Fundarpe e IPHAN lançam Consulta Pública online para a Salvaguarda da Capoeira em PE
Até 5 de maio, instituições recebem sugestões para a elaboração do Plano de Salvaguarda da Capoeira no Estado; podem participar todos os interessados
Postado em: Patrimônio
Presente em todo o Brasil e em mais de 150 países, a capoeira é uma expressão cultural diversa fundamental para a compreensão da arte e da resistência histórica afro-brasileiras. Estudos reconhecem Pernambuco como um dos principais eixos da história da capoeira no país, com influência decisiva em outras manifestações culturais.
Alinhado a essa importância, o Governo do Estado, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Pernambuco (IPHAN-PE), lança nesta semana uma Consulta Pública online para receber sugestões e outras considerações para a construção do Plano de Salvaguarda da Capoeira. O Plano, que já existe para outras manifestações culturais (como o frevo), é um instrumento que reunirá diretrizes diversas para proteção e visibilidade das práticas e dos saberes envolvidos na capoeira no Estado.
Para participar da Consulta, disponível desde terça (7), basta clicar aqui ou acessar este link: bit.ly/4skmWdC. Ela é destinada a todas as pessoas que praticam capoeira no Estado e demais interessados nessa manifestação cultural. Ela segue aberta até 5 de maio.
“Em maio, durante a Semana Estadual da Capoeira, esperamos ter os resultados a partir dos Fóruns e da Consulta Pública para podermos apresentar o Plano de Salvaguarda para a comunidade e validá-lo com eles”, afirma Flávio Barbosa, gerente interino de Patrimônio Imaterial da Fundarpe.
OS FÓRUNS – A Consulta Pública é mais uma etapa da construção do Plano de Salvaguarda da Capoeira em Pernambuco. Seus resultados serão agregados aos dos Fóruns para a Salvaguarda da Capoeira, eventos presenciais realizados de dezembro de 2025 a março deste ano com mestres, contramestres, demais capoeiristas e interessados, para discussão e coleta de informações sobre as necessidades do setor para manutenção de sua memória, de suas práticas e para criação de iniciativas para sua continuidade.
Os Fóruns foram realizados nas cidades de Salgueiro, Arcoverde, Caruaru, Palmares, Igarassu e Recife, selecionadas a partir de pesquisa sobre quais os centros com maior expressividade na prática da capoeira, seja pela maior presença de praticantes ou pelo potencial de atrair interessados de cidades próximas. A exemplo do que ocorre em outros Estados, o Plano de Salvaguarda da Capoeira em Pernambuco vem sendo construído coletivamente por quem vive e faz essa manifestação cultural.
Foto: Silla Cadengue | Fundarpe

Equipe da Fundarpe e do Iphan durante Fórum para a Salvaguarda da Capoeira de Pernambuco
em março de 2026
O QUE É A SALVAGUARDA? – “A salvaguarda é um instrumento de gestão elaborado pelo poder público, junto com a comunidade, feito para mapear a continuidade desse bem imaterial”, explica a historiadora Thamires Neves, da coordenação técnica do IPHAN no Estado. As formas de salvaguardar um bem imaterial podem ir desde a ajuda financeira a detentores (mantenedores) de saberes específicos com vistas à sua transmissão, até, por exemplo, a organização comunitária ou a facilitação de acesso a matérias-primas. Em Pernambuco, a capoeira é patrimônio imaterial desde 2018.
Um exemplo dos benefícios que um Plano de Salvaguarda pode trazer ao setor é dado pelo frevo, que conta com o seu desde 2012. Segundo Flávio Barbosa, o frevo hoje tem políticas que favorecem sua continuidade histórica, o que muitas vezes cria vantagens sociais e econômicas importantes – no caso desse ritmo, forma-se uma cadeia de trabalho que vai além do Carnaval, além de um centro de referência de documentação e memória (o Paço do Frevo).
O desenvolvimento do Plano de Salvaguarda não significa um fim para as discussões em torno da capoeira. “A entrega do Plano é um fato importante, mas é preciso que a comunidade da capoeira continue esse processo por meio da fiscalização do que está sendo desenvolvido, avaliando o que é função do poder público e o que é da própria comunidade. Além disso, é preciso fazer uma revisão do Plano depois de um tempo – alguns são revisados a cada 5 anos, outros a cada 10 anos, há aqueles com intervalos menores. O importante é que a comunidade se aproprie do Plano, das diretrizes que estão lá, para que sejam realmente aplicadas”, explica Flávio Barbosa. Ele ainda ressalta que o processo de discussão e fiscalização pode colaborar para o fortalecimento do senso de coletividade entre as pessoas envolvidas.
No Brasil, já possuem Planos de Salvaguarda da Capoeira os estados do Acre (lançado em 2018), Bahia (2018), Maranhão (2018), Pará (2020), Paraná (2019), Santa Catarina (2020), Rondônia (2023), Roraima (2024) e Rio Grande do Norte (2025).
DEMANDAS – No Fórum para a Salvaguarda da Capoeira realizado em Recife, ocorrido no Museu do Estado em 21 de março, os participantes elencaram várias demandas para o setor. Boa parte delas girou em torno da necessidade de políticas de memória, como o fomento a pesquisas históricas e a organização de um centro de referência que guarde documentos, exponha a trajetória da capoeira e discuta a singularidade dessa manifestação cultural em Pernambuco; da necessidade de mapear os grupos e ações da capoeira no Estado, com destaque para os coletivos mais antigos; da possibilidade de regulamentar o ofício de mestre de capoeira como profissão; do fortalecimento do Conselho de Mestres e Mestras como órgão de referência; de reconhecer e demarcar espaços públicos (ruas e feiras, por exemplo) para a prática da capoeira, a fim de ampliar o acesso da população; da criação de eventos específicos de capoeira para agregar os grupos e dar visibilidade social (e apoio aos eventos que já existem).
Também foi reivindicado o estímulo à presença da capoeira nas escolas, por meios de iniciativas específicas que abram espaço para ela, e não para artes marciais como judô, caratê e afins. “O artigo 22 do Estatuto da Igualdade Racial reconhece a importância do capoeirista e diz que é uma arte possível de ser ensinada nas escolas. A gente pode se apoiar nisso para legitimar essa demanda e atuar junto da juventude”, explicou Oberes José da Silva, o Mestre Bero.
SERVIÇO
Consulta Pública para o Plano da Salvaguarda da Capoeira em PE
Quando: 7 de abril a 5 de maio
Onde: Online, neste link: bit.ly/4skmWdC
Público-alvo: todos os interessados

