<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Portal Cultura PE &#187; 1º Seminário de Patrimonialização e Musealização de Bens Culturais dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana</title>
	<atom:link href="http://www.cultura.pe.gov.br/tag/1o-seminario-de-patrimonializacao-e-musealizacao-de-bens-culturais-dos-povos-e-comunidades-tradicionais-de-matriz-africana/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.cultura.pe.gov.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Mon, 27 Apr 2026 19:24:34 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.5.1</generator>
		<item>
		<title>O passado e o futuro do Cambinda Brasileira</title>
		<link>https://www.cultura.pe.gov.br/o-passado-e-o-futuro-do-cambinda-brasileira/</link>
		<comments>https://www.cultura.pe.gov.br/o-passado-e-o-futuro-do-cambinda-brasileira/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2020 17:37:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura popular e artesanato]]></category>
		<category><![CDATA[Espaços culturais]]></category>
		<category><![CDATA[Formação Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Fundarpe]]></category>
		<category><![CDATA[Mergulhe]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Povos tradicionais e populações rurais]]></category>
		<category><![CDATA[Secretaria de Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[1º Seminário de Patrimonialização e Musealização de Bens Culturais dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana]]></category>
		<category><![CDATA[Maracatu Cambinda Brasileira de Nazaré da Mata]]></category>
		<category><![CDATA[Patrimônios Vivos]]></category>
		<category><![CDATA[projeto Mulheres do Maracatu Rural]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cultura.pe.gov.br/?p=76023</guid>
		<description><![CDATA[Michelle de Assumpção Era a primeira década do século 20, nas terras de Nazaré da Mata, com o povo quase passando fome pela falta de chuva e trabalhos. Depois chegou um inverno rigoroso e as chuvas fizeram transbordar o rio, atraindo os moradores para o pescado. Por muito tempo, o povo comeu cambinda. Um peixe [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_76024" aria-labelledby="figcaption_attachment_76024" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/Cambinda-Brasileira-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-76024" alt="PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/Cambinda-Brasileira-2-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Grupo em sua sede, no Engenho Cumbe, em Nazaré da Mata</p></div>
<p style="text-align: right;"><strong>Michelle de Assumpção</strong></p>
<p style="text-align: left;">Era a primeira década do século 20, nas terras de Nazaré da Mata, com o povo quase passando fome pela falta de chuva e trabalhos. Depois chegou um inverno rigoroso e as chuvas fizeram transbordar o rio, atraindo os moradores para o pescado. Por muito tempo, o povo comeu cambinda. Um peixe pequeno que só dá em água doce. Um dia, de tanto comer cambinda, algum morador da localidade deu a ideia: vamos formar um maracatu e ele terá o nome de Cambinda Nova. E assim ficou sendo chamado, enquanto pertenceu aos seus primeiros donos. Severino Lotero, além de dono, era o mestre. Quando ele abandonou, seu primo, João Fulosino, pegou o apito e também tomou conta do brinquedo. Passou então para João Lauro, seu cunhado.  João Lauro também não aguentou por muito tempo a responsabilidade e, então, o maracatu chegou nas mãos de João Estevão da Silva, o João Padre.</p>
<p>Contam que foi um desentendimento que fez o maracatu sair das mãos de João Lauro e ir pros cuidados de João Padre. Tanto é que Padre tirou o maracatu de Chã de Cazumbá, localizado no entorno do Engenho Cumbe, e o levou para dentro do Engenho, onde trabalhava no corte da cana. Ali, pediu permissão a Dona Rosinha Borba, matriarca da família, dona das terras todas. Antes de liberar a brincadeira, ela fez uma exigência: que o maracatu se chamasse Cambinda Brasileira, numa reverência à pátria. Foi Dona Rosinha que deu a primeira bandeira (o equivalente ao estandarte, em outras expressões) ao Cambinda Brasileira. E naquele mesmo ano, em 1918, o maracatu saiu pelas terras do Cumbe, em pleno domingo de Carnaval.</p>
