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Alunos de Arquitetura visitam obras Mosteiro de São Bento e Igreja de São Pedro Mártir

Ação de Educação Patrimonial da Fundarpe levou futuros arquitetos a obras de restauro em templos icônicos de Olinda

Foto: Silla Cadengue/ Fundarpe

“Trabalhar com o passado para viver no presente e transmitir ao futuro.” A frase sintetiza uma orientação geral do trabalho com Patrimônio e foi dita a estudantes de Arquitetura que visitaram as obras do Mosteiro de São Bento e da Igreja de São Pedro Mártir de Verona, em Olinda. Na última sexta (27), alunos do curso de Arquitetura na Uninassau foram aos dois templos para conhecer mais sobre o trabalho de restauração feito neles, em mais uma iniciativa de Educação Patrimonial da Fundarpe com a Diretoria de Obras e Projetos Especiais, que coordena as obras.

A visita dos alunos foi guiada pelo diretor de Obras e Projetos Especiais, Frederico Almeida, que explicava nuances dos trabalhos sobre os bens integrados – aqueles que não são a construção em si, mas que compõem o Patrimônio e não são móveis, como os altares ou o forro do teto. Almeida comentou desde pontos elementares, como a pátina da fachada do Mosteiro de São Bento, que uma aluna pensou ser sujeira, até questões culturais que envolvem o trabalho de restauro. “Na Alemanha, o trabalho de restauração envolve reconstrução, mesmo. Isso porque muito patrimônio material foi perdido na Segunda Guerra. Aqui no Brasil, ‘reconstrução’ é quase um palavrão dentro do contexto de trabalho patrimonial”, brincou o diretor.

O contraste entre o Mosteiro, templo barroco que data do final do século 16 e é gerido por uma irmandade religiosa, e a Igreja de São Pedro Mártir – predominante barroca, que atualmente não é zelada por uma irmandade e conta com menos bens integrados (além de demandar mais obras civis) –, foi didático para que os alunos entendessem as diferentes nuances que envolvem o cuidado com Patrimônio. “É legal ver que há recursos sendo investidos nas igrejas; elas são documentos históricos e o que estamos vendo é a História sendo restaurada, a identidade do Estado sendo preservada. E mesmo com as diferenças entre as igrejas, patrimônio é patrimônio, tem que cuidar”, destaca o estudante Lucas Carvalho, do 9º período de Arquitetura da Uninassau.

“Esse trabalho de educação patrimonial que a Fundarpe faz é muito importante para todos, inclusive para quem vai trabalhar como arquiteto. Acho bem interessante ter essa possibilidade de visitar. No caso dessa visita, são duas igrejas muito diferentes, e isso faz a gente perceber que tudo é patrimônio, tendo características diferentes, tendo mais adornos ou menos adornos. A gente precisa cuidar de tudo”, afirma o professor Silvino Marinho, da Uninassau, responsável pela ida dos alunos e que leciona a disciplina de Preservação do Patrimônio Arquitetônico e Restauro.

Foto: Silla Cadengue/ Fundarpe

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL – Além das igrejas, os estudantes também conheceram mais sobre as iniciativas de Educação Patrimonial da Fundarpe, que abrange capacitações para gestores, professores e alunos de escolas públicas estaduais. A capacitação também pode ser solicitada para estudantes de ensino superior, pois o conteúdo é adequado ao público-alvo. Para solicitar a formação em Educação Patrimonial, basta entrar em contato pelo e-mail e.patrimonial26@gmail.com.

“Nosso trabalho é percorrer o Estado, difundindo noções de patrimônio e engajando as pessoas no cuidado com esses bens comunitários. Muitas vezes, há edificações que não são tombadas, mas que são importantes para o senso de pertencimento de uma cidade, por exemplo. Mesmo sem o tombamento, as pessoas podem cuidar de uma construção que faça parte da identidade daquela coletividade”, explicou Mano Casado,  técnico da Gerência de Educação Patrimonial da Fundarpe, aos alunos da Uninassau.

A Fundação também apresenta os patrimônios em escolas públicas do Estado por meio da exposição itinerante Patrimônios de Pernambuco, que circula há mais de 3 anos. A mostra é fruto de uma cartilha virtual criada pela Fundação para ser utilizada como material didático em ações de educação patrimonial. Entre os destaques estão os quebra-cabeças dos Patrimônios Vivos, do Patrimônio Material, Imaterial e Ferroviário, além de um painel interativo que convida o visitante a compartilhar suas próprias referências culturais.

OBRAS – As obras da Basílica e Mosteiro de São Bento e da Igreja de São Pedro Mártir são executadas pela Fundarpe, com recursos disponibilizados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN) por meio do Novo PAC. A primeira envolve mais de R$ 15 milhões em ações tanto de restauro e conservação quanto de obras civis (drenagem das fundações, implantação de sistema de combate a incêndio, entre outras). Já foram restaurados os bens integrados da capela-mor. O restauro da nave está previsto para ser entregue em junho.

No caso da Igreja de São Pedro Mártir, os recursos (mais de R$ 1 milhão) são destinados à modernização do prédio (com acessibilidade e proteção a incêndio, por exemplo) e recuperação (pisos, fachadas, esquadrias e telhado). Foram concluídas as calçadas e rampas que circundam toda a igreja. Estão em andamento as obras nos banheiros, além do restauro das esquadrias e dos óculos da capela-mor (4 janelas circulares ou ovais, duas de cada lado). Também foram iniciadas as pinturas interna e externa da edificação.

Foto: Silla Cadengue/ Fundarpe

Foto: Silla Cadengue/ Fundarpe

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