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Cultura.PE

Pitombeira dos Quatro Cantos

Cidade: Olinda
Atividade/expressão cultural: frevo
Ano de registro de Patrimônio Vivo: 2023

Divulgação

“Nós somos da Pitombeira,
não brincamos muito mal,
se a turma não saísse
não havia carnaval.

A turma da Pitombeira
tem seis dedos em cada mão,
e o P que tem na testa
faz parte da confusão.

Pitombeira só tem dez letras
e uma significação
Pitomba é fruta besta
que se compra com qualquer tostão [...]”

O “P” que tem na testa é de Pitombeira, mas, desde 2023, a letra ganhou mais um possível significado: Patrimônio Vivo do estado. Nascida da algazarra de um grupo de amigos que carregava galhos floridos de pitomba, em 17 de fevereiro de 1947, auge da efervescência carnavalesca, a Troça Carnavalesca Pitombeira dos 4 Cantos, radicada na cidade de Olinda, é uma das mais tradicionais do Carnaval pernambucano, com seu hino emblemático, os passistas com suas coreografias sincronizadas e seus fiéis, destemidos e leais foliões e foliãs.

Não tardou para a improvisada brincadeira gerar frutos. Três anos após a fundação, em 1950, a Pitombeira foi agraciada com seu hino, composto por Alex Caldas, um dos fundadores, e neste mesmo ano, os membros passaram a desfilar com adornos e fantasias, como a de palhaços e futuramente, a indumentária de presidiários, representada pelas listras horizontais em preto e branco. Em 1953, veio o primeiro estandarte, elemento simbólico e visual central dos clubes e das troças de frevo. A responsável pela confecção, Nair Sales, destacou, na estampa, a forma geométrica de um losango, retratando a Rua Prudente de Morais, no bairro do Carmo, acompanhada por cachos de pitomba.

Aos poucos, a Troça foi agregando mais e mais sócios, foliões, foliãs e admiradores, tomando forma e se fixando no carnaval olindense, sem perder a leveza da brincadeira que a originou. Ao final da década de 1950, a Pitombeira passou a apresentar desfiles temáticos. Para o Carnaval de 2024, inclusive, a estampa da camiseta escolhida faz uma referência aos 50 anos de um de seus primeiros desfiles, cujo tema foi “é fantástico como os signos regem o destino dos homens”.

Desde os anos 2000, para alegria dos que anseiam a chegada dos festejos de Momo, a Pitombeira “abre-alas” para as prévias do Carnaval, no feriado nacional do 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil. Hoje, sob o comando de Hermes Cristo Neto, (Herminho), juntamente com a diretoria e simpatizantes, a Troça segue agregando novos adeptos, das mais variadas idades e interesses, assim como é o carnaval democrático de Pernambucano. A sede, localizada na Rua 27 de Janeiro, número 128, bairro do Carmo, Olinda, no famoso “4 cantos”, epicentro do Carnaval olindense, não passa despercebida, com sua fachada frontal nas cores amarela e preta, símbolos da Troça. Como meio de manter acesa a chama da Pitombeira ao longo dos anos e de garantir sua sustentabilidade, a sede é espaço tanto de ensaios dos músicos, como de festas privadas ao longo do ano. No local também é possível encontrar o precioso conjunto de estandartes da Troça, que além de embelezar, contam histórias.

“Da fruta besta” nasceu uma das troças mais importantes do carnaval pernambucano, que contribui enormemente para a manutenção do carnaval de rua, da festa do povo e para o povo. Viva a Pitombeira, de canto a canto!