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Conselho de Preservação

Edificações remanescentes do antigo Engenho da Torre são tombadas pelo CEPPC

O tombamento foi aprovado nesta última quarta-feira (5) pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC)

Acervo Fundarpe

Acervo Fundarpe

A área abriga atualmente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário; a Casa Grande, hoje a Escola Estadual Maciel Pinheiro, e a Chaminé construída em cerâmico maciço

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) aprovou, na manhã desta última quarta-feira (5), o tombamento das edificações remanescentes do antigo Engenho da Torre, que atualmente corresponde à atual Igreja de Nossa Senhora do Rosário; à Casa Grande, hoje a Escola Estadual Maciel Pinheiro, e à Chaminé construída em cerâmico maciço, que apresenta ainda as mesmas características originais. Todas essas edificações se encontram localizadas na Praça Barreto Campelo, no bairro da Torre.

O pedido de tombamento foi apresentado em 2013 pelo pesquisador e então conselheiro de cultura (atual conselheiro de Preservação) de Pernambuco, Leonardo Dantas, com o objetivo de preservar a memória do bairro da Torre que, já em 1863, era descrito por Manoel da Costa Honorato como “belo e aprazível arrabalde da cidade [Recife], com muitos sítios, ótimos jardins e excelentes casas. Para aí se retira grande parte da população do Recife, pelo tempo do Natal”.

Em seu parecer, o conselheiro Leonardo Dantas lembrou que o Engenho da Torre já aparece nas crônicas da Guerra Holandesa (1630-1654), como Engenho do Rosário (Barlaeus), tendo sido ocupado pelas tropas invasoras em 5 de agosto de 1633. “Distando pouco mais de 6,5 quilômetros do centro do Recife, as terras do antigo engenho (8.6 km²), servidas pelos bondes elétricos da Pernambuco Tramways a partir de 25 de maio de 1915, logo despertaram a atenção pelo seu ‘clima seco e ameno, saudável e muito aconselhado pelos médicos para doentes de moléstias graves’”, rememorou o conselheiro.

“A importância maior desse tombamento é que o Engenho da Torre, que existe desde o século 16, foi o único remanescente da paisagem do Recife dos dias atuais. Todos os demais engenhos do Recife desapareceram”, diz Dantas. Segundo o pesquisador, a escola, que funciona hoje no edifício que já foi a Casa Grande, tem até os mesmos ladrilhos. A chaminé e a torre também encontram-se muito bem conservadas. “É preciso agora cuidar da área, talvez um painel de azulejo localizando o engenho para os visitantes e passantes terem uma ideia de como era disposto”, sugere.

HISTÓRICO
No final do século XIX, o bairro da Torre era um das mais aprazíveis povoações do Recife, todo cortado por largas e extensas ruas, bem alinhadas, bom casario, elegantes prédios e grandes sítios.

No âmbito industrial, possuía a Torre duas tecelagens de algodão, pertencentes a Companhia de Fiação e Tecidos de Pernambuco, a primeira delas instalada em 1884 e uma segunda em 1889; esta última originária da fábrica de tecidos da Madalena (Rua Demócrito de Souza Filho), inaugurada em 1874, que funcionava com 50 teares (adquiridos na Bélgica) e 35 operários. As unidades de tecelagem foram implantadas sob a direção do industrial Antônio Machado Gomes da Silva (falecido em 1905), conhecido popularmente pelo apelido de Silva Muriçoca e assinalado por Joaquim Nabuco, como o Silva da Madalena.

Na Torre também funcionou, na Rua Marcos André, uma fábrica de fósforos, “totalmente automatizada”, cujo primitivo prédio veio a ser ocupado pelo recém-criado Parque Regional de Motomecanização do Exército (hoje situado em Casa Forte) em 1942.

A denominação do engenho, segundo Pereira da Costa, é originária de sua capela que era a única das redondezas a possuir uma torre. Daí a mudança de designação de Engenho do Rosário (séc., XVII) para Engenho da Torre (séc. XVIII), quando passou pela primeira reforma em 1781, sob os auspícios do sargento-mor Filipe Campelo. Em 1867 veio a sofrer outra grande modificação a cargo dos proprietários do engenho, João Carneiro Rodrigues Campelo e Maria do Carmo Carneiro Campelo, cujas obras foram concluídas em 8 de dezembro do ano seguinte; uma lápide, ainda hoje conservada no arco acima da sua porta central, assinala tal reforma. É desta época a instalação de um grande mausoléu, localizado na porta do lado esquerdo de sua fachada, onde se conservam os restos mortais de todos os descendentes das famílias Carneiro Campelo e Barreto Campelo.

A paróquia de Nossa Senhora do Rosário da Torre foi criada pela Lei Provincial nº 1532, de 28 de abril de 1881, mas somente instalada por provisão do arcebispo D. Luís Raimundo da Silva Brito em 17 de agosto de 1912, com a celebração da primeira missa em 28 de janeiro do ano seguinte pelo padre Eliodoro Pires.

A devoção à Santa Luzia, padroeira dos operários de fiação e tecelagem, que por vezes aparece como orago principal, é objeto de romarias populares e de uma aparatosa festa no dia 13 de dezembro de cada ano. O surgimento de tal devoção à Santa Luzia, protetora da visão, vem por conta dos inúmeros acidentes ocorridos com os operários da indústria de tecelagem, quase sempre fatais para os olhos. Uma imagem de pouco mais de 150 cm foi mandada trazer de Portugal, pelo mesmo Antônio Machado Gomes da Silva, tendo sido entronizada na primitiva capela do engenho na festa de 13 de dezembro de 1892.

Na Praça da Torre (hoje Barreto Campello), encontram-se hoje conservados: a fachada da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, a chaminé do primitivo engenho (depois olaria) e a casa-grande; esta transformada em escola pública a partir de 1915, quando veio a ser ocupada pelo Grupo Escolar Martins Júnior (que se mudou para o novo prédio construído no terreno posterior, como escola de segundo grau) e hoje pela Escola Maciel Pinheiro.

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