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Cultura Viva

Seminário Conexão.PE discutiu novos caminhos para o Cultura Viva

Encontro reuniu diversos gestores culturais, artistas e fazedores de cultura do estado

Sandro Barros/Produtora Colaborativa

Sandro Barros/Produtora Colaborativa

Mãe Beth de Oxum, responsável pelo Coco de Umbigada, em Olinda, foi uma das vozes ativas do Seminário Conexão.PE

Marcus Iglesias

Dezenas de fazedores de cultura dos quatro cantos de Pernambuco, responsáveis por Pontos de Cultura do estado, estiveram presentes na primeira edição do Seminário Conexão.PE, realizado entre os últimos dias 20 e 22 de abril, em Serra Talhada, no Museu do Cangaço. Ao longo de três dias de encontros e reencontros, a programação buscou trilhar caminhos que reinventem a atuação em rede destes espaços de trocas de saberes pernambucanos.

De acordo com Tiago Delácio, que faz parte da coordenação do Seminário, “com a criação do Programa Cultura Viva, diversos Pontos de Cultura passaram a se articular de forma mais efetiva, compreendendo a importância de estar em rede e dialogando sobre as políticas culturais voltadas para quem está na ponta”.

Além dos Cabras de Lampião, responsável pelo Museu do Cangaço, a rede Conexão.PE conta com a presença de outros Pontos, como o Cinema de Animação (Gravatá); Coco de Umbigada (Olinda); Bacamarte Tiro da Paz (Cabo de Santo Agostinho); Boi da Macuca (Correntes); Boi Tira Teima (Caruaru); Maracatu Estrela de Ouro (Aliança), Mamulengo de Glória (Gloria do Goitá), Poço Comprido (Vicência) Produtora Colaborativa.PE (Recife). Após o seminário, outros espaços passaram a integrar o grupo, como o Cuca da UNE e o Pernambuco Pulsante.

Sandro Barros/Produtora Colaborativa

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“Apenas um povo que reconhece a sua identidade tem a capacidade de dialogar com o outro”, disse Célio Turino, criador do Programa Cultura Viva

Uma das presenças marcantes no encontro foi a do historiador Célio Turino, criador do Programa Cultura Viva na gestão de Gilberto Gil no MinC, que no seu discurso de abertura falou sobre o conceito de Ponto de Cultura: Trabalhar o ponto de potência que há em cada um e a partir disso desencadear ações efetivas de transformação social. “O nome inclusive vem de uma inspiração matemática de Arquimedes, que diz ‘Dai-me um ponto de apoio e uma alavanca e levantarei o mundo’. E é isso que eu vi sendo realizado aqui em Serra Talhada, vocês estão movendo o mundo de uma forma muito significativa. Esta é a base de qualquer transformação, esse era o sentido do Programa Cultura Viva: iluminar a força vital de cada pessoa. Apenas um povo que reconhece a sua identidade tem a capacidade de dialogar com o outro”, disse ele, para depois assistir a uma apresentação dos Cabras de Lampião ao vivo.

Sandro Barros/Produtora Colaborativa

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Uma das apresentações realizadas ao longo da programação foi feita pelos Cabras de Lampião

No segundo dia da programação, algumas outras questões foram discutidas no seminário, elencadas em pautas para serem tratadas ao longo do ano. Uma delas, por exemplo, diz respeito a um novo regimento que regulamente a brincadeira dos Bacamarteiros com o Ministério da Justiça, por conta do uso de armas de fogo – que também se apresentaram durante o seminário. Outras ações previstas são a criação de um grupo de trabalho entre a Secult-PE, Fundarpe e Conexão.PE para criação de uma agenda propositiva em defesa dos Pontos de Cultura de Pernambuco, além do incentivo através de editais, prêmios e ações específicas para os Pontos de Cultura no Funcultura.

Sandro Barros/Produtora Colaborativa

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Rafael Buda, um dos organizadores do encontro, comemorou o fato de poder juntar, após tanto tempo e diante de tempos adversos, os Pontos de Cultura envolvidos na Conexão.PE

Rafael Buda, outro integrante da coordenação do encontro, disse que o momento foi simbólico porque juntou, com muita sinergia e após vários anos, os dez Pontos de Cultura envolvidos inicialmente na rede. “Vale destacar que muitas pessoas fizeram parte disso no início, como o Mestre Lula Gonzaga, o Mestre José Lourenço, o produtor cultural Afonso Oliveira, e outras figuras que desenvolveram esta ação, mas tivemos a memória viva da Mãe Beth de Oxum, responsável pelo Ponto de Cultura Coco de Umbigada, que contou pra gente a história de todo esse processo”, detalhou Buda.

Beth, que também integra o Conselho Estadual de Políticas Culturais (CEPC), representando os Pontos de Cultura, compartilhou com os demais que na última reunião do CEPC, realizada na quarta-feira (18/04), foi deliberado que o Conselho dê encaminhamento a uma deliberação da IV Conferência Estadual de Cultura, que é uma lei do Cultura Viva no Estado. A minuta da proposta foi aprovada pelo Conselho e, segundo a coquista, “em reunião do Conselho, o Secretário Estadual de Cultura Marcelino Granja se comprometeu em encaminhar para a Casa Civil”. Posteriormente, o Governador encaminhará o projeto de lei para a Assembleia Legislativa.

Sandro Barros/Produtora Colaborativa

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No segundo dia do encontro, cada responsável pelos Pontos de Cultura elencou suas demandas a serem trabalhadas ao longo do ano dentro da rede

Alexandre Santini fez o primeiro de uma série de eventos de lançamento em Pernambuco do livro Cultura Viva Comunitária: Políticas Culturais no Brasil e na América Latina. “A gente precisa entender nosso papel nesse processo que estamos vivendo hoje no setor da Cultura. Talvez nós sejamos o setor da sociedade que tenhamos a capacidade, através de instrumentos e ferramentas, pra fazer gerar a mudança necessária que o nosso país precisa vivenciar, porque nós fomos transformados pela experiência do Cultura Viva”.

O evento encerrou com uma visita ao Museu de Cinema de Animação (MUCA), inaugurado ano passado pelo Mestre Lula Gonzaga, responsável pelo Ponto de Cultura Cinema de Animação e Patrimônio Vivo de Pernambuco. “Fico muito feliz em ver no MUCA os meus companheiros e companheiras de longa estrada, porque fomos nós quem começamos lá atrás um sonho, um trabalho, que agora não pode parar mais”, disse ele durante a visita.

Sandro Barros/Produtora Colaborativa

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Na foto, três representantes de três Pontos de Cultura, que também são Patrimônios Vivos de Pernambuco: Ivan Marinho, responsável pela SOBAC; Lula Gonzaga, do Ponto de Cultura Cinema de Animação; e Mestre Zé Lourenço, presidente do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança

“Vivemos neste final de semana um reencontro de gerações, porque Célio Turino, há 10 anos, era secretário de Cultural do Ministério da Cultura, eu era chefe da Regional Nordeste do Minc e o Alexandre Santini respondia por um Ponto de Cultura. O mundo girou e hoje estamos aqui mais uma vez nos encontrando para debater sobre o Programa Cultura Viva”, celebrou Tarciana Portella, que participou do evento representando a Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundarpe.

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