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	<title>Portal Cultura PE &#187; Rei Berroa</title>
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		<title>Berroa e Martín falam sobre literatura hispano-americana no I Clisertão</title>
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		<pubDate>Sat, 19 May 2012 02:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O poeta, professor e crítico Rei Berroa e o Professor da UFPE Juan Pablo Martín compuseram uma mesa sobre literatura hispano-americana na noite de ontem (17/05), no auditório da UPE, no Campus Petrolina. Abrindo a discussão, Martín focou nas relações entre a literatura espanhola e brasileira, exemplificando o uso da quaderna: estrutura em versos tipicamente [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4330" aria-labelledby="figcaption_attachment_4330" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Ricardo Moura</p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa.jpg"><img class="size-medium wp-image-4330" alt="Ricardo Moura" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Rei Berroa (dir.) e Juan Pablo Martín (centro) falam sobre literatura hispano-americana</p></div>
<p>O poeta, professor e crítico Rei Berroa e o Professor da UFPE Juan Pablo Martín compuseram uma mesa sobre literatura hispano-americana na noite de ontem (17/05), no auditório da UPE, no Campus Petrolina.</p>
<p>Abrindo a discussão, Martín focou nas relações entre a literatura espanhola e brasileira, exemplificando o uso da quaderna: estrutura em versos tipicamente espanhola e utilizada por Ariano Suassuna. “Conhecer a literatura espanhola ajuda a entender a literatura brasileira e nordestina”, diz o professor. Suassuna, segundo Martín, é um forte exemplo das conexões entre Espanha e Brasil. “O Auto da Compadecida é um típico auto medieval”, exemplifica. Gregório de Matos e Francisco de Quevedo, Ramón Gomez de la Serna  e Mário de Andrade são outras aproximações que sugere.</p>
<p>Rei Berroa optou por fazer um percurso pela história recente da poesia na República Dominicana, assim como as inevitáveis conexões com a política, a morte do ditador Trujillo e a complexa relação com o país vizinho, o Haiti. Problematiza também os conceitos de “dominicanidade” e  “brasilidade”, que enquadram as expressões artísticas em um nacionalismo redutor. “Cada uno de nosotros es una isla”, diz, citando Jorge Luís Borges. O papel da crítica é colocado, tanto no contexto dominicano quanto em sua ampla importância para a solidez do exercício literário.</p>
<p>No vídeo a seguir, Rei Berroa fala um pouco sobre as suas impressões do congresso:</p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/gc0b2Y1-tg8" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
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		<title>Rei Berroa sobre o CLISERTÃO 2012</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 12:28:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado em 18/05/2012. Entrevista com Rei Berroa, falando sobre o CLISERTÃO 2012.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado em 18/05/2012. Entrevista com Rei Berroa, falando sobre o CLISERTÃO 2012.</p>
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		<title>Atenção: últimos dias de inscrição para o Recital Poético no Serrote do Urubu!</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 03:12:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um recital poético especial no distrito de Serrote do Urubu, localizado na zona rural do município de Petrolina, vai fechar a programação do I CLISERTÃO na tarde do sábado (19/05). Além do recital ao por do sol, com diversos poetas, dentre os quais Luís Serguilha (Portugal) e Rei Berroa (República Dominicana), haverá contação de histórias [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4507" aria-labelledby="figcaption_attachment_4507" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Antonio Pinheiro</p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/serrote-do-urubu.jpg"><img class="size-medium wp-image-4507" alt="Antonio Pinheiro" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/serrote-do-urubu-607x133.jpg" width="607" height="133" /></a><p class="wp-caption-text">Paisagem de Serrote do Urubu</p></div>
