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	<title>Portal Cultura PE &#187; biografia</title>
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		<title>Livro da Cepe imortaliza o ator e ativista Pernalonga</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Oct 2023 14:24:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antonio Roberto de Lira França (1959-2000) é a personificação do anti-herói. Em sua efêmera existência deixou um legado de defesa da liberdade sexual, política e social em tempos opressores e ditadores. Negro, soropositivo, pobre, semianalfabeto, estapeou o preconceito com a mesma energia dedicada ao teatro, à cultura e às pessoas que amou. Formou-se na boêmia, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_105717" aria-labelledby="figcaption_attachment_105717" class="wp-caption img-width-324 alignnone" style="width: 324px"><p class="wp-image-credit alignleft">Ana Farache/Divulgação</p><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/Pernalonga_Crédito_Ana-Farache-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-105717" alt="Ana Farache/Divulgação" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/Pernalonga_Crédito_Ana-Farache-1-324x486.jpg" width="324" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Pernalonga</p></div>
<p>Antonio Roberto de Lira França (1959-2000) é a personificação do anti-herói. Em sua efêmera existência deixou um legado de defesa da liberdade sexual, política e social em tempos opressores e ditadores. Negro, soropositivo, pobre, semianalfabeto, estapeou o preconceito com a mesma energia dedicada ao teatro, à cultura e às pessoas que amou. Formou-se na boêmia, em que conheceu intelectuais como Jomard Muniz de Britto. Nunca foi de interpretar um só papel nesta vida. Foi ator, dançarino, arte-educador, militante das causas LGBTQIAPN+. Participou de peças e ações educativas para conscientização sobre HIV e aids no tempo em que muita gente ainda achava que o vírus contaminava só de respirar.<br />
Antonio Roberto ficou mais conhecido pelo apelido, o mesmo que dá nome ao título <em>Pernalonga: Uma Sinfonia Inacabada</em> (Cepe Editora), primeiro livro do jornalista Márcio Bastos, que foi setorista de artes cênicas nos jornais locais durante dez anos e atualmente estuda a área em sua pesquisa de mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A obra faz parte da <em>Coleção Perfis</em> e é lançada nesta sexta-feira (13), às 19h, no Auditório Círculo das Ideias da 14ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.<br />
“Foi um ator criativo, agitador e ativista que fez da sua experiência material empírico para a sua arte, mas nunca uma camisa de força para o seu talento”, escreve Márcio em uma das 204 páginas do livro. Vinte delas dedicadas a fotografias de várias fases da vida do ator. Imagens que ajudaram a imortalizar a defesa da liberdade em contraponto à caretice vigente no life style bipolar recifense em que vanguarda e conservadorismo se encontram na esquina do contraditório.<br />
Nome dos mais citados quando se fala do Grupo de Teatro Vivencial Diversiones, que revolucionou a cena teatral pernambucana nos anos 1970, Pernalonga ainda é um protagonista pouco conhecido da narrativa do mundo real. Difícil encontrar conteúdos mais aprofundados sobre sua vida e produção artística. “Esse, inclusive, foi um dos desafios dessa pesquisa: resgatar a carreira de Pernalonga para além do Vivencial”, revela o jornalista, que se deparou com muitos fatos impossíveis de serem checados. Para contornar essa dificuldade Márcio apresenta as várias versões que lhe foram apresentadas.</p>
<div id="attachment_105718" aria-labelledby="figcaption_attachment_105718" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Ana Farache/Divulgação</p><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/Nós-mulheres_Crédito_Ana-Farache.jpg"><img class="size-medium wp-image-105718" alt="Ana Farache/Divulgação" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/Nós-mulheres_Crédito_Ana-Farache-607x417.jpg" width="607" height="417" /></a><p class="wp-caption-text">Espetáculo teatral Nós, Mulheres</p></div>
<p>Unanimidade, porém, é sua importância incontestável para o teatro pernambucano. Além de seu trabalho no Vivencial Diversiones, Pernalonga protagonizou peças como <em>7 Fôlegos</em>, escrita por Jomard Muniz de Britto; <em>O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna</em> e <em>Chico Rei</em>, ambas do grupo Teatro Ambiente do MAC. Pela primeira recebeu o Troféu Espontâneo de Melhor Ator Coadjuvante.<br />
O reconhecimento, infelizmente, não encontrou o ator em vida, mas chegou com a criação do Prêmio Roberto de França (Pernalonga) de Teatro, idealizado pelo Governo de Pernambuco em 2017 para incentivar artistas e coletivos teatrais. O filme <em>Tatuagem</em> (2013), de Hilton Lacerda, segundo Márcio, é outro exemplo da potência que o imaginário de Pernalonga e seus companheiros ainda incita. O teatro olindense onde se apresentou tantas vezes, no qual investiu tempo e dinheiro, e que, na última fase da vida, conseguiu também administrar, agora chama-se Teatro do Bonsucesso — Roberto de França Pernalonga.<br />
“Pernalonga transmutou-se quase em um mito olindense, um tipo de personagem que se funde à paisagem urbana e à identidade de uma cidade, como o poeta Miró da Muribeca e a travesti Lolita para o Centro do Recife, e Madame Satã, nascida em Pernambuco mas símbolo da Lapa no Rio de Janeiro”, compara o autor.</p>
<div id="attachment_105719" aria-labelledby="figcaption_attachment_105719" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Marlon Diego/Divulgação</p><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/Márcio-Bastos-Crédito_Marlon-Diego-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-105719" alt="Marlon Diego/Divulgação" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/Márcio-Bastos-Crédito_Marlon-Diego-1-607x486.jpg" width="607" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">O jornalista Márcio Bastos</p></div>
<p>Sua morte precoce e trágica &#8211; vítima de latrocínio &#8211; abreviou muitas outras peças teatrais e sabe-se lá mais quantos projetos culturais. Márcio até consegue conceber: “É possível imaginar Perna brilhando no novo ciclo do cinema pernambucano, repetindo o magnetismo que expressou quando foi filmado por Jomard Muniz de Britto. Não é arriscado afirmar o quão combativo Pernalonga seria diante do recrudescimento da intolerância, do autoritarismo e de retrocessos em conquistas de minorias sociais”, pontua o jornalista.<br />
Antes do lançamento, o autor participará da mesa As Muitas Vidas de Pernalonga, ao lado de Rosângela Lira (irmã de Pernalonga) e com mediação do jornalista e pesquisador teatral Leidson Ferraz.</p>
<p><strong>Serviço:</strong></p>
<p><strong>Lançamento do livro <em>Pernalonga: Uma Sinfonia Inacabada</em> (Cepe Editora) -</strong> <em>sexta-feira (13), às 19h, no Auditório do Círculo das Ideias da 14ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco (Centro de Convenções, Olinda). Preço do livro: R$ 50 (impresso) e R$ 20 (e-book)</em></p>
<div id="attachment_105720" aria-labelledby="figcaption_attachment_105720" class="wp-caption img-width-323 alignnone" style="width: 323px"><p class="wp-image-credit alignleft">Cepe/Divulgaçãio</p><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/Capa-Pernalonga.jpg"><img class="size-medium wp-image-105720" alt="Cepe/Divulgaçãio" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/Capa-Pernalonga-323x486.jpg" width="323" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do livro Pernalonga: Uma Sinfonia Inacabada</p></div>
<p><em id="__mceDel"> </em></p>
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		<title>Livro da Cepe conta a história da Soparia, a casa da música pernambucana nos anos 1990</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Oct 2023 17:59:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A efervescência cultural pernambucana dos anos 1990, principalmente no campo da música, tinha um epicentro: a Soparia. A história do icônico bar de Roger de Renor, no bairro do Pina (Zona Sul do Recife), é contada pelo jornalista José Teles no livro Soparia: De Boteco a Palco de Todos os Sons. A publicação é lançada [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_105609" aria-labelledby="figcaption_attachment_105609" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Leopoldo Conrado Nunes/Divulgação</p><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/José-Teles-Roger-de-Renor-Foto-de-Leopoldo-Conrado-Nunes-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-105609" alt="Leopoldo Conrado Nunes/Divulgação" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2023/10/José-Teles-Roger-de-Renor-Foto-de-Leopoldo-Conrado-Nunes-2-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">José Teles e Roger de Renor</p></div>
<p>A efervescência cultural pernambucana dos anos 1990, principalmente no campo da música, tinha um epicentro: a Soparia. A história do icônico bar de Roger de Renor, no bairro do Pina (Zona Sul do Recife), é contada pelo jornalista José Teles no livro <em>Soparia: De Boteco a Palco de Todos os Sons</em>. A publicação é lançada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), nesta sexta-feira (6), às 16h, no Auditório Círculo das Ideias da 14ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. No lançamento Teles e Roger participam do bate-papo Soparia: A Biografia de um Bar e de uma Cena, mediado pela jornalista Valentine Herold, editora-assistente do jornal literário Pernambuco (Cepe).<br />
“Todo mundo que fazia arte baixava lá”, afirma Teles referindo-se à Soparia. De acordo com o autor, Chico Science (1966-1997) era um dos habitués da casa onde também passaram muitas outras pessoas da música &#8211; Otto, Silvério Pessoa, Maciel Melo, Sivuca, Hermeto Pascoal, Fagner e Herbert Vianna, por exemplo -, das artes plásticas e do cinema, seja para se apresentar, dar uma canja (sic), acompanhar shows, beber ou apenas conversar. Teles conclui que “no geral, a programação (do bar) acontecia na base da imprevisibilidade” e que “a maioria dos que frequentavam a Soparia nem se preocupava em saber o que rolaria por lá”. Quase todos confessaram que iam ao bar “para se encontrar com os amigos”.<br />
