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Cinema São Luiz e Espaço Pasárgada ganham as ruas com blocos que unem cinema, poesia e frevo neste fim de semana

Equipamentos culturais da Fundarpe promovem cortejos inéditos e gratuitos no Centro do Recife nesta sexta (6) e domingo (8)

Foto: Jan Ribeiro/ Fundarpe

Foto: Jan Ribeiro/ Fundarpe

Bacanal do Bandeira já é tradição

O Carnaval de Pernambuco também nasce dentro dos equipamentos culturais e, neste fim de semana, ele atravessa portas, calçadas e rios para ocupar o Centro do Recife com dois blocos que transformam memória e arte em cortejo. Pela primeira vez, o Cinema São Luiz ganha seu próprio desfile carnavalesco, enquanto o tradicional Bacanal do Bandeira celebra 14 anos levando poesia, frevo e literatura para as ruas da Boa Vista.

Na sexta-feira (6), a partir das 16h, a Troça Carnavalesca Mista Bacanal do Bandeira concentra foliões em frente ao Espaço Pasárgada, casa onde o poeta Manuel Bandeira morou quando criança. Criado em 2012, o bloco se consolidou como um dos cortejos mais singulares do Carnaval recifense ao propor uma experiência que mistura música e literatura em plena rua.

O desfile segue pelas vias do Centro, passando pela Rua da União, Rua Princesa Isabel e Rua da Aurora, com parada simbólica nas imediações da escultura de Manuel Bandeira, às margens do Capibaribe. Ao longo do percurso, o bloco promove intervenções poéticas com declamações de textos do próprio poeta homenageado e de outros autores brasileiros, reafirmando o diálogo entre Carnaval e produção literária.

A condução musical do cortejo fica por conta da Orquestra Maestro Carlos, referência do frevo de rua em Pernambuco. Com trajetória iniciada nos anos 1990, Carlos Rodrigues da Silva soma 30 anos à frente da orquestra do Homem da Meia-Noite e apresentações internacionais que ajudaram a difundir o frevo pelo mundo. O Bacanal também contará com a participação do Sarau Diversos, coletivo cultural criado em 2022 que reúne poetas, músicos, performers, bailarinos e artistas visuais, além da Cia Brasil por Dança, que incorpora a linguagem corporal à celebração, reforçando o encontro entre diferentes expressões artísticas.

Cinema também é Carnaval – Já no domingo (8), o Cinema São Luiz estreia seu primeiro bloco carnavalesco, ampliando a presença do equipamento cultural nas manifestações populares de rua. A concentração acontece às 14h, na via lateral do cinema, com saída prevista para às 15h, acompanhada pela Pitombeira dos Quatro Cantos, Patrimônio Vivo de Pernambuco. O cortejo segue em direção ao Caranguejo da Aurora, conectando o imaginário cinematográfico ao movimento coletivo do Carnaval.

Para o curador e programador do Cinema São Luiz, Pedro Severien, a criação do bloco representa a extensão simbólica do próprio papel do espaço cultural. “O São Luiz sempre foi um território de encontro e imaginação. O bloco nasce justamente dessa ideia de mobilizar a cultura para as ruas e reafirmar que o cinema também dialoga com a cidade, com o rio, com a calçada e com a experiência coletiva. O Carnaval, de certa forma, também é cinematográfico: é uma grande imagem em movimento, com trilha sonora, personagens e narrativas que se constroem no improviso”, destaca.

A iniciativa também cria conexões com o universo do audiovisual pernambucano contemporâneo, dialogando com produções recentes que exploram a relação entre cidade, memória e identidade cultural. Nessa mesma direção, o encontro entre o cinema e a Pitombeira estabelece uma ponte direta com o filme O Agente Secreto, obra que dialoga com o imaginário carnavalesco e com a presença das manifestações populares como expressão da identidade urbana e cultural do Recife. Ao desfilar ao lado da Pitombeira, o São Luiz transforma em experiência coletiva aquilo que o cinema constrói em imagem e narrativa.

Com propostas distintas, mas complementares, os dois blocos reafirmam o papel dos equipamentos culturais como espaços vivos, que extrapolam seus muros e participam ativamente da construção das manifestações populares do Estado. Ao ocupar as ruas, Pasárgada e São Luiz celebram o Carnaval como território de encontro entre linguagens, tempos históricos e formas coletivas de criação.

Janaína Pepeu/Secom

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