<p>Um recital poético especial no distrito de Serrote do Urubu, localizado na zona rural do município de Petrolina, vai fechar a programação do I CLISERTÃO na tarde do sábado (19/05).</p>
<p>Além do recital ao por do sol, com diversos poetas, dentre os quais Luís Serguilha (Portugal) e Rei Berroa (República Dominicana), haverá contação de histórias com Viramundos.</p>
<p>Os interessados em participar desta Ecoleitura devem enviar nome completo e um telefone de contato para o e-mail: clisertao@yahoo.com.br. As inscrições serão aceitas até as 18h de amanhã (18/05).</p>
<p>O ônibus sairá da Praça do Coreto, atrás da Prefeitura, às 15h30.</p>
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		<title>Biblioteca itinerante à beira rio</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 02:16:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Atravessamos a rua cheia de carros.  Chegamos em uma espécie de calçadão. Descendo uma escada de cimento tocamos os pés na areia. No muro em frente, um texto fala do velho chico, e mais uma placa e outra fazem declarações de amor ao rio. Do lado de cá, Pernambuco. Depois o rio, que se atravessado, a [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4517" aria-labelledby="figcaption_attachment_4517" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Ricardo Moura</p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/Biblioteca-itinerante.jpg"><img class="size-medium wp-image-4517" alt="Ricardo Moura" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/Biblioteca-itinerante-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Crianças de Petrolina lendo na inauguração da Biblioteca Itinerante.</p></div>
<p>Atravessamos a rua cheia de carros.  Chegamos em uma espécie de calçadão. Descendo uma escada de cimento tocamos os pés na areia. No muro em frente, um texto fala do velho chico, e mais uma placa e outra fazem declarações de amor ao rio. Do lado de cá, Pernambuco. Depois o rio, que se atravessado, a um passo, ou melhor, a uma viagem curta de barca, nos leva à Bahia. À cidade de Juazeiro. No chamado cais das barquinhas, em Petrolina, agora tem uma biblioteca. Ela é composta apenas por uma estante de madeira, não muito grande. Parada em frente a ela, Valenna, de 10 anos, pergunta: “até quando ela vai ficar aqui?”</p>
<p>A Biblioteca Itinerante, uma das ações descentralizadas do Clisertão, não tem data pra ir embora. Quando soube disso Valenna arregalou os olhos, abriu a boca, com aquela expressão clássica de espanto, e disse: “que massa!”. Valenna estava lá com os amigos na inauguração da biblioteca, que aconteceu hoje por volta das 10h. Havia muitas crianças, que caçaram os gibis da turma da mônica da estante e sentaram, uma ao lado da outra, em um banco de madeira que fica na estação fluvial. Kássio Aparecido diz que vai ficar indo lá todo domingo. “Eu adoro ler, principalmente gibi e cordel”, diz o menino de nove anos. Árvores, barcos coloridos, sol batendo na água. O cais das barquinhas é uma paisagem inspiradora. “Andar de barco já é maravilhoso sobre as águas do velho chico, andar de barco e aguardar essa viagem noutra viagem, que é a viagem da leitura, vai ser maravilhoso. E que isso se multiplique, que seja só o primeiro espaço de muitos”, diz o professor  do pequeno Kássio, Paulinho Santos, da Escola Municipal Integral São Domingos Sávio.</p>
<div id="attachment_4518" aria-labelledby="figcaption_attachment_4518" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Ricardo Moura</p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/biblioteca-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-4518" alt="Ricardo Moura" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/biblioteca-2-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Biblioteca itinerante no I Clisertão</p></div>
<p>Wellington de Melo, um dos organizadores do evento e coordenador de literatura da Secretaria de Cultura de Pernambuco, acredita que é importante levar os livros ao encontro das pessoas, e que essa é a maior intenção da Biblioteca Itinerante. “Existe uma ressignificação dos hábitos das pessoas, e é dificil, hoje em dia, que as pessoas vão naturalmente para as bibliotecas, então por que não as bibliotecas irem para onde as pessoas estão? A intenção é um pouco essa, por que não provocar e fazer com que o livro entre no cotidiano das pessoas?”</p>
