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Conselho de Preservação

Conselho de Preservação aprova pedido de tombamento da Cruz do Patrão

Divulgação

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O monumento no passado, junto com a Igreja de Santo Amaro das Salinas, era um instrumento balizador que orientava o acesso das embarcações ao Porto do Recife

Os membros do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) aprovaram por unanimidade, nesta quinta-feira (25), o pedido de tombamento da Cruz do Patrão. Localizado às margens do Rio Capibaribe, o monumento, erguido em alvenaria no século 18, está atualmente sob o domínio do Porto do Recife, e, no passado, junto com a Igreja de Santo Amaro das Salinas, era um instrumento balizador que orientava o acesso das embarcações à capital pernambucana.

De acordo com o relator do processo – que teve como base o exame técnico elaborado pelo corpo técnico da Gerência de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe, o conselheiro Leonardo Dantas, a Cruz do Patrão é um dos mais antigos monumentos do Recife. “O acesso ao Porto do Recife, segundo demonstram todos os mapas que tratam desta área, foi uma preocupação constante dos seus habitantes; daí a existência dos marcos de balizamento que ofereciam a orientação segura de navegação no seu canal de acesso. A Cruz do Patrão, como instrumento de balizamento náutico, encontra-se presente nos mapas que registram a região portuária recifense no século 18, e em particular na planta elaborada pelo padre José Caetano em 1759, denominada Prospecto da Vila do Recife. Neste documento aquarelado, o monumento aparece representado, tal e qual conhecemos nossos dias, por uma coluna em alvenaria (10,49 m.) situada à beira da praia, conservando as mesmas coordenadas da atualidade“, afirmou.

O balizamento, segundo Dantas, se dava por uma linha reta formada pelo alinhamento da visão do piloto do barco com a coluna da Cruz do Patrão e esta, por sua vez, com a Igreja de Santo Amaro das Salinas. “O alinhamento das duas imagens indicava a direção segura de navegabilidade no canal de acesso ao Porto do Recife“, disse em seu parecer.

Bruno Souza/Secult-PE/Fundarpe

Bruno Souza/Secult-PE/Fundarpe

Leonardo Dantas foi o relator do processo no CEPPC

Além do monumento em si, o tombamento contempla todo o seu entorno nos dias atuais, calculado em cerca de 2.440 m² e, por solicitação/observação dos conselheiros do CEPPC, determina que “qualquer construção, que venha ser instalada na área, deverá manter livre e desobstaculada a linha imaginária do eixo da visada do monumento com a entrada da barra e a Igreja de Santo Amaro das Salinas“.

O CEPPC publicará agora a resolução de tombamento, e o processo retornará à Secretaria de Cultura (Secult-PE). A Secult-PE deverá encaminhá-lo ao governador do Estado, que emite o decreto de tombamento. Depois de publicado, o decreto é despachado ao CEPPC, que inscreverá a Cruz do Patrão no seu livro de tombo.

Histórico/Características
Localizado às margens do Rio Beberibe, no extremo norte do bairro do Recife, o monumento serviu no passado ao sistema de balizamento da entrada do ancoradouro interno do nosso porto; como a própria denominação revela na sua conceituação náutica: patrão – chefe da guarnição de embarcação pequena a remos ou a motor.

A Cruz do Patrão trata-se de uma coluna em alvenaria, com 10,49 m., que até hoje mantém as mesmas características documentadas em velhas gravuras e mapas, desde o século 18.

Formalmente, ainda em sua forma atual, é citada no Plano do Porto do Recife de 1814, como referência explícita ao patrão-mor (oficial encarregado de capitania dos portos ou arsenal de marinha). A coluna em alvenaria aparece encimada por uma cruz de pedra com as iniciais INRI, ou seja, Iesus Nazarenus Rex Iudeorum, com cerca de seis metros de altura por dois de diâmetro.

Na literatura regional a Cruz do Patrão veio ser consagrada nos romances de Franklin Távora, como cenário de execuções por fuzilamento e umas tantas outras estórias envolvendo crendices, bruxarias e assombrações.

Nos dias atuais, situa-se o monumento na entrada norte do Porto do Recife, nas proximidades da Fortaleza de São João Batista do Brum (1631); esta, por sua vez, considerada Monumento Nacional regularmente inscrita no Livro de História do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob o nº 43/1938.

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