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Espaços culturais

Cinecão retoma atividades na Galeria MauMau

Edição de março aponta para a urgência de espaços que promovam diálogos entre linguagens artísticas

Divulgação

Os artistas Iagor Peres e Jorge Kildery, do Coletivo Carne, participam da programação com os trabalhos ‘Great Fake’ e ‘Rejunte’

Com o mote A Má Educação: uma obra aberta e a proposta de realizar sessões de filmes, oficinas e debates sobre as artes híbridas e experimentais, o Cinecão volta em 2017 com uma programação especial na Maumau Galeria. A nova edição, marcada para esta quinta (23), a partir das 19h, reafirma a necessidade dos espaços discutirem mais sobre a intersecção entre linguagens artísticas. A entrada é gratuita.

Cerca de 40 jovens artistas ligados a cursos de arte e experimentação audiovisual (como a Escola Engenho) vão exibir performances e vídeo-instalações em todo espaço físico da galeria. Na seleção musical, o convidado do mês é o músico Abel Alencar. Segundo a coordenadora do projeto, Lia Letícia, a ideia deste ano é gerar entre as atividades um processo de reflexão, não só dos artistas, mas também do público. “A proposta agora é fazer os encontros bimestralmente e também teremos ações formativas”, explica.

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Cerca de 40 jovens artistas, a maioria de cursos ligados à arte e experimentação audiovisual, participam desta edição

Em abril, a artista Luciana Freire D’Anunciação vai oferecer o laboratório Do Corpo ao Espaço, uma imersão na performance que será finalizada no Cinecão de maio. “Luciana Freire é uma artista que transita entre a dança e o audiovisual e os resultados dessa oficina irão compor a programação de maio. Neste sentido, o publico não só participa, mas também toma parte do processo”.

Lia Letícia conta ainda que a Maumau Galeria pretende se colocar como um espaço para experimentações das artes híbridas. “Como a gente tem a infraestrutura necessária, resolvi jogar a ideia pra frente. Aqui em Pernambuco a gente tem artistas que atuam com linguagens híbridas, que é exatamente a proposta do Cinecão. Em maio do ano passado, que foi o primeiro ano que gente fez de forma independente, eu já tinha agenda cheia até dezembro, para se ter uma noção da quantidade de trabalhos que existem por aqui”, revela.

“Realizamos sempre puxando as pessoas pra pensar junto. Chegamos a ter incentivo do Funcultura, mas a gente trabalha de forma cooperativa e coletiva, um ajuda no transporte, outro no telão. A partir da cooperação, e ela existe de forma muito forte no estado, a linguagem experimental segue existindo, porém com poucos espaços de exibição. E nada mais natural que a galeria surja neste sentido”.

Ainda de acordo com a curadora, a pauta política também tem vez nas atividades. “Nesta discussão sobre a retirada da obrigatoriedade de disciplinas como Filosofia e Artes da escola, nada mais coerente que os artistas e coletivos fortaleçam a questão da arte-educação. O Cinecão trata essa questão de uma forma bem forte”.

A programação terá a exibição do filme A Queda, realizado pelos alunos do curso Videoarte em Ação que foi oferecido pelo FestCine do ano passado, e orientado pela própria Lia. Filmado, protagonizado e montado pelo grupo, o trabalho é uma reflexão sobre o impacto provocado pela PEC do congelamento.

Já o projeto de Flávia Pinheiro em colaboração com Alessandro Sachetti, Utopias da Vida Cotidiana, é uma série de vídeos de ações desenvolvidas no centro de Recife, onde as forças sociais e arquitetônicas são friccionadas, em busca de uma política de afetos na vida cotidiana.

Jorge Kildery e Iagor Peres, do Coletivo Carne, problematizam o meio artístico como mais uma prática hegemônica de uma sociedade esbranquiçada nos trabalhos Great Fake e Rejunte. Nestes filmes, recriar estes espaços entendendo a necessidade de não só ampliá-los para os artistas membros do coletivo, como também abrir caminho para outros produtores negros.

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Segundo Lia Letícia, a ideia deste ano é gerar entre as atividades um processo de reflexão, não só dos artistas, mas também do público

Em paralelo, Lucas Mariz traz o trabalho interativo Tu Tube, uma imersão no universo web através de um dispositivo em que o participante brinca com seus vídeos favoritos. Por último, a Escola Engenho traz uma série de trabalhos advindos do curso O que vemos, o que nos olha, dentre eles vivências documentadas em movimentos ativistas como o Ocupe Cine Olinda e releituras do acervo de videoarte da Fundaj.

Participam ainda os artistas Rose Lima, Pedro Teotônio, Ariana Nuala, Felipe Ferraz, Aline França, Kimberly, Ericson Silva e Roger de Melo, que completam esse urgente olhar sobre a relação entre ações educacionais e as artes experimentais da cidade.

Sobre o projeto - O Cinecão Ano III, realizado durante 2016, traduzia uma necessidade de liberdade artística. A cada edição, uma nova obra, sob novo contexto, com propostas diferentes. Artistas de rua, artistas de museu, artistas iniciantes, desconhecidos e celebridades da arte durante 2016 foram colaboradores dessa experiência em expansão. Ao todo foram oito edições mensais, realizadas através da união entre diversos artistas com a simples intenção de entender o largo panorama da recente produção de cinema experimental e artes visuais independente no Recife.

Serviço
Cinecão 2017 -  “A Má Educação: uma obra aberta”
Quinta (23) | 19h
Maumau Galeria (Rua Nicarágua, 173, Espinheiro, Recife-PE)
Gratuito

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