Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

PATRIMÔNIO CULTURAL

Trajetória

Primeiros Anos

A atuação da Fundarpe em Educação Patrimonial (EP) teve início em meados da década de 1970, quando foram desenvolvidas ações de conscientização e valorização dos bens culturais em Igarassu (como parte do Projeto de Agenciamento da Praça Marechal Deodoro) e, no início da década de 1980, quando da restauração da Igreja Nossa Senhora da Conceição de Vila Velha, na Ilha de Itamaracá. As ações foram desenvolvidas pela assistente social Melônia Carvalho, funcionária atualmente aposentada da Fundarpe, acompanhada, em Igarassu, pela arquiteta Rosa Bonfim e, em Vila Velha, pela equipe técnica responsável pela obra da igreja.

No caso de Igarassu, havia um processo acelerado de descaracterização do casario da Praça Marechal Deodoro, com o uso de cerâmicas, esquadrias basculantes e outros elementos, e a ação teve como resultado a adesão dos proprietários quanto à retirada dos elementos espúrios e à recuperação das fachadas primitivas.

Na época, esse tipo de ação não era denominada de Educação Patrimonial, nomenclatura que surgiu posteriormente, mas já colocava em prática os preceitos de valorização das identidades locais, do sentimento de pertença e do reconhecimento do papel do cidadão na preservação do patrimônio, trabalhando as esferas do individual e sua interface com o coletivo.

Outras ações desenvolvidas posteriormente, que não utilizavam metodologia específica da EP, tinham objetivos muito próximos dos definidos no uso da ferramenta.

Panorama cultural

Desenvolvido entre os anos de 2004 e 2005, o Panorama Cultural consistiu num mapeamento participativo dos elementos culturais junto aos municípios. Atividade de reconhecimento e difusão acerca do patrimônio cultural do Estado, sua construção se deu a partir da realização de onze Fóruns Patrimoniais do Interior, onde os municípios contribuíram no levantamento e reunião das informações, até então apresentadas de maneira vaga e dispersa.

Entendido como um banco de dados sempre em construção, o Panorama permite uma compreensão maior das manifestações e bens culturais de natureza tangível e intangível presentes no território do Estado de Pernambuco.

A consolidação da equipe de Educação Patrimonial

Das ações mais pontuais que vinham sendo desenvolvidas, a partir de 2007, iniciou-se um trabalho mais sistemático, na cidade de Triunfo, sob a coordenação da arquiteta Luciana Menezes.

Logo em seguida, sob o patrocínio do Iphan-Monumenta, por meio de edital de seleção, foram aprovados os projetos Educação Patrimonial em Goiana e Educação Patrimonial em Igarassu, dos quais foram originadas duas publicações. As publicações foram desenvolvidas com a coordenação da arquiteta Terezinha P. Silva e com a participação dos bolsistas do Programa de Especialização em Patrimônio – PEP, das áreas de história, turismo e arquitetura. O resultado serviu de referência para uma série de publicações que a Fundarpe desenvolveu posteriormente, englobando o patrimônio cultural de cada Região de Desenvolvimento.

As publicações abordam conceitos como cultura, história, memória, patrimônio cultural e apontam os bens culturais da região (extraídos do Panorama Cultural – 2005). Foram publicadas em 2009: Educação Patrimonial para a Mata Norte, Sertão Central, Agreste Meridional e Sertão do Pajeú. (colocar os links).

O ano de 2010

Em 2010, a equipe de Educação Patrimonial, então coordenada pela turismóloga Fabiana Sales, e, posteriormente, pela também turismóloga Lilian Silva, organizou um mutirão para a atualização dos dados referentes aos bens culturais dos municípios do Estado de Pernambuco presentes no Panorama Cultural de 2005 (atualizado em 2007). Até então, dos 186 municípios, 53 não possuíam informações, além de uma carência encontrada na consistência de dados em sua maioria. Com essa estratégia, dos 53 municípios ausentes, 32 responderam à solicitação, além de uma atualização daqueles já informados, totalizando em 88 o número de municípios que responderam ao formulário dos bens culturais. Cabe destacar, também neste formulário, a reformulação das categorias de classificação referentes aos bens culturais imateriais, tendo por referência a estabelecida pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), utilizada em seu Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC).