<p>Houve recital de poetas como Antônio Torres, Luna Vitrolira, Laércio Lima, Sebastião Simão Filho, Sérgio Murilo, Luís Hélio, Chico Pedrosa, Rei Berroa, dentre outros, que selaram a inauguração com bastante poesia.</p>
<div id="attachment_4519" aria-labelledby="figcaption_attachment_4519" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Ricardo</p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/Luna-Vitrolira.jpg"><img class="size-medium wp-image-4519" alt="Ricardo" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/Luna-Vitrolira-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Luna Vitrolira recita poesias durante inauguração da biblioteca</p></div>
<p>A Biblioteca Itinerante estará aceitando livros permanentemente. Basta dirigir-se à orla e depositar a doação na estante de livros. Para empréstimos também não é necessário documentação ou qualquer procedimento formal. Basta retirar o livro. As Secretarias de Cultura de Pernambuco e Petrolina apenas vão ter controle do acervo, no intuito de mapear os hábitos de leitura, inclusive para futuras ações. Mas a intenção é que a biblioteca seja gerida, alimentada e usufruída pela população, a fim de que se crie uma rede de trocas e estímulos natural e informal.</p>
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		<title>Entrevista com Rei Berroa</title>
		<link>https://www.cultura.pe.gov.br/entrevista-com-rei-berroa/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 00:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O poeta dominicano Rei Berroa é um dos destaques da programação de amanhã (17/05) do CLISERTÃO. Estará na conferência – “Literatura latino-americana”, com o Prof. Dr. Juan Pablo Martín (Espanha/ UFPE). A mediação é de Alexandre Furtado (UPE/Nazaré da Mata). Nascido em 1949, Berroa é também professor da George Mason University, em Washington, crítico cultural e [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa-2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-4546" alt="rei berroa 2" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa-2-519x486.jpg" width="519" height="486" /></a></p>
<p>O poeta dominicano Rei Berroa é um dos destaques da programação de amanhã (17/05) do CLISERTÃO. Estará na conferência –<strong> “Literatura latino-americana”</strong>, com o Prof. Dr. Juan Pablo Martín (Espanha/ UFPE). A mediação é de Alexandre Furtado (UPE/Nazaré da Mata).</p>
<p>Nascido em 1949, Berroa é também professor da George Mason University, em Washington, crítico cultural e tradutor. Já publicou mais de 25 livros, entre poesia, antologias, traduções e crítica.</p>
<p>Conheça um pouco mais sobre o trabalho do escritor na entrevista a seguir:</p>
<p><strong>Clisertão.com – Berroa quer dizer “pequeño zarzal en el campo” ou “el que quiere ser bueno”. Berroa é um nome artístico? Qual significado se aproxima da sua intenção?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> (risos) Te peguei. Alcancei o meu propósito, querida. Berroa é realmente o meu sobrenome, que herdei do meu pai. É, de fato, um sobrenome vasco, de Guipúzcoa. Uma das perspectivas com as quais eu intento penetrar o leitor é através de uma versão bem-humorada e oblíqua da realidade. Isso não quer dizer que eu deixe de lado a dimensão profunda, filosófica para qual a poesia deve também apontar sempre. Penso que os poetas esqueceram da dimensão lúdica da linguagem, e se levam muito à sério. Isso não quer dizer que não se deve levar à sério o que se faz; pelo contrário: manejar esse ofício com a maior responsabilidade que a língua e a história nos exige, mas sem levarmos nós mesmos excessivamente à sério.Isso é Borges, Vallejo, Quevedo, o incomparável Arcipreste de Hita ou, mais próximo da realidade na qual nos encontramos, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Ledo Ivo, só para mencionar três nomes chaves da poesia brasileira contemporânea. Voltando, pois, à tua pergunta. Eu não sei o que significa a palavra “berroa” em vasco, pois não sei vasco. Poderia ter procurado saber com algum dos meus amigos ou conhecidos vascos, mas optei pela invenção. Inventei esta origem para dar presença nominal ao meu desejo de fazer algo que valha a pena para outros, umas espécie de ética da estética etimológica…</p>