<p>A primeira apresentação foi para a família de Dona Rosinha, depois o maracatu ganhou outras terras da Mata pernambucana. Era como se brincava no início: nos engenhos, no meio do canavial. Com os personagens que até hoje foram preservados: Catita, Mateu, Burra, Baianas (no começo, homens vestidos de baianas. Hoje as mulheres já brincam), Arreiama, Caboclos de guiada (lança) e o mestre, a tirar os versos na hora. O conjunto é o terno, formado por mineiro, porca (espécie de cuíca), gonguê, caixa e bombo. A Catita corria na frente, abrindo caminho, pedindo permissão pro dono da casa deixar o maracatu brincar. Permissão concedida, o maracatu entrava o engenho e fazia a festa dos moradores. Ali, os folgazões podiam receber comida, bebidas, e era só.</p>
<p>Para viabilizar a saída do maracatu, fazer as fantasias, instrumentos, pagar transporte, João Padre dava um jeito. Vendia bichos da sua criação (bode, porco, galinha), e passava o Livro de Ouro na vizinhança. Os moradores e donos de Engenho sempre doavam algum dinheirinho, que nunca dava para o gasto, mas que sempre foi, e continua sendo, muito grande. E foi assim, criando cinco filhos, que João Padre conseguiu manter o maracatu por cinco décadas, até cair doente e fazer, em seu leito de morte, os filhos lhe prometerem que o folguedo não iria se acabar.</p>
<p>Em janeiro de 2020, o Cambinda estava pronto para mais um Carnaval. Além da subvenção do Governo do Estado, o grupo pode contar agora com os recursos da bolsa mensal de Patrimônio Vivo – titulação recebida no concurso de 2019. O maracatu também começa a se exercitar no turismo cultural mais uma prática para sua sustentabilidade.</p>
<p>Em fevereiro, antes do Carnaval, dois ônibus cheios de turistas desembarcaram na sede do maracatu, no Engenho Cumbe, para assistir a uma apresentação exclusiva. Os visitantes quase derretiam com o calor e seus olhos brilhavam de encantamento. Sacavam máquinas e celulares para deixar tudo devidamente registrado. Familiares dos atuais dirigentes venderam água, cerveja e alguns salgados. Ainda não foi possível, mas está nos planos a compra de uma máquina de moer cana, para vender o caldo, com bolos e outros quitutes.</p>
<div id="attachment_76025" aria-labelledby="figcaption_attachment_76025" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/Maracatu-Cambinda-Brasileira-2_Foto-André-Sampaio.jpg"><img class="size-medium wp-image-76025" alt="PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/Maracatu-Cambinda-Brasileira-2_Foto-André-Sampaio-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Em 2019, o Cambinda Brasileira foi eleito Patrimônio Vivo de Pernambuco</p></div>
<p><b>PATRIMÔNIO VIVO – </b>Edilamar Lopes é a atual presidente do Cambinda. Nunca imaginou tal posto. Primeiro, por ser uma mulher, depois, pelo fato de ser, o maracatu, uma sociedade um tanto fechada, cujos cargos de liderança são geralmente confiados a pessoas da família. Edilamar, no entanto, tornou-se um membro de extrema confiança. Foi ela que, em 2005, elaborou e aprovou um projeto para transformar o Cambinda Brasileira num Ponto de Cultura. Sua força ao grupo continuou com Edilamar à frente da ecretaria de Cultura de Nazaré da Mata.  Em 2019, a gestora foi a responsável pelo projeto inscrito da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – Fundarpe, que deu ao grupo o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco.</p>