Para resgatar a história Teles foi atrás não só dos famosos, mas de quem fazia o estabelecimento funcionar, como a produtora cultural Paula de Renor &#8211; irmã e braço-direito de Roger no negócio -, garçons;,seguranças, e frequentadores do bar. E o que se vê nas 212 páginas do livro, com cerca de 50 imagens, é resultado de dezenas de entrevistas, pesquisas em jornais antigos e em trabalhos acadêmicos, além de análise de material de divulgação do bar e de fotografias.<br />
A Soparia foi aberta por Roger de Renor em 1992. Começou a funcionar sem a pretensão de ser o que se tornou. Alguns fatores contribuíram para se transformar em referência cultural. Um deles, as frequentes canjas (sic) dadas por Lula Cortês, músico já consagrado. “Tocar num lugar onde uma lenda da música pernambucana se apresentava tornou-se objeto de desejo para qualquer jovem músico. E não apenas de Pernambuco”, diz no livro. Outro fator foi a Maré de 73 Lançamentos, como ficou conhecida a “histórica noitada mangue, que ocorreu no dia 14 de novembro de 1992, com Mundo Livre S/A e Chico Science &amp; Nação Zumbi”. Além da apresentação das duas bandas, o evento contou com exibição de clipes e de um documentário chamado Mangue, chancelando a Soparia como a casa da nova música pernambucana. A partir daí subiram ao palco grupos como Mombojó, Mestre Ambrósio, Cascabulho, Comadre Florzinha, Paulo Francis Vai pro Céu e Querosene Jacaré.<br />
Em 25 de março de 1999 o bar encerrou as atividades. O fechamento atraiu milhares de pessoas. “Tanto pelo bota-fora como pelo sucesso que fazia na cidade a principal atração, Cordel do Fogo Encantado”, destaca Teles. Após virar a noite, no dia seguinte Roger fechou o ciclo do bar. Baixou a porta e pichou “Cadê a Sopa?”, a frase mais ouvida ao longo da história do estabelecimento, que não servia apenas música, mas também sopa aos amantes da noite.<br />
Para Teles, Roger “aproveitou o timing perfeito” para fechar a Soparia. E não fez isso por falta de público. “Se fosse por frequência a maioria dos donos de bar teria continuado até a fonte secar”, avalia. Sobre isso Roger afirma, em entrevista para o livro, que a badalação sobre a Soparia aumentou após a morte de Chico Science, ocorrida em 2 de fevereiro de 1997, atraindo novos negócios para o Polo Pina e, consequentemente, mais pessoas e problemas. “Começou a chegar uma galera pesada para o local. Eu entendo de juntar gente por meio da música. As pessoas que estavam vindo ali não fui eu que juntei. Foram trazidas por telefone sem fio. Era outra coisa. Aí resolvi fechar enquanto estava em cima. Quando as pessoas entendessem [o que tinha mudado] já teria queimado meu filme”, diz Roger.<br />
O livro não se limita à história da Soparia. Teles aponta os bares da época do Soparia e de décadas anteriores. Dos anos 1970, por exemplo, lembra do Beco do Barato, no qual inicialmente passaram sambistas cariocas – Clementina de Jesus, Cartola, Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Grande Otelo – e posteriormente virou referência para a psicodelia pernambucana, o chamado udigrudi. Dessa turma, o Beco do Barato recebeu apresentações de Flaviola e das bandas Tamarineira Village (futura Ave Sangria) e Phetus. Sobre os arredores do Soparia, nos anos 1990, o livro resgata dados de bares como o Satchmo, localizado na Galeria Joana d’Arc, o Oficina Mecânica e o Boratcho.<br />
Teles adianta que o livro não lista todos os bares contemporâneos do Soparia. “Mas quem não a viveu terá uma ideia do que foi a Soparia. No Recife nunca teve um bar feito a Soparia. Acho que nem no Brasil. O bar foi alto e baixo astral, Woodstock e Altamont ao mesmo tempo”, pontua. Nele cabia diferentes vozes e ritmos. E <em>Soparia: De Boteco a Palco de Todos os Sons</em> retrata bem o espaço democrático e aparentemente caótico do bar que mereceu as páginas do New York Times em 1997 e 2001. Não por acaso a Soparia tinha uma atmosfera própria, uma cenografia única, com sua radiola de ficha, o cachorro de gesso, o quadro da sereia e seu inconfundível sofá vermelho.</p>
<p><strong>Serviço:</strong></p>
<p><strong>Lançamento do livro <em>Soparia: De Boteco a Palco de Todos os Sons</em>, de José Teles -</strong> <em>sexta-feira (6), às 16h, no Auditório Círculo das Ideias da 14ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco (Centro de Convenções, Olinda). Preço do livro: R$ 50 (impresso) e R$ 20 (e-book)</em></p>
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		<title>Cepe lança biografia de Alceu Valença</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jun 2023 14:26:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cantor, compositor, instrumentista, poeta, diretor de cinema, ator e advogado. “Sou um grande poeta, tenho certeza disso”, prefere resumir o pernambucano ilustre, em trecho do livro Pelas ruas que andei &#8211; Uma biografia de Alceu Valença. Assinado pelo carioca Julio Moura &#8211; assessor de imprensa e desde 2009 -, o livro revela histórias de vida [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_72647" aria-labelledby="figcaption_attachment_72647" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe</p><a href="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2019/11/alceu-valença-foto-costa-neto-secult-pe-fundarpe.jpg"><img class="size-medium wp-image-72647" alt="Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe" src="https://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2019/11/alceu-valença-foto-costa-neto-secult-pe-fundarpe-607x430.jpg" width="607" height="430" /></a><p class="wp-caption-text">A biografia de Alceu Valença também é assinada pelo jornalista Julio Moura, assessor de imprensa do artista pernambucano desde 2009</p></div>
<p>Cantor, compositor, instrumentista, poeta, diretor de cinema, ator e advogado. “Sou um grande poeta, tenho certeza disso”, prefere resumir o pernambucano ilustre, em trecho do livro <em>Pelas ruas que andei &#8211; Uma biografia de Alceu Valença</em>. Assinado pelo carioca Julio Moura &#8211; assessor de imprensa e desde 2009 -, o livro revela histórias de vida e carreira de Alceu Valença &#8211; juntas e misturadas &#8211; ao longo dos 50 anos de palco, teatro, cinema, picadeiro, tapume e meio de rua. “Poeta e trovador, seu discurso confronta o lugar comum. Sua personalidade inquieta se reflete na obra. E coube a mim, de alguma maneira, traduzir tudo nesse livro”, declara o escritor.</p>
<p>Se da vida tirou músicas, com elas fez a vida, Brasil e mundo afora, como contam as 562 páginas do livro sobre o filho de São Bento do Una, de 76 anos. A trajetória cronológica se faz completa com riqueza de fotografias. O lançamento ocorre dia 27 de junho, às 19h, no Paço do Frevo, com sessão de autógrafos e bate-papo com o autor, mediado pela jornalista Luiza Maia. A presença do biografado já está confirmada. Outros dois lançamentos, no Rio de Janeiro (Livraria Travessa do Shopping Leblon) e em São Paulo (Itaú Cultural), estão marcados para os dias 25 e 27 de julho, respectivamente.</p>
<p>Parceria da Relicário Produções Culturais e Editoriais e da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), sob coordenação editorial de Carla Valença, o projeto é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura com patrocínio do Banco Itaú, apoio da Uninassau e realização do Ministério da Cultura. A obra tem versões impressa, digital e ainda um audiolivro (disponível em audiolivro.art.br), adaptado aos requisitos de acessibilidade e pensado com recursos extras para os fãs do formato. A narração é de Amanda Menelau, Bernardo Valença, Giordano Castro e Nínive Caldas.</p>
<p>O autor de hits como<em> La belle de jour</em>,<em> Tropicana</em>, <em>Bicho Maluco Beleza</em>, <em>Espelho cristalino</em>, <em>Coração bobo</em> e tantas mais é “complexo, irreverente e singular, original, sem escola”, define Julio. Totalmente abstêmio nos dias atuais, já gostou de beber, mas não curtiu drogas. Nunca gostou da “viagem”. Viajou mesmo foi pelo Brasil e por meio mundo, espalhando seu repertório em turnês internacionais. Já tocou na Alemanha, França, Suíça e em Portugal, Berlim, Munique, Colônia, Paris, Zurique e Lisboa. Sem falar no carnaval de Olinda, onde é comum dar uma canja na sacada de sua casa. A Marim dos Caetés é não apenas morada, mas também cidade-musa, a quem Alceu se declara em verso em prosa. “Tenho uma relação poético-sentimental com esta terra. Essa cidade é o berço da civilização pernambucana, nordestina e brasileira. Nunca poderão me tirar a cidadania olindense”, declara o cantor.</p>
<p>A criança de São Bento já antevia o artista: gostava de cinema, música, literatura, teatro &#8211; embora a primeira experiência rítmica, com um pandeiro, tenha sido desaprovada pelo exigente e talentoso avô Orestes. Daí seus marcantes figurinos e sua performance nos palcos. Já se vestiu de burrinha de bumba meu boi e incorporou Napoleão com os devidos trajes coloniais. Antes, porém, tentou “atuar” como advogado. Cursou a Faculdade de Direito do Recife e até em Harvard fez curso. Mas logo desistiu do terno e gravata e da americanização. Queria mesmo era a arte. Sempre foi mais de carne de sol do que de hambúrguer. Preferia Luiz Gonzaga, Lampião, Nelson Ferreira, Capiba e Jackson do Pandeiro a Mick Jagger.</p>
<p>Mas teve que ralar para conseguir gravar um disco. Participou dos festivais de música, recebeu algumas vaias, passou os anos 70 batendo na porta das gravadoras Sudeste afora. Foi desencorajado por muitos. “Vocês deviam ter aparecido há cinco anos, quando a música nordestina estava em alta”, chegaram a ouvir de produtores, no tempo em que música vinda do Nordeste era regional e ponto final. Na época da ditadura militar, enfrentava os confusos censores de letras de música, via muitos amigos se exilarem ou serem presos e ainda concorria com a produção importada que ocupava a programação das rádios. “Em parte é boa essa poluição. Porque todo micróbio cria anticorpos. Ninguém está fechado a coisa nenhuma. Simplesmente a aculturação não pode ser tão rápida”, disparou o cantor.</p>
