Fundarpe e IPHAN realizam 2ª Semana Estadual da Capoeira
De 17 a 23 de maio, órgãos reúnem capoeiristas em oficinas e cortejos, além de apresentar Plano de Salvaguarda, documento que orienta a fiscalização de políticas públicas e proteção do setor
Postado em: Fundarpe
Pernambuco é um dos principais territórios da história da capoeira no Brasil. Essa trajetória ganha ainda mais destaque a partir do próximo dia 17 de maio, com a realização da 2ª Semana Estadual da Capoeira, que segue até o dia 23 com atividades presenciais no Recife e em Olinda. O mote deste ano é “Salve capoeira: vem pra roda, a salvaguarda é agora” e a grande novidade é justamente a divulgação do Plano de Salvaguarda da Capoeira, instrumento que visa a proteger e a dar visibilidade à capoeira no Estado, orientando a fiscalização de políticas públicas que já existem para o setor, além de indicar a criação de outras iniciativas de cuidado com a capoeira.
Realizada pelo Governo do Estado, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a 2ª Semana Estadual da Capoeira reunirá capoeiristas e demais interessados em ações e oficinas com objetivos práticos, educacionais e de memória, além de dois cortejos para marcar a relação histórica dessa manifestação cultural com o espaço das ruas. “A programação da Semana foi pensada a partir das demandas apontadas pela própria comunidade capoeirista, e as ações estão alinhadas com parte das principais diretrizes do Plano de Salvaguarda da Capoeira, expondo o caráter participativo e colaborativo. É gestão compartilhada na prática”, explica a Superintendente de Patrimônio Imaterial da Fundarpe, Jacira França.
Políticas públicas de cultura para a capoeira já vêm sendo implementadas há um bom tempo; o objetivo do Plano de Salvaguarda é fortalecê-las e ampliá-las. “O Plano é um instrumento de gestão elaborado pelo poder público, junto com a comunidade, feito para mapear a continuidade desse bem imaterial”, explica a historiadora Thamires Neves, da coordenadoria técnica do IPHAN-PE. As formas de salvaguardar um bem imaterial podem ir desde a ajuda financeira a detentores (mantenedores) de saberes específicos com vistas à sua transmissão, até, por exemplo, a organização comunitária ou a facilitação de acesso a matérias-primas.
“O Plano é uma reunião de diretrizes para os capoeiristas, que são os detentores do bem imaterial, e para o poder público. Não se trata de uma lei ou algo que dispensa divergências, mas sim um Plano construído coletivamente para dar visibilidade e garantir a transmissão desse patrimônio imaterial para as próximas gerações”, sintetiza Jacira França.
CONSTRUÇÃO DO PLANO – O Plano de Salvaguarda da Capoeira em Pernambuco foi construído com base em duas iniciativas: os Fóruns de Salvaguarda da Capoeira e a Consulta Pública, por meio dos quais os capoeiristas e demais interessados puderam discutir e apresentar demandas.
A Fundarpe e o IPHAN-PE realizaram os Fóruns de Salvaguarda da Capoeira para reunir presencialmente os interessados na discussão. Eles foram realizados de dezembro de 2025 a março deste ano nas cidades de Salgueiro, Arcoverde, Caruaru, Palmares, Igarassu e Recife, escolhidas a partir de pesquisa sobre quais os centros com maior expressividade na prática da capoeira, seja pela maior presença de praticantes ou pelo potencial de atrair interessados de cidades próximas.
Às contribuições presenciais foram somadas as contribuições digitais colhidas em uma Consulta Pública online, que ficou disponível durante todo o mês de abril. Ela foi organizada para que interessados que não puderam comparecer aos Fóruns pudessem participar da construção do Plano de Salvaguarda.
No Brasil, já possuem Planos de Salvaguarda da Capoeira os estados do Acre (lançado em 2018), Bahia (2018), Maranhão (2018), Pará (2020), Paraná (2019), Santa Catarina (2020), Rondônia (2023), Roraima (2024) e Rio Grande do Norte (2025).
PROGRAMAÇÃO DA SEMANA– A abertura cultural da Semana ocorre no dia 17, em evento gratuito no Cinema São Luiz, com exibição de filmes relacionados à capoeira. No dia 18, a abertura institucional do evento terá presença de mestres de capoeira na mesa, além da conferência de Giorge Bessoni, Coordenador-Geral de Educação, Formação e Participação Social do IPHAN nacional, que fará um amplo resgate da trajetória de construção do Plano de Salvaguarda da Capoeira em Pernambuco.
Nos dias 19 e 20, haverá atividades de capoeira na EREM Santo Inácio de Loyola (Olinda) e na EREM Delmiro Gouveia (Recife), além de 4 oficinas – entre elas, uma de formação em editais de fomento para capoeiristas e outra de escrita criativa, a fim de auxiliar os participantes a compor materiais escritos para integrar a versão publicada do Plano de Salvaguarda.
O Plano de Salvaguarda será divulgado no dia 21, em dois horários: de 13h30 às 17h, no Mercado Eufrásio Barbosa (Olinda), e das 19h30 às 21h em videoconferência promovida pelo IPHAN. “Vamos apresentar o Plano à comunidade da capoeira em dois momentos, um presencial e outro online, pensando na regionalização. O Plano foi construído com contribuições de mestres, mestras e capoeiristas de todo o Estado, vários dos quais não estarão no Recife. Então, a apresentação online contempla esse público, e contempla também os interessados que estão não poderão comparecer ao evento presencial no Mercado Eufrásio”, explica Jacira França.
No dia 22, um cortejo no Sítio Histórico de Olinda levará capoeiristas e demais interessados da Praça do Carmo até o Alto da Sé, com apresentações da Orquestra Recife de Berimbau. “Vamos passar por lugares de memória relacionados à capoeira, resgatando questões próprias da história da capoeira e pontuando a importância dela pra existência de outras manifestações culturais”, diz a Superintendente de Patrimônio Imaterial da Fundarpe. No mesmo dia, no Recife, uma palestra com os mestres Índio e Baygon abordará a capoeira como prática antirracista.
A Semana Estadual da Capoeira será encerrada no dia 23 (sábado), com uma vivência e caminhada no Centro do Recife, passando pelo Mercado de São José, Pátio do Terço e Pátio de São Pedro. “É uma culminância de celebração. Envolve uma roda de capoeira que existe há cerca de 20 anos no Centro, e é uma demanda dos capoeiristas a ocupação da rua. A capoeira é da rua”, finaliza Jacira França.
A programação completa está disponível aqui e é aberta ao público (exceto as atividades que ocorrem em escolas). Há oficinas e apresentações que demandam inscrição prévia, que pode ser feita aqui.