<p>Geógrafa com especialização em Turismo, Edilamar tenta agora uma gestão que, para além de considerar os aspectos simbólicos presentes na expressão, e na tradição do Cambinda, também estimule e incentive sua dimensão econômica. <em>“Hoje o grupo está conseguindo se estruturar na questão financeira, com toda diretoria, nas condições de estrutura física, com bar, banheiro. Estamos conseguindo fazer um trabalho voltado para sustentabilidade futura do grupo. Queremos fazer uma agenda a cada final de mês, com atividades, divulgar com as agências. Para fazer um trabalho voltado para o terreiro do maracatu, com uma renda para eles, através de um local com comidas e bebidas típicas, oficinas e apresentações”</em>, planeja a diretora.</p>
<p>A entrada de pessoas com perfil técnico vai fazendo diferença na gestão do Cambinda. Numa segunda sede do maracatu, que fica na cidade, o grupo elabora projetos na área de gestão, informática, entre outros que dialogam com os moradores da comunidade. O longo tempo e a brincadeira ininterrupta contribuíram para a produção de um expressivo material de mídia em torno do Cambinda. O grupo tem livros, reportagens especiais em jornais, um perfil atualizado nas redes sociais, e um documentário que está sendo finalizado sobre sua história. Tudo isso fortalece a tradição.</p>
<p><em>“A política para os Patrimônios Vivos, desde quando foi desenhada, surgiu para que a representatividade dos grupos e mestres fosse estendida. É preciso que haja disseminação da informação sobre eles para que esse legado seja entendido e repassado. A ideia é a transmissão de conhecimento, para que ele alcance cada vez mais um número maior de pessoas. A bolsa favorece a manutenção cotidiana desse grupos, mas ela precisa ser conduzida, aproveitada. A gestão dessa política, na unidade em que trabalho, na Fundarpe, busca continuar em contato com os grupos para saber se eles continuam desenvolvendo atividades que cheguem às comunidades. A gente monitora e diagnostica, visitando esses territórios, percebendo possíveis complicadores e fomentando outras formas de mídia”</em>, avalia o historiador Marcelo Renan, coordenador de Patrimônio Imaterial da Fundarpe.</p>
<p>Ele explica uma condição específica da lógica de funcionamento dos grupos de maracatu da Zona da Mata, que serve para uma reflexão importante sobre o funcionamento, a manutenção das atividades e a própria existência dos grupos. <em>“As comunidades de maracatu no interior festejam muito e fazem de suas sedes pontos de convivência. Não é uma situação de existir apenas no evento. Eles não perderam a condição da brincadeira. Os grupos de maracatu de baque solto têm um nível de organização invejável. A associação deles, por exemplo, tem mais de 30 anos. Eles agregam, tanto coletivamente quando individualmente”</em>, conta Marcelo.</p>
<p>De fato, numa sambada de maracatu de baque solto – eventos que eles promovem ao longo do ano, espécie de batalha de versos, que dura uma noite inteira – é comum que mestres e folgazões de grupos diferentes se encontrem e compartilhem da mesma festa. Mesmo morando em municípios diferentes, os brincantes frequentemente estão em contato um com o outro. É uma dinâmica que não é percebida, por exemplo, entre os brincantes do maracatu de baque virado, ou Nação, que são mais fechados para as atividades do seu próprio grupo, ficando quase que restritos aos períodos de Carnaval.</p>
<div id="attachment_76031" aria-labelledby="figcaption_attachment_76031" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/mestre-veronildo-cambinda-brasileira-foto-ph-reinaux.jpg"><img class="size-medium wp-image-76031" alt="PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/mestre-veronildo-cambinda-brasileira-foto-ph-reinaux-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Mestre Veronildo é quem comanda as sambadas do Maracatu Cambinda Brasileira</p></div>
<p><b>MESTRE E RELIGIÃO</b> – Existe uma rotatividade entre os mestres de um maracatu rural, o que retroalimenta a disputa – hoje pacífica e saudável – entre eles. Atualmente, o mestre de apito do Cambinda Brasileira é Veronildo, ele que comanda o terno e canta das loas, improvisa os versos. É a voz do maracatu. Ele conta que existe de fato um mercado de mestres de maracatu e o contrato firmado com o dono, ou a diretoria do grupo, é que define a relação.</p>