<p>Eis que a roda da sorte girou para o são-bentense. “Depois de praticamente uma década de militância underground, Alceu Valença fazia sucesso popular naqueles 1980. Seu disco Coração bobo encaminhava-se para a marca de 750 mil cópias vendidas, superior às 700 mil de Maria Bethânia e às 600 mil de Chico Buarque”, escreve Julio.</p>
<p>Seu repertório sempre foi de coco, maracatu, forró e frevo, que misturava com guitarra e bateria, em um estilo de som pré-manguebeat. “Com Jackson, aprendi a dividir melhor, a cantar com mais ritmo, a dividir as palavras, as inflexões. Comecei a cantar mais forró, porque antigamente eu pegava as minhas músicas e botava muito rock dentro. Claro que era música de raiz, totalmente nordestina, mas os ataques e a bateria eram pesados demais. A partir dele, veio o suingue da minha música”, reflete Alceu.</p>
<p>Defensor da cultura nordestina, não deixou por menos quando um repórter certa vez sugeriu uma oposição entre “a arte pobre do Nordeste versus o esplendor do Sul maravilha”: “Quem pensar assim está enganado, primeiro porque a arte do Nordeste não é pobre, é rica mesmo. Depois, o desenvolvimento material de uma região não está obrigatoriamente atrelado ao desenvolvimento artístico. Se fosse assim, Picasso seria inferior a qualquer artista norte-americano”, devolveu.</p>
<p>“Alceu Valença canta com todo o seu corpo. Ele nos faz percorrer sua terra natal com voz fanhosa e rouca como a dos cantadores populares que se escutam nas feiras e mercados do interior do país, ou doce, como a dos homens do litoral. Ele canta de todas as formas de que dispõe. E, se o olhar dos espectadores acha o instrumental reduzido, Alceu nos faz sentir que os recursos são infinitos, pois com ele tudo vira música”, derrete-se a jornalista francesa do <em>Libération</em>, Dominique Dreyfus, biógrafa de Luiz Gonzaga e Baden Powell. É ela quem assina o prefácio do livro.</p>
<p>Na narrativa de <em>Pelas ruas que andei &#8211; Uma biografia de Alceu Valença</em>, Julio Moura acaba por prestar uma reverência ao jornalismo cultural, sua escola profissional e em franca derrocada. Repousam na obra recortes de críticas e entrevistas assinadas por jornalistas de vários estados brasileiros e outros países, extraídos a partir de minuciosa pesquisa em hemerotecas. Através delas, o leitor pode passear pela forma como era descoberto e apresentado o artista pernambucano, em eras nas quais a informação era mais concentrada.</p>
<p>Faixa obrigatória na trilha sonora da vida de muitos brasileiros, Alceu recentemente viu os versos de Anunciação, de 1983, se tornarem hino, quase 40 anos depois, em 2022, dos que desejaram novos rumos políticos para o país, entoando, emocionados, os versos Tu vens, Tu vens/ eu já escuto teus sinais. E eis que Valença, ídolo da geração anos 1980, se torna também ícone das gerações mais recentes, dos Ys, Zs e Alfas.</p>
<p><strong>Serviço</strong><br />
Lançamento do livro Pelas ruas que andei &#8211; Uma biografia de Alceu Valença (Cepe Editora)<br />
Preço: R$ 70 (livro impresso); R$ 35 (e-book); 49,90 (compra do audiolivro); R$ 20 (assinatura do audiolivro)</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Recife</strong></span><br />
Quando: 27 de junho<br />
Onde: Paço do Frevo (Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Recife)<br />
Horário: 19h<br />
Acesso gratuito</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Rio de Janeiro</strong></span><br />
Quando: 25 de julho<br />
Onde: Livraria Travessa do Shopping Leblon (Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205, Rio de Janeiro)<br />
Horário:19h<br />
Acesso gratuito</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">São Paulo</span></strong><br />
Quando: 27 de julho<br />
Onde: Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, Bela Vista, São Paulo)<br />
Horário: 19h<br />
Acesso gratuito</p>
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		<item>
		<title>Cepe edita biografia sobre Tarcísio Pereira, fundador da Livro 7</title>
		<link>https://www.cultura.pe.gov.br/cepe-edita-biografia-sobre-tarcisio-pereira-fundador-da-livro-7/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Jul 2022 21:49:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Serviço Cultural]]></category>
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		<category><![CDATA[livro 7]]></category>
		<category><![CDATA[tarcísio pereira]]></category>

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		<description><![CDATA[Tarcísio Pereira, o homem que na década de 1990 conduziu a maior livraria do Brasil, tem o seu perfil publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). O título foi escrito pelo jornalista Homero Fonseca e apresenta a trajetória do livreiro e da icônica Livro 7, inaugurada no Recife em 27 de julho de 1970 e [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/Tarcisio-Pereira-Capa.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-95594" alt="" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/Tarcisio-Pereira-Capa-353x486.jpg" width="353" height="486" /></a></p>
<p>Tarcísio Pereira, o homem que na década de 1990 conduziu a maior livraria do Brasil, tem o seu perfil publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). O título foi escrito pelo jornalista Homero Fonseca e apresenta a trajetória do livreiro e da icônica Livro 7, inaugurada no Recife em 27 de julho de 1970 e fechada em 2000. O lançamento será quarta-feira (27), às 19h, no Paço do Frevo, localizado no Bairro do Recife, e remete à data de fundação da livraria. É aberto ao público, com apresentação de orquestra de frevo e homenagens de amigos.</p>
<p><em>“Mesmo sem ter sido um criador de conteúdo, Tarcísio teve a maior importância na vida cultural de Pernambuco”</em>, destaca Homero Fonseca, ao falar sobre a publicação Tarcísio Pereira &#8211; Todos os livros do mundo, da Cepe Editora. Ele nasceu em Natal (RN), migrou para o Recife com a família, ainda adolescente, e morreu em 25 de janeiro de 2021, aos 73 anos, por complicações da covid-19. Na capital pernambucana, também foi editor e atuou como superintendente de Marketing e Vendas da Cepe.</p>
<p>A publicação, com 308 páginas, traz relatos de parentes, amigos, ex-funcionários e admiradores do livreiro, que se vestia de azul da cabeça aos pés<em>. “O homem de azul se tornou a persona de Tarcísio, isto é, sua imagem pública. Uma imagem que começou espontaneamente, mas logo seria consolidada numa construção milimétrica. Um conjunto formado por vários elementos: gosto, comodidade, moda, superstição, marketing”</em>, escreve Homero Fonseca num trecho do livro.</p>
<p>O trabalho é o resultado de um ano de pesquisa e estudo, informa o autor, que optou por fazer um perfil biográfico, “com os rigores possíveis de uma biografia e toques de ensaio jornalístico.” No livro, ele resgata as origens da família de Tarcísio no interior do Rio Grande do Norte, os efeitos de ter sido criado numa casa com predominância feminina, o espírito agregador presente em toda a sua vida, a história da Livro 7, a vocação de mecenas do movimento cultural do Recife e a troça &#8220;Nóis Sofre, Mas Nóis Goza&#8221;, agremiação carnavalesca da livraria.</p>
<p><em>“Antes de focar na trajetória pessoal de Tarcísio Pereira, havia a necessidade incontornável de mostrar o contexto da época. Contar a trajetória de Tarcísio é contar a história da Geração 68, da juventude que saiu às ruas no mundo para se expressar”, afirma Homero Fonseca. A livraria fundada no dia 27 do mês 7 de 1970 por Tarcísio Pereira &#8211; integrante dessa geração e supersticioso com o numeral 7 -, em plena ditadura militar no Brasil, logo se tornou “um canal de manifestação dessa juventude estudantil pela cultura”</em>, diz ele.</p>
<p>A Livro 7 surgiu num espaço exíguo no nº 286 da Rua Sete de Setembro, bairro da Boa Vista, Centro do Recife.<em> “Era tão pequena e tão atulhada de livros que a gente entrava, escolhia um, saía para o corredor para poder tirar a carteira do bolso da bunda e voltava para pagar no caixa.”</em> A descrição, reproduzida no livro, é do escritor e dramaturgo Hermilo Borba Filho (1917-1976). De 1974 a 1978, a Livro 7 funcionou no casarão 307 da mesma rua e de 1978 a 1998 ocupava um galpão de 1.200 metros quadrados no imóvel 329, sempre na Sete de Setembro.</p>
<p>No Guinness Book, o livro dos recordes, apareceu como a maior livraria do Brasil de 1992 a 1996. Frequentada por intelectuais da direita e da esquerda, era reconhecida como ponto de encontro dos recifenses. <em>“É célebre a tirada do deputado Ulysses Guimarães, num jantar após o lançamento do seu livro Rompendo o cerco: Em Pernambuco, não existem só dois partidos, o MDB e a Arena. Aqui há um terceiro partido: a Livro 7”</em>, recorda Homero Fonseca numa passagem do livro.</p>
<p>Ao traçar o perfil do livreiro, ele compartilha com os leitores histórias curiosas sobre a vida do menino e do jovem Tarcísio. Também aborda problemas que levaram à falência da livraria: planos econômicos implantados nos anos 1990, a decadência do Centro e a inadimplência de consumidores. <em>“Era uma relação comercial de bodega a que estabeleci com os clientes”</em>, reconhece Tarcísio Pereira, em entrevista concedida dois anos após o fim da Livro 7. <em>&#8220;Ele pretendia abrir uma livraria no Mercado da Torre, na Zona Oeste do Recife, mas morreu antes&#8221;</em>, diz Homero Fonseca.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Serviço</strong></span><br />
Lançamento de Tarcísio Pereira &#8211; Todos os livros do mundo<br />
Quando: 27 de julho de 2022 (quarta-feira), às 19h<br />
Local: Paço do Frevo (Rua da Guia, s/n, Bairro do Recife)<br />
Preço do livro: R$ 45 (impresso) e R$ 18 (e-book)</p>
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		<item>
		<title>Cepe Editora lança biografia do cineasta Celso Marconi</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2020 13:35:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[luiz joaquim]]></category>
