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AUDIOVISUAL

Debates e mostra de filmes em Super 8 marcam aniversário do Arquivo Público de Pernambuco

Um dos momentos mais ricos na história do cinema feito em Pernambuco foi o ciclo de filmes em Super-8, que marcou a década de 1970 e a primeira metade dos anos 1980, com filmes rodados em bitolas de 8 milímetros. Cerca de 40 películas foram produzidas na época, várias delas premiadas e reconhecidas no mundo inteiro, influenciando o polo cinematográfico que se estruturou no Estado.

Boa parte desta produção poderá se rememorada nos dias 6 e 7 de dezembro, quando o Arquivo Público de Pernambuco vai oferecer uma programação gratuita com cineastas, críticos, estudiosos e professores universitários que participaram do movimento. Entre eles, estarão Jomard Muniz de Brito, Paulo Cunha, Alexandre Figueiroa e Paulo Caldas. Onze filmes e dois debates fazem parte da programação, que prestará uma homenagem ao jornalista Geneton Moraes Neto, falecido este ano e um dos mais ativos participantes do ciclo do Super 8.

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O jornalista e cineasta Geneton Moraes Neto é o homenageado da programação

A homenagem vai constar na entrega de uma placa, a ser recebida, na ocasião, pela viúva e pela filha de Geneton, Elizabeth Passos e Joana Moraes, respectivamente. Além disso, o primeiro dia será inteiramente dedicado ao homenageado, com exibição de vários de seus filmes em super-8. De acordo com o crítico de cinema e pesquisador Alexandre Figueiroa, os filmes de Geneton foram alguns dos mais significativos daquele ciclo. “Eles refletiam as inquietações dos jovens do período diante da ditadura militar e fazia o cinema pernambucano dialogar com os movimentos culturais do período como o Cinema Novo e o Tropicalismo”, aponta.

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Filmagem em super 8

Amigo de Geneton e um dos líderes do Movimento Super-8, Paulo Cunha acrescenta que o homenageado “se destacou pela sua proposição acerca do uso da bitola, que não tentava simular a estética do cinema hegemônico“, pelo contrário, fazia uso de uma “poesia e espécie de experimentalismo fortíssimos no que diz respeito à encenação e à fotografia”, sendo, por isso, “umas das heranças mais interessantes daquele momento”. Além disso, “Geneton sempre foi muito cuidadoso e organizado, ele conseguiu preservar e guardar tudo o que fez”, lembra Paulo.

Graças ao seu cuidado, parte dos filmes poderão ser vistos na projeção original, outros em versão digitalizada pra DVD.  “A projeção em super 8 tem uma química e uma energia muito peculiar e bonita. Se isso for realmente viável, será uma ótima oportunidade pras pessoas entenderem um pouco sobre o que era o nosso coração, como os nossos afetos estavam projetados naquelas películas”, acredita Paulo Cunha, que vai ministrar, no dia da abertura, a palestra Super-8 no Recife: a política dos afetos.

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Em 1985, Paulo Caldas, Lírio Ferreira, Cláudio Assis, Adelina Pontual e Samuel Holanda fundaram o grupo Van-retrô

Outro destaque da programação é a palestra O ciclo do super oito, origem do polo de cinema de Pernambuco?, com Alexandre Figueiroaque abordará o papel dos filmes super-8 como instrumento de resistência cultural e como alicerce da geração seguinte do audiovisual em Pernambuco. “Por causa da liberdade oferecida pela bitola super 8, valorizou-se a experimentação e com certeza isso influenciou a forte marca autoral do cinema pernambucano hoje. O super 8 foi uma espécie de escola prática“, acredita Alexandre Figueiroa.

Também fará parte da programação a abertura de exposição com jornais da década de 1970 e início dos anos 80. Entre as preciosidades, as primeiras matérias publicadas nos jornais locais do jovem jornalista Geneton Moraes Neto. De acordo com o jornalista e cineasta Félix Filho, curador do evento junto com Lula Cardoso Aires Filho, o intuito é “apresentar um recorte da produção super-8 feita no Recife, a partir de uma noite afetiva e também de um panorama histórico dos realizadores”.

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O poeta e cineasta Jomard Muniz de Brito

A ideia de rememorar o ciclo recifense se enquadra na programação comemorativa do 71º do Arquivo Público, cuja fundação aconteceu no dia 4 de dezembro de 1945. O evento integra, também, o programa de atividades do Arquivo, que a cada mês promove os seminários Memória Ativa Debate, com os quais conecta fatos do passado recente a acontecimentos da atualidade para extrair ensinamentos e viabilizar novas perspectivas.

Na ocasião, haverá, ainda, a inauguração da restauração do edíficio-sede do Arquivo, um casarão construído na primeira metade do século 19, que foi utilizado como cadeia, Parlamento e Fórum ao longo de quase 300 anos de história.

Confira a programação completa:

1º DIA – terça 06/12 – 19 horas

Abertura da Exposição

Palavras de Evaldo Costa

Entrega da Placa em homenagem a Geneton

Exibição dos filmes:
1) Esses Onze Aí
Ano de realização – 1978
Duração – 10 minutos

2) A Flor do Lácio é Vadia
Ano de realização – 1978
Duração – 6 minutos

3) Fabulário Tropical
Ano de realização -1979
Duração – 5 minutos

4) Funeral para Década das Brancas Nuvens
Ano de realização – 1979
Duração – 10 minutos

Palestra: Super-8 no Recife: a política dos afetos
Palestrante: Paulo Cunha.
Debatedores: Félix Filho e Jomard Muniz de Britto
2º dia – Quarta 07/12 – 19 horas .

Abertura

Exibição dos filmes:
1) Cinema Glória, Fernando Spencer e Félix Filho, 1979, 16 min.
2) O Décimo Terceiro Trabalho, Osman Godoy e Athos, 1972, 6 mim
3) Brigada Portinari, Celso Marconi, 1978, 11 min.
4) Composições no Fio – Partituras Mutantes, Paulo Bruscky,1979, 3m
5) Palhaço Degolado, Jormard Muniz de Britto, 1977, 10 min.
6) Olho Neles, Jomard Muniz de Britto, 1982, 7 min.
7) Valente é o Galo, Fernando Spencer, 1974, 14 min.

Palestra: “O ciclo do super oito, origem do polo de cinema de Pernambuco?”
Palestra: Alexandre Figueirôa
Debatedores: Paulo Caldas e Lula Cardoso Ayres Filho

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