<p><em>“Muitos maracatus não cumprem o acordado, atrasam pagamento, isso faz com que a gente vá aceitando convite de outros. Eu mesmo já brinquei em dez maracatus, mas não gosto de ficar trocando. Mas tem diretoria que não se agrada, prefere pegar outro. Neste ano mesmo, eu fui convidado por três maracatus e me ofereceram até mais, mas não vou quebrar o contrato. Às vezes tem isso, oferecem mais e o mestre vai”</em>, conta o mestre. Veronildo conta que pretende continuar muitos anos no Cambinda, grupo pelo qual já passaram grandes mestres. Só dos que Veronildo consegue recordar foram:  Antônio Paulo Sobrinho, Barachinha, Antônio Roberto, Zé Flor, Biu Passinho, Carlos Antônio, Mestre Anderson, Mestre Davi e Canário Voador.</p>
<p>Mas não é a decisão do mestre, de ficar ou não, que define o destino de um maracatu rural. Acima de tudo, quem define é a espiritualidade. Pois todo maracatu tem seu guia, que está presente desde a sua fundação. Mesmo que, por alguma dificuldade, passe um tempo sem sair ou se apresentar, o maracatu continua existindo, guardado no segredo de suas lideranças encantadas. No Cambinda Brasileira, a missão de guardar e proteger o grupo está com Dona Biu, que também é a costureira e a bordadeira do grupo, desde os tempos de João Padre.</p>
<div id="attachment_76026" aria-labelledby="figcaption_attachment_76026" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/Dona-Biu-do-Cambinda.jpg"><img class="size-medium wp-image-76026" alt="PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/Dona-Biu-do-Cambinda-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Dona Biu, costureira e rezadeira do Cambinda, recebeu a função de João Padre, fundador do maracatu</p></div>
<p><em>“Quando começa janeiro, já começo os preceitos do maracatu. Cada ano tem uma mudança, porque cada ano é um santo. Esse ano quem domina é Iansã, a mulher do fogo, do trovão. Está muito agitado, está muito quente. Então, eu tento controlar, botar água, flores, ervas, manjericão, macassá, arruda. Isso traz força, força de paz. Eu saio, então, na calma, tenho controle. Quando chega um sujo no maracatu (que não fez as obrigações, nem guardou o corpo de sexo e bebida, antes do Carnaval), eu tiro, de corpo sujo não entra na agremiação. A agremiação está calçada com Jesus. Se chegar uma baiana, que fez uma coisa errada, quando chega dentro do maracatu, ela cai. Onde tem Deus, tem tudo, e a força primeiramente”</em>, ensina Mãe Biu.</p>
<p>O que ela diz corrobora com a visão do historiador Marcelo Renan sobre o motivo de existir de um maracatu. <em>“O maracatu não existe para se apresentar. Ele existe para a comunidade se organizar em torno dele. Ele não existe em função do palco. Maracatu Nação existe em função de um culto a uma entidade. Se o grupo quiser deixar de se apresentar em concursos, a religião vai dizer que o maracatu continua existindo. Essa dimensão simbólica não tem preço”</em>, coloca Marcelo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://www.cultura.pe.gov.br/o-passado-e-o-futuro-do-cambinda-brasileira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Gestores e povos de terreiro debatem sobre os patrimônios culturais de matriz africana</title>
		<link>https://www.cultura.pe.gov.br/gestores-e-povos-de-terreiro-debatem-sobre-os-patrimonios-culturais-de-matriz-africana/</link>
		<comments>https://www.cultura.pe.gov.br/gestores-e-povos-de-terreiro-debatem-sobre-os-patrimonios-culturais-de-matriz-africana/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Sep 2019 13:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fundarpe]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Secretaria de Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[1º Seminário de Patrimonialização e Musealização de Bens Culturais dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana]]></category>
