Assisão
Cidade: Serra Talhada
Atividade/expressão cultural: forró/música
Ano de registro de Patrimônio Vivo: 2023
Referência no estilo e no cenário da música popular nordestina, mais especificamente, no forró, Assisão não passa despercebido: alto, com os cabelos loiros, cacheados e bem cuidados, sempre bem trajado, o artista é um dos grandes defensores do forró e dos festejos de São João nos moldes tradicionais.
Nascido no dia 5 de maio de 1942, na Fazenda São Miguel, zona rural de Serra Talhada, cidade do Sertão do Pajeú, Francisco de Assis Nogueira, seu nome de batismo, achou que seria médico, para satisfazer o desejo de seus pais, embora, desde criança, já mostrasse talentos musicais. Chegou a morar na cidade do Recife, quando adolescente, para focar na formação na área da medicina… Mas, desistiu. A música falou mais alto ao seu coração, e o jovem decidiu seguir a sua verdadeira vocação, se tornando um exímio compositor e músico, referência em todo território nacional.
O primeiro disco compacto veio no ano de 1962, produzido pela extinta gravadora pernambucana Rozenblit. Na época, Assisão, com 17 anos de idade, integrava o trio de nome “Os Azes do Baião”, formado pelo artista e mais dois primos. Grupo que, segundo o próprio artista, foi responsável por introduzi-lo na cena musical. A partir de então, sua carreira decolou e o mestre forrozeiro também se consagrou no cenário da música regional nordestina, não apenas pelo talento musical em si, mas também por sua capacidade de promover inovações no gênero musical a que veio a se dedicar. No início da carreira, Assisão, que tocava sanfona de oito baixos, necessitou abandonar esse instrumento, pois teve parte dos dedos de uma das mãos decepados, devido a um acidente sofrido com uma máquina. Mais uma vez, persistiu na vocação e focou nas composições e na cantoria.
Na década de 1980, com o seu “O Forró do Futuro”, o artista revolucionou a forma de se tocar forró, ao incorporar, a esse tradicional gênero musical, elementos provenientes do rock, como guitarra, contrabaixo eletrônico e o teclado. Como ele mesmo diz, “o que as bandas estão fazendo hoje, foi o que eu fiz, se espelham no meu trabalho. Botei muitas coisas, mas sem sair da origem da letra, nem do ritmo. Foi como se fosse uma interação”. Esta afirmação contém um lamento e expressa um receio do músico de que o forró, devido às intensas mudanças e distorções que vem sofrendo, venha deixar de existir e se torne desconhecido para as próximas gerações.
Tendo em vista a importância da transmissão dos saberes para os mais novos, também como forma de perpetuar a cultura “forrozeira” tradicional, Assisão promove aulas-espetáculos nas escolas, promovendo, conjuntamente, a cultura sertaneja e outros ritmos ligados ao forró popular nordestino,a exemplo do xaxado. Apesar de considerar todas as mudanças pelas quais o gênero musical e os elementos culturais que o envolvem estão passando, Assisão reconhece que “eu sou mais cortejado agora do que na minha época. Pela minha história… chegam os jovens, aí querem uma foto pro pai… e ai vai entrando nova amizade …Tem música minha que tá com 50 anos e o jovem pede pra cantar”.
O exímio cantor participou de inúmeras apresentações em renomados programas de TV, sobretudo entre as décadas de 1980 e 1990. Em 1987, lançou mais de 300 mil cópias de um de seu disco, o que é um grande feito para um cantor nordestino à época, considerando a dificuldade de acesso de boa parte da população regional às vitrolas elétricas. O mestre já lançou mais de 50 discos e pode-se dizer que é autor de mais de 700 composições, muitas das quais foram gravadas por artistas nacionais famosos, como Elba Ramalho, Fagner, Marinês e Trio Nordestino. Chegou a performar junto ao jovem cantor João Gomes, fenômeno recente do forró pernambucano. Entre os seus grandes sucesso se destacam: “Pequenininha”, “Fogueirinha”, ”Alegria e Sorriso”, “Peixe Piaba” “Eu Tenho Uma Novinha Pra Você”, “Agora é Forró Que Vamos Ter”, “Pau Nas Coisas”; algumas dessas são consideradas hinos do São João nordestino.
Assisão, não por acaso, apelidado de Rei do Forró, pôde, a partir de 2023, somar a seus grandes feitos e reconhecimentos, o registro de Patrimônio Vivo do estado de Pernambuco. O artista, história viva da música popular, segue sendo uma “fogueirinha” no coração dos nordestinos, mantendo acesa a chama da tradição.
