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Conselho Estadual defere o registro dos Bonecos Gigantes de Belém de São Francisco – Zé Pereira e Vitalina como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco

O processo agora passará para a homologação da Secretária de Cultura e publicação do Decreto pela Governadora do Estado

 

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC/PE), em reunião ordinária nesta quinta-feira (31), deliberou pelo registro, por unanimidade, dos Bonecos Gigantes de Belém de São Francisco – Zé Pereira e Vitalina como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco. A movimentação para o reconhecimento do bem como Patrimônio Cultural de Pernambuco teve início com a resolução nº 1663, de 11 de março de 2020, de autoria do Deputado Professor Paulo Dutra, convertida em requerimento apresentado pela Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco à Secretaria de Cultura em junho de 2020.

Após análise do requerimento, mediante parecer favorável da Gerência de Geral de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe, a Secretaria de Cultura deliberou, em 2021, pela abertura do processo de registro, que contou com a colaboração de técnicos da Prefeitura de Belém de São Francisco na preparação do dossiê de registro dos Bonecos Gigantes de Belém de São Francisco – Zé Pereira e Vitalina.

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural designou a conselheira Mônica Siqueira para a relatoria do processo, que foi lido e analisado em conjunto pelo CEPPC/PE, nesta quinta-feira (31), para a deliberação do registro no respectivo Livro de Registro do Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Pernambuco.

 

PEQUENO HISTÓRICO DO BEM:

 

Na pequena cidade de Belém de São Francisco, no Sertão de Itaparica, em Pernambuco, o surgimento da Banda Filarmônica 25 de Julho (atual Dionon Pires), em 1894, impulsionou o início dos festejos carnavalescos na localidade, um dos primeiros registrados no sertão pernambucano, o que ocorreu em 1895. Nessas celebrações, uma figura já chamava a atenção: Dona Almerinda Benquerida do Amor Divino, conhecida por Nenzinha, que introduziu na comunidade fantasias infantis produzidas a partir de seda e papel crepom, contribuindo com a alegoria para o colorido da festa. Às animadas marchinhas do grupo marcial e às criações de Dona Nenzinha, somou-se outro grande elemento nas diversões momescas, que veio a se tornar um dos maiores símbolos da festa carnavalesca no país, em especial em Pernambuco: os bonecos gigantes. Gumercindo Pires, Filho do Coronel Jerônimo Pires de Carvalho, prefeito da cidade de Belém do São Francisco, e sobrinho de Dona Nenzinha, de quem herdou os dotes artísticos, deu vida ao primeiro boneco gigante do país, ao qual denominou de Zé Pereira, em homenagem à tradicional figura carnavalesca carioca, de quem é homônimo.

Embora a origem do icônico personagem seja imprecisa, a mais divulgada, baseada em relatos memoriais, refere-se ao sapateiro português, José Nogueira de Azevedo Paredes, que por volta do final dos anos 1860, teria saído às ruas do Rio de Janeiro com um grupo de amigos, tocando vibrantes instrumentos como bumbos, zabumbas e tambores, dando início aos primeiros blocos de carnaval de rua daquele estado. A primeira aparição do boneco Zé Pereira em Belém do São Francisco não foi nada simplória. Uma encenação à altura foi idealizada por Gumercindo para anunciar a chegada daquele que viria ser o personagem mais icônico do local:  chegando de barco pelo Rio São Francisco, o boneco desembarcou no porto, onde se uniu à Banda 25 de Julho, cujos integrantes estavam fantasiados de marinheiro e as crianças, de palhaços, além de curiosos e foliões.

Dez anos após a criação e o sucesso do cativante boneco, em 1929, Gumercindo teve a ideia de elaborar uma companheira para Zé Pereira. Batizou-a de Vitalina. No mesmo ano, houve um ritual celebrando o casamento dos gigantes.

O inovador fenômeno cultural dos bonecos gigantes, de grande dimensão simbólica, consagrou-se como um dos elementos mais importantes dos cortejos carnavalescos pernambucanos, demonstrando modos de festejar nos espaços públicos das cidades e municípios, agregando multidões. Sem dúvida, a tradição bonequeira belemita contribuiu parar a construção do referencial cultural carnavalesco pernambucano e consequentemente, brasileiro.

PRÓXIMO PASSO - Após a votação e deliberação do CEPPC/PE a favor do registro, e da publicação da resolução informando da decisão, será publicado o decreto do Governo de Pernambuco, que oficializa o registro do bem nos livros de registro do Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco. A partir disso, iniciará a elaboração do plano de salvaguarda, com a participação da comunidade.

 

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