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Cultura.PE

Banda de Pífano Folclore Verde

Cidade: Garanhuns
Atividade/expressão cultural: banda musical
Ano de registro de Patrimônio Vivo: 2022

Divulgação

Consideradas Patrimônio Imaterial Cultural de Pernambuco, as bandas de pífanos, também denominadas “terno de pife”, “cabaçal” e “esquenta muié” são aqueles grupos formados por um par de pífanos, uma caixa, e uma zabumba, (composição que pode variar de acordo com a região). Os primeiros registros de sua existência remontam à chegada dos primeiros cristãos ao Brasil, na época da colonização, em que eram recorrentes as missões voltadas a catequizar indígenas através da música. O pífano, como um instrumento de sopro também já utilizado pelos nativos, adequou-se aos propósitos dos missionários. Aos poucos, as bandas de pífanos foram sendo incorporadas e adaptadas à cultura dos escravizados, quilombolas e indígenas. A Banda de Pífano Folclore Verde, fundada em 1816 na comunidade de Castainho, na cidade de Garanhuns, Agreste pernambucano, é um relevante exemplo de resistência e tradição quilombola.

Castainho formou-se a partir da destruição do Quilombo dos Palmares, região que atualmente pertence ao estado de Alagoas. Na fuga, os quilombolas usaram o curso do Rio Mundaú como rota para chegar às matas próximas de onde mais tarde seria o município de Garanhuns. O grupo musical Folclore Verde se perpetua no tempo com a força da oralidade passada de geração em geração, através dos saberes e das práticas ancestrais. Exemplo disso é que a história da banda converge com a árvore genealógica de João Faustino, conhecido como Mestre Faustino, membro mais antigo do grupo: tataravós, avós, pais e tios são alguns dos antepassados que formaram o grupo. A formação dos componentes variou sempre entre membros da família, que seguem carregando a memória e a tradição de um grupo secular. O irmão foi o primeiro a tocar pífano na família, e incentivou Faustino, então com 12 anos de idade, a tocar o secular instrumento. O interesse veio instantaneamente. Lembra com carinho da melodia que o introduziu no universo musical quando aprendeu a tocar: “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga.

Todo final de semana, ocorrem em Castainho as sambadas de coco, que acompanham as perfomances do Folclore Verde, uma associada a outra. As celebrações costumam ser animadas, com muita música, bebida e alegria. O Mestre Faustino conta que, sempre que uma casa, mesmo de taipa, é construída, a família tem o hábito de se reunir e a banda se encontra para celebrar e inaugurar a construção. Essas apresentações domésticas dentro da comunidade não são os únicos momentos da Folclore Verde com o público. O grupo, que possui um álbum gravado, já se apresentou em comunidades no entorno de Castainho, no Recife e em Garanhuns, integrando a programação do Festival de Inverno da cidade, o maior festival de cultura da América Latina. Participaram também de encontros e festivais nos estados de Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul; fora do Brasil chegaram a se apresentar em alguns países da Europa.

São mais de 200 anos em atividade, marcados por resistências e gosto pela própria cultura. Mestre João Faustino alimenta a necessidade de estimular, manter, valorizar, difundir o que sabe com os mais jovens, ampliando os horizontes e as possibilidades que a secular banda pode alcançar. Ele entende que o grupo é um grande marco para Garanhuns, e para Pernambuco. Essa iniciativa é um importante registro da trajetória dos próprios protagonistas do mestre João Faustino e da banda pífano, mas também da história do pífano e do samba de coco dos povos pretos e quilombolas do Estado de Pernambuco. Em 2022, “como música para os ouvidos” da cultura popular, a Banda de Pífanos Folclore Verde foi titulada Patrimônio Vivo de Pernambuco. A valorização da arte e cultura através do reconhecimento desta manifestação, que é o pífano, tem importância crucial no grande processo de inclusão econômico e social, na preservação das memórias de um lugar, de um tempo, de um povo.