A obtenção desses dados serviria, a princípio, para alimentar o Mapa Cultural, bem como oferecer subsídios às novas edições das publicações direcionadas às 11 Regiões de Desenvolvimento do interior de Pernambuco (RDs). Tais edições apresentam uma renovação em seus textos, referindo-se às temáticas de cultura, identidade, memória, história, patrimônio cultural, educação patrimonial, meio ambiente, cidadania e turismo. De todo o material projetado, os referentes às regiões da Mata Norte, Sertão Central e Agreste Meridional foram publicados.

No referido ano, a equipe continuou a parceria com a então Diretoria de Formação da Fundarpe, firmada desde 2009, incluindo oficinas de Educação Patrimonial no calendário dos festivais Pernambuco Nação Cultural (FPNC). Tais oficinas foram direcionadas a professores, gestores de cultura, áreas afins, e à população em geral. Os conceitos de cultura, identidade, memória, história, meio ambiente e cidadania, foram abordados nas aulas, que culminavam com a discussão sobre patrimônio cultural e sua preservação, sempre formatadas de acordo com as especificidades de cada região. No total, foram sete oficinas, realizadas nos festivais da Mata Norte, Sertão Central, Agreste Meridional, Sertão do Pajeú, Agreste Central, Agreste Setentrional e Sertão do São Francisco. A equipe também realizou oficinas específicas em outros projetos: Preservando Cultura, Governo Presente, III Semana do Patrimônio de Pernambuco e Semana do Patrimônio em Paudalho.

Outros instrumentos de ação que obtiveram sucesso em 2010 foram as ações educativas. Estas atividades, direcionadas aos jovens do ensino fundamental e médio, se propuseram a trabalhar particularmente com questões ligadas ao patrimônio diretamente na sala de aula, de maneira lúdica, introduzindo noções básicas de preservação entre os alunos. Foram realizadas nos festivais Pernambuco Nação Cultural (São José do Belmonte, Gravatá e Petrolina), no projeto Preservando Cultura (Basílica da Penha – Bairro de São José) e na III Semana do Patrimônio (Liceu/Casa do Patrimônio).

O ano de 2011

Em 2011, a Equipe de Educação Patrimonial passou a ser coordenada pela arquiteta Ericka Rocha, buscando novos rumos. A proposta de ações para o ano seria direcionada às gestões municipais do Estado nas áreas de cultura e patrimônio, a fim de se construir um melhor entendimento sobre patrimônio cultural junto a essas instituições. Foram realizadas oficinas desse porte nos municípios de Goiana, São José do Belmonte, Serrita, Garanhuns, Carnaíba, Serra Talhada, Gravatá e Taquaritinga do Norte.

Atividades com alunos do ensino médio também foram realizadas através da oficina “Nas Teias do Patrimônio”, nos municípios de Carpina, Garanhuns, Rio Formoso e Gravatá. Além das ações educativas em escolas de Ipojuca, solicitadas para o evento “A presença franciscana na Mata Sul de Pernambuco”.

Oficinas demandadas por comunidades, sobre o patrimônio e sua preservação, também foram realizadas no bairro de Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, na comunidade quilombola Negros do Osso, em Pesqueira, e nas sedes dos municípios de Mirandiba e Tracunháem. Por se tratar de uma demanda vinda diretamente dos próprios municípios, os resultados de tais oficinas foram bastante proveitosos, já que deram uma visibilidade mais efetiva às necessidades e anseios dos próprios participantes.

O ano de 2012

Em 2012, a equipe, coordenada por Ericka Rocha e composta por Diomedes Oliveira e Mário Gouveia, buscou a estratégia de trabalhar o ambiente escolar, por meio da Oficina “Nas Teias do Patrimônio”, vinculada às ações externas das caminhadas com os alunos pelas ruas das cidades. Foram contemplados, durante o Festival Pernambuco Nação Cultural, os municípios de Macaparana, Custódia, Caruaru, Afogados da Ingazeira, Limoeiro, Taquaritinga do Norte, Gravatá, Exu e Bodocó.

