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Cultura.PE

Mestra Vera Brito

Cidade: Vicência
Atividade/expressão cultural: artesanato
Ano de registro de Patrimônio Vivo: 2023

Divulgação

Transformar sonho em realidade: assim fez Vera Lúcia de Oliveira Brito, nascida em 30 de novembro de 1948, que, há mais de 45 anos, a partir de uma atividade lúdica e prazerosa, obtém seu sustento e reconhecimento profissional como mestra bonequeira.

Ainda quando criança, impossibilitada de ter uma boneca industrializada por questões financeiras, fazia a sua própria, com tudo que encontrava ao redor: maniva (folha moída da mandioca), caroço de manga e sabugo e palha de milho. Foi então, que seu pai, que tinha uma fábrica de doces, lhe pediu para fazer uma embalagem para um “nego-bom” (doce brasileiro, típico de Pernambuco, feito a partir de banana, açúcar e limão). A menina Vera logo mostrou seu talento para o artesanato, ao confeccionar as embalagens com a fibra da bananeira, matéria-prima que em Vicência, município da Mata Norte pernambucana, onde nasceu, tem em abundância (a localidade é uma das maiores produtores de banana do estado). Daí, logo veio a criação das bonecas feitas da fibra da bananeira.

As bonecas já demonstram o trabalho habilidoso da jovem artesã, mas quem as vê prontas, expostas à venda ou à contemplação, não imagina o processo de fabrição que há por detrás, para obter a fibra no melhor estado para se transformarem em vistosas “moças”. Foi, sozinha, que Mestra Vera Brito descobriu a forma de conservar e de como retirar a sacarose contida na fibra, que por sua vez é retirada do pseudocaule, extraída de dentro da capa da bananeira. Depois de extraída a fibra, é preciso lavar e esperar secar, para que fique “durinha e bem armada”, como ela mesma diz.

A arte de Vera Brito tem como principal inspiração as sinhás-moças, filhas jovens e solteiras dos senhores de engenho, pertencentes à aristocracia. Por isso, muitas delas vêm acompanhadas de vestidos deslumbrantes, com babados e rendas, e adereços carregados de elegância, como bolsas, guarda-sol e chapéu. Os tamanhos e formas variam, mas essa é a sua assinatura: bonecas requintadas. Além do modelo tradicional, sua arte também pode ser vista em formato de anjos, santos, arranjos, flores e até quadros.

Grande admiradora de seu próprio trabalho, a Mestra faz questão de repassar seus conhecimentos e incentivar o artesanato às comunidades locais. Foi professora de Arte e Pintura, na Fundação do Bem Estar Social, de Vicência, participou de quase todas as edições da Feira Nacional de Negócios do Artesanato – FENEARTE, inclusive na aclamada Alameda dos Mestres. Segundo a artesã, a participação nesta Feira, a maior do gênero, na América Latina, foi grande responsável por lançar seu trabalho aos olhos do Brasil e até do mundo. Vera Brito também recebeu várias Moções de Aplausos da Câmara Municipal de Vicência, pelos grandes serviços culturais prestados; foi premiada em 2020, com o Prêmio Cultura Viva de Vicência, como Mestra, prêmio este organizado pela Prefeitura Municipal de Vicência, com recursos municipais da Lei Aldir Blanc. Já realizou diversos cursos oficinas, muitos deles administrados por ONGs e pelo SEBRAE, ensinando jovens e adultos a arte da palha da banana em diversos municípios do Nordeste, como em Baturité e Guaramiranga no Ceará; em Palmeira dos Índios em Alagoas, além de vários municípios de Pernambuco.

Segundo pesquisas feitas pelo IBGE, em 2007, 87% do número total de artesãos (8,5 milhões) são mulheres. Isso significa que, através do trabalho criativo e manual, muitas mulheres artesãs conseguem espaço para gerar os próprios negócios, o que possibilita a independência financeira e aumento da autoestima, entre uma série de outras conquistas. Inserida nessa estatística, Mestra Vera Brito, com pioneirismo e singular trabalho com a palha da bananeira, leva para muitos artesãos e, sobretudo, artesãs, a possibilidade de, assim como ela, e terem sua autonomia financeira e em outras esferas e, assim, alcançarem reconhecimento público. Somado a estas importantes contribuições, Mestra Vera Brito, agora registrada Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2023, também colabora com a divulgação de um município da Mata Norte, Vicência, para demais localizações de Pernambuco e para outros estados brasileiros. Que a inspiração de Mestra Vera, a partir da bananeira, siga dando bons frutos.