		<category><![CDATA[gilberto freyre neto]]></category>
		<category><![CDATA[Secult/PE]]></category>
		<category><![CDATA[Sítio de Pai Adão]]></category>
		<category><![CDATA[Terreiro Obá Ogunté]]></category>
		<category><![CDATA[VII Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cultura.pe.gov.br/?p=71226</guid>
		<description><![CDATA[A 12ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco promoveu, no Recife, o 1º Seminário de Patrimonialização e Musealização de Bens Culturais dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, nos dias 29 e 30 de agosto, no terreiro Obá Ogunté, Sítio de Pai Adão, no bairro de Água Fria. A cerimônia de abertura contou com [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_71291" aria-labelledby="figcaption_attachment_71291" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2019/09/1-Seminário-de-Patrimonialização-e-Musealização-de-Bens-Culturais-dos-Povos-e-Comunidades-Tradicionais-de-Matriz-Africana-secult-pe-fundarpe-10.jpg"><img class="size-medium wp-image-71291" alt="Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2019/09/1-Seminário-de-Patrimonialização-e-Musealização-de-Bens-Culturais-dos-Povos-e-Comunidades-Tradicionais-de-Matriz-Africana-secult-pe-fundarpe-10-607x402.jpg" width="607" height="402" /></a><p class="wp-caption-text">Renata Borba (superintendente do Iphan), Manoel Papai (babalorixá do Sítio do Pai Adão) e Gilberto Freyre Neto (secretário estadual de Cultura) comandaram a mesa de abertura do evento, na última quinta-feira (29), em Água Fria</p></div>
<p>A 12ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco promoveu, no Recife, o 1º Seminário de Patrimonialização e Musealização de Bens Culturais dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, nos dias 29 e 30 de agosto, no terreiro Obá Ogunté, Sítio de Pai Adão, no bairro de Água Fria. A cerimônia de abertura contou com a participação do Babalorixá da casa, o Oguntêfaran do Sítio do Pai Adão, Manoel Papai; da superintendente do Iphan em Pernambuco, Renata Duarte Borba; e do secretário de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto.</p>
<p>O início do seminário foi marcado pela homenagem à Ifatinukê (Inês Joaquina da Costa), que fundou o primeiro terreiro de Xangô do Recife, lembrada este ano pelo centenário do seu falecimento.</p>
<p>Em seguida, a superintendente do Iphan em Pernambuco, Renata Duarte Borba; ressaltou a participação do Iphan no processo de tombamento do terreiro em âmbito Federal e na mobilização compartilhada entre o Iphan, a Fundarpe, e o próprio terreiro no processo de preservação do bem cultural “Nosso objetivo é que o terreiro se torne forte, sustentável e possa viver de sua própria tradição e de sua cultura”, ressaltou.</p>
<p>O secretário Gilberto Freyre Neto falou do desafio em manter um bem cultural de matriz africana protegido à disposição do público. <em>“Não vivemos um tempo bom, vivemos uma série de dificuldades e presenciamos um comportamento beligerante de parte da sociedade para com as religiões de matriz africana. Vamos trabalhar com harmonia em conjunto com as instituições que defendem o patrimônio, transmitir conhecimento de qualidade. Repassar tradição para outras gerações é um desafio, mas o fato de estarmos hoje aqui abrindo esse discurso na Semana do Patrimônio é um passo importante para garantir esse legado”</em>, colocou.</p>
<div id="attachment_71294" aria-labelledby="figcaption_attachment_71294" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2019/09/1-Seminário-de-Patrimonialização-e-Musealização-de-Bens-Culturais-dos-Povos-e-Comunidades-Tradicionais-de-Matriz-Africana-secult-pe-fundarpe-3.jpg"><img class="size-medium wp-image-71294" alt="Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2019/09/1-Seminário-de-Patrimonialização-e-Musealização-de-Bens-Culturais-dos-Povos-e-Comunidades-Tradicionais-de-Matriz-Africana-secult-pe-fundarpe-3-607x402.jpg" width="607" height="402" /></a><p class="wp-caption-text">O babalorixá Ivo Xambá e o secretário Gilberto Freyre Neto participaram das discussões do seminário</p></div>
