Coletânea resgata a obra do dramaturgo Luiz Marinho
Organizada pelo pesquisador Anco Márcio, o material será lançado pela CEPE Editora nesta sexta-feira (1), às 19h, no teatro Hermilo Borba Filho, dentro da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos
Postado em: Artes Cênicas | Literatura
“Teatro de Luiz Marinho – Obras correlatas” é o título da coletânea de um dos dramaturgos mais encenados e premiados do Brasil, organizada pelo professor do Departamento de Literatura da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Anco Márcio Tenório Vieira. A obra, que reúne quatro volumes, tem selo da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), e será lançada no próximo dia 1º, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, durante a realização da temporada 2019 de Janeiro de Grandes Espetáculos. Na sequência, às 20h, será encenada a peça O capataz de Salema, de Joaquim Cardozo.
De acordo com o presidente da Cepe, Ricardo Leitão, ao reunir a obra completa do dramaturgo, a empresa mostra o ineditismo da iniciativa: “Livros sobre autores teatrais e suas criações não são comuns nos catálogos das editoras brasileiras, raros ainda mais nas editoras nordestinas. A empresa não pensa assim”.
“O título vem na sequência de ‘Teatro de Joaquim Cardozo – Obra completa e Don Juan – Don Giovani – Peça em 10 jornadas’, de Marcus Accioly. Em planejamento, textos teatrais de Hermilo Borba Filho. Com tal priorização busca a Cepe dar aos seus leitores a oportunidade de reler e ler – em edições de alto nível gráfico – uma das expressões mais ricas da cultura pernambucana: o seu teatro”, enfatiza Leitão.
Os quatro volumes foram divididos por estilo. No primeiro estão reunidas as peças regionalistas, tais como: “Um sábado em 30″ (a obra mais conhecida de Luiz Marinho), “A derradeira ceia”, “A afilhada de Nossa Senhora da Conceição”, “A incelença” e “A valsa do diabo”. As peças regionais se encerram no segundo volume com “Viva o cordão encarnado”, “A promessa” e “A estrada”.
No terceiro volume Anco Márcio usou a denominação de peças psicoexistenciais e protosurrealistas para O último trem para os igarapés, Corpo corpóreo e As três graças. No quarto e último volume estão reunidas as peças infantis, que misturam o universo das fábulas com aventuras fantásticas, tais como: Foi um dia, Aventura do Capitão Flúor no reinado do Dente Cariado e A família Ratoplan.
Divulgação

Anco Márcio reuniu textos inéditos e raridades resgatadas de sebos literários, publicadas em livros e revistas, fragmentos e peças com versões diversas.
Anco Márcio reuniu textos inéditos e raridades resgatadas de sebos literários, publicadas em livros e revistas, fragmentos e peças com versões diversas. Ele adotou as últimas alterações feitas pelo dramaturgo como critério para publicação. “A exceção foi ‘Um sábado em 30′, pois a primeira versão era a única completa”, explica. Aliás, essa peça, estreada em julho de 1963, permaneceu em cartaz por aproximadamente 30 anos. No Recife e em outras capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, a peça dirigida por Valdemar de Oliveira e encenada pelo Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP) fazia sucesso. Chegou a ser comparada pela revista Veja, ao sucesso de “A ratoeira”, de Agatha Christie, que teve mais de 13 mil encenações.
O trabalho de pesquisa, iniciado em 2009, foi gigantesco. O organizador contratou seis dos seus alunos de Literatura da UFPE para digitalizar o material, enquanto se debruçava para fazer a organização, introdução e notas. Em 2012, quando o livro já estava praticamente concluído, um curto-circuito colocou três anos de trabalho a perder, destruindo inclusive o backup. Todo o processo teve de ser refeito.
Sobre a obra do dramaturgo, o professor avalia o teatro de Luiz Marinho como uma construção criada a partir de memórias ficcionalizadas, ou seja, utilizou-as para criar as situações em que os personagens estavam envolvidos. Anco Márcio compara o processo criativo do dramaturgo com o do romancista francês Marcel Proust, cujo resgate de memória involuntária marcou sua obra e o tornou conhecido como o escritor que mais se apropriou da temática do tempo.
Sobre Luiz Marinho
O dramaturgo pernambucano nasceu no dia 8 de maio de 1926, no município de Timbaúba. Escreveu 14 obras teatrais, com as quais ganhou vários prêmios, incluindo o Molière, o da Academia Brasileira de Letras, o da Academia Pernambucana de Letras e o Estadual de Teatro (do então Estado da Guanabara). No seu trabalho procurava mostrar o universo social e cultural do Nordeste, retratando em livros e peças de teatro suas vivências da infância e adolescência no interior de Pernambuco. Luiz Marinho morreu no Recife em 3 de fevereiro de 2002.
SERVIÇO:
Lançamento: “Teatro de Luiz Marinho – Obras correlatas”
Quando: Nesta sexta-feira (1), às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife)
Gratuito
Preços dos livros:
Teatro de Luiz Marinho - Volume 1
Livro impresso: R$ 60,00
E-book: R$ 18,00
Teatro de Luiz Marinho – Volume 2
Livro impresso: R$ 45,00
E-book: R$ 12,00
Teatro de Luiz Marinho – Volume 3
Livro impresso: R$ 40,00
E-book: R$ 10,00
Teatro de Luiz Marinho – Volume 4:
Livro impresso: R$ 30,00
E-book: R$ 8,00
Combo com os 4 volumes:
Livro impresso: R$ 160,00