<p><strong>Clisertão.com - Um dos temas que serão debatidos no Clisertão é o sertão como matéria-prima da literatura. A República Dominicana está presente na sua poesia? Como você vê a geografia e as identidades surgidas nesses espaços – aos quais nos sentimos ligados – no sentido de influenciadores da criação artística?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> É inevitável que minhas origens estejam presentes nesta verdade inalienável que é a expressão poética. Há muitas maneiras de fazê-lo. Alguns optam pela expressividade específica (poemas merengue, poemas bachata…), outros por se ligar à realidade orográfica ou histórica (o rio Ozama, que cruza a capital e desemboca no mar do Caribe, as montanhas do centro do país, o inescapável mar…). O que me interessa mais que tudo são as pessoas, as pessoas com suas utopias e distopias, enganadas pela política e pela religião, constantemente vilipendiadas até pela natureza (terremotos, furacões, desmanches, enchentes de rios que arrasam povoados inteiros, etc). Apesar de todas essas indignidades, as pessoas sabem apontar para a expressão humana e riem, riem com uma socrática impassibilidade. Eu, mais que ligado a um país específico com o qual provavelmente não tenho muito em comum, sinto e manifesto uma ligação profunda com o primeiro lugar de minha experiência humana: a casa dos avós, onde vim a luz, o rio que encheu meu mundo de vida e metáforas, a nudez do corpo na água, a tentativa de um primeiro beijo e a bofetada resultante dele, a velha ameixeira que, no quintal de casa, significou sempre aquela que permanece e sobrevive a nós. Preste bem atenção que, sendo um homem essencialmente citadino e extrovertido, mais da metade de minha expressão poética está ligada à interiodade do ser humano e da natureza, ao sertão, para dizer em termos que estejam mais conectados com o que esta celebração em Pernambuco quer fazer por esses dias. Quer dizer, sem me dar conta, fui fazendo minhas matáforas essenciais daqueles primeiros anos: o rio, à ameixeira, á lágrima e a estas metáforas primárias acrescentei a metáfora central de toda a minha existência: os outros. Com eles fui amansando o pão da minha expressão poética.</p>
<p><strong>Clisertão.com -</strong> <strong>A poesia do Caribe é pouco conhecida no Brasil. Que nomes você recomendaria aos leitores brasileiros? E o que você poderia falar da poesia caribenha de modo geral?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> A poesia do Caribe é pouco conhecida em todas as partes, na realidade, a não ser que em teu país se leve a cabo uma revolução política que faça notória essa expressão poética. Alguns poetas sobrepassam as fronteiras nacionais, como é o caso dos nomes de Julia de Burgos (Puerto Rico), Pedro Mir (República Dominicana) ou Nicolás Guillén (Cuba). O feito de Derek Walcott, que recebeu o Nóbel de Literatura en 1992 (não vamos entrar aqui nos motivos por detrás do prêmio [não esqueçamos que Rigoberta Menchú recebe o da Paz no mesmo ano]. Se tratava, pois, de restituir algo ao colonizado no ano das celebrações do Quinto Centenário do encontro dos mundos [1492]?), é um monumento à poesia do Caribe. Poesia vibrante, ritmica, profunda em suas diferentes manifestações: filosófica, socio-política, neobarroca, mística… muitos são os nomes que se aglomeram de repente na minha cabeça. Vamos organizá-los por países:</p>
<p>Na República Dominicana, os nomes inevitáveis deveriam ser: Manuel del Cabral, Franklin Mieses Burgos, Aída Cartagena Portalatín e, entre os mais jovens, Miguel Aníbal Perdomo, Alexis Gómez Rosa, José Mármol, José Acosta, Plinio Chahín y León Félix Batista. O Projeto Editorial Banda Hispânica, que dirige Floriano Martins desde Fortaleza, fez uma seleção de alguns dos poetas capitais da tradição poética dominicana que, evidentemente, fica muito reduzida na seleção (apenas 16 vozes).</p>
