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Cultura.PE

Mestre Calú

Cidade: Vicência
Atividade/expressão cultural: mamulengo
Ano de registro de Patrimônio Vivo: 2022

Divulgação

Antônio Joaquim de Santana é o nome do Mestre Calú, mamulengueiro. Os mamulengos consistem em uma forma de teatro de bonecos, feitos dos mais diversos materiais, que interagem com o público partindo de um roteiro mínimo que se desenrola através de criativas improvisações. Por ser uma manifestação da cultura popular brasileira repleta de originalidades, destacando-se a região Nordeste e, mais ainda, Pernambuco, o mamulengo se tornou, em 2015, Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, o que garante a salvaguarda dessa bem cultural. Natural de Vicência, Zona da Mata de Pernambuco, Mestre Calú nasceu em 12 de agosto de 1945, no Engenho Independência e em muito contribui com a salvaguarda desse bem. O contato próximo com o brinquedo através de seu pai, o mamulengueiro José Joaquim Santana, o Zé Calú fez com que Antônio despertasse, desde a infância, o gosto e o encanto pelo mundo lúdico e alegre dos bonecos de mamulengos.

Em 1964, aos 19 anos de idade, Mestre Calú comprou seu primeiro brinquedo, um presépio do mamulengueiro Tio Pueira, de quem também herdou a primeira freguesia. Ele logo produziu seu próprio teatro de bonecos, dando início a uma trajetória que contribuiu e contribui fortemente para a cultura popular nordestina. Mestre Calú aproveitou ao máximo os ensinamentos de seu pai, que faleceu seis anos depois dessa aquisição. Num primeiro momento, nomeou seu presépio de bonecos de “Presépio Mamulengo desde o Princípio do Mundo”, o qual posteriormente passou a ser chamado “Presépio Mamulengo Flor de Jasmim”. Durante as décadas de 1960 a de 1990, Calú se apresentava em diversos engenhos e fazendas da Mata Norte de Pernambuco, onde era contratado e promovia divertimento e provocava risos de trabalhadores rurais. Nessa época, já levava sua irreverência, improviso e criatividade para cidades vizinhas, como Timbaúba, Macaparana, entre outras.

Atualmente, é um dos mestres em mamulengos de maior idade e experiência no país, e repassa seus conhecimentos para seu filho, conhecido como Duda. Possui mais de 200 bonecos em seu acervo, os quais ele mesmo criou e deu vida. Em seu município, Vicência, recebeu diversas homenagens de relevância; ao redor do Brasil, o mamulengueiro também recebeu prêmios importantes, como o do Teatro de Bonecos Popular o Nordeste, em 2016; e o prêmio de culturas populares do Ministério da Cultura, em 2017. Além disso, Mestre Calú, que esteve presente em Brasília na reunião que elegeu o mamulengo como Patrimônio Cultural do Brasil, é considerado, desde 2019, um guardião da memória viva do mamulengo, e também participou de dezenas de projetos e oficinas pelo país, contribuindo para a preservação e salvaguarda da tradição desse brinquedo lúdico, dinâmico e que exalta cultura popular desde a criação dos bonecos, até as representações (encenações) para o público.

Dotada de significações lúdicas, esse folguedo de expressão cênica, permite que outros folguedos e manifestações sejam representadas através das narrativas e histórias contadas, reforçando a cultura local de cada região, e transmitindo-a tanto de geração em geração, como para o público em geral. Assim o faz grandiosamente Mestre Calú, que produz seus próprios bonecos, com garrafas PET, bolas de gude, entre tantos outros materiais que lhes dão singularidade. Nascido e criado na Zona da Mata, várias de suas histórias estão contextualizadas em expressões culturais rurais como o coco, o maracatu, o pastoril e o cavalo marinho. Também é o próprio Mestre que reproduz e faz as cantigas e loas desses brinquedos. O mamulengueiro não se esgota por aí, recria passagens bíblicas, unindo o profano e o religioso, entre tantas outras histórias. A arte de Mestre Calú é um deleite para a plateia que em 2022 foi contemplado com o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, fazendo com que as cortinas do teatro de bonecos nunca se fechem.