhos do artista sobre os orixás, vai compor a mostra.</p>
<p><b>Serviço</b><br />
Exposição Os da Minha Rua: Poéticas de R/existência de Artistas afro-brasileiros l<br />
Quando: abre nesta sexta (19), às 19h, e fica em cartaz até 16 de dezembro<br />
Onde: Museu da Abolição (Rua Benfica, 1150 – Madalena/ Recife)<br />
Entrada Gratuita</p>
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		<title>Diversidade e liberdade criativa norteiam a programação de Artes Visuais do FIG 2018</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jul 2018 17:59:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Iglesias</dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_61967" aria-labelledby="figcaption_attachment_61967" class="wp-caption img-width-564 aligncenter" style="width: 564px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/76ef1e8414d8343040706bd7f478bd55.jpg"><img class="size-full wp-image-61967 " alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/76ef1e8414d8343040706bd7f478bd55.jpg" width="564" height="376" /></a><p class="wp-caption-text">Performance &#8216;Bombril&#8217;, da artista mineira Priscila Rezende, é uma das atrações do FIG e traz uma reflexão sobre a piada depreciativa feita com os cabelos negros</p></div>
<p style="text-align: right;"><em><strong> </strong></em></p>
<p>Seja através dos materiais escolhidos ou até dentro do processo da liberdade criativa, a programação de Artes Visuais do 28º Festival de Inverno de Garanhuns dialoga diretamente com a diversidade de ideias. Este ano, a <strong>Galeria Galpão</strong> irá reunir, de 21 a 28 de julho, cinco atrações que trazem importantes debates sobre a arte contemporânea, através de performances, instalações ou exposições.</p>
<p>De acordo com Márcio Almeida, coordenador de Artes Visuais do Festival,<em> “nos cinco selecionados para a grade artística a gente consegue perceber uma diversidade em relação ao suporte. Seja através do desenho, instalação sonora, peças de cerâmica ou performance, teremos várias possibilidades. Mais uma vez a Galeria Galpão traz reflexões muito pertinentes e atuais para o circuito da arte contemporânea”.</em></p>
<div id="attachment_61971" aria-labelledby="figcaption_attachment_61971" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Vaginas-5.jpg"><img class="size-medium wp-image-61971    " alt="Olga Wanderley/Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Vaginas-5-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Segundo Ana Flávia Mendonça, para o FIG estão separadas 45 peças de vaginas diferentes</p></div>
<p>Segundo ele, um debate interessante que pode surgir é a partir do suporte escolhido pelos artistas Ana Flávia Mendonça (<strong>Vaginas-Flores</strong>) e Tonfil (<strong>Memorial de mãos sem memória</strong>).<em> “A argila, o barro em si, sofre uma discriminação na arte contemporânea e é bom trazer o debate sobre esse material porque traz uma reflexão sobre a artesania. Este é um preconceito que existe dentro das Artes Visuais, mas que não é discutido, e a ideia é também trazer isso à tona”,</em> reforça Márcio Almeida.</p>
<p>Estudante de Artes Visuais da UFPE, Ana Flávia Mendonça participa da programação do FIG com a sua mostra individual &#8211; que já esteve em exposição durante a 9ª edição do UNICO – Salão Universitário de Arte Contemporânea do SESC. <em>“Em Pernambuco a gente tem esse festival, o UNICO, que é voltado pra produção universitária. No final do ano passado fui uma das premiadas pelo SESC, que levou minha exposição para passar um tempo na unidade de Casa Amarela, no Recife, e depois em Petrolina”,</em> detalha a jovem artista.</p>
<p><em>“Quando expus na mostra do SESC, eu tinha 21 peças. Para o Festival de Inverno, irei levar 45 unidades. Espero ter um dia 100, 200, 500 vaginas. Quem sabe até fechar uma galeria com essa exposição”, </em>sonha alto Ana Flávia, que conta que o projeto nasceu a partir de mulheres admiráveis que tinha por perto.<em> “Seja uma avó ou uma professora, por exemplo, partiu da admiração por mulheres próximas. À medida em que a ideia foi crescendo, começaram a participar pessoas desconhecidas, e foi incrível essa troca. Também teve gente que viu a primeira versão da mostra e quis participar. Com o tempo perdi o controle disso, e passaram a me procurar bastante”,</em> revela.</p>