Além disso, outras ações específicas se desenvolveram ao longo do ano, por meio de parcerias e solicitações da sociedade, a exemplo da Capacitação de mediadores do Parque Aza Branca em Exu (com parcerias com a Diretoria de Gestão de Equipamentos Culturais – DGEQ – Fundarpe); o Curso de Formação em Educação Patrimonial no município de Santa Maria da Boa Vista; as parcerias com o Projeto Cultura Valorização da Vida (Diretoria de Planejamento – Secult), na comunidade de Lagoa Encantada, no bairro do Ibura, Recife; Oficina de Educação Patrimonial no evento Conexões Ibram; a capacitação de mediadores do Museu do Estado de Pernambuco e Museu de Arte Sacra de Pernambuco (em parceria com a DGEQ) para o evento “Negras: Culturas na construção da identidade” (promovido pela Secult-PE/Fundarpe); e a oficina “Patrimônio Cultural e preservação das edificações franciscanas”, no Convento de Santo Antônio do Recife.

No 22º Festival de Inverno de Garanhuns, em 2012, a Equipe de Educação Patrimonial organizou a “Caminhada do Patrimônio”, sob a proposta de provocar nos participantes um olhar crítico sobre a cidade, partindo de seus próprios habitantes e de suas percepções do urbano para aqueles lugares que compõem seu dia a dia e que passam despercebidos, carregados de valor simbólico e sobreposições da história, a imprimirem o caráter das diferentes cidades. A proposta era simples: uma caminhada guiada por diversos pontos da cidade, envolvida por algumas paradas para reflexão diante das ruas, construções e pessoas que compõem Garanhuns e suas tantas histórias.

2013

Em 2013, a equipe continuou a trabalhar no ambiente escolar, percebendo os alunos como agentes multiplicadores das ideias construídas em conjunto sobre patrimônio e preservação nas ações educativas. Esta estratégia possibilitou um diálogo mais fluido com as comunidades, no momento em que as ações na escola tomaram proporções extramuros, com o objetivo de uma preservação para além das legislações. As cidades de Paudalho, Arcoverde e Caruaru foram contempladas com a Oficina Nas Teias do Patrimônio, seguida pela Caminhada do Patrimônio.

Atividades realizadas em comunidades também ganharam destaque no ano. O intuito foi de envolver populações locais na construção e preservação daquilo que se considerava como patrimônio cultural, alinhado ao que já se encontrava patrimonializado. Nas cidades de Garanhuns e de Mirandiba, edições especiais do Jogo do Patrimônio foram realizadas em comunidades remanescentes de quilombolas.

Capacitações envolvendo espaços museus e preservação do patrimônio cultural foram realizadas a partir de solicitações externas, com destaque para a ação no Parque Histórico Nacional dos Guararapes com a formação de mediadores para a Festa da Pitomba, e para o Mini-curso “Patrimônio, mediação museal e criatividade”, realizado no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE) durante a Semana dos Museus.

No 23º Festival de Inverno de Garanhuns, a equipe de Educação Patrimonial realizou, mais uma vez, a Caminhada do Patrimônio, ainda na mesma proposta e perfil de público, porém ampliando o roteiro pela cidade, que incluiu ruas específicas do centro de Garanhuns a outras histórias conhecidas na tradição oral de seus moradores.

Para a VI Semana do Patrimônio, a ação de destaque ficou para o Navegando no Patrimônio. Numa parceria com a Escola Ambiental da Prefeitura do Recife, um catamarã foi cedido para a atividade realizada com os alunos do Ginásio Pernambucano da Rua da Aurora, no Recife. Partindo do Marco Zero, o roteiro percorreu pelas principais pontes do centro da cidade, com o objetivo de proporcionar outros olhares nos alunos para o urbano e seu patrimônio edificado e ambiental.

Entre os meses de setembro a novembro, a Equipe de Educação Patrimonial esteve envolvida em uma série de ações na Povoação de São Lourenço de Tejucupapo, município de Goiana. Nesse período, as obras de restauração da Igreja de São Lourenço de Tejucupapo (fiscalizadas pela unidade de planejamento e obras da DPCULT) estavam em processo de finalização e as ações educativas entraram em cena com o intuito de envolver a população com o processo das obras e sua entrega final.

Entrevistas de história oral, oficinas, ações educativas externas e uma data de entrega da Igreja restaurada marcaram o processo de Educação Patrimonial direcionado às obras da Igreja de São Lourenço para a comunidade. Alunos, professores, membros da comunidade católica, associação quilombola, artesãos e moradores em geral participaram das atividades propostas.