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Espetáculo de dança homenageia as divindades afro-indígenas das águas

Com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, está agendada para o próximo sábado (10), às 17h30, a estreia do espetáculo de dança “Omi – substância ancestral, templo da memória”, no Terreiro Nagô Ilê Axé Orixalá Talabí, localizado na comunidade de Paratibe, em Paulista (PE). A entrada é gratuita.

O espetáculo é inspirado nos mitos vinculados à filosofia africana, e também no universo da Jurema Sagrada, uma religião brasileira, que cultua encantadas e encantados das matas e rios, acolhendo diversas expressões de espiritualidade, como as tradições do povo cigano.

Mesclando dança moderna e dança afro, o tema da coreografia é a centralidade da água para a vida, e por isso a escolha do termo iorubá que deu nome ao espetáculo: Omi (pronuncia-se “omin”), que significa água. “Para quem é do candomblé ou da jurema, a água é uma grande mãe, é divindade, é templo de nossa ancestralidade, e com minhas mães no terreiro aprendi que nada se faz sem água”, destaca Gabriela Andrade, diretora e uma das bailarinas em cena.

PESQUISA - Os gestos de dança foram inspirados na pesquisa coreográfica realizada entre 2020 e 2021, por Gabriela Andrade, que é produtora cultural e estudante de dança na UFPE. O resultado da pesquisa foi divulgado na internet e também apresentado à coreógrafa Sabrina Arruda, que deu forma ao espetáculo.

Segundo Andrade, a pesquisa coreográfica levantou o legado de sacerdotisas de matriz afro-indígena, e parte dos saberes é transmitido durante o espetáculo “Omi” pela Iyalorixá Mãe Lu de Iemanjá, do terreiro Ilê Axé Oxalá Talabi. Soma-se à voz da sacerdotisa os arranjos percussivos e melódicos da trilha sonora original, produzida pelo músico Diego Leon, do grupo Coco Verde e Melancia.

PRANTO - A coreografia foi estruturada em quatro atos, sendo um deles “A água no pranto das mulheres”, como ponto de questionamento ao “progresso” que ameaça a preservação dos rios. “Esse momento do espetáculo nasceu da percepção da realidade das mulheres na periferia da Região Metropolitana do Recife, onde a água é escassa nas torneiras de diversos bairros e, quando chega, pinga na madrugada de mulheres que não dormem para encher baldes e bacias”, destaca Gabriela.

“Queremos convidar todos para vir assistir, pois nossa expectativa é que as apresentações mobilizem no público uma espécie de agradecimento à água em seus fluxos e ciclos da natureza, promovendo mais sensibilidade e ações sustentáveis para o nosso futuro. O espetáculo também deseja homenagear as mestras de nossas comunidades tradicionais, que com suas práticas e reflexões contribuem para o zelo deste elemento vital que é a água”, conclui a bailarina.

Serviço
Espetáculo de Dança “Omi – substância ancestral, templo da memória”
Quando: 10/12 (sábado), às 17h30; e 11/12 (domingo), às 18h.
Onde: Terreiro Ilê Axé Orixalá Talabí – Comunidade Axé Talabi (Rua Orobó 257, Paratibe – Paulista/PE)
Aberto ao público

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