Mestra Nilza da Bonequinha da Sorte de Gravatá
Cidade: Gravatá
Atividade/expressão cultural: artesanato
Ano de registro de Patrimônio Vivo: 2023
Miudeza no tamanho, grandeza no significado. As famosas bonequinhas da sorte de Gravatá são consideradas um amuleto de proteção, e representam importante fonte de renda para as mulheres da cidade agrestina. Feitas de pano, não ultrapassando 1,5 centímetros de comprimento, a artesania, hoje comercializada e conhecida em todo o estado de Pernambuco, em diversas cores, vestimentas e formas, foi criada por Nilza Bezerra da Silva, quando tinha apenas 14 anos.
Nascida em 28 de outubro de 1965 e natural de Gravatá, agreste pernambucano, Nilza aliou seu vínculo afetivo por bonecas com a necessidade de ajudar na renda familiar, que era insuficiente. Foi a presidente do círculo operário, Maria da Paz, que, ao visitar uma feira internacional em Caruaru/PE, em meados da década de 1970, encantou-se com umas bonequinhas de procedência de algum país latino-americano, feitas de arame e lã e indicou que Nilza as utilizasse como inspiração. Não tardou e a jovem artesã juntou alguns retalhos e iniciou suas confecções, dando forma às adoráveis miniaturas, futuramente comercializadas. A sorte logo chegou para Nilza, e as bonequinhas viraram seu sustento e motivo de orgulho.
Ao longo do tempo, muitas foram as mudanças e os impactos na produção, mas as bonequinhas da sorte de Gravatá seguem firmes e fortes. Desde 2017, as bonequinhas têm registro de patente junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Dois anos depois, em 2019, através da Resolução n° 1.574, de 29 de abril de 2019, a Assembleia Legislativa de Pernambuco – ALEPE, conferiu à cidade de Gravatá o título honorífico de Capital da Bonequinha da Sorte. Nesse processo, destacou-se Mestra Nilza, publicamente reconhecida como pioneira nesta criação artesanal.
O sucesso das bonequinhas não passa despercebido. São comercializadas e exibidas em feiras, salões de turismo e lojas, inclusive fora do estado de Pernambuco e do país, como na Bélgica, Estados Unidos e Holanda. Neste último, Mestra Nilza chegou a receber um pedido de três mil unidades. Além disso, faz parcerias com diversas empresas privadas e organizações não- governamentais – ONGs.
Atualmente, as pequenezas são produzidas em larga escala, por diversas artesãs, que dividem entre si as etapas da produção: cada uma delas faz uma parte milimétrica das bonequinhas, como perna, braço e cabeça. Todo trabalho é 100% manual. Agulhas, linhas, pedacinhos de pano, talento e delicadeza garantem a confecção de cada bonequinha, que, embora pequena, leva cerca de 3 horas para ser concluída. Nos dias correntes, são comercializadas como imãs de geladeira, broches, brincos e peças de decoração. As bonequinhas estão presentes também em embalagens de bolo de rolo – patrimônio imaterial de Pernambuco –, como também nos adornos de festas juninas e carnavalescas.
As bonequinhas são fonte de renda de diversas mulheres de Gravatá, o que lhes possibilita mais independência e autonomia financeira. Movimentam, também, a economia local ao garantir a produção de milhares de peças por mês.
Mestra Nilza Bezerra, com seus ensinamentos e perseverança, é uma das grandes inspirações do artesanato regional, majoritariamente feminino, e uma das grandes responsáveis por esse feito, que resulta na valorização, tanto da cultura local como profissional das artesãs. Todos esses atributos, além de seu inegável talento, fizeram com que fosse contemplada com o registro de Patrimônio Vivo do estado em 2023. As bonequinhas levam sorte e beleza aonde quer que estejam, e, por trás de cada uma delas, direta ou indiretamente, está Mestra Nilza.