<p>O babalorixá Ivo de Xambá ressaltou a importância dos terreiros de candomblé para afirmação do negro na sociedade. <em>“Não sou descendente de escravo, sou de africano, com muito orgulho. Toda sociedade brasileira descende de negros”</em>, disse . Ele abriu espaço em sua palestra para o historiador Hildo Leal da Rosa, pesquisador do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano, também membro da Comunidade Religiosa Xambá há vinte e seis anos, que apresentou dados sobre a perseguição religiosa aos candomblés e catimbós em Pernambuco, ressaltando o papel de liderança de alguns sacerdotes como o próprio Pai Adão e Maria Oyá em defesa das comunidades e dos seus terreiros.</p>
<p>Na parte da tarde a mesa redonda “O papel das mulheres e a resistência das tradições de matriz africana” tratou do legado de mulheres, enquanto lideranças de sociedades compostas a exemplo das casas de candomblé, destacando, por exemplo, nomes como Maria Oyá, na liderança do Ilê Asé Oyá Megê, nação Xambá e de Mãe Amara, que desde 1945 está à frente do Ilê Obá Aganju Okoloyá, no Bairro de Dois Unidos, no Recife. O debate foi mediado pela Coordenadora da Rede de Mulheres de Terreiro de Pernambuco, Vera Baroni, Iyagbassé do Ilê Obá Aganjú Okoloyá, que também apresentou dados que ressaltam a presença feminina enquanto liderança e o inverso paradoxo da invisibilidade da mulher negra na sociedade.</p>
<p>Em seguida, a Iyalorixá do Ilê Asé Oyá Idaianã, Maria Conceição da Silva, apresentou para os presentes um histórico das linhagens matriarcais do Sítio de Pai Adão, elemento marcante na condução religiosa no Recife. Por fim, a Omôrixá do Ilê Obá Aganju Okoloyá, Marília Gomes do Nascimento, Doutoranda no programa de Pós-Graduação em Sociologia na Universidade Federal de Pernambuco, ressaltou o papel das mulheres de terreiro e suas contribuições na organização social das comunidades e destacou a importância de Mãe Amara, que há 74 anos realiza em Dois Unidos o Amalá de Xangô, reconhecido em 2014, pelo Prêmio Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).</p>
<p>No encerramento, o público contou ainda com o espetáculo Nagô Éta Oyá Tundê, da bailarina e coreógrafa Helaynne Sampaio, Iyabá do Ilê Obá Aganju Okoloyá, que simboliza a relação de sua mãe com a orixá Oyá Tundê.</p>
<p dir="ltr"><strong>SEGUNDO DIA - </strong> As atividades do seminário, no segundo dia, trouxeram uma explanação de Juliana Cunha, historiadora do Iphan-PE, sobre o histórico do processo de patrimonialização de terreiros feitos pela instituição. Em seguida, o antropólogo Raul Lody, a arquiteta da Fundarpe Nazaré Reis, o antropólogo do Iphan-PE Giorge Bessoni e o Babalorixá Manoel Papai formaram uma mesa para rememorar o processo de tombamento estadual (1985) e federal (2018) do Terreiro Obá Ogunté, Sítio de Pai Adão. Destacou-se o papel fundamental de Raul Lody no primeiro processo, uma vez que foi dele o pedido e a justificativa no processo que instruiu o tombamento estadual do Sítio de Pai Adão. Segundo Juliana Cunha, os pedidos de tombamento de terreiros na Bahia a partir dos anos 80, serviram como exemplo para provocar e referenciar o processo estadual, em 1985, do pedido de tombamento do Sítio de Pai Adão.</p>
<p>Para historiador e Coordenador de Patrimônio Imaterial da Fundarpe e um dos curadores do evento, Marcelo Renan “a mesa de hoje se resumiu a uma publicização do processo de tombamento para o Sítio de Pai Adão, na devolutiva do Iphan e da Fundarpe sobre como tem sido trabalhada a gestão dos terreiros, do ponto de vista de obras e fiscalização”. A respeito dos avanços neste campo, citando a apresentação de Giorge Besoni, indica que a criação de um comitê gestor formado pelo Sítio de Pai Adão e pelos órgãos de preservação (Iphan e Fundarpe) se constitui como a inovação já experimentada para a gestão do patrimônio imaterial e que pode resultar na preservação efetiva tanto dos elementos materiais como imateriais que existem no terreiro.</p>
