Afoxé Alafin Oyó
Cidade: Olinda
Atividade/expressão cultural: afoxé
Ano de registro de Patrimônio Vivo: 2023
Fundado em 2 de março de 1986, em Olinda, o Afoxé Alafin Oyó, conhecido também como “Candomblé de rua”, símbolo da militância e resistência negra em Pernambuco, é o primeiro do gênero, no estado a ser reconhecido com Patrimônio Vivo. O nome Alafin, em iorubá, remete a um título de nobreza que significa “senhor/rei do palácio”. Oyó, por sua vez, faz reverência à capital do antigo reino de Iorubá, na África, onde hoje fica a Nigéria; além de constituir uma forma de prestar homenagem à quarta majestade do reino de Iorubá, Xangô, adotado como patrono do grupo. Decorre desse simbolismo as cores adotadas para representar o grupo, vermelho e branco, que, durante os desfiles carnavalescos, cativam os olhos dos espectadores.
O Afoxé Ilê de África foi o primeiro afoxé a surgir no estado. Da sua ala política, surgiu o Alafin Oyó, por incentivo de membros que possuíam ligação com o Movimento Negro Unificado (fundado em 1978), que acreditavam numa dinâmica de combate ao racismo para além do Carnaval. O Alafin nasceu, portanto, como meio de luta ligado à militância negra, para combater o racismo e a intolerância religiosa. Religiosidade e formação político-educacional andam juntas em todas atividades do grupo, que envolvem desde os mais velhos aos mais novos.
A preocupação com a transmissão de saberes e ensinamentos para os novos fez com que, em 1995, o Alafin Oyó criasse a Ala Alafin Mimi, para garantir que a memória do povo oyó (yorubá-nagô) fosse transmitida entre sucessivas gerações. Para Fabiano Santos, presidente da agremiação:, “o afoxé e os terreiros são vistos como instrumentos de formação política e educacional, uma espécie de quilombo contemporâneo, onde além de aprenderem sobre musicalidade, os participantes são incentivados a crescerem profissionalmente. Este é um dos nossos objetivos enquanto coletividade negra”.