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		<description><![CDATA[A Cepe Editora lançará na próxima sexta-feira (21), em live no seu canal no YouTube, a biografia do jornalista, crítico, professor, programador, curador cinematográfico e cineasta Celso Marconi. Celso, que completará 90 anos de idade no domingo (23), tem trajetória de vida intrinsecamente ligada ao cinema e à formação de gerações de cinéfilos e cineastas [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_78179" aria-labelledby="figcaption_attachment_78179" class="wp-caption img-width-323 alignright" style="width: 323px"><p class="wp-image-credit alignleft">Cepe/Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/Capa-CelsoMarconin-Colecao-Perfil.jpg"><img class="size-medium wp-image-78179 " alt="Cepe/Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/Capa-CelsoMarconin-Colecao-Perfil-323x486.jpg" width="323" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">O livro é o quinto da coleção Perfis, que biografa a vida de grandes personalidades pernambucanas</p></div>
<p>A Cepe Editora lançará na próxima sexta-feira (21), em live no <a href="https://www.youtube.com/channel/UCI9qcytTbfViq_vr7igY6VQ" target="_blank"><strong>seu canal no YouTube</strong></a>, a biografia do jornalista, crítico, professor, programador, curador cinematográfico e cineasta Celso Marconi. Celso, que completará 90 anos de idade no domingo (23), tem trajetória de vida intrinsecamente ligada ao cinema e à formação de gerações de cinéfilos e cineastas em Pernambuco. O livro <em>Celso Marconi, o senhor do tempo</em>, quinto título da Coleção Perfis, leva a assinatura do também jornalista, professor, escritor e realizador Luiz Joaquim. A live começará às 17h30 e contará com a participação do autor, do biografado e do editor da Cepe, Diogo Guedes, na mediação da conversa.</p>
<p>Considerado o mais longevo crítico de cinema em atividade no Brasil, Celso Marconi de Medeiros Lins, recifense nascido no Poço da Panela, que um dia pensou em ser médico, se preparou para cursar Direito e mergulhou na Filosofia, se mantém em plena atividade há 66 anos ininterruptos.</p>
<p>Tempo marcado por vigorosa contribuição, em várias frentes, que sempre convergiu para a democratização do acesso ao cinema. <em>“Formidável é também conhecer a trajetória de Celso Marconi ao longo das quase sete décadas [...] e entender que sua bandeira seguiu flamulando, coerentemente, sob o mesmo vento que sopra a ideia do cinema brasileiro como uma arte popular, para o povo e sobre o povo”</em>, destaca o autor no livro.</p>
<p>Celso Marconi, o senhor do tempo é a primeira biografia de Luiz Joaquim. Autor de Cinema brasileiro nos jornais (Editora Massangana, 2018), ele levou 11 meses em um profundo mergulho no universo pessoal e profissional de Celso Marconi para revelá-lo a partir de extensa pesquisa em livros e acervos jornalísticos, depoimentos de familiares, amigos, colegas de profissão e do próprio biografado.</p>
<p><em>“A experiência foi excitante, e não apenas do ponto de vista intelectual (pela erudição que Celso carrega com ele), mas também por me pôr à prova para tocar um projeto tão valioso em termos pessoais para o biografado &#8211; que tanto admiro &#8211; e para mim. O leitor, claro, também estava nesse horizonte. A ele me propus entregar um material sedutor, rico e, em vários sentidos, inspirador e revelador sobre a trajetória e importância de Celso”</em>, revela Luiz Joaquim.</p>
<p>Em 167 páginas e com fotos do acervo pessoal, o livro evidencia marcos da vida de Celso Marconi, referenciando-os a fatos históricos e cotidianos da cidade, do país e do mundo. Entre tantos balizadores, a infância impactada pela morte da mãe; os sucessivos lares (e cidades) em que viveu sob a guarda de parentes; a adolescência de menino tímido que viu o mundo se revelar em tardes de leituras (Charles Dickens, Dostoievski, Jorge Amado); o envolvimento com a cena cultural recifense (que nos anos 1950 já buscava ressignificar o cinema); a generosa amizade com Jomard Muniz de Brito; as tantas colaborações para a cultura e para o audiovisual; a carreira jornalística estelar; os anos de chumbo e os novos espaços ocupados num mundo essencialmente digital.</p>
<p>Luiz Joaquim acredita que o título chega para reparar lacunas. <em>“Entre os vários méritos que o livro resgata a Celso está a sua contribuição na formação de dezenas (ou centenas) de milhares de interessados por arte no Estado. E não apenas como um jornalista cuja proposta era difundir e promover reflexão sobre esse campo &#8211; e sempre com um pé (ou os dois) fincado(s) na responsabilidade social da arte-, mas também como curador e programador de cinema. Junto a Fernando Spencer (que também carece de uma biografia), Celso sedimentou no morador do Grande Recife, dos anos 1950 aos 2000, o hábito de sair de casa para ver e debater um filme autoral e, assim, afinar sua personalidade com o que havia de melhor no mundo. E isso não é pouco”</em>, conta.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Sobre o autor</strong></span><br />
Jornalista e mestre em comunicação, Luiz Joaquim atuou como repórter e crítico de cinema no Jornal do Commercio (Recife, 1997-2001) e na Folha de Pernambuco (2004- 2015). Coordenou o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco entre 2001 e 2017. Atualmente é responsável pelo bacharelado em Cinema e Audiovisual da Uniaeso e vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Criador e editor do site <a href="https://www.cinemaescrito.com/" target="_blank"><strong>cinemaescrito.com</strong></a>, também dirigiu os curtas-metragens Eiffel (2008) e O homem dela (2010).</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Serviço</strong></span><br />
Live de lançamento do livro <em>Celso Marconi, o senhor do tempo</em>, com  a participação de Luiz Joaquim, Celso Marconi e Diogo Guedes<br />
Quando: 21 de agosto (sexta-feira), às 17h30<br />
Onde: Canal da Cepe no Youtube (<a href="https://www.youtube.com/channel/UCI9qcytTbfViq_vr7igY6VQ" target="_blank"><strong>www.youtube.com/watch?v=tHCBSwwWfkk</strong></a>)<br />
Preço do livro: R$ 40 (impresso) e R$ 12 (e-book).</p>
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		<item>
		<title>Mergulho nas ondas do mar de Lia de Itamaracá: biografia revela facetas desconhecidas da cirandeira</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2020 15:48:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[bruno souza]]></category>
		<category><![CDATA[cepe]]></category>
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		<category><![CDATA[lia de itamaracá]]></category>
		<category><![CDATA[michelle de assumpção]]></category>

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		<description><![CDATA[Bruno Souza Ainda que de longe, acompanhei o processo de apuração/escrita da biografia Lia de Itamaracá: nas rodas da cultura popular, que a jornalista Michelle de Assumpção lança oficialmente nesta quinta-feira (14), numa live especial com o editor Diogo Guedes. O bate-papo virtual será transmitido pelo perfil do Instragram da Companhia Editora de Pernambuco, @cepeeditora, a partir [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_77031" aria-labelledby="figcaption_attachment_77031" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Alfeu Tavares/Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/LIA-5-ALCEU-TAVARES.jpg"><img class="size-medium wp-image-77031" alt="Alfeu Tavares/Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/LIA-5-ALCEU-TAVARES-607x401.jpg" width="607" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">Além da história de Lia de Itamaracá, a biografia apresenta um ensaio fotográfico da cirandeira, clicado por vários fotógrafos pernambucanos, em momentos distintos da carreia da artista</p></div>
<p style="text-align: right;"><a href="https://www.instagram.com/brunos.souza/" target="_blank"><strong>Bruno Souza</strong></a></p>
<p>Ainda que de longe, acompanhei o processo de apuração/escrita da biografia <em><a href="http://editora.cepe.com.br/livro/lia-de-itamaraca--nas-rodas-da-cultura-popular-" target="_blank"><strong>Lia de Itamaracá: nas rodas da cultura popular</strong></a></em>, que a jornalista <a href="https://www.instagram.com/mi.assumpcao/" target="_blank"><strong>Michelle de Assumpção</strong></a> lança oficialmente nesta quinta-feira (14), numa<em> live</em> especial com o editor <strong><a href="https://www.facebook.com/diogo.guedes.961" target="_blank">Diogo Guedes</a></strong>. O bate-papo virtual será transmitido pelo perfil do Instragram da Companhia Editora de Pernambuco, <a href="https://www.instagram.com/cepeeditora/" target="_blank"><strong>@cepeeditora</strong></a>, a partir das 17h30. Parceiro de bancada na Assessoria de Comunicação da Secult-PE/Fundarpe (e de incontáveis <em>happy hours</em>, no Bar Central), a autora, vez por outra, chegava à nossa sala contando algum fato curioso sobre a mais célebre cirandeira pernambucana, da qual sentia um orgulho imenso de biografar.</p>
<p>Um deles, porém, me deixou surpreendido. Não tanto pelo fato em si, mas, sim, por ir de encontro à magnitude de <a href="https://www.instagram.com/liadeitamaracaoficial/" target="_blank"><strong>Lia de Itamaracá</strong></a>, que, além de ser uma artista extraordinária, é extremamente carismática e desinibida nos palcos. Ao relato: <em>&#8220;Lia é tímida. Para bular essa timidez e conquistar de vez sua confiança, resolvi me aproximar dela nos shows e nas inúmeras aparições públicas que ela faz. Numa dessas apresentações que acompanhei para observá-la e tentar extrair mais informações dela e das pessoas de seu entorno, quando cheguei ao camarim, ela já estava vestida para entrar no palco. Só que, mesmo pronta, Lia teve vontade de ir ao banheiro e, como naquele momento só havia homens no camarim, me dispus a ajudá-la. Mesmo envergonhada, ela topou. A partir desse episódio e de uma sucessão de conversas que tivemos na sua casa, lá na Ilha de Itamaracá, a cumplicidade feminina nos uniu e, aos poucos, fui descobrindo as várias facetas de sua personalidade&#8221;</em>, disse-me a autora entre um gole e outro do nosso habitual cafezinho matinal.</p>
<div id="attachment_77051" aria-labelledby="figcaption_attachment_77051" class="wp-caption img-width-607 aligncenter" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">André Zahar/Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/MICHELLE-DE-ASSUMPÇÃO-5-FOTO-ANDRE-ZAHAR.jpg"><img class="size-medium wp-image-77051" alt="André Zahar/Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/MICHELLE-DE-ASSUMPÇÃO-5-FOTO-ANDRE-ZAHAR-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">A biografia marca também a estreia da jornalista Michelle de Assumpção na literatura</p></div>