<div id="attachment_61970" aria-labelledby="figcaption_attachment_61970" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Relatos-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-61970 " alt="Olga Wanderley/Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Relatos-2-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">A exposição conta também com os espelhos utilizados pelas participantes para se olharem, junto aos relatos emocionantes de cada uma</p></div>
<p>Para ela, a proposta da mostra é quebrar o tabu sobre o corpo feminino. <em>“Que a gente possa discutir e falar sobre o assunto, trazer a tona a discussão sobre vaginas. E o retorno do processo de criação das peças foi algo muito interessante porque se revelaram coisas incríveis. A mostra tem um poder grande nas entrelinhas, através dos relatos, da voz feminina que ecoa, seja através dos preconceitos e abusos sofridos, ou através da cura. E o projeto tem também a intenção de engradecer a força da diversidade, exaltar a beleza da diferença. Quando a gente vê uma parede com várias vaginas, diversos detalhes, a força do conjunto passa uma mensagem que cada uma, com sua singularidade, faz parte de um universo muito bonito”,</em> descreve Ana Flávia Mendonça.</p>
<p>Além das 45 peças, que retratam a vagina feminina numa comparação à espécies de flores, a exposição apresenta também os relatos das mulheres participantes. <em>“Quando elas eram convidadas recebiam junto à carta de convite um espelhinho, que era para se olharem e se conhecerem ou reconhecerem. Foi um processo bem mágico. Os relatos de cada mulher estarão pendurados juntos aos espelhos de cada uma. Já as peças são feitas de cerâmica, e para elas utilizei barros e pastas de cores diferentes, na tentativa de encontrar as várias tonalidades do corpo humano &#8211; uns mais claros, intermediários e mais escuros”,</em> pontua a artista.</p>
<p>Outra discussão que merece destaque vem com a performance <strong>Bombril</strong>, da mineira Priscila Rezende. A inserção e presença do indivíduo negro na sociedade brasileira atuam como principais norteadores e questionamentos levantados no trabalho de Priscila, e nesta performance não é diferente. Durante a apresentação e por um período de aproximadamente uma hora, a artista esfrega algumas panelas com seus próprios cabelos.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/tsfErSKpunc" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p>No ano passado, Priscila Rezende esteve na mostra coletiva <strong>Negros Indícios</strong>, na Caixa Cultural SP, com curadoria de Roberto Conduru. <em>&#8220;Em janeiro e fevereiro deste ano participei de uma residência artística em Londres que fez parte de uma parceria entre o Sesc de São Paulo e uma universidade de artes da capital inglesa. Fui sozinha e passei quase um mês pesquisando o processo escravagista realizado pela Inglaterra, que enriqueceu bastante com a produção de açúcar em diversas regiões. Fui, por exemplo, em Liverpool conhecer de perto o Museu da Escravidão Internacional. Agora eu estou em Nova York finalizando um intercâmbio na Art Omi, centro de artes local, onde participei de uma pesquisa junto a outros 30 artistas do mundo inteiro&#8221;,</em> cita ela.</p>
<p>A artista, nascida em 1985, conta também que nunca esteve em Pernambuco.<em> &#8221;É a primeira vez e fico feliz pela oportunidade de levar meu trabalho a esse Festival. É muito bom poder circular pelos vários lugares possíveis, porque uma coisa é o espectador ver através de vídeos e fotos a performance, outra é ele ver acontecer. É outra percepção”,</em> fala com empolgação a artista.</p>
<div id="attachment_61972" aria-labelledby="figcaption_attachment_61972" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Bombril2_PriscilaRezende.jpg"><img class="size-medium wp-image-61972" alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Bombril2_PriscilaRezende-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Por um período de aproximadamente uma hora, a artista esfrega algumas panelas com seus próprios cabelos para criar a imagem da piada feita em relação ao cabelo negro</p></div>
<p><em>“Vejo meu trabalho como uma possibilidade de mudança, de fazer as pessoas perceberem como somos de verdade. Perceber que quem tem privilégios é realmente livre. Os que estão à margem não gozam dessa liberdade, e ai nem falo apenas dos negros, incluo também homossexuais, trans, pessoas que não são totalmente libertas quando frequentam lugares”,</em> opina.</p>
