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Conselho de Preservação

Nota de Pesar – Chocho do Bandolim

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) vem externar o seu pesar diante do falecimento do mais antigo profissional do ritmo do choro do Brasil em atividade, Otaviano do Monte, conhecido como mestre Chocho do Bandolim.

Com mais de sete décadas de carreira , todo o seu aprendizado foi na pratica, sem nunca ter cursado escolarização musical. Despertado, na adolescência, por um tio para o violão, tomou gosto pela habilidade e foi se aprofundando nesse instrumento para usufruir melhor do seu jeito boêmio de ser.

Viveu todo o apogeu da Era do Ouro do rádio. Ao ser classificado como segundo lugar em concurso de música na rádio Jornal, em 1950, foi o alvorecer para florescer o chorinho em sua laureada existência.

Apesar de seu imenso talento e requinte, a música, ao longo de sua vida, não foi seu primeiro oficio profissional. As mãos que faziam eclodir lindas canções em sua melodiosa voz, no dia a dia ganhava o pão levantando obras de alvenaria como mestre de obras.

Nesse paralelo de serviço operário e musical, mestre Chocho conseguiu abrir seu espaço na cena artística do estado após descobrir, por acaso, o cavaquinho e o bandolim que lhe deram outra tonalidade e brilho musicais.

Durante reuniões de rodas informais no quintal de um dos integrantes sempre no lugar de sua raiz, Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, surgiu o Grupo Choro Unido dos Guararapes, que durou 30 anos.

Teve também passagem na festividade do carnaval, através do Bloco da Saudade, onde atuou durante muito tempo, passagem esta que certamente lhe inspirou para criar o choro frevado.

Mesmo com todo esse tempo de carreira, as suas composições são desconhecidas do grande público. No entanto o seu molejo impar para manusear os instrumentos de cordas foi que lhe projetou a alcunha de mestre do bandolim chegando a influenciar novos talentos por todo Estado.

Ao longo de sua carreira, recebeu alguns reconhecimentos, dentre os quais, talvez, o mais importante e emblemático, foi dado por este CEPPC, o título de Registro de Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2017. Fato este que o acompanhou por toda sua pontual existência artística e póstuma.

Diante do calar do seu bandolim, devemos cobrir de solidariedade a família, amigos e o segmento do choro, com a certeza e o compromisso de seu dever cumprido.

Que assim possamos, com o espirito banhado de saudades, contribuir para que seu legado desabroche na formação de novas gerações de choristas que hão de vir inspiradas no nosso memorável e inconfundível Chocho do Bandolim.

 Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural 

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