<p>O resultado dessa aproximação está nas 216 páginas do livro editado brilhantemente pela Cepe, dentro da coleção <a href="http://editora.cepe.com.br/catalogo/biografias-e-perfis" target="_blank"><strong>Perfis</strong></a>, e que é um verdadeiro mergulho nas ondas do mar vivido, cantado e celebrado por Lia de Itamaracá. De sua infância simples à beira-mar nas praias de Jaguaribe e do Pilar, na Ilha de Itamaracá, aos títulos de Patrimônio Vivo e Doutora <em>Honoris Causa</em> (UFPE), a obra desvenda a história da pernambucana Maria Madalena Correia do Nascimento, mulher negra, merendeira e artista incansável da ciranda, que, aos 76 anos, segue encantando uma legião de fãs e admiradores nos palcos por onde pisa mundo a fora ou nas telas de cinema, já que vira-mexe é convocada para atuar em produções cinematográficas, como a participação que fez recentemente no longa &#8220;Bacurau&#8221;, dirigido pelos diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.</p>
<div id="attachment_77048" aria-labelledby="figcaption_attachment_77048" class="wp-caption img-width-324 alignright" style="width: 324px"><p class="wp-image-credit alignleft">Cepe/Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/Capa-Lia-de-Itamaraca.jpg"><img class="size-medium wp-image-77048 " alt="Cepe/Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/Capa-Lia-de-Itamaraca-324x486.jpg" width="324" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">O livro integra a coleção Perfis da Cepe que apresenta a história de personagens pernambucanas célebres</p></div>
<p>Tudo isso é narrado sob o olhar atento e sensível de Michelle de Assumpção, repórter que, além de pertencer a uma família de artistas (ela é filha do compositor <a href="http://www.cultura.pe.gov.br/canal/carnaval/75-anos-de-j-michiles-em-ritmo-de-frevo/" target="_blank"><strong>J. Michiles</strong></a>), sempre priorizou, em suas pautas nos principais cadernos de cultura de Pernambuco, ampliar os espaços e vozes de artistas e grupos de cultura popular, historicamente invisibilizados pela imprensa tradicional.</p>
<p>Recentemente, pudemos trocar uma ideia (à distância) sobre o livro, que marca também sua estreia na literatura, e aprofundar algumas questões presentes nos 19 capítulos da obra, que já está à venda no site da Cepe: <strong><a href="http://editora.cepe.com.br/livro/lia-de-itamaraca--nas-rodas-da-cultura-popular-">editora.cepe.com.br</a></strong>. Confira abaixo a entrevista na íntegra:</p>
<p><strong>1- Advinda de uma família de artistas, você deve manter uma relação tácita e extremamente afetiva com a arte e a cultura popular pernambucana. Dentro de suas memórias mais tenras, há algum registro do seu primeiro contato com Lia de Itamaracá e suas célebres cirandas?</strong></p>
<p><em>Sim, e é uma memória inesquecível: eu estava numa roda, no meio de várias outras rodas, formada por jovens roqueiros da classe média recifense. A roda era de ciranda! O ano era 1998. E eu era repórter do Diario de Pernambuco e havia sido escalada para fazer a cobertura daquela noite do festival Abril Pro Rock (APR). Cheguei mais cedo, só para entrevistar Lia, escalada para uma das primeiras atrações da noite. Uma cirandeira num festival de rock, apesar de parecer inusitado, e é, para nós que vivíamos os anos 90 no Recife, era muito natural. O Manguebeat havia descortinado nossos artistas populares! Um ano antes, Selma do Coco, estourada com a música &#8220;A Rolinha&#8221;, havia tocado já no APR. Naquele ano, seria a vez de Lia. Eu me lembro da entrevista e depois da ciranda que dancei junto com o público, impactada com Lia, e todo significado de sua presença naquele momento. </em></p>
<p><strong>2- Como surgiu o convite para escrever a biografia? Por se tratar de uma perfilada com quase 80 anos de vida (e dona de uma trajetória artística internacionalmente reconhecida), quais foram os desafios que você encontrou para contar essa história? De que maneira o livro se estrutura? Fala um pouco do processo de apuração/escrita da obra.</strong></p>
<p><em>Fui convidada pela Cepe no final de 2018. A pesquisa começou no início de 2019, precisamente no dia 12 de janeiro, aniversário de Lia, quando houve uma grande festa em Itamaracá, em sua homenagem. Voltei mais algumas vezes à ilha, enquanto também apurava em jornais antigos, entrevistas com outros personagens, e outros documentos. Fui elaborando uma grande reportagem sobre Lia, da qual não poderia desvincular da própria história da ciranda em Pernambuco. Um bem cultural que se desenvolve a partir da tutela do Estado, que é o principal fomentador das políticas de proteção e de incentivo aos artistas deste gênero. Não tinha como contar a história da artista sem passar por essa construção toda, que envolve o próprio gênero, os mestres que vieram antes dela, como Baracho e Dona Duda, passando por movimentos culturais que impulsionaram sua trajetória &#8211; como o Manguebeat &#8211; e até mesmo a cena atual, viva e pulsante da ciranda em Pernambuco. Lia perpassa todos esses tempos e espaços, numa trajetória ascendente que rompe as barreiras e os limites que foram sendo colocados. Porque ela leva consigo a ciranda &#8211; uma cultura que acadêmicos e gestores públicos abraçam como uma tradição a ser salvaguardada. Mas segue ignorando as limitações das políticas públicas de fomento, para se inserir, com sucesso, numa lógica que não é só da tradição, mas sobretudo do mercado. Resumindo, é essa a história que eu conto. </em></p>
<p><strong>3- Logo no começo do livro, você conta algumas das aventuras da sua biografada ainda criança pelas praias de Jaguaribe e do Pilar, na Ilha de Itamaracá. Apesar da simplicidade e do parco dinheiro, dá para perceber nas entrelinhas da obra que Lia de Itamaracá sempre manteve-se altiva e perseverante, diante das intempéries que atravessaram sua vida. Num momento que se debate tanto o conceito de &#8220;lugar de fala&#8221; e construção de novas narrativas, a partir da visibilidade de histórias que, por muitas vezes, são silenciadas, a intenção do livro é retratar essa outra face de Lia de Itamaracá, mulher aguerrida que, a despeito de tudo e todos, ganhou os palcos do mundo?</strong></p>
<p><em>Prefiro dizer que o livro traz narrativas da história de Lia. Porque elas foram escritas por mim, a partir do meu olhar, e desse recorte que resolvi fazer. Por mais que eu tenha tentado dar um mergulho profundo em sua vida, sua história mais verdadeira é só sua. Envolve sentimentos, memórias, amores passados… Escrevi, sim, fatos mais íntimos, questões familiares, domésticas, porque o leitor de uma biografia está interessado em tudo que envolveu a construção da pessoa que ele admira. E, talvez, alguns desses fatos expliquem a artista que Lia se tornou. Se ela se impõe artisticamente, isso tem relação direta com os fatos que se sucederam em sua vida. Acho que só poderíamos falar de uma “nova narrativa”, se a própria Lia escrevesse. Aliás, ela tem feito cada vez mais isso: se apropriou de sua própria história, e a conta, do seu jeito, por onde passa, se assim for convidada. Queremos fazer um lançamento com ela, quando pudermos voltar a ter uma vida social. Se o livro contribuir para que Lia ganhe mais força e espaço para ter sua própria voz, ele terá cumprido também uma função mais importante.</em></p>
<p><strong>4- Uma das responsabilidades que você toma para si, na biografia, é desvendar a verdadeira autoria da disputadíssima canção &#8220;Essa ciranda quem me deu foi Lia&#8221;. Dando voz a vários personagens (um dos pilares do bom jornalismo), é possível notar que você conseguiu conciliar todas as versões contadas sobre a origem da música à inegável notoriedade que seus versos deram à carreira de Lia de Itamaracá. Como mexer em algo tão espinhoso, sem magoar ou descreditar narrativas que estavam cristalizadas há tantos anos?</strong></p>
<p><em>Não tem como começar a contar sobre a vida artística de Lia sem passar por esta canção. O fato é que, quando Lia faz sua estreia profissional (no Festival da Ciranda, em 1974, no Pátio de São Pedro) ela chega rompendo alguns paradigmas. Primeiro, é uma mulher. Praticamente só existiam &#8220;cirandeiros&#8221;, &#8220;mestres&#8221;, homens. Segundo: ela já é famosa. Não por conta de trabalhos feitos anteriormente, mas por conta de uma música que estourou em todo Brasil e até hoje é até hoje um hino da ciranda na Estado: “Essa ciranda quem me deu foi Lia”, que é gravada quase dez anos antes, por Teca Calazans, e depois pelo próprio Baracho. Nesta época, Lia ainda não havia começado sua trajetória na ciranda. Enfim, meu cuidado nessa questão da autoria da canção foi apenas de me ater aos fatos, contados pela própria Lia, Teca Calazans e outros que entrevistei, e às datas em que eles aconteceram.  </em></p>
<p><strong>5- Outra característica marcante da biografia é o paralelo que você traça entre a vida de Lia de Itamaracá, a ciranda (e sua valorização ao longo dos anos) e outras manifestações da cultura popular, como, por exemplo, o coco, o fandango, o reisado e o pastoril. Que pontos de intersecção você encontrou nessas manifestações culturais e a própria trajetória artística de Lia?<br />
</strong></p>
<p><em>O pastoril e o fandango foram as primeiras manifestações que chegaram à Ilha de Itamaracá e que estão na lembrança de Lia como o primeiro contato com a arte, com a música. O coco de roda, segundo nos conta Dona Duda, era dança de pescador, onde não cabia entrar criança. Daí, ela começa a usar os instrumentos dos batedores de coco para formar rodas com as crianças, na Praia do Janga (Paulista). Dali, a ciranda de Dona Duda cresce e vira um fenômeno turístico. É no local que acontece o primeiro e o segundo Festival de Ciranda que, com o sucesso que alcança, é transferido pela Prefeitura do Recife para o Pátio de São Pedro. É na quarta edição deste concurso que Lia faz sua estreia, ganhando o primeiro lugar. O evento reunia cirandeiros de todo Estado. Mestres que antes tinham maracatu e coco, passaram a fazer ciranda por conta do concurso. Então, sim, as brincadeiras populares estão umas ligadas às outras, pelos saberes e fazeres de seus próprios brincantes. Por isso, o livro se chama &#8220;Lia de Itamaracá, nas Rodas da Cultura Popular&#8221;, pois com a história de Lia tento alinhavar a história da própria ciranda no Estado.</em></p>
