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PATRIMÔNIO CULTURAL

Teatro Experimental de Arte

Cidade: Caruaru
Atividade/expressão cultural: teatro
Ano de registro de patrimônio vivo: 2008

Costa Neto/Secult-PE

O que há por trás de um nome? Teatro Experimental de Arte é o nome que resume toda uma vida dedicada às artes cênicas e à formação de jovens e estudantes. Sociedade civil de caráter puramente artístico cultural, é assim que se autodefine a organização fundada em Caruaru, a 16 de julho de 1962, pela pedagoga, atriz e encenadora Arary Marrocos Bezerra Pascoal e pelo contador, ator e autor teatral Argemiro Pascoal, cuja nomenclatura primeira – Movimento Teatral Renovador – foi logo substituída pela atual, na ocasião da assembléia inaugural para aprovação do estatuto. Ao lado de Arary e Argemiro, a lista de fundadores inclui Antonio Paulino de Medeiros, Carlos Fernandes da Silva, José Gustavo Córdula, Fernando Gomes de Oliveira, Edvaldo Pereira de Castro, Antonio Silva, Margarida Miranda, Maria José Bezerra, Abias Amorim, Paulo Roberto e Sá, Maria Ezinete de Melo, Inácio Tavares e Jonas Mendonça. Filiado à Federação de Teatro de Pernambuco (Feteape), o TEA é considerado, por lei municipal, um órgão de utilidade pública.

Quando Argemiro se muda de Bezerros para Caruaru, em 1951, de modo intermitente atuava na cidade o Grupo Intermunicipal de Comédia, com a participação dos atores Rui Rosal, Joel Pontes, Pedro Valença. Em 1956, o declarado apreciador da linguagem cênica decide fundar o Teatro de Amadores de Caruaru (TAC), com Cosme Soares, Creuza Soares, Antônio Medeiros e Wilson Feitosa. Entretanto, é em julho de 1962, ocasião em que a cidade recebe o I Festival de Teatro de Estudantes do Nordeste, coordenado por Joel Pontes, caruaruense radicado no Recife, que surge o TEA, justamente a partir da breve mas instigante experiência e da constatação de que algo precisava ser feito quanto à cena teatral local.

Marcado pela ininterrupta atuação no agreste pernambucano, o grupo é o criador do Festival de Teatro Amador e Estudantil do Agreste (Feteag), promovido desde 1988, e do Festival de Teatro do Estudante de Pernambuco (Festep), que acontece a partir de 2002. Tais eventos contam com a participação de alunos de colégios privados e escolas públicas municipais e estaduais daquela região, vez que um dos principais objetivos do grupo é exatamente contribuir com o desenvolvimento de jovens talentos e promover intercâmbios artísticos mediante a promoção de festivais e mostras de artes cênicas. Outro importante projeto é o Teatro na Comunidade, que consiste em apresentar espetáculos populares em palco ou praças públicas da cidade e zona rural, inclusive promovendo debate acerca de questões de interesse das próprias comunidades.

Construída com recursos próprios, a sede fica no bairro de Indianópolis. Chama-se Teatro Lício Neves, em tributo ao poeta pernambucano. Anualmente são oferecidas oficinas de iniciação teatral, ministradas por Arary Marrocos, Jô Albuquerque, José Carlos da Silva e Carlos Alves, sob a coordenação de Argemiro Pascoal. O TEA é considerado um dos principais responsáveis pela renovação da cena teatral do interior do estado. Além de já haver encenado diversos textos de qualidade inquestionável, tais como A bruxinha que era boa, O Baile do Menino Deus, Cancão de Fogo, Morte e Vida Severina, e os clássicos Antígona, Romeu e Julieta, A metamorfose, entre os anos de 1967 e 1979 o grupo registrou participação contínua no espetáculo da Paixão de Cristo, em Fazenda Nova. O primeiro seminário do teatro de Caruaru foi promovido pelo TEA. Desde a fundação, mais de cinqüenta espetáculos foram encenados pelo grupo, que, inclusive, vem acompanhando o despertar de novos talentos, a exemplo do premiado teatrólogo Vital Santos.

São José do Rio Preto, em São Paulo; Feira de Santana e Salvador, na Bahia; São Cristóvão, em Sergipe; Maceió, em Alagoas; João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba; Recife, Garanhuns, Serra Talhada, Arcoverde, São José do Egito, Bonito, Limoeiro, Pesqueira, Belo Jardim e Gravatá, em Pernambuco, são algumas das cidades nas quais o grupo participou de festivais, mostras de teatro e com as quais estabeleceu intercâmbio cultural. Ao longo de todas essas décadas, o TEA se ocupa, igualmente, em promover palestras, debates, seminários, simpósios. Diversos cursos têm sido ministrados por importantes profissionais da cena teatral e das artes, a exemplo de Clênio Wanderley, Marco Camarotti, Luiz Maurício Carvalheira, Isaac Gondim Filho, Didha Pereira, Rubem Rocha Filho, Romildo Moreira, Ivan Brandão, Valdeck de Garanhuns, Roberto Benjamin, José Manoel, Zélia Sales, José Francisco Filho, Feliciano Félix, Ivonete Melo, Valdi Coutinho, Antonio Miranda Cavalcanti, José Soares da Silva (poeta e xilógrafo Dila), ceramista Manoel Galdino, Vavá Paulino, Jorge Clésio, Joel Pontes, Luiz Marinho Filho.

Obstinação: este é o motor que move o casal cheio de amor pelas artes cênicas. O que resulta daí são as muitas trajetórias artísticas que vêm ganhando o mundo, com a decisiva colaboração de Arary e Argemiro.

Fonte: Amorim, Maria Alice (2014),  Patrimônios Vivos de Pernambuco; 2. ed. rev. e amp – Recife: FUNDARPE