<div id="attachment_71295" aria-labelledby="figcaption_attachment_71295" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Fernado Figueirôa/Secult-PE/Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2019/09/1-Seminário-de-Patrimonialização-e-Musealização-de-Bens-Culturais-dos-Povos-e-Comunidades-Tradicionais-de-Matriz-Africana-secult-pe-fundarpe-4.jpg"><img class="size-medium wp-image-71295" alt="Fernado Figueirôa/Secult-PE/Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2019/09/1-Seminário-de-Patrimonialização-e-Musealização-de-Bens-Culturais-dos-Povos-e-Comunidades-Tradicionais-de-Matriz-Africana-secult-pe-fundarpe-4-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">O segundo dia contou com uma discussão sobre o processo de tombamento do Sítio do Pai Adão</p></div>
<p><strong>LEGADO -</strong> Além de técnicos do Iphan, Fundarpe, e do povo do terreiro, o seminário atraiu também pesquisadores, como Maíra Dias, museóloga da Universidade Federal da Paraíba, doutoranda no programa de Ciência das Religiões da UFPB. <em>“Um seminário como esse é objeto novo, ainda há muito que ser estudado nesse campo da religião e patrimônio. As pessoas ainda não se apropriaram desse conceito de patrimônio, então tem uma demanda do campo acadêmico para esse tipo de reflexão, mas demanda também de outros formatos mais acolhedores para comunidade”</em>, diz a pesquisadora.</p>
<p>Porque as comunidades, segundo ela, já fazem esse trabalho de resistência. <em>“Esse trabalho de patrimônio feito pelos técnicos vem somar ao da comunidade, pois todo processo oral, de respeito às hierarquias, de aprender com os mais velhos, quem olha de fora pode dizer, isso é educação patrimonial. Agora é hora de cruzar, o que as instituições de preservação do patrimônio fazem, com o que esses terreiros já fazem &#8211; e chegar num caminho do meio para ter uma continuidade na preservação desse patrimônio”</em>, reflete Maíra.</p>
<p>Durante a tarde, o seminário aprofundou a discussão sobre a guarda dos objetos sagrados nos museus, e sobretudo a guarda dos objetos que foram confiscados dos terreiros, no período em que foram fechados pela polícia da capital, na ditadura do Estado Novo.</p>
<p>Daiane Carvalho, do Museu da Abolição, fez uma palestra sobre o Processo de Repatriação Digital do Acervo Confiscado de Terreiros realizado em parceria com Charles Martins, que, com o incentivo do Funcultura, mapeou e registrou digitalmente as peças do Xangô pernambucano saqueadas nos anos 1930, e que hoje compõem o Acervo Mário de Andrade, guardado pelo Centro Cultural São Paulo (CSSP). Em maio de 2018, o Museu da Abolição montou a exposição “Repatriação Digital do Acervo Confiscado nos Terreiros”, exibindo a catalogação digital de mais de 400 peças pertencentes aos terreiros saqueados no Estado, na década de 1930. O material está disponível <a href="http://www.museuafrodigital.com.br/repatriacaodigital/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p>Para Nazaré Reis, arquiteta, urbanista, gestora da Unidade de Obras da Fundarpe e uma das curadoras do evento, <em>“o seminário evidenciou um panorama da história da resistência religiosa dos povos de matriz africana a partir da sua chegada aos portos brasileiros: o protagonismo feminino, como disfarçaram seus rituais, na construção de seus espaços de celebração, nas fugas da polícia, sendo privados de seus objetos sagrados ou escondendo seus artefatos na palha dos galinheiros e na Gameleira Sagrada do Obá Ogunté, sob a proteção do Orixá Iroco”</em>.</p>