<div id="attachment_77050" aria-labelledby="figcaption_attachment_77050" class="wp-caption img-width-389 alignright" style="width: 389px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/lia-de-itamaraca-sonia-braga-cena-filme-bacurau.jpg"><img class=" wp-image-77050  " alt="Divulgação " src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/lia-de-itamaraca-sonia-braga-cena-filme-bacurau-486x486.jpg" width="389" height="389" /></a><p class="wp-caption-text">Lia de Itamaracá e a atriz Sônia Braga, durante a gravação do filme &#8220;Bacurau&#8221;</p></div>
<p><strong>6- Tendo trabalhado durante tantos anos como repórter dos principais cadernos de cultura do Estado, <em>Caderno C</em> (Jornal do Commercio) e <em>Viver</em> (Diario de Pernambuco), e, por conseguinte, na assessoria de comunicação da Secult-PE/Fundarpe, você deve ter acompanhado de perto a evolução/construção das principais políticas públicas implementadas na área da gestão cultural nos últimos anos. De que maneira esse conjunto de leis e dispositivos legais serviram para assegurar a preservação/difusão dos saberes/conhecimentos dos grandes mestres da cultura popular e, consequentemente, a participação desses artistas nas principais festas, ciclos e ações do nosso calendário cultural?</strong></p>
<p><em>As políticas de preservação do patrimônio cultural em Pernambuco são referência em todo país. O Estado tem hoje nove bens culturais inscritos como Patrimônios Imateriais do Brasil. Entre eles, os maracatus (baque solto e baque virado), o frevo, o cavalo-marinho, o caboclinho. A ciranda está no processo de receber essa titulação também. Além disso, o Estado também fomenta um conjunto de políticas que envolve prêmios, participação dos mestres, mestras e grupos de cultura popular em festivais, ciclos festivos, além da titulação do Patrimônio Vivo, capacitações, e outras iniciativas. Lia de Itamaracá, que foi titulada Patrimônio Vivo de Pernambuco desde o primeiro edital do prêmio, em 2005, teve sua carreira artística, em diversos momentos, beneficiada pelas políticas públicas de cultura. E Lia dá um exemplo que pode servir para outros artistas e grupos, independente da manifestação que eles representam. Ela constrói sua carreira a partir da transformação do bem cultural que representa, a ciranda, em um produto. As políticas públicas, ao meu ver, podem proporcionar aos artistas esta “virada de chave”: conscientizar os fazedores de cultura da importância e do valor da sua manifestação e, a partir dessa tomada de consciência, eles próprios salvaguadarem o bem cultural que são detentores.</em></p>
<p><strong>7- Voltando à biografia, um dos fatos mais curiosos que você relata no livro é o encontro de Lia de Itamaracá com o Manguebeat, movimento que, desde os anos 90, mudou radicalmente nosso olhar sobre a cultura popular. Apesar de bastante conhecida, você relata que a cirandeira havia caído no ostracismo e que, graças ao encontro com o produtor (e fiel escudeiro) Beto Hees e ao show realizado no Festival do Abril Pro Rock, em 1998, ela viu sua carreira ressurgir. O que há na obra de Lia de Itamaracá que estabelece diálogo/conexões com públicos e universos tão distintos?</strong></p>
<p><em>Acredito que seja a noção de pertencimento do lugar de onde veio, Itamaracá, sua ilha, sua praia. Ser tão desta localidade, cantar daquela forma única, com aquela voz que só ela tem, a vida dos pescadores, dos amores que o mar leva, ou traz, tratar de situações tão do seu território, faz ela ser universal e poder então dialogar com outros que são universais, pelos mesmos motivos. O fato de ela nunca ter deixado a ilha, e estar indo cada vez mais longe em suas andanças, é uma prova disso.</em></p>
<p><strong>8- Você credita essa universalidade à incursão de Lia de Itamaracá no cinema, por exemplo?</strong></p>
<p><em>É o contrário. O cinema quis Lia justamente por conta da universalidade que ela carrega. Ela carrega Itamaracá, Pernambuco, mas traz também a África. No rosto e na voz de Lia, enxergamos continentes, enxergamos a história de muitas mulheres fortes, firmes, vencedoras.</em></p>
<div id="attachment_77049" aria-labelledby="figcaption_attachment_77049" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/LIA-19-JAN-RIBEIRO-DOUTORA-HONORIS-CAUSA-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-77049" alt="Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/LIA-19-JAN-RIBEIRO-DOUTORA-HONORIS-CAUSA-1-607x401.jpg" width="607" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">Lia de Itamaracá na cerimônia que lhe outorgou o título de Doutora Honoris Causa pela UFPE. O evento aconteceu em agosto de 2019, no Teatro Guararapes (Centro de Convenções)</p></div>
<p><strong>9- No livro, você dedica dois capítulos inteiros a dois momentos-chaves da carreira de Lia de Itamaracá: a conquista dos títulos de Patrimônio Vivo do Estado, em 2005, e de Doutora Honoris Causa, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 2019. Esse reconhecimento, com toda certeza, catapultou sua trajetória artística a outro patamar e fez com o que sua arte circulasse por outros espaços. É possível afirmar que esses títulos conquistados por ela credenciam/abrem espaço para outros artistas da cultura popular?<br />
</strong></p>
<p><em>Acredito que sim. Por muitos anos, a academia ignorou completamente os saberes e fazeres populares. Parece que isso está sendo revisto. Isso sim, é um grande passo para a construção de novas narrativas, </em><em>como você falou no início. Temos muito o que aprender sobre o nosso território e a nossa identidade, a partir da sabedoria dos nossos mestres e mestras populares. Teríamos uma grande revolução na Educação e na Cultura do país se, desde muito cedo, os estudantes por exemplo tivessem acesso aos ensinamentos que podem ser apreendidos das brincadeiras populares.</em></p>
<p><strong>10- Em vários momentos do livro, você ressalta a timidez de Lia de Itamaracá, como traço marcante de sua personalidade. O que mais você descobriu na vida de Maria Madalena Correia do Nascimento que não sobressai à figura mítica de Lia de Itamaracá dos palcos?</strong></p>
<p><em>Lia é uma das mulheres mais simples que já conheci. Direta, de intuição muito aguçada, e que não consegue fingir simpatia. Se ela abrir o sorriso, é porque gostou e se sentiu feliz. Gosta mesmo é de suas amizades na ilha, andar naquela areia, de camisa, bermuda e chinelo, e cumprimentar todos os conhecidos que passam. Sentar no bar de Dona Rosa, pedir uma água de coco e jogar conversa fora. Depois disso, o que lhe agrada mais é arrumar as malas para viajar quando tem show fora. Começa uma semana antes e fica na ansiedade até chegar o dia. O palco é o seu templo, e ela o domina sem precisar de ninguém. A banda que corra atrás, porque ela canta o que quer, de acordo com o que sente vindo do público. Essa verdade de Lia é o que de mais encantador existe nela.  </em></p>
<p><strong>11- Como as pessoas podem encontrar o livro? Além da live na quinta-feira (14), no perfil do Instagram da Cepe, <a href="https://www.instagram.com/cepeeditora/" target="_blank"><strong>@cepeeditora</strong></a>, vocês preveem outro evento de lançamento, pós-pandemia?</strong></p>
<p><em>O livro já está à venda na <a href="http://editora.cepe.com.br/livro/lia-de-itamaraca--nas-rodas-da-cultura-popular-" target="_blank"><strong>estante virtual</strong></a> da Cepe e estará em todas as lojas físicas da editora, assim que acabar o isolamento social. Também está previsto um lançamento presencial, com a participação da cirandeira, e uma boa roda de ciranda ao final. Espero que seja em breve.</em></p>
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		<title>Mestre Assis Calixto conduz o coco do Raízes de Arcoverde e leva a missão de ensinar</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jan 2020 14:03:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mergulhe]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Mestre Assis Calixto]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_74789" aria-labelledby="figcaption_attachment_74789" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">PH Reinaux/Secult-PE/Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/01/mestre-assis-calixto-foto-PH-Reinaux.jpg"><img class="size-medium wp-image-74789" alt="PH Reinaux/Secult-PE/Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/01/mestre-assis-calixto-foto-PH-Reinaux-607x404.jpg" width="607" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Mestre Assis Calixto, em sua casa, no Alto do Cruzeiro, conta sua trajetória ao lado das famílias do coco de Arcoverde</p></div>
<p style="text-align: right;"><strong>Por Michelle de Assumpção</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fotos: PH Reinaux</strong></p>
<p style="text-align: right;">
<p>O calor de Sertânia é uma das primeiras memórias que surgem quando Francisco de Assis Calixto lembra de sua infância. Foi por causa da seca de sua cidade natal, e a consequente falta de emprego, que seu pai deixou a terra, junto com toda família. Era o ano de 1952. O destino foi a cidade de Arcoverde, o “Portal do Sertão”. Também quente, mas menos seca, e mais próspera. Francisco tinha sete anos, o irmão mais próximo, Luis Calixto, o Lula, tinha 8 e Damião, mais novo, cinco. O pai começou a trabalhar no imponente Hotel Magestic, às margens da BR 232. Depois trabalhou na construção do posto, logo em frente.</p>
<p>Os meninos foram para escola, onde Francisco estudou até o terceiro ano, quando parou porque precisava trabalhar. Foi atendente em padaria, funcionário de uma fábrica de café, de uma serralharia, e depois, ajudante de pedreiro. Especializou-se no ramo, até virar um construtor de casas. Levantou várias moradias populares no bairro do Cruzeiro, onde também passou a morar. Trabalhou como pedreiro até 2004, quando se aposentou por conta de problemas no joelho.</p>
