Leonardo Dantas
Cidade: Recife
Atividade/expressão cultural: jornalismo
Ano de registro de Patrimônio Vivo: 2022
O que seriam das políticas públicas e reconhecimentos voltados para a cultura popular sem os pesquisadores interessados em desbravar as riquezas das manifestações populares de nosso estado e suas significações para a sociedade? Leonardo Antônio Dantas da Silva, escritor, administrador cultural e jornalista, tem uma carreira marcada por mais de 50 anos voltada para atividades culturais e para a promoção e divulgação da cultura popular pernambucana para diversas localidades do Brasil e do mundo através de suas pesquisas, iniciativas e escritos. Nascido na cidade do Recife, em 10 de dezembro de 1945, filho de Antônio Machado Gomes da Silva Netto, técnico em máquinas e motores do Porto do Recife, e de Ilídia Barbosa Dantas da Silva, professora primária, formou-se como Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco em 1969. No entanto, foi como jornalista que desde jovem trilhou sua carreira.
Em 1965, estreou como repórter especial do Jornal do Commercio, assumindo a “Página Carnavalesca”, por meio da qual ressaltava a presença das agremiações carnavalescas das cidades vizinhas do Recife e de Olinda, famosas pelos festejos de Momos realizados. De suas pesquisas sobre o Carnaval e a cultura popular pernambucana, originaram-se alguns importantes trabalhos, como: Folclore (1975), Cancioneiro Pernambucano (1978), Ritmos e Danças: Frevo (1978); Marchas de Procissão (1998), Carnaval do Recife (2000), dentre outros. Nesta época, na década de 1970, iniciou a coluna na secção “Cidade” no mencionado jornal, defendendo a preservação de alguns bens materiais da cidade do Recife então ameaçados, como a Ponte da Boa Vista e o Parque Amorim. No dia 6 de março de 1972, lançou seu primeiro livro intitulado “Bandeira de Pernambuco”. Leonardo Dantas foi também um dos responsáveis pela criação da Data de Existência Histórica do Recife, que considera o 12 de Março de 1537 como marco do surgimento histórico da Cidade do Recife. Em 1974 migrou para outro jornal de grande circulação no estado, o Diário de Pernambuco.
Em 1975, convidado pelo então Governador de Pernambuco José Francisco Cavalcanti, assumiu o Departamento Estadual de Cultura, da Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco, e, cinco anos depois, em 1979, foi convidado pelo prefeito Gustavo Krause para criar um plano cultural para a cidade do Recife, o que deu lugar ao surgimento da Fundação de Cultura Cidade do Recife. Enquanto diretor-presidente da Fundação (entre 1979 e 1983), Dantas idealizou, em 1979, o Festival Frevança, responsável por lançar grandes sucessos carnavalescos do Recife, por lançar diversos e em 1980, o projeto da Frevioca, que consistia, primeiramente, em um caminhão decorado, com amplificadores de som e uma orquestra regida pelo maestro Ademir Araújo, animada pelo cantor Claudionor Germano, ambos Patrimônios Vivos de Pernambuco.
O jornalista, que também teve passagem pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), entre 1983 e 1987, e assumiu a direção geral da Editora Massangana da Fundação Joaquim Nabuco, entre 1987 e 2002. Leonardo foi autor de mais de 50 livros de sua autoria, autor e/ou organizador de mais de 64 obras de estudos sociais e históricos, em sua maioria sobre Pernambuco. Sócio efetivo do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, contribuiu enormemente para a formação de gerações de pesquisadores e de brincantes, e tornou-se conhecido por ser um defensor dos valores históricos e culturais pernambucanos. Além disso, foi um dos fundadores do Teatro Apolo, foi pesquisador no Brasil e em Portugal, tendo realizado palestras Brasil afora, colaborando com diversos jornais e revistas acadêmicos. Nos últimos anos, exerce a função de consultor do Instituto Ricardo Brennand, no Recife, sendo responsável pela coordenação do setor de Pesquisa. Em reconhecimento à valiosa contribuição de Leonardo Dantas para a cultura popular de Pernambuco, em 2022, ele recebeu o título de Patrimônio Vivo do estado, concedido pela Fundarpe.