<p>Em Porto Rico, haveríamos que fazer menção aos clássicos, Luis Palés Matos, Francisco Matos Paoli, Jorge Luis Morales, e Olga Nolla; entre as vozes das últimas gerações, o Projeto Editorial Banda Hispânica , acima mencionado, é muito mais completo e generoso com Porto Rico e publicou uma seleção de 44 vozes de poetas de Porto Rico sob a assessoria dos poetas David Cortés Cabán, Etnairis Rivera, Madeline Millán e Maribel Sánchez-Pagán (também eles vozes necessárias do momento) dentre os quais destaco a obra de José Luis Vega, Manuel Ramos Otero, Carmen Valle, Jan Martínez e Mario Cancel.</p>
<p>Sobre Cuba, recorro outra vez à Banda Hispânica, já que a seleção que oferece é bastante ampla (embora coloque León Félix Batista, poeta dominicano, entre este grupo, obviamente por um erro, pois sei que ele nasceu em Santo Domingo). Aos nomes clássicos de José Martí, Nicolás Guillén, Dulce María Loynaz, Lezama Lima ou Virgilio Piñera, devo agregar os de Roberto Fernández Retamar, Miguel Barnet, Reina María Rodríguez e Waldo Leyva.</p>
<p><strong>Clisertão.com - Você tem um poema famoso, intitulado “De adinamia de mente de umnesia” sobre a doença de Alzheimer. Um jogo de palavras de difícil pronúncia, e uma espécie de longo monólogo sobre essa condição. Qual foi a sua intenção ao falar sobre um assunto doloroso?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong><em> De adinamia de mente de umnesia</em> foi uma homenagem que eu quis fazer a minha mãe quando ela começou a viajar em direção à desmemória por conta do Alzheimer. Um editor mexicano se interessou muitíssimo pelo livro e fizemos uma edição que doamos em sua maior parte para aliviar a dor dos familiares dos que sofrem dessa terrível enfermidade. Foi um livro muito difícil para mim, pois eu tratei por todos os meios de fazer falar meu personagem, uma mulher sem educação, mas sumamente inteligente, que começa a se dar conta da precipitação da sua condição, da sua viagem à “umnesia” (quer dizer, à não-recordação, como a u-topia é o não-lugar). Embora eu saiba que muitos críticos vão sinalizar o aspecto prosaico desse monólogo doloroso, estou sumamente satisfeito por havè-lo realizado, pois o que queria era fazer falar essa mulher com o fim de que, contando a sua história de vida, isso fosse um estímulo para todas as outras pessoa que se enfrentam com esse destrutivo visitante da idade moderna. No pólogo desse livro, que não posso reproduzir aqui em sua totalidade por falta de espaçõ e tempo, falo precisamente destes componentes, minhas intenções e o que, creio, foram minhas conquistas – se é que houve alguma. O livro foi premiado em Murcia, Espanha, no “Primer Concurso del Alzheimer y la Pérdida de la Memoria”, antes de ser publicado no México. Tomara que possa ser publicado no Brasil em alguma edição que, como em sua primeira em espanhol, seja doada aos parentes destes pacientes. Assinalo neste prólogo:</p>
<blockquote><p>&#8220;<em>Mélida, la narradora lírico-dramática de este texto, ha acudido a una terapia en la que parece creerse que el acto de contar el pasado, por más doloroso que éste sea, es un primer paso para ayudar al paciente a limpiar la costra beta-amiloide (proteína tóxica) que se acumula en las paredes del hipocampo –sección del cerebro responsable de la memoria- y, por la acción de este “cepillo” del discurso, recuperar lugares, nombres, acciones que prolonguen nuestra situación cronotópica (nuestro ser y estar en el tiempo y en el espacio). Ya sabemos, pues se han encargado los neurólogos de informarnos sobre este particular, que esta pérdida es hasta ahora irreversible. A pesar de ello, quisiéramos creer que ofrecerle un ambiente propicio a la persona enferma para que haga ejercicios de memoria, llevarla de la mano hacia el laberinto de su pasado o su futuro es una forma necesaria para ayudarla a recuperarse en el tiempo y en sus recuerdos.</em></p>