<p>O trabalho dos peões da construção civil, nas áreas rurais, naqueles tempos de pouco dinheiro e tecnologia, está intimamente ligado à criação de algumas brincadeiras populares. Entre elas, o coco. Em diversas localidades no Nordeste, existe um tipo de coco nascido de dentro das casas recém construídas, da pisada dos pés dos trabalhadores que precisavam pisar o chão de barro, para que ficasse firme. Além do ritmos feito pela batida dos pés no chão, alguém aparecia com algum instrumento, geralmente um ganzá, ou pandeiro. Quem tinha mais facilidade com os versos, tirava na hora, e os encaixava nas batidas dos pés e dos poucos instrumentos. Estava formada a brincadeira.</p>
<p>Foi assim que Assis Calixto teve seu primeiro contato com o coco que, naquela época de sua juventude, era chamado por seus brincantes de mazurca. Depois, virou coco de trupe. No Sítio dos Coqueiros &#8211; onde hoje é a Cohab 1, em Arcoverde &#8211; foi onde conheceu os primeiros coquistas, gente que tinha vindo de Alagoas e do Maranhão. Depois, mudou-se pro Sítio Coqueiros e conheceu outro grupo, ainda maior.<em> “Eles faziam coco nas casas de barro, para fazer o piso. Vamos para casa de fulano! Faziam uma buchada e tinha cachaça, para o povo ficar esperto. A gente aguava o chão num dia, e pilava no dia seguinte, para ficar duro. Eram mais de cinquenta pessoas, entrava e saía gente o tempo todo. Cada um tinha sua pisada, era muito bonito o coco cantado. Era muito bom”</em>, relata Assis. Ele explica ainda que a brincadeira era chamada de “coco de entrega”, porque um coquista cantava, e passava a vez pro outro, seguindo assim até o dia amanhecer.</p>
<p>Construindo casas com chão de coco pisado. Essa foi portanto a escola do Mestre Assis Calixto, que nunca andou só. É da família Calixto, formada por Lula e Damião. Aprenderam com a família dos Galegos, Zé Gomes, Alfredo Sueca, João Preto, Benedito Guimarães e mais outros tantos. O mais famoso deles foi Ivo Lopes. Com pretensões políticas, Ivo criou uma caravana e levava coquistas para diferentes bairros de Arcoverde, a fim de angariar votos para eleição de vereador. Lula Calixto o acompanhava e, quando Ivo faleceu, era consenso em Arcoverde que Lula deveria ser seu natural sucessor.</p>
<p>Em 1992, Lula fundou então o grupo de Coco Raízes de Arcoverde, que reuniu as mais importantes famílias de coquistas da cidade: os Calixto, os Lopes e os Gomes, de Ciço Gomes. Ciço, um dos melhores cantadores da região, ficou à frente do Coco Raízes. Da parte dos Lopes, foram as irmãs de Ivo que mantiveram seu legado. O grupo ganhou fama a partir de 1996, quando rompeu os limites do Sertão e passou a se apresentar pelo Brasil e exterior. Fizeram turnês na Alemanha, Bélgica, Itália Noruega e França. Também passaram a atrair gente de todo Estado e do Brasil à pequena cidade de Arcoverde, sobretudo em dois importantes eventos: o São João, e o Festival Lula Calixto, que passou a ser feito depois da morte do principal nome da família Calixto, Lula, em 1999.</p>
<div id="attachment_74790" aria-labelledby="figcaption_attachment_74790" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/01/coco-raizes-de-arcoverde-foto-jan-ribeiro.jpg"><img class="size-medium wp-image-74790" alt="Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/01/coco-raizes-de-arcoverde-foto-jan-ribeiro-607x402.jpg" width="607" height="402" /></a><p class="wp-caption-text">Coco Raízes de Arcoverde tem três CDs lançados, um DVD, e algumas turnês internacionais</p></div>
<p>Quando deixou a seca Sertânia e chegou em Arcoverde, Lula Calixto tinha contraído a doença de chagas. Muito provavelmente infectado pelo barbeiro, já que a família morava numa casa de taipa, habitação favorável à proliferação do mosquito. Foi essa doença que o levou, precocemente, aos 57 anos. Lula, que havia dado seguimento ao trabalho de Ivo Lopes, abriu espaço para o irmão, Assis, dar continuidade ao seu trabalho.</p>
<div id="attachment_74786" aria-labelledby="figcaption_attachment_74786" class="wp-caption img-width-324 alignright" style="width: 324px"><p class="wp-image-credit alignleft">PH Reinaux/Secult-PE/Fundarpe</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/01/Mestre-Assis-Calixto-2-Foto-PH-Renaux.jpg"><img class="size-medium wp-image-74786 " alt="PH Reinaux/Secult-PE/Fundarpe" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2020/01/Mestre-Assis-Calixto-2-Foto-PH-Renaux-324x486.jpg" width="324" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Além do coco, Mestre Assis Calixto também é artesão</p></div>
<p><em>“Ele vive aqui comigo. Tudo que eu tenho hoje foi através dele. A gente já conversava sobre morte. Se morresse um, era para continuar. A nossa reunião sempre se falava assim, não pode deixar acabar”</em>, conta Assis, que hoje mora com sua família no Alto do Cruzeiro, perto da sede do Coco Raízes, maior atração cultural de Arcoverde, e um dos grupos mais festejados de Pernambuco e do Brasil, quando o assunto é cultura popular. Assis, além de ter assumido as loas do coco, também passou a fazer artesanato. A primeira boneca de madeira, casca de coco, e material reciclado surgiu junto com uma das músicas mais famosas de sua autoria, <i>Andrelina</i>. Assis contabiliza hoje mais de 100 composições.</p>
<p><b>PATRIMÔNIO VIVO</b> &#8211;  Quando Lula era vivo, a função de Assis no grupo era mais responder aos cocos. Depois, as famílias deixaram o grupo. As Irmãs Lopes fizeram seu próprio grupo. Ivo Lopes seguiu o mesmo caminho e se separou. Assis Calixto então se preocupou com o futuro, com as novas músicas, a continuidade. “<em>As músicas eram de Lula, quando ele tava vivo eu só fiz uma música (“No balanço da Canoa”). Eu já tinha cinquenta anos quando comecei a compor. Eu senti a pressão dentro do grupo. Não dava só para viver a música dos outros. Hoje graças a Deus tenho muitas músicas que estão ganhando espaço”</em>, conta Mestre Assis.</p>
<p>O primeiro CD do Coco Raízes, homônimo, é de 2002. O segundo, <i>Godê Pavão</i>, foi lançado em 2004. Foram contemplados com o prêmio Culturas Populares, em 2009, promovido pelo Ministério da Cultura. Em 2011, foi lançado o terceiro disco de trabalho, <i>A Caravana não morreu</i>. Em 2016, lançaram uma coletânea com as principais músicas.</p>
<p>Em 2019, em reconhecimento a todo trabalho de retomada do coco de trupe de Arcoverde, mas também ao repasse dos saberes desta cultura para as novas gerações, Mestre Assis Calixto foi titulado Patrimônio Vivo de Pernambuco. Um dos deveres de um “Patrimônio Vivo” é repassar seus ensinamentos, seus saberes, fazeres, para que contribua com a continuidade da tradição popular que representa. Com Mestre Assis o dever é hoje uma missão de vida, uma tarefa que cumpre cotidianamente. No dia em que a equipe da Secult-PE/Fundarpe esteve em sua casa, para entrevista-lo e fazer as fotos, Mestre Assis Calixto voltava de uma escola do bairro. Tão logo a entrevista começou, chegou em sua casa mais um grupo, de professora e alunos, que queriam confirmar sua participação numa feira de conhecimentos da instituição. O coquista pretende ainda circular bastante com o coco, gravar mais discos, lançar DVDs e continuar atraindo milhares de pessoas para Arcoverde, nos dias de festa. Mas tem ciência de sua principal missão enquanto artista. <em>“Gosto de repassar o que eu aprendi. A vida todinha da gente foi isso”</em>, ensina o mestre.</p>
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		<title>Biografia de Petrúcio Amorim retrata a trajetória do forrozeiro</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2018 21:47:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<category><![CDATA[Editora Coqueiro]]></category>
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		<category><![CDATA[Petrúcio Amorim - O poeta do forró]]></category>

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		<description><![CDATA[Nascido em 25 de janeiro de 1959 com a saúde mais frágil do que o normal para um bebê, o músico Petrúcio Amorim foi assim batizado por conta da fé de sua mãe. Ao receber em casa uma desconhecida que ficou comovida com a falta de recursos do seu lar, em Caruaru, ela ouviu a [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_60414" aria-labelledby="figcaption_attachment_60414" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/fotos-com-capa-enviadas-para-divulgação1_Easy-Resize.com_.jpg"><img class="size-large wp-image-60414" alt="Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/fotos-com-capa-enviadas-para-divulgação1_Easy-Resize.com_-800x533.jpg" width="800" height="533" /></a><p class="wp-caption-text">O biografado Petrúcio Amorim e a autora Graça Rafael já eram amigos antes mesmo do livro</p></div>
<p>Nascido em 25 de janeiro de 1959 com a saúde mais frágil do que o normal para um bebê, o músico Petrúcio Amorim foi assim batizado por conta da fé de sua mãe. Ao receber em casa uma desconhecida que ficou comovida com a falta de recursos do seu lar, em Caruaru, ela ouviu a história do Menino Petrúcio que, depois de aceito em um convento de padres capuchinhos de Maceió, havia levado fartura para o lugar. Na esperança de que o milagre se repetisse também em sua família e de quebra ainda trouxesse vitalidade para o filho, Dona Hermínia nomeou o caçula da mesma forma, sem imaginar, que ele teria vigor o suficiente para se tornar um dos maiores músicos de Pernambuco.</p>
<p>Quase sessenta anos depois, o sucesso de Petrúcio Amorim pode fazer os mais religiosos acreditarem no triunfo da homenagem. A trajetória marcada pela infância pobre, passando pela superação dos obstáculos até chegar ao sucesso – com músicas que hoje já fazem parte do inconsciente coletivo pernambucano, como “Tareco e Mariola”, “Cidade Grande” e “Filho do Dono” –é narrada na biografia “Petrúcio Amorim – O Poeta do Forró”, de Graça Rafael, que será lançado nesta quinta-feira, às 19h, no restaurante Parraxaxá de Boa Viagem, no Recife.  Publicado pela Editora Coqueiros, o material será comercializado pelo preço de R$ 70. Além das presenças da autora e do biografado na ocasião, a atriz Fabiana Pirro também participará interpretando alguns trechos do livro.</p>