<p>Segundo ela, esse panorama representa o muito que deve ser trabalhado para reorientar o trabalho de instituições como a Fundarpe e o Iphan. <em>“Além dos aspectos históricos de perseguição e violação de direitos, também foram apresentados pelos anfitriões do seminário ações de proteção da memória afro-brasileira que resistem e existem nas comunidades de candomblé. Porém, o tema não se esgota. O que inicialmente seria uma mesa redonda rapidamente evoluiu para um grande e produtivo seminário. Muitos outros virão”</em>, afirmou Nazaré Reis.</p>
<p><strong>DEMANDAS</strong> &#8211; Pai Ivo de Xambá propôs ao secretário de Cultura de Pernambuco, ao final da palestra: instituir um dia para celebrar o guardião de Pernambuco dentro das referências do candomblé, que seria o Dia de Xangô ou Iemanjá.<em> “Para mostrar que a religião africana é legítima. A gente não quer mudar a fé de ninguém, a gente quer respeito. Por isso mesmo não queremos falar sobre intolerância religiosa, pois não queremos ser tolerados, queremos respeito”</em>, disse Pai Ivo.</p>
<p>Já o babalorixá Manoel Papai contou que, para a manutenção da língua iorubá (falada entre os religiosos das nações nagô e ketu), e de outros costumes como a própria religião, as comidas, as danças, e as roupas, o Sítio de Pai Adão visa a criação de uma escola dentro do terreno do terreiro. “A escola tem que ser aqui dentro, porque a gente quer que esses meninos continuem falando em ioruba”, disse o babalorixá.</p>
<p>O secretário Gilberto Freyre Neto sugeriu que do seminário fosse retirado a minuta de um documento para que baseie um projeto de lei para a proposta. <em>“Podemos conduzir esse projeto de lei, e entrar nesse discurso de forma muito objetiva, mandaremos uma mensagem forte à sociedade”</em>, disse o gestor.</p>
<p>Ao término do seminário, o babalorixá Ivo da Xambá fez a leitura da uma carta-aberta produzida durante o evento, endereçada aos gestores públicos do Estado de Pernambuco, cobrando o cumprimento de metas já previstas nos Planos Estaduais de Educação, Cultura e Promoção de Igualdade Racial, e ainda, destacando pontos importantes referentes aos processos de salvaguarda do patrimônio Cultural Afro-religioso em Pernambuco. O documento será revisado por uma comissão formada pelos terreiros participantes do seminário e deverá seguir para os órgãos da administração estadual. Confira <a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2019/09/Carta-Aberta.docx" target="_blank"><strong>aqui</strong></a> o texto na íntegra.</p>
<p><strong>PERSEGUIÇÕES -</strong> Em Pernambuco, os adeptos das religiões de entidades e divindades sofreram severas perseguições em diferentes períodos da história, sendo mais intensa e violenta a atuação da polícia no período do Estado Novo, sob as instruções de Getúlio Vargas (1937 – 1945).</p>
<p>No Estado, vários terreiros foram atingidos pelas ordens oficiais e tiveram vários de seus objetos retirados de seus locais sagrados, sendo quebrados, amontoados e queimados em praça pública. Apenas uma pequena parte deles foi encaminhada às delegacias e à Secretaria de Segurança Pública. Grande parte desse material remanescente foi cedido à Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, quando o escritor e pesquisador esteve no Recife em 1938. Nos períodos posteriores, até 1978, exigia-se dos terreiros o registro especial das “Sociedades Religiosas” para funcionamento restrito a dias previamente autorizados e sob fiscalização policial. Somente com o processo de redemocratização do país, a Constituição Federal de 1989 trouxe no seu artigo nº 5, no inciso VI a indicação de que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.</p>
<p><strong>RESULTADOS -</strong> Os textos e apresentações apresentados no Seminário serão publicados em sessão especial na Revista Aurora 463 – Revista da Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://www.cultura.pe.gov.br/gestores-e-povos-de-terreiro-debatem-sobre-os-patrimonios-culturais-de-matriz-africana/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