<p><em>Pero esta acción del lenguaje sobre tal complicación del cerebro tiene otro objetivo tan importante como el anterior. ¿Cuál es? El de crear en la comunidad una serie de vasos comunicantes por medio de los cuales todos los individuos que la componen estén sobre aviso para prestar su brazo y su esperanza para curar los males que aquejan a la sociedad: el hombre y la mujer de la calle, el científico o la poeta, el político o la enfermera, el cura o la monja, el profesor o el carpintero, la partera o los oficinistas. Todos unidos para remediar este y otros muchos males que cada vez con más vehemencia intentan disminuir la estatura de la condición humana y sus referencias. Maravilloso es este cuerpo que habitamos, pero es todavía una máquina imperfecta que requiere constante ojo avizor, una manutención impecable, múltiples afinamientos y tenaces lijaduras</em>&#8220;.</p></blockquote>
<p><strong>Clisertão.com - Você me falou de uma antologia poética que publica todos os anos com poetas que participam da “Maratón de Poesía”. Fale um pouco sobre esse projeto.<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> Sim, se trata de um festival de poesia com o qual levamos já 20 anos (com aquele “20 años no es nada”, Gardel não tinha ideia do que significa embarcar em um empreendimento como este, na contracorrente, em um mundo no qual a poesia não tem presença física). Cada ano desde 1992, o Teatro de la Luna, uma organização sem fins lucrativos dedica à apresentação de obras de teatro em espanhol na zona de Washington, DC, organiza a “Maratón de la Poesía – La pluma y la palabra”, uma festa do verbo hispano no mesmo coração do poder público do mundo. Como desde setembro de 2011, a situação financeira do teatro era bem mais precária, tentamos conseguir as passagens de avião dos poetas através de seus ministérios de cultura, coisa muito difícil de se conseguir. Se não se consegue, pedimos aos que poetas que paguem suas próprias passagens, mas, uma vez aqui em Washington, fazemos conjuros mágicos para que floresça a poesia nestes entornos e nos ajudar a semear os brotos da vida que celebra a palavra poética, contra-arrestando assim os que semeiam a morte pelo mundo. Desde 2002, quando completamos 10 anos, a maratona fez-se internacional convidando poetas dos países do mundo hispano (e logo também do brasileiro, pois estou em negociações com a embaixada do Brasil em Washignton) e publicando uma antologia com uma boa parte dos poemas lidos durante a maratona, tanto no Teatro de la Luna, como na Biblioteca do Congresso de Washington, onde lemos no primeiro dia. Temos já oito edições publicadas dessa antologia. Um trabalho brutal, mas tão maravilhoso que não o deixaria por nada desse mundo, pois damos oportunidade aos nossos poetas de serem escutados fora de seus países.</p>
<p><strong>Clisertão.com - Por fim, o que é poesia?<br />
</strong><strong>Rei Berroa -</strong> Citou-se à exaustão a Rima XXI do poeta pós-romântico espanhol Gustavo Adolfo Bécquer na qual o eu lírico, conversando com sua interlocutora ou seu tu lírico, pergunta: “¿Qué es poesía?,” para responder quase de imediato: “¿Y tú me lo preguntas? / Poesía… eres tú.” Penso que poesia somos nós em ação. Não algum eu individualista e romântico, nem um tu altruísta ou desinteressado, senão o nós construindo mundos, como digo em meu poema “Correo-e para Soledad-A” do meu <em>Libro de los dones y los bienes</em> (Caracas, 2010): “todas las alas que construyen mundos, / todos los mundos que destruyen alas, / que construyen aguas para diluir el fuego, / que levantan fuegos para cultivar el mundo, / que derriban mundos para dominar la tierra.”</p>
<p>Embora a voz do poeta seja a voz de um homem ou de uma mulher que fala desde a solidão de sua instancia na qual seu Logos vai levantando povoados, levantando tempos e espaços para tratar de não deixar de lado nenhum sonho, dor ou aspiração desde onde alcançar os outros, nade disto de daria se esta voz não faz carne na experiência do amor e da esperança de todos os que abraçamos para contruir uma terra mais bela e mais justa para todos.</p>
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		<title>Convidado: Rei Berroa</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 01:11:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O poeta dominicano Rei Berroa é um dos convidados internacionais da primeira edição do CLISERTÃO. Em 1983 recebeu um Ph.D. da Universidade de Pittsburgh, e desde 1984 ensina literatura espanhola e crítica literária na Universidade George Mason em Fairfax, Virginia. Por mais de 25 anos, se dedica à poesia, à escrita, performances, música, ensino e serviço [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><a href="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa-2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-4546" alt="rei berroa 2" src="http://200.238.112.169/wp-content/uploads/2014/05/rei-berroa-2-519x486.jpg" width="519" height="486" /></a></p>