<p>Sobre a performance <strong>Bombril</strong>, que será realizada às 19h do dia 28 de julho, na Praça da Palavra, Priscila reflete que busca também provocar uma reflexão sobre esse lugar da piada estética que as pessoas fazem de forma depreciativa com o cabelo negro. <em>“Eu quero tornar visível essa imagem que a piada remete, que as pessoas vejam, entendam o que é isso, e logo em seguida não quero ficar ali. Vou sair daquele lugar”,</em> afirma.</p>
<div id="attachment_61969" aria-labelledby="figcaption_attachment_61969" class="wp-caption img-width-568 aligncenter" style="width: 568px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Memorial-de-Mãos-Sem-Memórias.jpg"><img class="size-full wp-image-61969 " alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Memorial-de-Mãos-Sem-Memórias.jpg" width="568" height="259" /></a><p class="wp-caption-text">Memorial de mãos sem memória, de Tonfil, que apresenta 100 mãos de cerâmica em estilo hiper-realista</p></div>
<p>Além da exposição e da performance, outras três atrações integram a programação do FIG. Uma delas é <strong>Agosto &amp; Archeos</strong>, de Thelmo Cristovam, uma instalação sonora que terá duas obras desenvolvidas a partir de princípios e modelos matemáticos (Agosto) e biológicos (Archeos) e em aspectos de bioacústica &#8211; ou seja, a transmissão de informação através da produção de som.</p>
<div id="attachment_61968" aria-labelledby="figcaption_attachment_61968" class="wp-caption img-width-320 aligncenter" style="width: 320px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Meditação.jpg"><img class="size-full wp-image-61968 " alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Meditação.jpg" width="315" height="262" /></a><p class="wp-caption-text">&#8216;Meditação&#8217;, de França Bonzion, é segunda exposição do artista e é uma série de desenhos em caneta esferográfica e Kraft</p></div>
<p>Duas exposições completam a programação na Galeria Galpão. Uma delas é a já citada <strong>Memorial de mãos sem memória</strong>, de Tonfil, que apresenta 100 mãos de cerâmica em estilo hiper-realista; e <strong>Meditação</strong>, de França Bonzion, segunda exposição do artista que é uma série de desenhos em caneta esferográfica e Kraft. A obra escoa temas relevantes da contemporaneidade como violência, repressão sexual e a pressão das instituições.</p>
<p><strong>PROGRAMAÇÃO DE ARTES VISUAIS DO 28º FIG</strong></p>
<p><em>Galeria Galpão</em><br />
De 21 a 28 de julho | 16h às 22h<br />
Endereço: Av. Dantas Barreto, 120<br />
EXPOSIÇÕES:<br />
De 21 a 28 de julho | 16h às 22h</p>
<p><strong>Agosto &amp; Archeos</strong><br />
Thelmo Cristovam<br />
Instalação sonora imersiva composta por duas obras desenvolvidas e construídas com base em princípios e modelos matemáticos (Agosto) &amp; matemáticos biológicos (Archeos) e em aspectos de bioacústica.</p>
<p><strong>Memorial de mãos sem memória</strong><br />
Tonfil<br />
100 mãos de cerâmica em estilo hiper-realista estarão dispostas no chão, como se brotassem, trazendo suas memórias da terra onde trabalharam e onde foram enterradas aludindo àqueles que não tiveram direito a imprimir suas próprias memórias pessoais na construção da vida em sociedade no nordeste do Brasil.</p>
<p><strong>Meditação</strong><br />
França Bonzion<br />
Segunda exposição do artista, uma série de desenhos em caneta esferográfica e Kraft são o canal por onde escoam espontaneamente sentimentos, tensões e sonhos sobre temas relevantes de nossa contemporaneidade como: violência, repressão sexual e a pressão das instituições.</p>
<p><strong>Vaginas-Flores</strong><br />
Ana Flávia Mendonça<br />
Partindo da semelhança estética entre a estrutura de uma vagina humana e a de uma orquídea da espécie Cattleya, a artista a partir de relatos de 45 mulheres desenvolveu o projeto que além de ressaltar a beleza dessa repetição estética da natureza, exalta a força da diversidade, assimetrias e peculiaridades da anatomia feminina.</p>
<p><strong>PERFORMANCE:</strong><br />
Sábado, 28/7 (Praça da Palavra)</p>
<p><strong>&#8220;Bombril”</strong><br />
Priscila Rezende;<br />
Além de uma conhecida marca de produtos para limpeza e de uso doméstico, faz parte de uma extensa lista de apelidos pejorativos para se referir à uma característica do indivíduo negro, o cabelo. Em “Bombril” o corpo da artista se apropria da posição pejorativa a ele atribuída, transformando-se em imagem de confronto à fala discriminatória, presente no discurso de nossa sociedade.</p>
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