Formação em editais deu o tom do 3º dia da Semana Estadual da Capoeira
Ação realizada na terça (19) ocorreu no Espaço Pasárgada e atende a uma demanda apresentada pela comunidade de capoeiristas
Postado em: Fundarpe | Patrimônio
Alê Tiburcio/Fundarpe

Oficina deu orientações sobre necessidades e prioridades na criação de um projeto cultural
A preservação e a continuidade da capoeira são os principais assuntos discutidos na 2ª Semana Estadual da Capoeira, que ocorre até sábado (23). Esses temas estão diretamente ligados a questões econômicas, e a importância do acesso ao fomento financeiro foi contemplada em uma formação em editais para capoeiristas, ocorrida na terça-feira (19) no Espaço Pasárgada, como parte da programação da Semana. A oficina apresentou os principais mecanismos para se concorrer de maneira competitiva por incentivo financeiro, a fim de realizar iniciativas ligadas à capoeira. A Semana ocorre em diversos locais no Recife e em Olinda, com programação gratuita disponível aqui.
Realizada pelo Governo de Pernambuco, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), em parceria com o IPHAN, a 2ª Semana Estadual da Capoeira tem como destaque o Plano de Salvaguarda da Capoeira, que será apresentado na quinta-feira (21). Trata-se de um instrumento que reúne diretrizes para proteção e visibilidade das práticas e dos saberes envolvidos na capoeira no Estado. O documento foi construído pela comunidade capoeirista em processos de escuta e diálogo conduzidos pelo Governo de Pernambuco, por meio da Fundarpe, em parceria com o IPHAN-PE.
A formação em editais dialogou com reivindicações levantadas pelos capoeiristas dentro dos processos de escuta para a criação do Plano, a respeito das possibilidades de apoio financeiro. Em vez de apresentar editais específicos, a oficina ministrada por Sandra Silva, da assessoria de Educação e Direitos Humanos da Secretaria de Cultura de Pernambuco, apontou necessidades e prioridades na criação de um projeto. Entre elas, a atenção especial à criação de um portfólio cultural eficaz, medidas para otimizar a escrita do projeto (como responder a perguntas específicas e diretas: o quê, quando, como, onde, quanto custará), além de saber como se encaixar em políticas afirmativas e conhecer os diferentes tipos de edital.
“É sempre necessário pensar nas barreiras a serem quebradas pelo projeto para atingir o público. Porque pouco adianta conquistar fomento e fazer algo de baixo alcance ou pouca circulação. É preciso fazer um projeto de maneira prática, claro, mas sem abrir mão da motivação emocional do trabalho, construir esse apelo com o público-alvo”, sintetizou Sandra Silva.
Além da formação em editais, a Semana Estadual da Capoeira também realizou a oficina “O corpo que ginga, joga e dança” na EREM Santo Inácio de Loyola (Olinda), com presença dos mestres Paqua e Bero e do grão-mestre Mulatinho. “O condicionamento físico na capoeira é muito importante. Equilíbrio, velocidade, ritmo são exigidos. Qualquer pessoa pode aprender a capoeira. Alguns esportes funcionam em campos, no formato quadrilátero, mas a capoeira funciona em forma de roda. Isso ajuda que as pessoas vejam umas às outras, e também serve para lembrar a todos que somos todos iguais”, explicou aos estudantes o grão-mestre João Mulatinho, que ensina capoeira há 50 anos. Participaram da dinâmica cerca de 40 jovens, que aprenderam noções básicas de movimento e da forma de jogar. A capoeira é presente na rede de ensino, e é uma demanda da comunidade capoeirista que essa presença seja fortalecida.
PLANO DE SALVAGUARDA DA CAPOEIRA – As formas de salvaguardar um bem imaterial podem ir desde a ajuda financeira a detentores de saberes específicos com vistas à sua transmissão, até, por exemplo, a organização comunitária ou a facilitação de acesso a matérias-primas. As demandas, possíveis soluções e formas de fiscalização são construídas pela comunidade que detém o bem cultural (os capoeiristas) em diálogo com o poder público, e são organizadas em um Plano de Salvaguarda. No Estado, a construção ocorreu por meio de eventos presenciais do Sertão ao Litoral, os Fóruns para a Salvaguarda da Capoeira (ocorridos de dezembro de 2025 a março de 2026), e de uma consulta pública online disponível para participação durante todo o mês de abril. “Não se trata de uma lei ou de algo que dispensa divergências, mas sim de um Plano construído coletivamente para dar visibilidade e garantir a transmissão desse patrimônio imaterial para as próximas gerações”, sintetiza a Superintendente de Patrimônio Imaterial da Fundarpe, Jacira França.
PROGRAMAÇÃO DA SEMANA – A 2ª Semana Estadual da Capoeira começou no último domingo (17), com exibição de filmes no Cinema São Luiz, e continuou na segunda-feira (18), com roda de capoeira e uma conferência que resgatou a construção do Plano de Salvaguarda da Capoeira em Pernambuco. Nesta quarta (20), o evento se concentra em atividades de capoeira na EREM Delmiro Gouveia (Recife), e em 2 oficinas – uma de escrita criativa, a fim de auxiliar os participantes a compor materiais escritos para integrar a versão publicada do Plano, e outra envolvendo dança afro e apresentação de espetáculo.
O Plano de Salvaguarda será divulgado no dia 21, em dois horários: de 13h30 às 17h, no Mercado Eufrásio Barbosa (Olinda), e das 19h30 às 21h em videoconferência promovida pelo IPHAN. “Vamos apresentar o Plano à comunidade da capoeira desta forma por pensarmos na regionalização. O Plano foi construído com contribuições de capoeiristas de todo o Estado, vários dos quais não estarão no Recife. Então, a apresentação online contempla esse público e também os interessados que não poderão comparecer ao evento presencial no Mercado Eufrásio”, explica a Superintendente de Patrimônio Imaterial da Fundarpe.
Na sexta-feira (22), um cortejo no Sítio Histórico de Olinda levará capoeiristas e demais interessados da Praça do Carmo até o Alto da Sé, com apresentações da Orquestra Recife de Berimbau. O evento passará por lugares de memória relacionados à capoeira, resgatando questões próprias da história dessa manifestação. No mesmo dia, no Recife, uma palestra com os mestres Índio e Baygon abordará a capoeira como prática antirracista.
A Semana Estadual da Capoeira será encerrada no dia 23 (sábado), com uma vivência e caminhada no Centro do Recife, passando pelo Mercado de São José, Pátio do Terço e Pátio de São Pedro