<p>O poeta dominicano Rei Berroa é um dos convidados internacionais da primeira edição do CLISERTÃO. Em 1983 recebeu um Ph.D. da Universidade de Pittsburgh, e desde 1984 ensina literatura espanhola e crítica literária na Universidade George Mason em Fairfax, Virginia.</p>
<p dir="ltr">Por mais de 25 anos, se dedica à poesia, à escrita, performances, música, ensino e serviço na sua comunidade acadêmica. Recentemente foi descrito na Carolyn Kreiter-Foronda’s Poets Spotlight como um “agente cultural de crescimento e mudança, através da experiência das artes”, que busca “aumentar o impacto de práticas criativas e eruditas de artistas, educadores e líderes comunitários que tenham desenvolvido socialmente  práticas artísticas produtivas, refletindo o papel da arte na construção de uma sociedade civil e divulgando as melhores práticas através de oficinas e fóruns públicos “.</p>
<p dir="ltr">Foi assessor da Faculdade para a revista GMU  Hispanic Culture Review (1992-2006). Foi conselheiro literário do Teatro de la Luna, Arlington,  desde a sua fundação em 1991 e desde 2001 tem coordenado a sua Maratona anual de poesia na Casa de la Luna, a Biblioteca do Congresso em Washington, DC e outros locais. Através desse festival, reuniu poetas de todo o mundo de língua espanhola e publicou as antologias de poesia do festival desde 2001.</p>
<p dir="ltr">No campo da literatura contemporânea, colocou uma atenção especial no poeta espanhol Miguel Hernández e na literatura do Caribe, com ênfase na República Dominicana. Seu livro Ideologia y retórica: Las prosas de Guerra de Miguel Hernández é uma abordagem semiótica para a arte da propaganda como arte elevada, e ofereceu o primeiro estudo sério sobre o uso da retórica durante os conflitos armados para transmitir ideologias. Professor Tracy K. Lewis (CUNY, Oswego) chamou de “uma meditação sobre a natureza da Palavra de persuasão … e, como tal, oferece uma inovadora aplicação de princípios semióticos para os problemas da literatura propagandística, reunindo um impressionante dos recursos da tradicional estudo retórico, as referências à constelação mais confiável e verdadeiro de estudiosos modernos, ea postulação de uma série de novos princípios, extremamente úteis, todos eles, para analisar a literatura em seu contexto social “.</p>
<p dir="ltr">Lecionou em universidades dos Estados Unidos, América Latina e Espanha, e tem publicado artigos em revistas numerosas universitárias. Seus poemas foram publicados em revistas literárias em muitas partes do mundo. Seu livro de poesia Libro de los fragmentos y otros poemas, publicado em Caracas em 2007, foi esgotado no mesmo dia em que foi disponibilizado ao público. Seu longo poema “De adinamia de Mente umnesia de” sobre a doença de Alzheimer recebeu um prêmio em Murcia, Espanha, em 2008 e em fevereiro de 2010 tornou-se um livro publicado em Villahermosa, México.</p>
<p dir="ltr">Ele está escrevendo um livro sobre a visita de García Lorca para Nova York, em 1929-1930, e está preparando vários livros e antologias para a publicação casas venezuelano El Perro y la Rana e Ávila Monte, e por outras editoras em Espanha, México e República Dominicana República. Estes livros incluem um dos poetas do Caribe que vivem em os EUA, um dos poetas contemporâneos Dominicana, um estudo sobre a poética da maternidade, uma tradução de poesia poeta americano John Curl, e um estudo de poeta espanhol Miguel Hernández.</p>
<p dir="ltr">No CLISERTÃO Rei Berroa participará de uma mesa sobre literatura hispanoamericana, juntamente com os professores Juan Pablo Martín (Espanha/UFPE) e Alexandre Furtado (UPE). Também imperdível será sua oficina de criação literária. Confira a programação completa clicando <a href="http://clisertao.wordpress.com/programacao/">aqui</a>.</p>
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