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“A Batalha dos Guararapes Parte II”, de Geraldo Pinho, ganha exibição especial no Teatro do Parque

Filme será exibido no dia 5 de março, às 19h30, como parte do projeto O Programador, que vai originar curta-metragem resgatando a contribuição valiosa do profissional que respondeu pelas principais salas de cinema de rua do Recife

Reprodução/Filme

Reprodução/Filme

“Batalha dos Guararapes Parte II”, lançado em 1978, teve cenas gravadas no Forte de Pau Amarelo, em Paulista, e na Av. Guararapes, Centro do Recife

Cinemero. Era assim que ele gostava de ser chamado. Com uma vida inteira dedicada ao cinema de Pernambuco, e não só às produções, mas principalmente à gestão de espaços e à programação de filmes de tantos deles, Geraldo Pinho deixou um legado que está prestes a ser apresentado no projeto ‘O Programador’, da equipe do Laboratório de Antropologia Visual (LAV), da UFPE, com incentivo do Governo do Estado, por meio do Funcultura.

A missão de contar a história deste criador, pesquisador, professor e apaixonado por cinema levará à produção de um documentário em curta-metragem com lançamento previsto para o final do ano. Antes disso, no dia 5 de março, o público terá a oportunidade de conhecer mais sobre a figura emblemática do programador, em sessão no Teatro do Parque, na estreia da versão digital de “Batalha dos Guararapes Parte II”, com roteiro e direção de Geraldo Pinho, Fredi Maia e Paulo André Leitão.

Gravado originalmente em Super 8, o curta, que data do final da década de 1970, foi recuperado e digitalizado por meio da Iniciativa de Digitalização de Filmes Brasileiros, um projeto do Cine Limite em parceria com a Associação Brasileira de Preservação Audiovisual. A exibição tem o apoio da Prefeitura do Recife e do Teatro do Parque.

Após a sessão, será promovida uma roda de conversa com a participação de Kate Saraiva e Janaína Guedes, do Movimento Cinerua, além do jornalista e programador de cinema Luiz Joaquim (Fundaj), do professor Titular aposentado na UFPE e doutor em Artes e Ciências da Arte pela Universidade de Paris, Paulo Cunha, do jornalista Paulo André Leitão e de Leonardo Paiva, filho do homenageado. A noite contará ainda com a exibição do curta ‘Por Trás da Tela’, da Agência Cabine, realizado por Aline Albuquerque, Dhamierys Rodrigues, Júlia Lima, Leonardo Cícero, Leonardo Neves e Mônica Silva. Trata-se de uma entrevista gravada com Geraldo Pinho em 2019.

“A ideia de contar a história de Geraldo Pinho chegou a ser discutida com ele. Foi gravado algo, mas o foco era outro projeto, o Museu Suape, o qual Pinho teve participação importante por nos falar deste acervo raro em Super 8, pertencente ao Mispe. Ele foi diretor do museu por um bom tempo”, lembra o diretor Walter Andrade.

A morte prematura de Geraldo Pinho, em 2021, aos 70 anos de idade, impediu que fossem gravadas cenas com o programador. “Temos imagens dele no Mispe com Pedro Aarão, organizando as bitolas de filmes que seriam digitalizadas pelo projeto Suape (LAV), e gravações da homenagem feita a ele no São Luiz, quando o letreiro estampou: Geraldo Pinho, um herói”, revela o diretor estreante.

Diego Nigro/Divulgação

Diego Nigro/Divulgação

Foi como programador que Geraldo Pinho se consagrou no audiovisual pernambucano. Começou em 1993, no Teatro do Parque, onde criou as famosas sessões a 1 real. Ele ainda lançou o Cinema Apolo até assumir o Cinema São Luiz

Num exercício de metalinguagem, o doc “O Programador” incluirá cenas a serem gravadas no lançamento de “Batalha dos Guararapes Parte II”, no Teatro do Parque. “Vamos gravar com alguns convidados, a exemplo de Luiz Joaquim, do filho de Geraldo, Leonardo, e com amigos do programador”, salienta Andrade.

A previsão de conclusão das gravações é o final do segundo semestre de 2024. “Estamos fazendo um corte etnográfico, gravando em espaços ligados a Geraldo Pinho e ao cinema de Pernambuco, que são o Teatro do Parque, o Cinema da UFPE e o Mispe. O trabalho que foi desenvolvido por ele foi decisivo para formar não só plateias para o cinema, mas outros profissionais e pensadores do cinema que vieram depois dele. Tem um marco estético forte e de resistência, que destaca a importância de manter os cinemas de rua em funcionamento”, completa o codiretor, Alex Vailati.

O PROGRAMADOR - Além de garantir a memória de um pedaço da história do cinema local, a exibição se torna mais especial por se dar no espaço consagrado como sala de cinema a preço popular quando Pinho foi diretor-adjunto de Cinema da Fundação de Cultura do Recife. A paixão pelo cinema veio da infância, como o programador fazia questão de lembrar: “Meu interesse oi da vida toda. Desde pequeno, com quatro, cinco anos, já ia a cinemas de bairro. O escurinho me despertou para a fotografia, para a interpretação, e me voltei para o cinema”, contou, certa vez.

Ao longo da carreira, Geraldo Pinho participou do Cineclube Leila Diniz, fez alguns filmes e trabalhou em comerciais, mas foi como programador que se consagrou. Começou em 1993, no Teatro do Parque, onde criou as famosas sessões a 1 real. Ele ainda lançou o Cinema Apolo até assumir o Cinema São Luiz.

A BATALHA DOS GUARARAPES II - Criado como uma crítica ao longa original do diretor Paulo Thiago, ‘Batalha dos Guararapes’, gravado pela Embrafilme na ditadura, “Batalha dos Guararapes Parte II” data de 1978. A obra teve cenas gravadas no Forte de Pau Amarelo, em Paulista, e na Av. Guararapes, Centro do Recife.

A nova versão recuperou e digitalizou a base original reversível em Super 8, produzida em 1981. “O trabalho feito pelo Cine Limite foi importantíssimo porque não só digitalizou, mas restaurou o filme, buscando ao máximo aproximar a cor dos tons originais”, explica Paulo André Leitão. O jornalista e diretor do curta analisa a obra. “O filme aborda a batalha do dia a dia, dos vendedores da avenida, dos recifenses que passam por ela. Depois da dominação holandesa, relatada na Batalha original, a capitania volta para os colonizadores, e se vê a sucessão da cultura de dominação e poderio. Apresentamos isso como ferida social, em tom crítico, em plena ditadura”, ressalta Leitão.

Serviço:
Exibição da versão digital de “A Batalha dos Guararapes Parte II”, de Geraldo Pinho, Fredi Maia e Paulo André Leitão
Terça-feira (5/3), às 19h
Teatro do Parque (R. do Hospício, 81, Boa Vista)
Gratuito

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