Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Notícias cultura.pe

III Festa Literária promove resistência artística no Coque

Evento é uma realização da Biblioteca Popular do Coque, que está em campanha para conseguir nova sede

Biblioteca Popular do Coque, há doze anos, está aberta para todas as crianças e jovens da comunidade.

Biblioteca do Coque, há 12 anos, está aberta para toda comunidade.

A rotina de leituras e participação em contação de histórias já faz parte do cotidiano de dezenas de crianças e adolescentes da comunidade do Coque, centro do Recife. A prática vem sendo estimulada há doze anos, desde que o serviço e as atividades formativas da Biblioteca Popular do Coque passaram a atrair os estudantes da localidade. Nesta quinta (28) e sexta (29), a Biblioteca promove mais uma ação, que seus idealizadores chamam de enraizamento comunitário. Trata-se da III Festa Literária do Coque, cujo tema é “O Coque na resistência pela literatura”.

A pedagoga Maria Betânia do Nascimento foi quem idealizou, há treze anos, a biblioteca. Comunidade com o menor Índice de Desenvolvimento Humano do Recife (IDH) o Coque também contabilizava altos índices de violência. “Minha intenção era despertar as pessoas de lá para a leitura, que traz outros benefícios para criança, adolescente, vi que a leitura pode mudar, fazer com que eles criem seus desejos, de ter sua profissão e lutar por direitos que são negados”, coloca Betânia. Além da leitura, ela começou a alfabetizar algumas crianças, a partir dos livros doados da biblioteca. O espaço foi começando a dialogar com outras ferramentas para o desenvolvimento cognitivo e a formação.

A construção da Biblioteca Popular do Coque, sonho de Betânia, contou com o apoio, em sua fundação da Igreja São Francisco de Assis do Coque, do Mabi (Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis), além de estudantes universitários vinculados ao curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco.

O espaço funciona de segunda a sexta, disponibilizando um acervo de mais de três mil livros para a comunidade, realizando oficinas de música, línguas, reforço à alfabetização e atividades de mediação de leitura para crianças. Além de estimular o gosto pela leitura e influenciar positivamente no desempenho escolar, os moradores têm na escola um espaço público que promove o vínculo afetivo entre as pessoas, criando uma rede de cidadãos mais conscientes, mais estimulados, despertos de seu papel social. Não é uma tarefa fácil. A casa alugada – paga com recursos próprios de Maria Betânia, de seu filho Rafael, além de ajuda de amigos – está neste momento sendo devolvida para o proprietário. Nos próximos dias, ela terá que encontrar um outro espaço para instalar a biblioteca.

Rafael Andrade, filho de Betânia, era adolescente quando a biblioteca foi fundada. Hoje, formado em Letras, é articulador do espaço, mediador e promotor dos eventos literários do lugar.

“Um evento literário numa comunidade que muitas vezes é negligenciada, torna-se de extrema importância por ser o único movimento cultural e literário do Coque. O objeto livro infelizmente ainda é algo inacessível para muitos, ou pela distância das bibliotecas públicas, ou pelo preço. Ter uma biblioteca comunitária e este evento quebram essas barreiras para que o acesso democrático ao livro e à informação seja efetivada”, conta Rafael. Ele conta que são a manutenção da biblioteca só é possível por conta de ajuda de amigos e voluntários. A Biblioteca Popular do Coque também integra o Releitura, uma rede de bibliotecas comunitárias com apoio do Itaú Social, que também ajuda a realização dos eventos.

Betânia diz que, depois do evento, irá entrar numa campanha para conseguir um espaço definitivo para a Biblioteca do Coque. O acervo do espaço conta com cerca de 3,5 mil livros de literatura infanto-juvenil e adulta, além de revistas, livros de formação e gibis, que a pedagoga considera a porta de entrada para a leitura de outros livros. Além da Feita Literária, a biblioteca promove outros eventos, tais como o Poesia na Esquina, Balada Literária e Forró Literário, geralmente interagindo com outros eventos artísticos da comunidade.

“Também tenho um projeto chamado Pequenique na casa, onde levo uma cesta de comidas e conto histórias para os moradores. Fazemos também oficinas com mães grávidas, para que escutem algumas histórias e aprendam, para contar para seus bebês. E tem também o projeto Conto lá que eu conto cá, onde os meninos da biblioteca vão a uma das escolas públicas contar uma história para um grupo de alunos, depois os alunos também vem aqui contar alguma história”, relata Betânia.

III Feira Literária do Coque reunirá escolas da comunidade em atividades de leitura, exposição, oficinas e contação de histórias.

III Feira Literária do Coque agregará  atividades de leitura, exposição, oficinas e apresentações artísticas

A III Feira Literária do Coque é para ela uma espécie de culminância de todos os projetos. Pois acontece para um público que já está habituado a trabalhar com o livro, com a leitura e com a biblioteca. “É um bom enraizamento comunitário. Todas as escolas públicas, reforços e escolinhas particulares participam”, diz ela.

 

< voltar para Literatura