<div id="attachment_60415" aria-labelledby="figcaption_attachment_60415" class="wp-caption img-width-350 alignnone" style="width: 350px"><p class="wp-image-credit alignleft">Reprodução</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/CAPA.jpg"><img class="size-medium wp-image-60415" alt="Reprodução" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/CAPA-350x486.jpg" width="350" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">O livro conta com depoimentos de familiares, amigos e artistas</p></div>
<p>Também natural de Caruaru, Graça pesquisa e acompanha o cenário do forró com intimidade e paixão, por isso, desde 2004 já vinha desenvolvendo a biografia do músico. “<i>À medida que o tempo passava, fui me afeiçoando e gostando de todos os cantores que faziam parte da história do forró. Fiquei amiga de muitos. Daí minha aproximação com Petrúcio”</i>, explica ela sobre a liberdade para tratar até mesmo de temas delicados da história do compositor. “<i>Em todo esse período, nunca tivemos nenhum desentendimento, nenhuma divergência. É uma biografia totalmente autorizada</i>”, completa.</p>
<p>Pego de surpresa pela proposta da biografia por se considerar jovem demais para esse tipo de registro, Petrúcio agora enxerga o lançamento do material com alegria. “<i>Não levei a sério no início. Porém, por conta dos encontros, conversas, da boa amizade, comecei a achar a ideia interessante”</i>, lembrou ele, cujas entrevistas com a autora foram a principal fonte de informações da obra. Porém, o livro também conta com depoimentos de familiares, amigos e artistas, além de prefácio e orelha escritos por Santanna, o Cantador, e Maciel Melo.</p>
<p><b><span style="text-decoration: underline;">Serviço</span><br />
</b><i>Lançamento do livro “Petrúcio Amorim – O poeta do forró”, de Graça Rafael</i><br />
Quando: Nesta quinta-feira (10), às 19h<br />
Onde: Restaurante Parraxaxá Boa Viagem (Av. Fernando Simões, 1200)<br />
Preço do livro: R$ 70 (Editora Coqueiro)<br />
Entrada Gratuita<b></b></p>
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		<title>Biografias de Montez Magno e Tereza Costa Rêgo serão lançadas no MEPE</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2018 18:48:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dando continuidade à série da coleção Memórias (selo sobre personagens da vida cultural pernambucana), a Cepe Editora lança nesta quarta-feira (18), às 19h, duas biografias no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE): Montez Magno: Poeta, Artista, Camaleão, assinada pela jornalista Olívia Mindêlo; e Tereza Costa Rêgo: Uma Mulher em Três Tempos, escrita pelo também jornalista [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_59578" aria-labelledby="figcaption_attachment_59578" class="wp-caption img-width-607 alignnone" style="width: 607px"><p class="wp-image-credit alignleft">Cepe/Divulgação</p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/04/CEPE-TEREZA-E-MONTEZ-MAGNO.jpg"><img class="size-medium wp-image-59578" alt="Cepe/Divulgação" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2018/04/CEPE-TEREZA-E-MONTEZ-MAGNO-607x319.jpg" width="607" height="319" /></a><p class="wp-caption-text">A trajetória dos artistas Montez Magno e Tereza Costa Rêgo é recontada nas obras da Cepe</p></div>
<p>Dando continuidade à série da coleção <em>Memórias</em> (selo sobre personagens da vida cultural pernambucana), a Cepe Editora lança nesta quarta-feira (18), às 19h, duas biografias no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE):<em> Montez Magno: Poeta, Artista, Camaleão</em>, assinada pela jornalista Olívia Mindêlo; e<em> Tereza Costa Rêgo: Uma Mulher em Três Tempos</em>, escrita pelo também jornalista e filiado à Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), Bruno Albertim.</p>
<p>Defensor da liberdade de experimentação, o pernambucano de Timbaúba Montez Magno, 83 anos, sempre foi avesso a movimentos e grupos, mas nunca indiferente a tudo o que o cerca. Acabou por se tornar um colecionador, um acumulador de objetos, livros, papéis… Tudo o que esse poeta-pintor viu e leu já virou arte ou poesia.</p>
<p>A também artista e pernambucana Tereza Costa Rêgo, 89, passou muitos anos da vida resguardando a liberdade &#8211; a sua própria, a de seu grande amor, um dos líderes do Partido Comunista Brasileiro Diógenes Arruda Sampaio, e por que não dizer a dos ‘camaradas’ a quem ela ajudou nos tempos de exílio durante a Ditadura Militar.</p>
<p>Nas 240 páginas da biografia <em>Tereza Costa Rêgo: Uma Mulher em Três Tempos</em>, desnuda-se ao apreciador a prolífica e, por muito tempo, conturbada vida de uma mulher que foi três: Terezinha, na infância e adolescência cercada pelos mimos e rigidez patriarcal herdados da aristocracia açucareira, quando seguia “enfeitando o piano da sala” &#8211; assim se definia. Na clandestinidade largou tudo para ser Joanna, fugitiva política ao lado do amado Diógenes. Só mais tarde, já confortavelmente aboletada em seu sobrado em Olinda, onde vive até hoje, tem sido Tereza, a artista do vermelho, dos gatos e dos corpos femininos. Conta Bruno Albertim, em trecho do livro, que certa vez disse o escritor Raimundo Carrero: <em>“(Em Tereza) não se constrói uma obra de arte com plumas e lantejoulas, mas com dor e sangue”</em>.</p>
<p>Em prosa e muita poesia, na biografia Montez Magno: Poeta, Artista, Camaleão (256 páginas), assinada pela jornalista Olívia Mindêlo, e com prefácio da curadora do Museu de Arte do Rio (Mar), Clarissa Diniz, o leitor encontrará a trajetória de Montez até aqui, colhida em 11 entrevistas gravadas com cerca de duas horas e meia, cada, além de incontáveis conversas em um ano de convivência, e ainda leitura de correspondências trocadas entre Montez e nomes como o escritor Osman Lins e os poetas Carlos Drummond de Andrade, Augusto de Campos e Ferreira Gullar.</p>
<p>Assim foi se desenhando o perfil do homem de juventude boêmia, que se metia em brigas e já chegou a ser preso por isso. A bebedeira, diz ele, era para curar a timidez. O indivíduo corajoso o bastante para viajar pela Europa só com a passagem de ida para uma residência artística, ou percorrer de fusca dez mil quilômetros do Recife a Buenos Aires. Mas um ser temeroso da morte. <em>“Todo dia eu acordo e sopro minhas duas mãos para me certificar de que estou vivo”</em>, declarou o artista em trecho da publicação.</p>
<p>Aliás, segundo Olívia, suas publicações de poesia <em>“dizem mais sobre sua personalidade e vida do que a produção visual de pinturas, objetos, instalações e um sem-número de invenções, ainda que, claro, todo poeta seja ‘um fingidor’, para citar Fernando Pessoa, que, neste caso, seria melhor lembrado pela frase ‘eu sou muitos’, que se aplica bem ao espírito de Montez”</em>.</p>
<p>Tanto na publicação sobre Tereza quanto na de Montez, destaque para um capítulo dedicado apenas às fotografias e reproduções de obras dos artistas. Ele, abstracionista; ela, figurativista.</p>
<p>Bruno cita quadros de Tereza <em>“responsáveis por cravar fendas na memória do público pernambucano”</em>, como <em>A ceia larga</em> ou <em>A pátria nua</em> (4,8m x 2,2m, 1999), em que <em>“(&#8230;) a pátria é materializada numa grande e curvilínea dama nua, servida à mesa diante de vultos proeminentes da política brasileira. De Dom Pedro a Collor, passando por Vargas, a tela mostra cenas da execução de Frei Caneca, os conflitos gerados pelo Estado Novo e pelo Golpe Militar de 1964”</em>, escreve Albertim.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Serviço</strong></span><br />
Lançamento de dois títulos da coleção Memórias, da Cepe Editora: <em>Montez Magno: Poeta, Artista, Camaleão</em> (Olívia Mindêlo) e<em> Tereza Costa Rêgo: Uma Mulher em Três Tempos</em> (Bruno Albertim)<br />
Quando: quarta-feira (18), às 19h<br />
Onde: Museu do Estado de Pernambuco (Avenida Rui Barbosa, 960, Graças &#8211; Recife/PE)<br />
Preço dos livros: R$ 80 (cada) e R$ 19,90 (e-book)</p>
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		<title>História em Quadrinhos &#8220;Formiga no Carnaval da Vida&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Apr 2015 14:24:05 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Maestro Ademir Araújo]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/04/capa_Formiga_no_Carnaval_da_Vida.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-23152" alt="" src="http://www.cultura.pe.gov.br/wp-content/uploads/2015/04/capa_Formiga_no_Carnaval_da_Vida-330x486.jpg" width="330" height="486" /></a></p>
<p><strong>Título: </strong>Formiga no Carnaval da Vida<strong><br />
Tipo de produto: </strong>Livro<strong><br />
Classificação: </strong>História em quadrinhos,<strong> </strong>Biografia, Música.<strong><br />
Nome do proponente: </strong>Alice Santos<strong><br />
Autor:</strong> Sivanildo de Oliveira Silva (Silvanildo Sill)<strong><br />
Descrição: </strong>A História em Quadrinhos é focada na excelência organizacional, autodidatismo e na ‘observação do gesto compositor’ do Maestro Ademir Araújo, o Formiga. Exibe o conceito biografia como prática de vida sobre atividade compositora. Indica “o tipo brasileiro” que se apresenta na personagem. A vida deste músico transita entre vários pólos culturais pernambucanos. Sua trajetória mostra que para compor, antes de tudo é preciso viver.<strong><br />
Ano de lançamento: </strong>2014<strong><br />
Edição: </strong>1ª <strong><br />
Preço (R$): </strong>25,00<strong><br />
Locais de venda: </strong>Loja virtual Mascate Cultural:  <strong><a href="https://mascatecultural.wordpress.com" target="_blank">https://mascatecultural.wordpress.com</a></strong><br />
Vendas com a produtora Alice Santos: alicesantos@uol.com.br | (81) 8766-6372<br />
<strong>Tiragem:</strong> 1.000 exemplares<br />
<strong>Distribuição gratuita: </strong>350 exemplares destinados a instituições públicas de ensino e bandas de música (Filarmônicas).<strong><br />
</strong><strong>Site: <a href="https://projetoformigueiro.wordpress.com/ |" target="_blank">https://projetoformigueiro.wordpress.com/ |</a><br />
<a href="https://catalogobandasdemusicape.wordpress.com/maestro-ademir-araujo/ " target="_blank">https://catalogobandasdemusicape.wordpress.com/maestro-ademir-araujo/ </a><br />
</strong><strong>Email:</strong> alicesantos@uol.com.br<strong><br />
</strong><strong>Telefone: </strong>(81) 3423-0722 | 8766-6372</p>
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