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Livro infantil resgata memória de travessia centenária no Rio Capibaribe

“Acorda Rio - Memórias de uma travessia”, da artista pernambucana Catharina Rosendo, resgata a história do barqueiro Pai e a relação da cidade com o rio.

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Foto: Divulgação

Contemplado no edital da Lei Paulo Gustavo Pernambuco, com apoio financeiro do Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, o livro infantil “Acorda Rio – Memórias de uma travessia”, da artista visual e ilustradora pernambucana Catharina Rosendo, será lançado neste domingo (22), às 15h, no Jardim Secreto do Poço, na Zona Norte do Recife.

Integrante do Coletivo Jardim Secreto desde 2017, a autora encontrou inspiração ao conviver com Antônio José da Cunha, conhecido como Pai. Barqueiro que herdou do pai e do avô um ofício centenário, ele conduz até hoje, com sua família, a travessia de barco no Rio Capibaribe, entre os bairros do Poço da Panela e da Iputinga, mantendo vivos saberes que atravessam gerações e resistem ao tempo, mesmo diante das transformações urbanas que afastaram a cidade de suas águas.

O lançamento acontece no Dia Mundial da Água e propõe um encontro entre arte, memória e cidade às margens do Rio Capibaribe. A programação contará com roda de conversa com a autora e com o barqueiro Pai, sessão de autógrafos e a exibição do curta Entre Margens, documentário inspirado na mesma travessia que deu origem ao livro. Dirigido pelos estudantes Arthur Cardoso, Francisco Pestana, Lis Bettini e Raquel Velasco, o filme acompanha o cotidiano de Pai e registra o percurso entre as duas margens, revelando a dimensão humana e histórica de uma travessia que segue presente na vida da cidade.

Com narrativa poética e ilustrações em aquarela feitas pela própria autora, o livro “Acorda Rio – Memórias de uma travessia” convida crianças e adultos a olhar novamente para os rios, não apenas como paisagem urbana, mas como territórios vivos da memória recifense.  O título brinca com a corda que Pai usa para atravessar passageiros em seu barco azul, funcionando como um fio que conecta passado e presente. O livro também conta com audiodescrição, acessível por meio de um QR code, ampliando o acesso à obra.

“Essa história nasceu de conversas à beira do rio, de idas e vindas sobre a travessia. Foi assim que conheci Pai, barqueiro de ofício herdado do pai e do avô, como quem herda não apenas um trabalho, mas também respeito e cuidado com a natureza. Esse ofício foi um dos mais importantes da cidade. Conectava bairros, comércios e territórios. Criava pontes antes que elas existissem. Abria, em silêncio, rotas de fuga para quem buscava liberdade. Os canoeiros, junto com Pai, ajudaram a erguer a cidade”, explica a autora.

Publicitária de formação, Catharina Rosendo trabalhou por mais de duas décadas como diretora de arte em agências do Recife, desenvolvendo projetos gráficos editoriais, estudos iconográficos e ilustrações. Artista visual e ilustradora por vocação, combina técnicas como aquarela, acrílica, colagem e grafite. Atualmente, a artista se dedica ao estudo do livro-álbum, formato que une narrativa e imagem. “Acredito que o livro é a primeira galeria de arte da criança e, através dele, podemos transformar o olhar e romper estereótipos. Podemos pertencer.”, conclui.

O livro foi editado pela Editora Pó de Estrelas, e o projeto foi contemplado no edital da Lei Paulo Gustavo Pernambuco, com apoio financeiro do Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

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