Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Notícias cultura.pe

Projeto mapeia ateliês percussivos de Pernambuco

Com incentivo do Funcultura, Ebu Lùlù realiza uma imersão fotográfica e poética nos espaços de criação de mestres e mestras dos instrumentos

Hassan Santos/Divulgação

Hassan Santos/Divulgação Ebu Lulu

A obra do artista percussivo Iran Silva está entre as mapeadas pelo projeto

O projeto Ẹbu Lùlù mergulha no universo dos ateliês percussivos de Pernambuco para revelar os corpos, os gestos e as sonoridades dos instrumentos que dão vida à cultura popular do Estado. Entre cabaças, madeiras, ferragens, miçangas, ferramentas e poeira, o projeto apresenta o cotidiano de artesãs e artesãos que dedicam suas vidas à criação de instrumentos percussivos utilizados em manifestações como maracatu, coco, samba, capoeira, frevo e forró. Mais do que fabricantes de instrumentos, são mestres e mestras que transformam matéria em movimento, som e memória.

Lançado nesta quarta (20), Ẹbu Lùlù é fruto de pesquisa conduzida por Hassan Santos e está disponível em site (atelies.pernambucopercussivo.com.br) e no Instagram (@ebu.lulu). O projeto recebeu incentivo do Funcultura.

A pesquisa fotográfica percorreu os ateliês de Diane Agbês, Flávia Foguinho, Abílio Sobral, Biano Pajeú, Chico Nunes, Cristiano Castanho, Charles Lemos, Iran Silva, Heverton Lima (Bolinho), Mestre Jó Percussivo, Mano Black e Mestre Mau — Maureliano Ribeiro, homenageado em memória por sua contribuição fundamental à cultura percussiva pernambucana. Em cada espaço visitado, o projeto revela não apenas técnicas de fabricação, mas modos de vida, espiritualidades, invenções e relações profundas entre corpo e instrumento.

Esta pesquisa é o início de um registro dedicado a pessoas que consagram suas vidas aos sons da percussão”, afirma Hassan Santos. “Foi um privilégio conhecer a intimidade de lugares onde nascem os instrumentos e onde diferentes gerações mantêm vivos saberes raramente escritos”, completa o idealizador.

Inspirado na língua Yorùbá, o nome do projeto carrega em si a própria essência dessa experiência: “Ẹbu” remete ao espaço de criação, ao ateliê, ao lugar do fazer; “Lù” significa tocar, bater, produzir som; e “Lùlù” intensifica essa ação, evocando ritmo, vibração e musicalidade. “O próprio nome já soa como percussão. É um convite sensorial à escuta e ao encantamento”, explica Marconi Bispo, consultor do projetor e sacerdote do candomblé.

Os retratos e ambientes fotografados mostram oficinas onde o tempo parece obedecer a outro compasso — distante da lógica acelerada dos aplicativos e da produtividade imediata. Em Ẹbu Lùlù, percebemos que fabricar uma alfaia, um agbê ou um pandeiro é também um gesto de resistência: um trabalho artesanal que exige escuta, paciência, precisão e vínculo afetivo com o som. O projeto evidencia também como esses instrumentos são extensões dos próprios corpos de seus criadores — obras de arte vivas que seguem pulsando nas mãos de percussionistas, nas ruas, nos terreiros, nos palcos e nas brincadeiras populares.

Mais do que documentar instrumentos, Ẹbu Lùlù propõe uma travessia poética pelos sons, silêncios e movimentos que sustentam uma tradição coletiva. É um convite para entrar nos ateliês, ouvir suas pulsações e perceber que cada tambor carrega também um mundo inteiro em vibração.

AÇÃO DE LANÇAMENTO – Desde a semana passada, cartazes estão sendo colados como lambe-lambe em vários pontos de cultura, ateliês de artesãs e artesãos visitados. As artes também estão sendo distribuídas para o público no ateliê Só Instrumentos de Abílio Sobral, no Vasco da Gama, Recife.

< voltar para Funcultura