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Começa o II Cisertão na cidade de Petrolina

Professores, alunos, escritores e estudiosos na abertura do II Clisertão

Professores, alunos, escritores e estudiosos na abertura do II Clisertão

por Leonardo Vila Nova

A força e a importância de um evento literário de grande porte e as “ressignificações” do sentido da palavra “Sertão” e de todo o imaginário que ela envolve foram os principais motes da cerimônia de abertura do II Clisertão, na noite desta segunda (5). O auditório da UPE, unidade Petrolina, comportava professores, estudantes, estudiosos, escritores locais, nacionais e internacionais, que vieram acompanhar o evento. Nesta edição, o Clisertão que homenageia o xilogravador e cordelista J. Borges (Patrimônio Vivo do Estado) e o escritor petrolinense Antonio de Santana Padilha (in memorian).

Para compor a mesa de abertura do II Clisertão, estavam presentes o diretor de Gestão de Políticas Culturais da Secult-PE, André Brasileiro, que representou o secretário de Cultura de Pernambuco, Marcelo Canuto; o secretário executivo da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Pedro Henrique Falcão, representando o titular da Pasta, Jose Bertotti; o secretário de Educação de Petrolina, Heitor Leite; o assessor técnico da Representação Regional Nordeste do Ministério da Cultura, Roberto Azoubel; o diretor da UPE, campus Petrolina, Moisés Diniz de Almeida; e a professora Maria Aparecida Brandão, que representou o colegiado de Letras da universidade.

Um Sertão que possui uma orla“. Foi com essa frase que Roberto Azoubel definiu a cidade de Petrolina. Em meio a aridez desta macrorregião pernambucana, a fecundidade simbólica que vem das águas. Uma fecundidade representada na nossa cultura e, por cosneguinte, na nossa literatura, com uma produção profícua, que vem ganhando vigor a cada ano, com a realização de eventos como o Clisertão, que vem a fortalecer esse potencial.”O Clisertão é um evento único, realizado nessa região, que o distingue de eventos do tipo realizados em outras partes do Brasil. Aqui, estamos muito dedicados também às questões do desenvolvimento e fortalecimento de políticas públicas para as bibliotecas, livros, leitura e literatura. O Clisertão também tem esse papel, do poder público, de discutir com a sociedade civil, com a sociedade e com os lugares por onde a gente passa a construção de um evento desse porte, que é uma conquista importante para Petrolina, para o estado e para o Brasil,acrescentou André Brasileiro.

Sertão do passado e do presente
Logo após a cerimônia de abertura do Clisertão, a primeira atividade da noite. O professor Durval Muniz de Albuquerque Júnior (UFRN) apresentou a conferência “Os Sertões Inventados”, que surpreendeu – e muito – a quem esperava uma exaltação do Sertão como se conhece e como se perpetua na literatura nordestina e brasileira. Ácido e bem humorado, ele leu um texto feito exclusivamente para o evento, em que desconstruiu a imagem clássica do Sertão que permeia o nosso imaginário – a terra rachada, seca e miserável, o povo humilde e bondoso, os incontáveis signos que tentam resumir a gastronomia e o linguajar que edificam um estereótipo do Sertão e do sertanejo.

Costa Neto

Costa Neto

Proessor Durval Muniz (UFRN) desconstruiu a imagem estereotipada do Sertão

O Sertão é o lugar da memória e da saudade“. Durval estimulou uma reflexão e o questionamento sobre um Sertão “clichê”. Ele questionou o Sertão constituído, em nossa literatura, de fragmentos de imagens e signos de uma narrativa que sempre se apropria dos mesmos símbolos, referências essas que se sustentam no passado, um “território construído com a memória“, que parece negligenciar de suas vistas e da sua compreensão um Sertão que também é constituído de centros urbanos, com a apropriação de signos identificados com o tempo de hoje. “Sertão e Nordeste que vão sendo figurados por cidades, mas não propriamente pelo urbano, pois o que vai lembrar essas cidades não são seus aspectos contemporâneos, modernos, urbanísticos, suas práticas e relações sociais em dias com o presente, mas o que há nelas de artesanal, de folclórico, daquilo que lá no início do século XX se inventou como sendo a cultura nordestina“. Ao reforçar que o Nordeste e o Sertão está globalizado e é constituído por múltiplas temporalidades, entre críticas a escritores e intelectuais que reforçam a imagem arcaica e folclórica do Nordeste, Durval propôs a superação da nostalgia e atacou: “No sertão de hoje se comem as mesmas fast-foods que se comem em Nova Iorque, bebe-se a mesma Coca-Cola que figura nos outdoors de Tóquio“. “Cadê o Sertão dos smartphones? Dos shopping centers? Do facebook e do twitter? Da compra de todos os enlatados? da novela das oito e do BBB, da prabólica e da Sky?“, ao que arrematou com um pomposo “Chega de saudade!“, sendo ovacionado, ao final, por uma plateia repleta de sertanejos, com certeza, já cansados de sempre parecerem os mesmos aos olhos de quem é de fora.

Música e poesia

Costa Neto

Costa Neto

Maviael, Maciel e Marcone Melo levaram cantoria à Petrolina

E, para encerrar a noite, um encontro que respirou poesia em acordes de violão, emoções e harmonia. Pela primeira vez juntos em palco, os irmãos Maciel, Maviael e Marcone Melo se reuniram para apresentar grandes canções de suas carreiras. Cantoria de viola em versos que falavam sobre saudades e amores. Como não poderia deixar de ser, a apresentação musical foi entremeada pela declamação de diversas poesias, de autoria dos irmãos Melo e de outros artistas. Canções como “Bandoleiro dos sonhos”, “Caboclo sonhador” fizeram parte do repertório, assim como “Mané, Maria e luar”em que Maviael Melo resumiu o espírito da apresentação: “Quem disse, um dia, que a poesia também não se cantava?”

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